Sábado, 22 de Novembro de 2008

Mais sobre Emir Sader


Foi só postar uma mensagem sobre a gestão de Emir Sader (na foto) na Clacos e já começam a chegar mais informações a respeito. Fui informado que Emir está forçando a saída da CLACSO de Maristella Svampa (investigadora-docente associada regular da Universidade de General Sarmiento na Argentina, bolsista Guggenheim, prêmio Kónex ao Mérito, professora da Universidade de Paris III - Sorbonne Nouvelle).

A novidade Leonardo Quintão merece mais análise


As eleições passaram e os derrotados são esquecidos no passar dos dias. Este não é o caso de Gabeira, que está sendo lembrado e relembrado todos os dias. Mas um dos personagens que mereceriam maior análise como inovação política mineira: Leonardo Quintão. Quintão foi realmente uma novidade no céu de brigadeiro de Minas Gerais. Acredito que Hélio Costa procurou, quando candidato a governador, emplacar este estilo. Mas era "global" em demasia. Olhava direto para a câmera de TV, falava da mãe (lembro de uma carta que sua mãe teria enviado, que Costa leu no final da campanha). Mas Quintão é mais jovem e demonstrou uma habilidade de comunicação muito significativa. Soube traduzir a tradição mineira para a pós-modernidade. Aécio Neves, Patrus e Pimentel não possuem este perfil. Quintão foi demagogo, como analisou Richard Sennett em "O Declínio do Homem Público", quando analisou a postura de Nixon no início das acusações que desaguariam no Watergate. Nixon foi à TV e falou de sua cachorrinha, que ganhou dos filhos. Disse que os que o atacavam não pensavam em sua família e nesta cachorrinha. E deu certo. Sennett percebeu que Nixon criava uma ponte para com os que se sentem ressentidos com a política oficial e formal. Falava como amigo da vizinhança e demonstrava desconforto como político profissional. Quintão, acredito, trilhou esta "passagem". Foi e será um adversário político perigoso. Criou uma alternativa na política mineira. A despeito do seu conteúdo conservador, sua forma é uma novidade em MG.

Aubry é a nova secretária geral do PSF


Por uma diferença de apenas 42 votos (num total de 137 mil votos) a ex-ministra do Emprego e prefeita de Lille, Martine Aubry (na foto), derrotou Ségolène Royal, na eleição interna para escolha da direção da Secretaria Geral do Partido Socialista Francês. No primeiro turno da eleição, Ségolène Royal venceu com folga a disputa. O terceiro colocado na disputa, o esquerdista Benoit Hamon, pediu então que seus apoiadores votassem em Martine Aubry no segundo turno. Royal não aceitou o resultado das eleições, que foi confirmado neste sábado. A candidata afirma que houve irregularidades e exige uma nova votação na próxima semana.

Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Faça o que falo, mas...

Recebo carta dos funcionários da CLACSO que criticam a administração de Emir Sader:

"Las/os trabajadoras/ es del Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO) pedimos la reincorporació n de nuestra compañera Ana Sofía Jemio*, despedida arbitraria e injustamente el pasado lunes 27 de octubre. Ana Sofía Jemio, quien fue vocera de la Asamblea de Trabajadores de CLACSO, recibió un telegrama de despido que alega como causal "razones de reestructuració n fundadas en falta de trabajo y fuerza mayor no imputable a empresa", argumentos que no se condicen con la realidad actual de CLACSO. Las/os trabajadoras/ es de CLACSO entendemos que este despido se enmarca en un proceso de reestructuración de personal llevado adelante por la gestión del actual Secretario Ejecutivo, Emir Sader, que ya ha implicado la desvinculació n de 22 trabajadoras/ es, aproximadamente un tercio del total de empleadas/os de la institución. Las características de este proceso tienden a precarizar nuestras condiciones laborales y atentan contra la estabilidad de nuestros puestos de trabajo. Cabe destacar como un factor altamente preocupante el intento de las autoridades de la Secretaría Ejecutiva de evitar el pago de las indemnizaciones correspondientes.
Las/os trabajadoras/ es de la Secretaría Ejecutiva consideramos necesario expresar públicamente nuestra gran preocupación ante el proceso de reestructuració n que está siendo implementado por las autoridades de la institución.
Hace un año, las/os trabajadoras/ es hemos iniciado un proceso de organización destinado a defender nuestros derechos laborales y nuestros puestos de trabajo. A comienzos del mes de octubre, en un clima de creciente tensión, en el cual se prohibieron las reuniones de personal en horario laboral bajo la advertencia de sanciones, y tras sortear una serie de obstáculos generados por las autoridades, hemos elegido delegados sindicales dentro del marco legal vigente. Sin embargo, las autoridades de la Secretaría Ejecutiva no reconocen a la Asamblea de las/os trabajadoras/ es ni a los dos delegados elegidos.
A pesar del compromiso asumido por el Secretario Ejecutivo Adjunto, Pablo Gentili, de dar una respuesta a nuestro pedido de reincorporación de Ana Jemio a su puesto de trabajo, al día de hoy lamentablemente no hemos recibido respuesta alguna al tiempo que se suceden las advertencias de diversa índole a las/os trabajadoras/ es de la institución, hechos que agudizan el clima de incertidumbre imperante. (...)
ASAMBLEA DE TRABAJADORAS y TRABAJADORES DE CLACSO
asambleadetrabajado resdeclacso@ gmail.com"

Uma mulher assumirá a secretaria geral do PS Francês


Os militantes do Partido Socialista francês decidirão, por votação, esta noite, quem vai ocupar o cargo de secretário-geral em substituição a François Hollande. No primeiro turno, na quinta-feira, as duas candidatas – Ségolène Royal e Martine Aubry - superaram o terceiro candidato, Benoît Hamon. Royal captou 43% dos votos; Aubry, 34%.

