quinta-feira, 20 de junho de 2013

Os movimentos, a política social e o direito de sonhar

Recebo este artigo escrito pelo sociólogo carioca, José Maurício Domingues. Ele esteve conosco no sábado passado, discutindo o lulismo no Espaço TIM/UFMG do Conhecimento, comigo e Bruno Wanderley Reis. Aproveito para informar que no dia 4 de setembro, André Singer (autor de "Os Sentidos do Lulismo") estará conosco para discutir seu livro. No mesmo mês, Marcos Nobre (Unicamp) lançará seu livro sobre a peemedebização da política brasileira.
Vamos ao artigo do José Maurício:

Os movimentos, a política social e o direito de sonhar
José Maurício Domingues
Publicado em O Globo - 19/06/2013

Há muito ainda a compreender nas belas manifestações que tomaram o país. Mas algumas coisas parecem
claras. Elas refletem uma insatisfação mundial, que afeta em particular os jovens, com a forma fechada
com que funcionam os sistemas políticos.
As pessoas recusam que a política seja coisa das máquinas que a sequestraram; as redes sociais têm
cumprido papel fundamental em sua organização, e as manifestações são influenciadas pelas que
acontecem em outros lugares. Mas o contexto é importante.
Entre nós, depois de anos de mudanças sociais significativas, tudo indica que as pessoas querem mais e
que estão faltando criatividade e iniciativa, em particular ao PT, que foi o oxigênio principal da política
nas últimas décadas.
Há de tudo nas manifestações, mas dois aspectos se destacam. Vemos a insatisfação e um desejo difuso
de mudança se espraiarem. A agenda do combate à pobreza e das políticas setoriais parece haver atingido
seus limites de inclusão social. Assim afirma-se a ocupação massiva do espaço público, reivindicando-o
contra a privatização da vida e pelo direito a sonhar.
Por outro lado, desponta a pauta dos direitos sociais - o que é especialmente visível em São Paulo em face
do terrível transporte público e da opção pelo individualismo automotivo que se mantém há décadas no
país.
O que ocorrerá daqui por diante está em aberto. Talvez o saldo a médio prazo desses protestos seja a
regeneração do associativismo, que declinou nas últimas décadas, agora sob formas mais horizontais e
inovadoras, provavelmente mais autônomas em relação aos p

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Minha análise sobre as manifestações no BHNEWS

Jovens aprendendo a fazer política (em Brasília)

Um site que centraliza as mobilizações em BH

Ufa! Agora está mais fácil entender o que está ocorrendo aqui em Belo Horizonte.
Veja esta página do facebook AQUI .
Trata-se da página do Comitê Popular dos Atingidos pela Copa-BH.
A página se abriu para os manifestantes apresentarem suas demandas e organizarem uma pauta.
Ali são apresentadas as pautas e agenda das passeatas e mobilizações na capital mineira.

A pauta apresentada no facebook do movimento em Belo Horizonte

Não há autoria, mas está sendo divulgada, via facebook, uma proposta de pauta de exigências da mobilização em Belo Horizonte. Vou reproduzir:

Ao prefeito:
- Início imediato do planejamento e obra de ampliação do Metrô-BH
- Início imediato do planejamento e obras contra enchentes em período de chuva
- Explicações sobre o BRT; quais são as melhorias pra cidade? Porque demora tanto? Qual a explicação para o péssimo planejamento que levou a desmanchar trechos prontos?
- Investimento na infraestrutura e no equipamento dos hospitais e postos de saúde relacionados ao SUS.
- Simplificação da burocracia na Saúde Pública
- Aumento do salário dos professores
- Investimento na infraestrutura das escolas municipais
- Investimento em programas de educação extracurriculares
- Desprivatização do Transporte Público
- Diminuição da passagem do ônibus
- Oposição oficial de BH contra a PEC37
- Oposição oficial de BH contra o Estatuto do Nascituro
- Oposição oficial de BH contra qualquer projeto de patologização do homossexualidade e afins
- Transparência máxima sobre os gastos públicos

Ao governador:
- Ajuda monetária às cidades para investimento em Saúde e Educação
- Pressão sobre que o prefeito de Belo Horizonte cumpra nossas exigências
- Investimento na infraestrutura e no equipamento dos hospitais e postos de saúde relacionados ao SUS em toda Minas Gerais
- Simplificação da burocracia na Saúde Pública em toda Minas Gerais
- Investimento na infraestrutura das escolas estaduais em MG
- Investimento em programas de educação extracurriculares em MG
- Oposição oficial de MG contra a PEC37
- Oposição oficial de MG contra o Estatuto do Nascituro
- Oposição oficial de MG contra qualquer projeto de patologização do homossexualidade e afins
- Oposição oficial de MG contra a violência em manifestações
- Transparência máxima sobre os gastos públicos

