sexta-feira, 21 de junho de 2013

Alerta aos partidos e líderes das mobilizações

Ontem foi um dia de erros, principalmente à noite.
A começar pelos partidos, em especial, PT e PPS.
Já citei o erro da forma como o presidente nacional do PT, Rui Falcão, convocou a "onda vermelha". O PT tem o direito, e até o dever, de estar presente nas manifestações. Mas a forma foi desastrosa. Por qual motivo criar uma onda vermelha para se diferenciar da onda jovem, branca ou verde e amarela, que enche as ruas? Para piorar, Falcão falou a senha para a diferenciação - outro erro crasso - ao sustentar que o PT não tem medo das ruas. Apontou para a direção certa, mas tremeu a mão. Ficou evidente que o presidente do partido que governa o país não acolhia as manifestações e decidiu se diferenciar. Como se o PT tivesse, ainda, uma militância tão aguerrida, massiva e participativa que engoliria a multidão que sai às ruas na última semana. Espero que tenha aprendido.
Do outro lado, a propaganda infeliz do PPS que foi ao ar na noite de ontem. Um oportunismo às avessas. O telespectador, que estava assistindo, assustado, o quebra quebra em várias capitais, e que logo saberia que já havia o primeiro morto pela intransigência, em Ribeirão Preto, se deparou com um discurso agressivo, incontido, de chamamento às ruas contra o governo federal. Não foi um discurso ponderado, mas destilando ódio, numa espécie de gasolina jogada à fogueira. Aliás, onde estava o PPS quando todos saíram às ruas? Em que se diferenciava dos outros partidos até aqui? Qual seu poder de convocação popular para dar esta guinada em seu discurso, agora voltado para as massas? Será que seus dirigentes acreditam, realmente, que possuem poder para tanto ou foi apenas a velha lógica do quanto pior, melhor?
Mas é preciso ponderar sobre os líderes (ou candidatos a porta-voz) das mobilizações.
Sejamos sinceros: ontem, a violência passou de uma linha imaginária da civilidade. É verdade que em várias localidades a polícia militar, mais uma vez, se revelou despreparada. O tal protocolo foi saltado várias vezes. Utilizar cavalaria em manifestação de jovens é provocação. Do início do diálogo para tiros com balas de borracha é ignorar os outros passos que sugerem corpo a corpo antes do uso de armas, mesmo que não letais.
Mas alguns pretensos líderes se excederam. Não conseguem criar sistemas de segurança interna. E, alguns, parecem excitados com sua "revolução" particular. Vi e ouvi um jovem, com boné que estampava a bandeira de Cuba (pobre Cuba, utilizada como símbolo de imaginação fértil!) afirmar para um comandante da PM mineira que "não tinha como conter a massa". Como? Era ele que liderava e continha a massa até então? Novamente, o oportunismo. Não assumia uma postura responsável. Ficasse quieto, se não lidera, ou organizasse melhor, estimulasse melhor, seus liderados. Não foi uma única vez que liderei alguma mobilização social. Fui da comissão de negociação da greve de trabalhadores de estatais paulistas. Entrar numa greve é até razoavelmente fácil, mas sair, é um pesadelo. Para uma liderança responsável, é fundamental saber conduzir todo o processo, que tem seus altos e baixos, dialogando, ponderando, procurando criar um clima de tolerância, ainda que mínimo, ou não haverá espaço para diálogo e negociação. Porque negociar é ceder.
Enfim, as velhas gerações de políticos estão dando o exemplo para estes novos candidatos à liderança social. De oportunismo em oportunismo, chegamos ao mesmo ponto de ontem à noite. A violência é a anulação da política. Se alimenta da intolerância e se torna um rastilho de pólvora.
Se os velhos líderes não sabem mais como fazer política, o que esperar desses nossos jovens iniciantes?

3 comentários:

AF Sturt Silva disse...

As manifestações que não tinha uma liderança forte, acabaram se massificando.

Jovens das redes sociais passaram agir de forma violenta nas ruas como agem na internet.

E eles passaram a ganhar destaque nas manifestações. Ganharam por ser os mais combativos, seja no enfrentamentos aos ataques da polícia, seja em destruir tudo que encontra pela frente: de bandeiras de esquerda, há instituições públicas, passando por carros da imprensa...

O movimento Passe Livre já retirou das manifestações. Pelo jeito não serão os novos líderes que a política brasileira precisa.

AF Sturt Silva disse...

http://expressovermelho.blogspot.com.br/2013/06/manifesto-de-unidade-e-de-luta.html

comentário anterior tirei daqui: acho que se refere apenas ao estado de MG.

Guilherme Scalzilli disse...

Não em meu nome

Em Campinas, a manifestação tomou o centro da cidade. Mais de trinta mil pessoas. O clima inicial era pacífico, ordeiro, quase festivo. As primeiras bombas caseiras explodiram logo no trajeto à prefeitura. Apesar dos reiterados gritos de “violência não”, os sustos foram se repetindo, provocados por jovens risonhos com ares de traquinagem.

A aglomeração estancou diante do Paço, fragilmente isolado por cavaletes, cordas e fileiras de guardas municipais. Era impossível acompanhar o que acontecia na linha de frente, mas não houve repressão imediata, porque o ato continuou tranqüilo por cerca de uma hora. Então ressurgiram os estampidos inconfundíveis que nos acompanharam até ali. E barulhos de rojões e pedras lançados às vidraças da fachada do prédio.

A guarda reagiu. Veio apoio policial. Nuvens de gás se espalharam pelas ruas adjacentes, envolvendo a correria do povo assustado. O ardor no rosto e nos olhos era insuportável. Os focos de confusão prosseguiram, empurrando os manifestantes. Os coros pedindo calma foram substituídos por um burburinho apreensivo.

A tropa de choque da PM apareceu, com a brutalidade habitual, e o evento se transformou numa batalha. Fogueiras ardiam nos canteiros das avenidas. Lojas e bancas de jornal foram saqueadas, cidadãos agredidos e roubados por gangues de lenços nas caras. Às onze da noite o centro da cidade era uma ruína de escombros e lixo e fumaça.

Quem são os bandidos mascarados que transformam uma passeata reformista em cenário de guerrilha? Por que se dirigiram a um ato pacífico levando bombas e rojões? O que pretendem conseguir incendiando e depredando o espaço público? Quem os financia, os incentiva, os organiza? O que explica o fato de todos os ataques fascistas exibirem certos padrões comuns, desde as vestimentas dos imbecis até os seus métodos de provocação e ataque?

Essa violência não é representativa. Não é popular. Não é libertária. E definitivamente não é democrática. Chegou o momento de refletirmos sobre o que está acontecendo nas ruas do país. E de cobrar responsabilidades.

http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2013/06/o-responsavel-por-isso-e-geraldo-alckmin.html