Push and Bush


Bush será uma eterna incógnita para os EUA. Obteve o maior índice de popularidade do seu país. Segundo o Gallup, ele foi o único que chegou aos 90% de aprovação, índice alcançado dez dias depois do 11 de setembro de 2001. Mas também foi o Presidente dos EUA que menos aprovação obteve na história. Segundo o Gallup, atualmente ele conta com 23% de aprovação. Neste caso, os número enganam: ninguém pode explicar claramente como chegou aos 90% de aprovação.

Guinada à Esquerda: estatização da previdência argentina


O Senado argentino aprovou ontem projeto governamental para nacionalizar a previdência privada. Há 14 anos, os recursos estão nas mãos das Administradoras de Fundos de Aposentadoria e Previdência (AFJP) do país.
A Associação de Dirigentes de Empresas da Argentina colocaram em suspeição a segurança jurídica do país. Analistas de mercado afirmaram que o governo necessita de caixa para fechar as contas em 2009. Os líderes radicais (URC, partido de oposição ao governo Kirchner) afirmaram que seria violação ao direito de propriedade.
A iniciativa prevê a transferência dos ativos das AFJP - cerca de US$ 30 bilhões (R$ 63 bilhões)- ao sistema estatal, o que é apoiado pelo governo e por setores de outros partidos. O argumento principal do governo é a crise financeira. "Ouço dizer que o governo quer fazer uma caixa. Nunca especulamos na hora de tomar decisões, além de manter o superávit fiscal. Pensamos na Constituição, que diz que é o Estado quem deve garantir as aposentadorias", afirmou Cristina Kirchner. O governo previa quebra de três administradoras.

Fernando Pimentel: "a luta continua"


Fernando Pimentel resiste. A Executiva do PT de MG arquivou três requerimentos contra o atual prefeito de Belo Horizonte. Tudo ocorreu ontem à noite. A executiva possui 21 membros e 12 são ligados umbilicalmente ao prefeito. Nove outros integrantes ligados ao ministro Patrus Ananias compareceram e tentaram adiar ou vetar a decisão de arquivamento. Perceberam que perderiam e saíram sem votar. Entretanto, já havia quorum para deliberar. Os principais requereimentos eram pela impugnação de 6,5 mil filiações recentes (questão central da ofensiva de Patrus sobre Pimentel) e o que pedia punição ao prefeito por ter feito campanha com o PSDB, hipótese vetada pelo Diretório Nacional do PT.
O troco já está sendo produzido.

Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

Nicarágua


Relato (divulgo uma parcial) de Padre Arnaldo Zenteno, da Nicarágua:

"1.- Nuestro país está totalmente polarizado y que especialmente en León y Managua hay mucha tensión y ha habido mucha violencia.

2.Al menos la apariencia -si no hay algún arreglo bajo la mesa- es que los dos contendientes principales (el Frente Sandinista y los liberales de Alemán y Montealegre) no están dispuestos a ceder ni un centímetro y que ambos se sienten en las plazas principales ganadores en las elecciones municipales de este 9 de noviembre. Aunque por experiencias pasadas, no poca gente se pregunta si va a haber algún arreglo o pacto escondido, y ¿qué darán a cambio de qué?

3.El Frente apostó a sus obras como gobierno: Bono productivo- Programa Hambre 0 en el campo - Fondo revolvente de cerdos, perdiguéis, terneras - Usura 0 en las ciudades (préstamos a muy bajo interés para microproyectos) - Viviendas Populares - pavimentación de calles. Su otra apuesta ha sido una "Campaña de Amor, no Odio", tomándose las rotondas con grupos populares con su mensaje y con oración y mensajes bíblicos.
- Los Liberales apostaron con el "No a la Dictadura" (basados en el camino autoritario que denuncian en el gobierno sandinista), y desde antes de las elecciones su otro pilar ha sido "No al fraude electoral". Acusación y luego rechazo del Fraude Electoral.

4.- De parte de los liberales se han planteado las Elecciones Municipales como un termómetro de las próximas elecciones presidenciales. Lo han planteado como un Referéndum contra el presidente Daniel Ortega. Y de hecho la campaña municipal de Montealegre en Managua se resumía en "todos contra Daniel", logró reunir a las dos vertientes liberales -la de Alemán y la de Montealegre-, y logró que se le sumaran también increíblemente los del Movimiento de Renovación Sandinista (MRS) que hace años se separaron del Frente. Los del MRS se sumaron a los liberales, pues esto -según dicen- es un mal menor. El mal mayor para ellos es la "dictadura sandinista". Y en respuesta el Frente también ha puesto todos los fierros en Managua y León como si fuera referéndum del Partido Sandinista -por lo mismo su respuesta ha sido tan firme y dura.