À presidente:
- Pressão sobre que nosso prefeito e governador cumpram nossas exigências
- Liberação de verba pra que os estados e municípios cumpram nossas exigências com maior efeito
- Investimento na infraestrutura e no equipamento dos hospitais e postos de saúde relacionados ao SUS.
- Simplificação da burocracia na Saúde Pública
- Investimento na infraestrutura das escolas federais
- Anulação completa da PEC37
- Anulação completa do Estatuto do Nasciturno
- Anulação completa de qualquer projeto de patologização do homossexualidade e afins
- Posicionamento claro sobre as manifestações e as respostas policiais
- Explicação sobre os gastos exorbitantes com a copa do mundo, em detrimento de problemas sociais gritantes e antigos
- Formulação de leis anticorrupção e penas muito mais severas aos corruptos
- Transparência máxima sobre os gastos públicos

A pauta do Anonymous Brasil



É a primeira tentativa de unificação de agenda desde o início das manifestações de massa Brasil afora.
Vamos lá:
As cinco causas
- O arquivamento da Proposta de Emenda Constitucional  37/2011 , que retira o poder de investigação das mãos do Ministério Público e outros órgãos, passando a atribuição aos policiais federais e civis.
- A saída de Renan Calheiros da presidência do Congresso Nacional.
- Investigação e punição de irregularidades nas obras da Copa, pela Polícia Federal e Ministério Público Federal.
- Criação de uma lei que trate casos de corrupção no Congresso como crimes hediondos.
- Fim do foro privilegiado. Nele, autoridades políticas têm o direito de ser julgadas por um tribunal diferente ao de primeira instância, em que é julgada a maioria dos brasileiros que cometem crimes. 

Minha participação na TV Futura (ontem) sobre criação de novos municípios

Um debate muito interessante sobre o projeto de lei que passou na Câmara Federal e que agora entra no Senado. Se for aprovado, gerará 410 novos municípios nos próximos meses.

Popularidade do governo Dilma cai, segundo a CNI/IBOPE

Popularidade do governo Dilma agora é de 55%, aponta CNI/IbopeEssa é a segunda pesquisa CNII/Ibope deste ano. Na primeira, divulgada em março, a aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff havia subido em relação ao levantamento de dezembro

Publicação: 19/06/2013 14:29 Atualização: 19/06/2013 14:40

 (Wilson Dias/ABr)

A avaliação do governo Dilma piorou em junho na comparação com março, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quarta-feira. O levantamento aponta que a proporção da população que considera o governo ótimo ou bom caiu de 63% para 55% no período. A proporção de pessoas que consideram o governo ruim ou péssimo cresceu de 7% para 13% - o que, segundo a CNI, é o maior porcentual desde o início do governo. Os outros 32% consideram o governo regular. A pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 11 deste mês e foram entrevistadas 2.002 pessoas em 143 municípios.

A primeira manifestação em São Paulo ocorreu no dia 6 de junho, mas os protestos tomaram força a partir do dia 13, quando houve confronto entre manifestantes e policiais na capital paulista. As vaias à presidente, na abertura da Copa das Confederações, em Brasília, ocorreram no dia 15.

Essa é a segunda pesquisa CNI/Ibope deste ano. Na primeira, divulgada em março, a aprovação do governo da presidente Dilma Rousseff havia subido em relação ao levantamento de dezembro. Na ocasião, para 63% dos entrevistados o governo de Dilma era ótimo ou bom. A aprovação pessoal da presidente era de 79%.

Mobilizações e imprensa militante

A imprensa militante brasileira era de esquerda. Ao menos, assim era até os anos 1990. Vários marcaram época: Bondinho, Movimento, Em Tempo até mesmo O Pasquim, para citar os jornais clássicos do final do regime militar. Mas agora começa a emergir uma imprensa militante conservadora, com ideário empresarial, que prefere dizer que milita pela liberdade de expressão (o velho jargão norte-americano).
Escrevo esta notinha porque estou percebendo uma linha editorial que vai tomando corpo em vários meios de comunicação para destacar, dentre a pluralidade de bandeiras apresentadas nas manifestações públicas dos últimos dias, o tema da corrupção. Cá entre nós, este tema é visivelmente secundário nas passeatas. A pauta é bem mais concreta: educação, saúde, transporte público. No mais, não é bem corrupção, mas o uso do dinheiro público que se desvia do investimento em... educação, saúde e transporte público.
Será que é tão difícil de ler os cartazes e ouvir as palavras de ordem?
Fico imaginando aqueles editores carrancudos que pensam que se trata do segundo tempo, já que não conseguiram emplacar o julgamento do mensalão como agenda nacional.
Como antes, a imprensa militante tem seu espaço. Mas se tenta dirigir a vida do leitor, começa a  torrar a paciência.

