quarta-feira, 19 de junho de 2013

Minha análise sobre as manifestações no BHNEWS

8 comentários:

André Terra disse...

O cálculo é simples!!! Meu caro analista que tá na "vibe" do movimento ! Qual o maior público que a manifestação conseguiu levar às ruas de SP ??? Destes, quantos estavam de GREVE, ameaçando o Capital e o Estado ??? Agora responda: qual a população de São Paulo e qual o percentual da força de trabalho paulista aderiu ao "movimento" ???? Sinto muito, mas não era o "POVO" e nem a "População Economicamente Ativa" que "Occupy" a Av.Paulista !!! A galera "desceu do FACE", mas flores para policiais não ameaçam patrão, partido ou político algum !!! Bons sonhos, o "gigante de papelão" nunca despertou !!!

Rudá Ricci disse...

André,
Se o cálculo fosse tão simples, a política seria matemática.
Você tem razão que os eleitores de Lula não estão nas ruas. Mas isto não impede a obrigação que sociólogos e dirigentes políticos têm em analisar esta massa que sai às ruas todos os dias. Não sei qual sua idade, mas posso garantir que este é um movimento contínuo na história política contemporânea. Obviamente que quem pensa e opera com a lógica burocrática (incluindo os partidos, estruturas verticalizadas que não estão nas ruas) está assustado e se defende com poucos argumentos e muitos adjetivos. Melhor ter uma postura mais dirigente, olhando com cuidado, para aprender e corrigir.

Ricardo Roquim Ferreira disse...

Estou a procura de posicionamentos a respeito do assunto para conseguir formar da melhor maneira possível minha opinião. Gostei muito da sua visão sobre os fatos e posso dizer que concordo bastante com sua análise. O que mais me chama a atenção nesses movimentos, é a pluralidade, a ausência de líderes, enfim, uma nova formatação de movimento cuja a principal característica é a heterogeneidade. É uma nova maneira de se fazer política, e a ausência de centros específicos de liderança dificultam qualquer tipo de corrosão, ou aparelhagem por parte das forças obscuras que regem o cenário político contemporâneo.

Agora, gostaria de saber sua opinião a respeito do futuro de tudo isso. Quais serão os desdobramentos? Essa heterogeneidade que legitima o movimento pode ser seu próprio calcanhar de aquiles justamente pela ausência de um pilar ideológico? Qual o legado que será deixado para o cenário político brasileiro, se é que ele existirá?

Obrigado Rudá.

Ricardo Roquim Ferreira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jerusa Polo disse...

Rudá, gostei bastante da sua entrevista..., principalmente porque de tudo que tenho lido na rede, você é a pessoa mais ponderada e que não puxa o leme nem para um lado e nem para outro, consegue observar a situação e pontua-la com discernimento adequado. Estou no processo seletivo para Sociologia na USP, e gostaria de levantar algumas questões, para entender com você:
Quando você menciona que o movimento não tem liderança, e isso é um fato, onde você acha que chegaremos com algo tão pluralista...e com ideologias aparentemente não tão concretas de reivindicação.explico: um cartaz que diz "Não a Corrupção" só expressa um desconforto mas não um caminho...não sei, humildemente vejo assim e você?
Hoje a Folha de SP anunciou que o PT como partido vai participar das manifestações em São Paulo, o que você acha disso? Qual rumo que essa manifestação poderia tomar a medida que os partidos políticos começam a se apropriar dela como forma de defesa.
Quando você menciona que os sinais de insatisfação da população já poderia ser sentido, no caso dos saques do bolsa família por causa do falso anuncio,você não acha que essa ocorrência tem menos a ver com politização e cidadania e totalmente a ver com medo de nãõ ter mais o dinheiro para comprar um celular?
Não sei se me fiz entender....

Rudá Ricci disse...

Ricardo e Jerusa,
De alguma maneira, estas mobilizações seguem o script de amadurecimento que vários movimentos sociais que surgiram nos anos 1980. Nascem pela democracia direta (sem representantes), decidindo tudo em praça pública, sem lideranças. Ocorre que, em determinado momento, precisam se unificar para poder negociar com quem está no poder. Caso contrário, fica impossível um dirigente escolher qual bandeira é a mais importante.
Neste sentido, ontem começou a movimentação para construção de uma agenda unificada. Venho publicando neste blog algumas dessas iniciativas. Hoje, o PT e as centrais sindicais decidiram sair às ruas, a partir das 16h00. Enfim, começa a disputa - legítima - pela liderança destas mobilizações.
Há, ainda, a possibilidade de esvaziamento, na medida em que muitas demandas não forem atendidas. Mas até o momento, tudo é uma espécie de festa democrática, um carnaval político. Hoje mesmo, recebi um link de uma página no facebook de jovens postando "Gatas e Gatos das manifestações". Fotos e fotos de jovens que são eleitos como os mais bonitos. Morri de rir.

Jerusa Polo disse...

Nesse caso, em termos políticos outros partidos políticos que ainda não se manifestaram no sentido de apoiar as manifestações estão saindo atrás nessa disputa, certo? E aí de novo...será que teremos mais do mesmo....
Rudá, outro ponto importante que não mencionei anteriormente, não encontro seu livro em nenhuma livraria de SP e preciso muito dele para o meu projeto, ele aparece como esgotado. Por favor se possível me indique uma livraria que o tenha em estoque.
Obrigada,
Abs,
Jerusa Polo

Rudá Ricci disse...

Jerusa,
Meu livro está esgotado (oito meses depois de lançado, em 2010). Mas você pode encontrar um exemplar na livraria Quixote, na Savassi, em BH. Já preparei a segunda edição, que deve ser lançada no segundo semestre.