5.- Ha habido mucha violencia desde unas semanas antes de las elecciones. Esto se ve en especial en las marchas. Pero conviene aclarar que la violencia es de los dos lados -con acusaciones mutuas de contratar pandilleros o al menos jóvenes sin trabajo para que se lancen con las piedras, morteros etc.. Y sobre todo ayer, en las tomas de la TV se podía ver los palos, garrotes, bates de los dos lados, y del lado liberal también se vio al menos un fusil y heridos de bala.

6. La violencia inicial se dio de los dos lados de diversa manera. El Frente se sintió como provocado por la marcha que antes de las elecciones organizaron los liberales a la ciudad de León -que se supone es bastión sandinista, y reaccionó poniendo tranques en la carretera para que no llegara la caravana liberal- y en esos tranques había palos y garrotes amenazantes, y de hecho impidieron que esa caravana de buses y carros llegara a León."

Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

As discussões sobre a reforma tributária


Relato de Evilásio Salvador, do INESC e Fórum Brasil do Orçamento:

"Estive hoje a tarde acompanhando a reunião da Comissão Especial da Reforma Tributária. Na reunião anterior que foi apresentado o Relatório do Dep. Sandro Mabel foram feitos vários questionamentos ao texto. Alguns dos quais relatei na nossa reunião de equipe na segunda-feira passada. Pois bem, a reunião de hoje foi para que o Deputado Sandro apresenta-se modificações, a partir do que foi proposto pelos deputados. Algumas das modificações são:

a) Imposto Verde - inclusão de um artigo na Constituição que vai permitir a gradação das alíquotas dos impostos (alíquotas diferenciadas) para as empresas que poluam ou que preservem o meio ambiente, conforme a atividade econômica. Em minha opinião é um avanço importante e insere a discussão tributária no debate contemporâneo de preservação do meio ambiente.
b) Previdência social – foi inserido um dispositivo, assegurando que as perdas de arrecadação da previdência social decorrentes da redução da contribuição patronal sobre folha de pagamento serão cobertas pelo Tesouro Nacional. Essa emenda atende a uma das reivindicações das entidades. Eu particularmente sou contra a redução da contribuição patronal para a previdência social. Não há certeza dos efeitos que essa desoneração gera em termos de empregos e as experiências internacionais não são conclusivas sobre tema. Creio que a geração de empregos depende mais de outras variáveis econômicas como: renda, inflação e crescimento. Além disso, hoje tem na Constituição um artigo que permite a cobrança diferenciada da contribuição previdenciária, conforme a empresa for intensiva em mão-de-obra ou em capital, a contribuição pode ser sobre a folha de pagamento ou o faturamento. O governo nunca regulamentou.
c) Imposto sobre grandes fortunas – no relatório apresentado na semana passada tinha sido extinto o imposto e criada uma contribuição sobre grandes fortunas exclusiva para o financiamento da seguridade social. Contudo, hoje esse dispositivo foi retirado, e voltou a situação anterior. Ou seja, como imposto sobre grandes fortunas. Considero um retrocesso. A transformação em contribuição foi uma reivindicação das entidades apresentada pela Dep. Luiza Erundina e pela Bancada do PT. Mas, a oposição reclamou (DEM e PSDB) e o relator e a bancada do PT cederam. Com isso, o debate sobre a Contribuição sobre Grandes Fortunas para a seguridade social será remetida ao plenário. O risco é limpar da Constituição. O próprio relatório já avisou que é contra esse imposto.
d) Fundo de Desenvolvimento Regional. Os deputados conseguiram aumentar o valor de R$ 2,8 bilhões para R$ 3,5 bilhões na negociação com o Ministério da Fazenda. Mas o Relator já anunciou que querem R$ 7 bilhões. Essa discussão vai ficar para o Senado Federal."

Recessão do Brasil em 2009?


O economista-chefe do Morgan Stanley, Marcelo Carvalho, disse que o Brasil pode entrar em recessão no 1º trimestre de 2009. Segundo ele, há riscos de retração no último trimestre deste ano e no primeiro do ano que vem, o que configuraria uma recessão clássica também no país, a exemplo do que já aconteceu com Alemanha, Japão, Itália e Zona do Euro. É o primeiro a fazer esta previsão sombria. Vamos anotar.

O absurdo da política de premiação na educação


Gilberto Dimenstein escreve artigo na Folha de SPaulo de domingo ("As filhas de Obama e o professor de rua") onde revela o ponto mais baixo desta política de premiações para definir condutas e resultados na educação. Revela que a Prefeitura de Washington começou a oferecer, neste semestre, R$ 400 mensais para os estudantes de escolas públicas que se comportarem bem e tirarem boas notas. Este é o caminho que logo chegarão os secretários estaduais de educação que pretendem adotar a trilha fácil da proposta deste movimento Todos pela Educação, que procura adotar mecanismos tayloristas na educação. Começa ao premiar professores que conseguirem melhorar o desempenho dos alunos. Como se desempenho de aluno estivesse vinculado ao pecúlio profissional. Como se os professores só trabalhassem motivados pelo dinheiro. Mesmo que a maior empresa de estudos de produtividade (HAY) revele que desempenho profissional não se relaciona com salário ou prêmio. No Japão, algumas empresas chegaram a adotar como premiação o pagamento de funcionários a bordéis. Será que algum dia esta idéia será adotada em nosso país? Até que nível chegaremos nesta história de premiar o que é dever profissional? Qual o motivo (não falado) de mercantilizar a educação?

Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Fernando Pimentel vai para o PSB


Um importante quadro do governo Aécio garantiu, hoje, que o prefeito Fernando Pimentel (PT-BH) vai se filiar ao PSB para ser candidato à governador em 2010, tendo como vice Danilo de Castro (secretário de governo de Aécio) ou o deputado tucano Nárcio Rodrigues. Os dois, aliás (Nárcio e Danilo) estão se enfrentando politicamente nos bastidores. Com isto, o cenário mineiro para as eleições em 2010 começa a se definir: Patrus Ananias (PT), Hélio Costa (PMDB) e Fernando Pimentel (PSB/PSDB).

O acordo de Lula com o Vaticano


Artigo 2º
A República Federativa do Brasil, com fundamento no direito de liberdade religiosa, reconhece à Igreja Católica o direito de desempenhar a sua missão apostólica, garantindo o exercício público de suas atividades, observado o ordenamento jurídico brasileiro.

Artigo 5º
As pessoas jurídicas eclesiásticas, reconhecidas nos termos do Artigo 3º, que, além de fins religiosos, persigam fins de assistência e solidariedade social, desenvolverão a própria atividade e gozarão de todos os direitos, imunidades, isenções e benefícios atribuídos às entidades com fins de natureza semelhante previstos no ordenamento jurídico brasileiro, desde que observados os requisitos e obrigações exigidos pela legislação brasileira.

Artigo 7º
A República Federativa do Brasil assegura, nos termos do seu ordenamento jurídico, as medidas necessárias para garantir a proteção dos lugares de culto da Igreja Católica e de suas liturgias, símbolos, imagens e objetos cultuais, contra toda forma de violação, desrespeito e uso ilegítimo.
§ 1º. Nenhum edifício, dependência ou objeto afeto ao culto católico, observada a função social da propriedade e a legislação, pode ser demolido, ocupado, transportado, sujeito a obras ou destinado pelo Estado e entidades públicas a outro fim, salvo por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, nos termos da Constituição brasileira.

Artigo 9º
O reconhecimento recíproco de títulos e qualificações em nível de Graduação e Pós-Graduação estará sujeito, respectivamente, às exigências dos ordenamentos jurídicos brasileiro e da Santa Sé.

Artigo 10
A Igreja Católica, em atenção ao princípio de cooperação com o Estado, continuará a colocar suas instituições de ensino, em todos os níveis, a serviço da sociedade, em conformidade com seus fins e com as exigências do ordenamento jurídico brasileiro.
§ 1º. A República Federativa do Brasil reconhece à Igreja Católica o direito de constituir e administrar Seminários e outros Institutos eclesiásticos de formação e cultura.
§ 2º. O reconhecimento dos efeitos civis dos estudos, graus e títulos obtidos nos Seminários e Institutos antes mencionados é regulado pelo ordenamento jurídico brasileiro, em condição de paridade com estudos de idêntica natureza.

Artigo 11
A República Federativa do Brasil, em observância ao direito de liberdade religiosa, da diversidade cultural e da pluralidade confessional do País, respeita a importância do ensino religioso em vista da formação integral da pessoa.
§1º. O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação.

Artigo 15
Às pessoas jurídicas eclesiásticas, assim como ao patrimônio, renda e serviços relacionados com as suas finalidades essenciais, é reconhecida a garantia de imunidade tributária referente aos impostos, em conformidade com a Constituição brasileira.
§ 1º. Para fins tributários, as pessoas jurídicas da Igreja Católica que exerçam atividade social e educacional sem finalidade lucrativa receberão o mesmo tratamento e benefícios outorgados às entidades filantrópicas reconhecidas pelo ordenamento jurídico brasileiro, inclusive, em termos de requisitos e obrigações exigidos para fins de imunidade e isenção.

Artigo 16
Dado o caráter peculiar religioso e beneficente da Igreja Católica e de suas instituições:
I - O vínculo entre os ministros ordenados ou fiéis consagrados mediante votos e as Dioceses ou Institutos Religiosos e equiparados é de caráter religioso e portanto, observado o disposto na legislação trabalhista brasileira, não gera, por si mesmo, vínculo empregatício, a não ser que seja provado o desvirtuamento da instituição eclesiástica.
II - As tarefas de índole apostólica, pastoral, litúrgica, catequética, assistencial, de promoção humana e semelhantes poderão ser realizadas a título voluntário, observado o disposto na legislação trabalhista brasileira.