Enquanto tudo ocorre nas ruas, o parlamento vira as costas

A pesquisa DATAFOLHA tem alguns vícios de origem. O maior, pesquisar apenas paulistanos, foco dos conflitos mais agudos da semana passada e onde parte significativa do eleitorado é conservador, como se constatou na última eleição municipal.
Mas, há indícios muito nítidos de um profundo desgaste do mundo político institucionalizado.
Vejamos como se comportou a Câmara Federal em meio a este turbilhão juvenil.
Primeiro, a Comissão de Direitos Humanos aprovou a "cura gay". Um atraso secular vindo de quem representa o povo brasileiro. Pior: na comissão que deve garantir o direito civil, decidem imputar aos homossexuais o rótulo de doente. Os argumentos que tentam justificar este absurdo fascista são, como não poderiam deixar de ser, sem fundamento razoável. Um parlamentar chegou a afirmar que se os heterossexuais têm direito ao tratamento psicológico, os gays também teriam. Não é possível imaginar que um parlamentar não entenda que heterossexual não vai ao psicólogo para se tornar gay por achar que é doente em ser heterossexual. Para ser sincero, só de escrever esta observação já me sinto ridículo, tal a obviedade.
Mas não foi só. A Câmara Federal aprovou a proposta de lei (que agora foi encaminhada ao Senado) que pode criar novos municípios. Se aprovada, pode gerar, de cara, 410 novos municípios. Um total absurdo. Um engodo que alguns oportunistas que querem se candidatar na próxima eleição tentam jogar sobre o colo dos incautos. Uma parte do eleitorado acredita que se deixar de ser um bairro ou distrito e se tornar município, ganhará com a mudança.
Mas os dados não levam a isto.
Vejamos:
1) 88% dos municípios brasileiros têm dívidas com a Previdência Social;
2) 80% não sobrevivem sem repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que minguou com o congelamento e redução do IPI, principal fonte de receita que compõe este fundo;
3) Os municípios com menos de 5 mil habitantes, principal configuração dos novos municípios que podem ser criados, não conseguem ultrapassar o índice de 3,5% do total de seu orçamento com arrecadação própria (ISS, IPTU e ITBI).

Cá entre nós, ao invés de revertermos esta lógica anti-municipalista, de total dependência dos municípios em relação ao governo federal, por qual motivo vamos aumentar o número de municípios dependentes? Alguém vai levar vantagem com isto. Mas não serão os cidadãos que pagam impostos.

Maioria dos paulistanos apoia manifestações e rechaça instituições políticas

A pesquisa DATAFOLHA de hoje (ao lado) é estarrecedora. 70% dos paulistanos se interessam pelas manifestações (apenas 18% pela Copa das Confederações) e, destes, 77% apoiam os eventos dos últimos dias.
Mas o mais instigante é que 52% afirmam que a Presidência tem pouco prestígio (24% afirmaram que não tem nenhum); 44% afirmam que os partidos políticos não têm nenhum prestígio (35% afirmam que possuem pouco prestígio) e 82% afirmam que o Congresso Nacional não tem nenhum ou pouco prestígio.
No caso do Judiciário, a avaliação também é muito negativa (55% afirmam que possui pouco prestígio), assim como as Forças Armadas (51% afirmam que possui pouco prestígio).
Em São Paulo, pelo visto, nunca as instituições públicas estiveram tão em baixa.

