sexta-feira, 28 de junho de 2013

Manifestações chegam à encruzilhada da adolescência

Na vida é comum chegarmos à uma encruzilhada onde somos obrigados a decidir qual caminho devemos tomar.
A onda avassaladora de manifestações do nosso Maio de 68 (vai demorar para emplacarmos o Junho de 2013) se depara com uma dessas encruzilhadas.
Se radicalizarem o discurso, mas se repetirem a forma, será muito difícil conterem o desgaste e o isolamento.
O que transformou a rua em uma imensa Ágora não foram as bandeiras, mas a liberdade e a revolta, nem sempre explicada. Este espaço efetivamente público foi o que legitimou as manifestações.
O discurso agressivo, mesmo fundamentado, descola do que grande parte dos que saíram às ruas no dia 20 pensa e age. Esta é a sabedoria política que parece começar a faltar nas assembleias preparatórias das próximas manifestações. Do dia 20 para cá, apareceram os primeiros sinais de algum declínio. O que sugere a pergunta: como retomar a energia política e não deixar a peteca cair?
Sem dúvida, procurando não ser tomado pela adrenalina. A adrenalina leva ao enfrentamento, nem sempre pautado pela inteligência. Neste caso, se o objetivo é continuar abrindo espaço para milhões (não apenas centenas) de brasileiros expressarem sua indignação, o melhor caminho não é se postar como vanguarda esclarecida, mas como leitor do perfil e desejo dos brasileiros.
As assembleias de preparação das mobilizações precisam, sob pena de não conterem o refluxo, garantir a pluralidade. A forma de passeatas em linha reta não parece mais garantir esta riqueza social. Porque a vanguarda, palavra que não rima com a lógica das mobilizações recentes, se divide quando chega próximo dos batalhões de choque. Começa o exame para sabermos quem é mais forte ou corajoso. Quebram e, no dia seguinte, tudo continua como dantes. Um jorro de energia adolescente.
Onde a violência começa, termina a política.
Esta é a encruzilhada. É preciso garantir as ruas como espaço público onde a pluralidade se expressa. Para tanto, é preciso evitar o estilo vanguardista, daqueles que se acham mais capazes, mais ousados, mais questionadores, mais independentes, mais fortes. É preciso cristalizar as ondas dentro das manifestações: espaços diversos, no interior de cada passeata ou rua; expressões culturais e políticas. E é preciso começar a pensar em alternativas políticas. Afinal, como substituir o que está sendo criticado?
Quebrar é fácil. Dizer que todos serão cooptados, mais fácil ainda.
O difícil é superar o niilismo conservador.

2 comentários:

João Luiz Pena disse...

Rudá, o debate que ocorreu na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP foi muito interessante. Olha aí o link: http://revistaforum.com.br/blogdorovai/2013/06/25/debate-na-usp-primavera-brasileira-coloca-o-brasil-entrou-na-era-da-disputa-de-redes-nas-ruas/

Rudá Ricci disse...

Vou assistir. Mas desde já, vou disponibilizar no blog. Obrigado.