Domingo, 16 de Novembro de 2008

PS Francês se divide em 3


Agora já é oficial: o Partido Socialista francês tem três postulantes ao cargo de secretário-geral. São eles: Martine Aubry (filha de Jacques Delors), Benoît Hamon (membro do parlamento europeu) e Ségolène Royal. Martine Aubry, Presidente da Câmara de Lille, é apoiada por seguidores do diretor-geral do FMI (Dominique Strauss-Khan) e por anti-europeístas do ex-primeiro-ministro (liderados por Laurent Fabius). Benoit Hamon congrega a ala "esquerdista" do partido, negocia o apoio (ou aliança) de Aubry. E Ségolène firma-se como estrela em alta e que atrai a ira de todas outras facções tradicionais do partido. No dia 20 de novembro, todos militantes do partido elegem o secretário-geral (é possível que tenha segundo turno, no dia seguinte). Esta é, talvez, a disputa mais acirrada e agressiva dos últimos anos e pode significar uma virada na página do partido. A crise partidária se arrasta desde as derrotas de Lionel Jospin e Ségolène Royal, para a Presidência da França. François Hollande, atual secretário-geral do PSF chegou a afirmar, ao final do dia de hoje:"Ninguém ganhou, mas perdeu-se muito".


Para quem tem interesse em acompanhar este longo processo congressual do PS Francês, o blog do congresso é: http://congresdereims.parti-socialiste.fr/

A seca no Norte de MG


A seca do norte de Minas Gerais é um tema recorrente, assim como a pobreza do Vale do Jequitinhonha. Entra governo, sai governo, os dois temas são uma constante nas manchetes de jornais. Agora é período de seca grave no norte do Estado. As matérias nos jornais começam a se multiplicar, como uma espécie de efeméride estadual.
Leio relatos que são arrolados em muitos jornais. Este é um deles: “A ajuda que a gente recebe desse pessoal é só conversa. Ajuda nossa mesmo é de Deus. Governo e prefeito nunca deram aqui nem uma folha para tampar o vento”, resumiu o agricultor Aloeci Francisco Batista, 58 anos, 30 deles vividos na comunidade Curral de Varas, na zona rural do município de Porteirinha. Como diretor de ONG não culpo apenas os políticos profissionais e governos, mas a capacidade de nossas entidades elaborarem propostas factíveis e em escala suficiente para alterar este cenário. A Secretaria de Meio Ambiente, por exemplo, prevê liberaçào este ano de R$ 10 milhões para ações de melhoria da quantidade e da qualidade da água nas áreas mais atingidas pela estiagem. Os recursos integram o Fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas do estado (Fhidro), um dos fundos mais profícuos de MG. O secretário José Carlos Carvalho é, em minha opinião, o mais capaz e comprometido do governo Aécio Neves. O pacote do governo prevê ainda a aplicação de R$ 4,8 milhões na construção de 2 mil cisternas de captação da água da chuva e em capacitação das comunidades em gestão de recursos hídricos. Estas ações foram articuladas em parceria com a Cáritas e com a Articulação do Semi-Árido Brasileiro (ASA). O que, afinal, devemos fazer para este problema estrutural ser superado ainda no século XXI?

La palavra


De Christina Castello (Argentina):

LA PALABRA

La palabra— ese silencio extraviado
Esa hilera de hormigas que hoja a hoja
Modela el follaje corpóreo de la voz
La palabra— ese bálsamo promisorio
Esas manos ofrecidas a la ausencia
Ese tiempo transversal al llanto
Esa costura desatada, esa confianza
Ese pan, esa sedición del alfabeto
Esa cópula del verbo, esa memoria
Ese gentío fusionado en un son
Esa pupila abierta a todo albor
La palabra— esa metralla de lirios
Ese erotismo de Dios.

Sábado, 15 de Novembro de 2008

A guerra nos bastidores do congresso do PS Francês


O congresso do Partido Socialista Francês, em Reims (que termina amanhã) é uma tensão só. As negociações nos bastidores unificam várias lideranças contra a candidatura de Ségolène para a secretaria geral do partido. Como é tradição nos congressos de partidos europeus, as correntes se expressam a partir das teses (no caso, 4 teses) debatidas pelos congressistas (no caso, 4 mil). Para se ter uma idéia, já houve reunião de 3 grandes lideranças (Martine Aubry, Bertrand Delanoë e Benoît Haumon) para discutir uma aliança chamada já de "frente anti-Ségolène"
Para quem quer entender um pouco o clima do congresso, veja o http://www.segoleneroyal2007.net/article-24791746.html . E, ainda, para entender as idéias desta socialista em ascensão, veja seu novo livro "Si la gauche veut des idées" (na foto) onde registra um diálogo dela com o sociólogo Alain Touraine.

Fusão do PPS com PSDB


Para algumas lideranças partidárias, as eleições municipais foram uma crônica de uma morte anunciada. Talvez, por este motivo, PSDB e PPS começaram a discutir a possibilidade de fusão entre as duas siglas. O assunto foi tratado em jantar na semana passada na casa do presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), do qual participaram o governador José Serra e o deputado federal Nelson Proença (RS), integrante da executiva nacional do PPS. Segundo Roberto Freire, o assunto ainda não está sendo discutido internamente, mas deverá entrar na ordem do dia em virtude da "inquietação" dos congressistas com a possível restrição às coligações e com a possível abertura de um período para o troca-troca partidário sem o risco de perda de mandato.