A rua, o novo e o medo

Embora eu tenha rejeição quase física ao discurso pós-moderno, tenho a impressão que nós (eu tenho 50 anos), que nos formamos na lógica moderna, de compreensão universalizada do mundo, a partir de estruturas verticalizadas, com força de mando sobre os associados, estamos com muitas dificuldades para compreender este novo que está nas ruas.
O mundo moderno é racional (embora contraditório), procura explicar tudo e todos através de conceitos e chaves teóricas, admira à distância (e reservadamente) a intuição. É marcado por um forte chamamento ao discurso ético. O discurso pós-moderno é fragmentado, muito mais afeito ao estético que ao ético. Não se fia por uma ordem racional porque é multifacetado, quase irresponsável porque acolhe o quebra-cabeças como o real. Algo como "o aqui e o agora", onde o futuro se constrói na própria caminhada. Para os que se formaram a partir dos lastros modernos (meu caso), é difícil se abrir para algo tão próximo do intimismo, beirando o egoísmo. Muitos de nós, sociólogos, tivemos uma admiração velada ao discurso psicanalítico justamente porque não conseguimos pensar o mundo a partir do indivíduo. O indivíduo, em grande parte das nossas teorias, é subproduto. Continuo rejeitando emocionalmente (e racionalmente) o discurso pós-moderno, mas ele parece explicar, ainda que parcialmente, o que vemos nas ruas do Brasil nos últimos dias. Aliás, as manifestações são parte do Brasil, já que a grande massa, até aqui silenciosa, que alimentou seu orgulho próprio com o consumo desenfreado dos últimos dez anos, não esteve presente em nenhuma manifestação dos últimos dias. Falo dos 40 milhões de brasileiros que saíram da pobreza e foram incluídos socialmente pelo consumo. É o Brasil do outro lado, aquele sobre quem o discurso moderno se alimenta.
Estamos presenciando o imponderável tomar conta das manchetes da grande imprensa.
E é óbvio que o imponderável leva ao risco.
É possível ter certeza que as manifestações não desaguarão em algo irresponsável? Não.
Mas já existem sinais neste sentido? Não.
Então, o temor ou receio de alguns que se expressam (legitimamente) nas redes sociais (quase sempre próximos de minha idade) não têm motivos para não se abrirem ao novo. Vamos acompanhar e procurar compreender. Talvez seja um primeiro sinal, não definitivo como tudo o que é ainda mero sinal, de uma virada de página nas formas institucionalizadas de representação social. Talvez, as formas modernas de organização social estejam revelando seu esgotamento. Nas ruas.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Minha entrevista ao jornal Libération

Abaixo, uma breve entrevista minha, que acaba de sair no Libération, a respeito das manifestações de ontem. Amanhã, esta mesma entrevista estará no jornal Le Soir, de Bruxelas:

«Lula, lui, savait parler le langage de la rue»
Le sociologue Rudá Ricci analyse la baisse de confiance des Brésiliens en leur présidente, Dilma Rousseff :

Recueilli par C.R. (à são Paulo)
Le sociologue brésilien Rudá Ricci, spécialiste des mouvements sociaux, décrypte la mobilisation populaire qui s’est emparée de plusieurs villes du Brésil il y a plus d’une semaine.
Que révèlent ces manifestations ?
Une insatisfaction latente. L’euphorie des années Lula est passée. Les Brésiliens craignent de perdre leurs acquis. La situation économique se détériore. L’inflation est en hausse. La création d’emplois reste solide, mais le rythme de la progression des salaires s’essouffle. La confiance dans le gouvernement fédéral commence à s’éroder. La popularité de Dilma Rousseff [la dauphine de Lula, qui lui a succédé à la présidence en 2011, ndlr] reste élevée mais, pour la première fois, elle est en recul.
Dans un tel contexte, il aurait fallu un leader charismatique comme Lula. Or, ce n’est pas le cas de Dilma. Elle appartient à une génération du Parti des travailleurs [PT, formation de Lula]formée de technocrates.
Est-ce réellement un mouvement contre le gouvernement de Dilma Rousseff ?
Il pourrait le devenir s’il arrive à surfer sur les craintes des Brésiliens et à s’unir à d’autres luttes sociales comme celle des Indiens, qui accusent le gouvernement fédéral de nier leurs droits territoriaux. Il y aurait alors une insatisfaction généralisée à même de peser sur la présidentielle l’an prochain.
Si la mobilisation persiste, Lula sera mis sous pression pour insinuer qu’il pourrait être candidat [alors qu’il a déjà lancé Dilma Rousseff pour briguer un second mandat]. Car ce nouveau PT de technocrates qu’il a aidé à forger n’a pas grand-chose à dire dans les moments de crise. Il ressemble trop à son rival du PSDB. Les revendications populaires le dérangent. Il ne comprend pas la dynamique de la rue. Lula, lui, savait parler le langage de la rue.
Qui sont ces jeunes qui manifestent ?
Pas forcément des électeurs de Lula et Dilma. Beaucoup sont des étudiants pauvres qui n’appartiennent ni aux syndicats ni aux partis. Même si l’extrême gauche, comme le Parti du socialisme et de la liberté, une dissidence du PT, est représentée parmi eux. Les manifestants accusent le PT d’avoir trahi ses idéaux pour garantir le profit des entreprises. Mais ils visent tous les gouvernants. Leurs revendications sont variées : gratuité des transports en commun, amélioration de l’éducation. Ils dénoncent aussi le coût du Mondial de 2014.
Est-ce la renaissance de la mobilisation populaire, après dix ans d’apathie, depuis l’arrivée du PT au pouvoir ?
Il y a longtemps en effet qu’on n’avait pas vu ça. D’où l’importance de ce mouvement. Reste à savoir quelle est sa réelle vigueur. Pour l’instant, il semble devoir davantage à la répression policière, qui a attisé la mobilisation, qu’à ses idées.
Vous pensez que Lula a démobilisé le Brésil ?
L’ex-président a récupéré la plupart des associations et des syndicats en leur offrant financements et postes publics. Il a aussi jeté aux orties l’idéal de la gauche brésilienne, qui consistait non seulement à élire ses dirigeants, mais aussi à gouverner avec eux. De là l’expérience du fameux budget participatif mis en place par le PT dans les années 90, à la mairie de Porto Alegre. Or, une fois au pouvoir, Lula a réduit cet idéal au droit à faire trois repas par jour et à consommer. Il a rabaissé le débat. Il n’y a d’ailleurs plus de débat d’idées depuis que le PT est à la tête du Brésil. Ni Lula ni Dilma ne se sont attaqués par exemple à la question du racisme ou de l’avortement [qui reste interdit]. Ils ont renoncé au rôle pédagogique qu’on attend de la gauche, se contentant de concilier des intérêts.

Bandeiras do Brasil e bandeiras brancas


Pelo facebook, foi sugerido que os manifestantes e apoiadores hasteassem bandeiras do Brasil e bandeiras brancas, da paz.
Logo no começo da concentração na Praça 7, em Belo Horizonte, a sugestão já era atendida.
Esta foto, de Patrick Arley, captura o início do apoio que moradores do centro da capital mineira iriam dar aos manifestantes. Naquele momento, calculava-se que o número dos que se concentravam na Praça 7 variava entre 2 mil e 3 mil pessoas. Ninguém esperava atingir os 20 mil, quando a passeata começou a se mover.

As manifestações de ontem em BH (fotos de Patrick Arley)






Datafolha: 84% dos participantes do protesto em São Paulo não têm partido

Uma novidade radical. As manifestações de ontem podem ser interpretadas como uma lufada de século XXI. A quase totalidade dos nossos políticos profissionais não entenderam absolutamente nada.
Contudo, a pesquisa DATAFOLHA revela que os manifestantes de ontem não possuem o mesmo perfil que a base pauperizada do lulismo. Aguardemos como esta base social interpretará esta mobilização gigantesca. Até então, rechaçava tudo o que conspirava contra a ordem.

Datafolha: 84% dos participantes do protesto em São Paulo não têm partido

71% participaram ontem pela primeira vez dos protestos. Maioria tem entre 26 e 35 anos

Das 65 mil pessoas que se reuniram no largo da Batata, em São Paulo, para participar do protesto nesta segunda-feira, 84% não têm preferência partidária, de acordo com pesquisa Datafolha.
As reivindicações dos manifestantes, que nos primeiros dias protestavam contra o aumento da tarifa do transporte, foram ampliadas: mais investimentos na saúde, mais dinheiro na educação, fim da corrupção, rejeição ao projeto de emenda constitucional que retira poderes de investigação do Ministério Público, e mais questões locais.
Ainda segundo o Datafolha, 71% dos presentes estiveram ontem pela primeira vez no protesto. A maioria tem entre 26 e 35 anos e 81% souberam do ato pelo Facebook. No total, 85% dos presentes buscaram informações pela internet.
De forma pacífica, os manifestantes entoaram frases como "O povo unido não precisa de partido" e "Sem partido, sem partido", e pediam para que as bandeiras de partidos políticos fossem guardadas.
Ao contrário do protesto anterior, na quinta-feira, não houve confrontos ou casos de vandalismo na maior parte do percurso, exceto à noite, quando um grupo de manifestantes forçou as grades e tentou invadir o Palácio dos Bandeirantes. 