Reunião da Articulação em MG


A articulação, corrente majoritária do PT, está realizando sua reunião das forças mineiras, no Laces Contagem/Betim. O ministro Patrus (e Dulci) estava presente e foi ovacionado, principalmente pela juventude. Foi lançado informalmente candidato à governador em Minas Gerais. Nas conversas de bastidor, algumas lideranças chegaram a ventilar a possibilidade do prefeito Fernando Pimentel sair do PT. Muitas faixas colocadas no local do encontro tinham frases com endereço certo, como "Fora Tucanato". A política é instável, não?

Obama, o pêndulo?


Obama é conhecido por sua capacidade de mediar e por ser muito cauteloso nas suas decisões, chegando a ser qualificado por alguns de seus conhecidos como “conservador” (pouco ousado seria o mais correto). Parece, contudo, que este perfil acaba por levá-lo a se articular com forças sociais muitas vezes opostas. No final da campanha, o nome de William Ayers (na foto) foi levantado por McCain, como amigo de Obama. Ayers estaria do lado oposto das posições do futuro chefe de gabinete do novo Presidente dos EUA. Algo que só o governo Lula explicaria. Ayers nasceu em 1944 e nos anos 60 foi um militante importante que se opôs à guerra contrao Vietnã. Em 68 fundou uma organização de esquerda (Weather Underground) que teria tentado explodir prédios públicos (no velho estilo de “ação direta”). Foi militante da New Left e da Students for a Democratic Society. Hoje, leciona na Universidade de Illionois e recebeu vários títulos de distinção na área educacional. No estilo já conhecido dos brasileiros, Obama elaborou duas respostas à McCain:
RESPOSTA 1: “A verdade é que eu também sou amigo de Tom Coburn, um dos mais conservadores republicanos no Senado, que uma vez durante sua campanha disse que seria apropriada a aplicação da pena de morte para quem executasse abortos. Eu preciso me desculpar pelas declarações de Coburn? Porque eu também não concordo com estas”.

RESPOSTA 2: "Vamos deixar as coisas claras. Bill Ayers é um professor em Chicago. Há quarenta anos, quando eu tinha oito (anos), realizou atos com um grupo radical e eu condeno estes atos. Ayers não está envolvido em minha campanha, nunca esteve envolvido em minha campanha e não vai estar na Casa Branca".

Marco Aurélio Nogueira contra a política institucional


Marco Aurélio Nogueira é cientista político da UNESP de Araraquara, colunista do jornal O Estado de S Paulo. Nesta entrevista, faz coro a um tema que procuro trabalhar nos últimos anos, ou seja, o ocaso da política formal moderna. Vamos à entrevista:

Qual é a outra política existente além da institucionalizada?
A política-vida pode ser tomada como a melhor alternativa, entendendo-se por isso a preocupação de compor uma agenda pública aberta para os temas da sociedade e das pessoas. Mas a política-vida não pode se estabilizar e avançar se também não estiver articulada de algum modo com a política institucionalizada.

Como é que "ser politicamente contra a política" lhe deu a oportunidade de mergulhar no "salvamento" da política?
Bem, se nos colocamos "politicamente" contra a política, estaremos travando uma luta política contra a política, ou seja, não estaremos jogando a política fora, mas recuperando-a e qualificando-a. desta forma, agiremos para "salvar" a política, ou seja, retirá-la do controle exclusivo dos políticos e abrindo-a para a sociedade e os cidadãos.

Por que é impossível existir uma sociedade humana sem o Estado ou sem a autoridade?
Porque as sociedades precisam de coordenação e organização. Precisam também de parâmetros de sentido, valores compartilhados e perspectivas solidárias. O Estado, compreendido como uma instância de articulação, de criação de leis e de garantia de direitos, pode cumprir este papel melhor do que outras instituições ou do que a livre deliberação dos indivíduos. A autoridade é uma necessidade, mas volta-se contra si mesma, em sociedades complexas como as nossas, se derivar para uma forma autoritária. Ou seja, se não for democrática e não estiver sintonizada com a deliberação e as vontades dos indivíduos.

Você afirma que "A idéia de crise da política sugere que ainda não estamos sabendo retirar positividade e explorar os elementos virtuosos que emergem daquilo que se desagrega e se desorganiza". Quais são esses elementos?
São essencialmente dois: a maior liberdade de ação e a reflexividade, ou seja, a capacidade de processar informações e pensar. Disso deriva a expansão da vontade de participar e, por essa via, a democracia se aprofunda. Indivíduos capazes de pensar com a própria cabeça são indivíduos capazes de fazer escolhas e de interferir no jogo político e social.

Explique brevemente as 6 teses que provam que é possível ser politicamente contra a política.
Primeiro, viver em sociedade é adotar a perspectiva da polis, não somente a do poder.
Segundo, a político como poder não consegue dar conta de todos os aspectos da vida social e individual, necessitando ser complementada por formas ampliadas de política, a política-vida. Terceiro, os espaços da política-vida (foruns, redes, assembléias) ajudam a ampliar e a dinamizar os espaços da política-poder.
Quarto, a articulação entre mundo social, mundo dos indivíduos, mundo da economia e mundo político necessita de esforços políticos para poder se efetivar.
Quinto, hoje em dia o problema maior é que o mundo social e o mundo dos indivíduos estão sendo monopolizados e colonizados pela economia e pelos mercados, e não estão conseguindo alimentar o mundo político. A política, nestas condições, fica fora de controle e produz mais problemas que soluções. Sexto, devemos tentar explorar a potência que está armazenada nos espaços da subpolítica (a política-vida) para com isso sintonizar a política-vida com a política-poder.

Começa a briga no PS Francês


Recebo boletim da campanha de Ségolène Royal sobre sua candidatura à direção do Partido Socialista Francês (Secretária Geral). Ségolène, após perder as eleições para Sarkozy, vem tentando manter-se como liderança de renovação do PS, mas enfrenta grande oposição dos maiores líderes, incluindo seu ex-companheiro, François Hollande, que já foi secretário geral do partido e apóia, neste momento, um adversário de Royal, o presidente da Câmara de Paris, Bertrand Delanoë. Lideranças socialistas tradicionais consideram que Ségolène teria um perfil muito à esquerda. Contudo, Royal foi preferida pelos militantes na votação das moções para o congresso do partido, contando com 29% dos votos, contra 25% de Bertrand Delanoë e Martine Aubry.
A mensagem recebida é a seguinte:
"Ségolène Royal sera candidate au poste de Premier secrétaire du Parti socialiste. C'est ce qu'a annoncé vendredi soir le député Manuel Valls, qu'elle avait mandaté pour faire cette annonce, à l'issue de l'assemblée générale des signataires de sa motion. Manuel Valls a ajouté que Vincent Peillon, un autre proche de l'ancienne candidate socialiste à la présidentielle, serait candidat au poste de Premier secrétaire délégué, qui serait créé en cas de victoire de Mme Royal.
"La responsabilité qui pèse sur nos épaules et tout particulièrement sur celles de Ségolène Royal est une responsabilité historique", car "rassembler et créer les conditions d'une alternance en 2012, c'est toute la tache qui attend les socialistes, ça n'est pas la tache d'une seule personne", a-t-il souligné. (...) "Ce qu'on a souhaité, ce n'est pas seulement un Premier secrétaire délégué, mais toute une équipe (...) parce qu'on ne réussira pas seuls", a expliqué le député européen Vincent Peillon. Il faut que les socialistes "donnent aux Français autre chose que le spectacle des conciliabules, des alliances à géométries variables et des noms qui voltigent que nous entendons ici", a-t-il prévenu."

Sexta-feira, 14 de Novembro de 2008

Cana está saindo de São Paulo


Estava com dados defasados sobre o avanço da cana-de-açúcar em São Paulo. Os diretores da CATI afirmam que este ano o movimento foi revertido. Primeiro: são grandes fornecedores que ainda mantém contrato com usinas, diminuindo a renda da agricultura familiar que, até então, vinha adotando esta cultura aceleradamente. Segundo: muitas usinas estão atrasando os pagamentos aos fornecedores. Por um acaso, encontro Marcos Jank, Presidente da Unica (União da Indústra da Cana-de-Açúcar) hoje de manhã. Ele confirmou que a tendência é o plantio e a produção se deslocar rapidamente para o centro-oeste. Interessante perceber o dinamismo (inclusive geográfico) da produção agrícola no Brasil.

Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Guerra em escola pública


Estou em São Paulo (estive desenvolvendo uma oficina de construção de indicadores de monitoramento do projeto Microbacias 2, da CATI, a Emater de SP e amanhã estarei com os diretores do Sinesp). As manchetes de todos jornais paulistas e paulistanos estampam o caso de uma guerra que ocorreu numa escola estadual (EE Amadeu Amaral, no Belém, zona leste da capital paulista), envolvendo alunos. Tudo iniciou com uma briga entre duas estudantes. A história foi piorando a ponto dos professores ficarem ilhados. A PM foi chamada e os alunos dizem que foram espancados. O Diário de São Paulo afirma que parecia uma das rebeliões da FEBEM. Muitos pais decidiram retirar seus filhos da escola. Esta situação não é nova, mas vai evoluindo em todo mundo. Alguns anos atrás, o governo francês patrocinou um evento internacional sobre violência nas escolas. O evento recomendou, ao final, que o tamanho das escolas não poderia ultrapassar 600 alunos, justamente para propiciar maior proximidade com alunos e se antecipar às situações tensas. O termo BULLYING é um dos mais citados na literatura escolar. Bullying seriam todas formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Enfim, este é um tema do século. Estou lendo o livro de Howard Becker, "Outsiders" que trata indiretamente deste assunto. Desmistifica a relação direta do "desvio de comportamento" com causas psicológicas ou econômicas. Seria importante aprofundarmos estas situações evitando a tradicional repressão "disciplinadora" como resposta dos adultos ao mundo e subculturas juvenis.

Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008

Carta Aberta à Barack Obama


Um grupo de quase 380 especialistas em América Latina publicou no dia 20 de outubro uma Carta Aberta ao Senador (agora Presidente) Barack Obama. A carta destaca o momento histórico para melhoria das relações dos EUA com a América Latina. O texto afirma que o movimento em curso pela mudança na América Latina seria uma rejeição do modelo de desenvolvimento econômico que foi imposto à região a partir da década de 80. A mudança em curso teria incluído segmentos sociais marginalizados (como índios, negros, camponeses, entre outros). A carta destaca como, muitas vezes, os EUA são percebidos pela região como opressores, percepção agravada pela administração Bush. A tendência do governo norte-americano em não aceitar mudanças na região ficou ainda mais nítida em relação aos processos de democratização ocorridos recentemente na Venezuela e Bolívia. O texto cita a política de boa vizinhança, adotada na década de 30, que gerou um período de harmonia entre os países do continente. Assina, entre outros, Eric Hershberg, Presidente da LASA (Latin American Studies Association). A carta pode ser acessada no site http://www.art-us.org/node/382 ou em http://www.democraticunderground.com/discuss/duboard.php?az=view_all&address=405x9459

O desabafo de Mino Carta


"Amigos navegantes, estou tocado, sem pieguismo, com tantas manifestações de apoio, compreensão e carinho. Enquanto fico abismado com os eventos do Brasil pós-Satiagraha. É um torneio para verificar quem prima pela irresponsabilidade, pela velhacaria, pela desfaçatez. Se a Polícia Federal do doutor Correa, se o Supremo Tribunal Federal, se a mídia nativa. O espetáculo é assustador, a provar a definição do juiz De Sanctis: o Brasil não é digno da democracia e da civilização. Temos de engolir mentiras, mistificações, ofensas ao senso comum que seriam apenas monstruosas não fossem também absurdas à beira do ridículo, por mais doloroso. Confesso meu desalento, a despeito de uma fala relevante do presidente do STF, Gilmar Mendes, ao se referir a "uma revista de péssima qualidade", ou seja, a CartaCapital. Trata-se, obviamente, de um elogio. No mais, aviso aos amigos da internet que a partir de hoje, sexta-feira, silêncio por duas semanas, em busca de oxigênio. Se o Brasil fosse aquele de Gilmar Mendes e Cia, e de tantas outras figuras deploráveis, e dos sabujos da mídia e seus patrões, e da Corregedoria da PF, e de muitas autoridades da situação e da oposição e do próprio governo, eu entenderia o gesto de despedida de Carlota Joaquina."

A blogosfera


A revista britânica The Economist [6/11/08] afirma que o blog virou mecanismo de formação de opinião. Em alguns temas, pode até ocorrer este fenômeno. Mas ainda é cedo para se chegar a tal conclusão genericamente. É verdade que as campanhas políticas deste ano deram um passo nesta direção, ganharam grande visibilidade. Já não são mais apenas blogs, mas uma rede de outros instrumentos que garantem caráter pessoal e identidade, como Facebook, MySpace e Orkut. Também emergiram os microblogging (caso do Twitter). As mensagens do Twitter podem ser enviadas de telefones celulares, devem ter até 140 caracteres. A campanha de Obama utilizou muito este instrumento. É interessante que cria uma proximidade e um diálogo fácil, distinto da linguagem publicitária utilizada na política. Tanto que os usuários do Twitter utilizam como início das mensagens a pergunta "o que você está fazendo?". No site http://twitter.com/ o texto inicial:
"Twitter is a service for friends, family, and co–workers to communicate and stay connected through the exchange of quick, frequent answers to one simple question: What are you doing?"

Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Lição de Portugal para os secretários estaduais de educação do Brasil


Mais de 120 mil professores (80% de toda a classe) manifestaram-se neste domingo nas ruas de Lisboa contra as políticas de Educação do Governo de José Sócrates (Partido Socialista), e em particular contra o modelo de avaliação de desempenho que este pretende concretizar".
Será que os secretários estaduais da educação (e seu CONSED) e o Todos pela Educação conseguirão entender este sinal?

Beluzzo e a Crise


A revista Fórum publicou interessante entrevista do economista Luiz Gonzaga Belluzzo (na foto), conselheiro pessoal de Lula. Vou reproduzir algumas passagens:

"Apesar de todos os impropérios que se lançam contra as políticas neoliberais dos governos brasileiros, a desregulamentação do mercado americano não foi acompanhada pelo Brasil. Nem pelos mercados europeus, só que os bancos de lá se meteram com os americanos por causa da relação muito próxima e dos canais entre os bancos e suas filiais. Os ingleses sofreram mais porque fizeram exatamente o que os Estados Unidos fizeram."

"os chineses estão preocupados por terem comprado papéis da Fannie Mae e Freddie Mac e títulos do governo americano. Hoje não estão recebendo nada porque [esses papéis] estão com um rendimento muito baixo já que todo mundo correu para eles como forma de proteção."

"o nível de endividamento das famílias (dos EUA) é de 140% da riqueza disponível enquanto em 29 era de 45%. Nunca houve um nível de endividamento como hoje. O pacote tinha de ser mais arrojado e, ao mesmo tempo, a intervenção do governo tinha de ser mais intensa, mas isso não vai acontecer porque há uma resistência ideológica."