O dia seguinte

O protesto sem pauta única diluiu, em grande parte, o foco num único culpado ou responsabilizado pelos manifestantes. O governo do Rio de Janeiro disse, ontem, estar aberto ao diálogo, mas ressaltou que nenhuma liderança fez contato.
Este impasse, entre a força da mobilização difusa e sem liderança e a dificuldade de transformar, já é longo tema no interior do Fórum Social Mundial e até mesmo entre forças políticas envolvidas na Primavera Árabe.
Um impasse contemporâneo, já que a revolta contra o sistema de representação formal leva, justamente, a se adotar instrumentos e métodos de mobilização que são mais horizontais e que, muitas vezes, rechaçam as formas verticais de liderança burocrática (como partidos e sindicatos). No interior do Fórum Social Mundial, muita saliva e papel foram gastos para contrapor as estruturas em rede (as "sctructural holes") às estruturas verticalizadas de comando e unidade política.
Ontem, pelo twitter, muitas mensagens de lideranças e militantes de partidos de esquerda questionavam a crítica aos partidos, isolados nas manifestações ao longo do país. Um deles perguntava, perplexo: "mas, sem partidos, para onde vamos?".
Esta reflexão perpassou toda a segunda metade do século XX. Parece que está chegando a hora de se resolver.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Notas de Lula e FHC

Nota de Lula
Ninguém em sã consciência pode ser contra manifestações da sociedade civil porque a democracia não é um pacto de silêncio, mas sim a sociedade em movimentação em busca de novas conquistas.

Não existe problema que não tenha solução. A única certeza é que o movimento social e as reivindicações não são coisa de polícia, mas sim de mesa de negociação.

Estou seguro, se bem conheço o prefeito Fernando Haddad, que ele é um homem de negociação. Tenho certeza que dentre os manifestantes, a maioria tem disposição de ajudar a construir uma solução para o transporte urbano.

Lula

Nota de FHC
Os governantes e as lideranças do país precisam atuar entendendo o porquê desses acontecimentos nas ruas. Desqualificá-los como ação de baderneiros é grave erro. Dizer que são violentos nada resolve. Justificar a repressão é inútil: não encontra apoio no sentimento da sociedade. As razões se encontram na carestia, na má qualidade dos serviços públicos, na corrupção, no desencanto da juventude frente ao futuro.

Rio de Janeiro mais popular que nunca


A disputa eleitoral foi para as ruas

Uma outra constatação é que a disputa antecipada das eleições de 2014 estava, até aqui, restrita aos gabinetes e tribunas parlamentares. No máximo, escorriam para as páginas dos jornais ou telejornais. Uma estocada aqui, outra acolá. Alguns gatos pingados utilizavam as redes sociais para alfinetar seu adversário.
A partir de hoje, contudo, a rua passou a ser o palco da disputa. Não sei até quando. Sindicatos e suas centrais, organizações estudantis alinhadas partidariamente, militantes partidários, todos querem tirar uma casquinha das passeatas gigantes, levando suas reivindicações e procurando desgastar o governante de plantão (prefeito, governador ou presidente).
Minha primeira aproximação é que estamos presenciando, portanto, duas disputas.
A primeira, a disputa eleitoral, que se mistura aos manifestantes e tenta politizar as passeatas.
A outra, plural, difusa, sem liderança nítida, envolvendo uma gama enorme de demandas mas, quase sempre, rechaçando todo sistema partidário, todas agremiações. Esta segunda disputa parece mais energizada, mas catalisadora à ponto de impor que bandeiras partidárias sejam rapidamente recolhidas.
Não me parece que exista muito espaço para os partidos em toda esta mobilização social. Mas tentarão. O que será hilário. Depois de tanto tempo, muitos dirigentes partidários terão que limpar a garganta para voltar a falar para o povo. Sem ar condicionado, sem assessor e tendo que justificar o terno que destoa dos seus parceiros de passeata.

Os jovens, outra vez!



Os jovens, outra vez!
Rudá Ricci

Um raio em céu azul. Esta é a frase que abria um importante ensaio sobre as greves de metalúrgicos no ABC paulista, em meio à ditadura militar. Não vivemos um momento político como aquele, felizmente. Na verdade, vivemos o oposto. Mas nada dizia que jovens tomariam o país, as capitais, aos milhares, começando pela exigência de diminuição do preço das passagens de ônibus público. No momento em que escrevo este artigo, sou informado que 20 mil pessoas fazem uma passeata no centro de Belo Horizonte. No sábado, uma primeira concentração, na Praça 7, região central da capital mineira, 7 mil jovens ensaiavam esta manifestação gigante. As ruas voltaram a ser tomadas pela pressão popular. Algo que não víamos há anos. Belo Horizonte dá um bom exemplo do que tratam estas manifestações, sua lógica e motivação. A concentração inicial, no início da tarde, no centro da cidade, parecia um carnaval. Alguns carregavam cartazes com partes do hino nacional, outros improvisavam com a frase “não mais deitado eternamente”. Muitas mobilizações se juntaram – esta é a novidade – facilmente identificadas pelos cartazes que portavam: “Fora Lacerda”, “Anônimos” e até bandeiras da Palestina. Caras pintadas, reivindicações pela educação pública, cartazes reproduzindo o artigo 9 da Constituição Federal (que trata do direito de greve), esta pluralidade revelava que, no conjunto, não havia liderança unitária. São muitas reivindicações. Uma verdade mobilização social do século XXI, com cheiro de rede social, fragmentada. Imagino que os com os pés no século XX estejam incomodados com a falta de unidade, de comando, de vanguarda. Passagem de ônibus ou reprovação dos gastos para a Copa das Confederações, reivindicações de trabalhadores públicos em greve.
Se não há a velha unidade do século XX, não há evidentemente oportunismos partidários. Obviamente que os empurrões acontecerão, tentando esgarçar governo federal, estaduais ou até municipais. A questão, para quem está no meio desta multidão, não é esta.
As manifestações já conseguiram impor algumas vitórias. Os municípios de Barueri, Itapevi, Jandira, Santana de Parnaíba e Osasco reduziram o valor das passagens de ônibus para R$ 3,20 a partir de hoje. Guarulhos, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Mauá e Ribeirão Pires já haviam anunciado a redução.
Vejo na televisão manifestações gigantes no Rio de Janeiro e Brasília. Mais de 30 mil desfilam pela Avenida Faria Lima.

Enfim, o que teria ocorrido para um movimento criado em 2005 (Movimento pelo Passe Livre) ganhar tal projeção? A resposta é uma combinação de fatores, que começa com a interdição dos canais de participação social em nosso país a partir das entidades de representação clássicas. Os gabinetes fechados envolvem lideranças sociais históricas em inúmeras reuniões, diminuindo sua leitura sobre o que ocorria no dia-a-dia. De repente, os jovens, outra vez. 

domingo, 16 de junho de 2013

A volta da pressão popular no Brasil

Os estudantes, mais uma vez, saem às ruas. O site do Movimento Passe Livre (ver AQUI ) informa que as manifestações de rua se alastram, pouco a pouco, pelas capitais (Aracaju, Belo Horizonte, Natal, Goiânia, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, entre outras). Trata-se de uma articulação que foi fundada em 2005, durante um dos eventos do Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre. Há coletivos deste movimento no ABC Paulista, Aracaju, Blumenau, Brasília, Campinas, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Guarulhos, Joinville, Mogi das Cruzes, Rio Branco, Salvador, Santos, São Paulo e Vitória. Alguns jovens envolvidos com esta mobilização social têm vínculos com o PSOL, PCB, PCO, sindicatos, UNE e Ubes. Mas outros estão envolvidos com grupos anarquistas e punks. E há, ainda, aqueles que estão se agregando em função das chamadas das redes sociais. Ontem mesmo, ouvi um pai falar do orgulho de ver sua filha, recém ingressa numa universidade pública, envolvida com estas mobilizações. A menina não tem envolvimento com nenhuma organização formal.
Para um sociólogo é hora de ligar todos holofotes e tentar compreender as motivações e as condições que geraram esta retomada da ocupação das ruas por jovens rebeldes. Parte da juventude brasileira, enfim, marcou posição, mais uma vez, na contramão da ordem estabelecida, trocando a mesmice pelo sangue correndo nas veias.
O que me chama a atenção é como esta geração de jovens (não se trata da maioria desta geração, evidentemente) é radicalmente distinta da nova geração de dirigentes petistas, em especial, do perfil de Haddad, que chamou o MPL para uma conversa. Fico imaginando como Haddad conduzirá esta reunião.
O prefeito de São Paulo é a expressão da "troca de guarda" que o PT (ou Lula) promove. A nova geração petista é formada por gestores públicos. Não são militantes sociais (como a geração de Lula e tantos outros que emergiram nos anos 1980), nem quadros forjados no confronto com a ditadura militar (como a geração de Zé Dirceu, que tomou o partido na década de 1990). Os ternos lhes caem bem. Tendem a falar de maneira mais técnica e acadêmica, tendo o power point como instrumento básico de exposição. O sorriso não é fácil. Refletem a imagem da classe média tradicional (que está no topo dos estratos de renda do país).
Os meninos que tomam as ruas não são assim. Também não são imagem da população de baixa renda, aquela ultraconservadora que deve estar indignada com os jovens estudantes.
O país, enfim, ficou mais colorido. Mobilizações sociais explosivas, ao estilo das manifestações e confrontos ocorridas em Paris há alguns anos; gestores oriundos de partidos de esquerda com perfil técnico e formal; população de baixa renda destilando valores ultraconservadores.
Este país multicolorido recoloca no centro da política o imponderável.
As forças políticas institucionalizadas tentarão administrar este novo cenário. Pode revertê-lo. Mas será difícil ignorar que, a partir de agora, não está tão fácil manobrar a política tupiniquim sem solavancos.

Moradores de BH se unem e fazem o serviço do poder público


Obra_moradores_Tupi_Carlos Roberto_Hoje em Dia
No Tupi, obra improvisada por moradores, melhorou o acesso à não asfaltada avenida Pixinguinha
Carlos Roberto/Hoje em Dia

Ernesto Braga - Hoje em Dia

Há 15 anos, o lustrador Nelson Barbosa de Carvalho, de 49, faz parte de um grupo de moradores do bairro Tupi, na região Norte de Belo Horizonte, que luta pela abertura e pavimentação da avenida Pixinguinha. Cansados de esperar a intervenção do poder público, ele e os vizinhos decidiram colocar a mão na massa.
 
“Havia apenas uma trilha, o que impossibilitava a passagem de ambulância e, várias vezes, pedimos ajuda da prefeitura. Decidimos fazer um mutirão para abrir a avenida e melhorar o acesso”, diz Nelson.
 
Longe da periferia, os moradores do Belvedere, na região Centro-Sul, um dos bairros com metro quadrado construído mais caro da capital, também decidiram se mobilizar diante da lentidão do poder público.
 
“Tentamos junto à prefeitura a construção da praça da Criança (o nome oficial é Ney Werneck). Como não foi possível, conseguimos um patrocínio com a iniciativa privada e o espaço foi criado”, afirma o presidente da Associação dos Moradores do Belvedere, Ricardo Jeha.
 
O líder comunitário, que coordenou a construção da praça, cita outra obra feita no bairro após a mobilização popular. “A rotatória da rua Haiti com a avenida Presidente Eurico Dutra era um projeto antigo do poder público e importantíssimo para o trânsito. Mas ele só saiu do papel pela parceria dos moradores com empresas privadas”.
 
Desespero
 
Para Rudá Ricci, doutor em ciências sociais, a mobilização dos moradores é resultado da desorganização do poder público na execução de projetos considerados prioritários pela população. “Pagamos impostos para a manutenção dos serviços públicos e essa situação demonstra a frustração e o desespero dos contribuintes”, afirma o sociólogo. Na edição deste sábado (15), o Hoje em Dia mostrou a alta inadim-plência com o IPTU, reflexo da insatisfação dos moradores com a má aplicação do recurso.
 
O especialista defende o modelo de gestão adotado no Japão. “Criaram a figura do koban, servidor público que bate na porta dos domicílios, toma um chá e conversa com as pessoas sobre o que consideram prioridade, apresentando um diagnóstico às prefeituras”, explica.
 
Também por meio de um mutirão, formado por moradores incomodados com a lentidão da administração pública, foram feitas obras na rua Maria da Consolação Lima (antiga 12), no bairro Nova York, em Venda Nova. “O esgoto corria a céu aberto e nós mesmos acabamos com o problema na porta de nossas casas”, diz o comerciante Geraldo José Dias, de 51 anos.
 
O mutirão teve a participação até de mulheres e crianças. “Cada morador deu uma coisa: areia, cimento, brita e foram três dias de obras”, lembra o presidente da Associação Comunitária do Nova York e região, Antônio de Oliveira.
 
Espera
 
Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, as demandas de moradores são recebidas pelas secretarias regionais, que executam pequenas obras. As de maior porte são feitas pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap).
 
A Regional Venda Nova informou que o bairro Nova York e outros vizinhos foram contemplados em várias edições do Orçamento Participativo (OP). 
 
Sobre o bairro Tupi, a Regional Norte orientou o Hoje em Dia a procurar a Sudecap, que não respondeu os questionamentos até o fechamento desta edição.

sábado, 15 de junho de 2013

Lula, a bala de prata

A pressão será cada vez maior, caso o cenário econômico se deteriore e a pressão social ganhe corpo. Lula tentará se esquivar, mas já é citado como "bala de prata" do PT.
Hoje, esta foi uma das apostas que José Maurício Domingues fez no debate sobre lulismo, ocorrido no Espaço TIM/UFMG do Conhecimento.
Em outras palavras, se o nome de Lula for cada vez mais citado, significa que as previsões de Duda Mendonça estarão mais próximas de serem confirmadas.

Nota do PT sobre movimento Passe Livre

Nota da Executiva Municipal do PT

Do DMSP - As recentes manifestações na cidade de São Paulo contra o aumento da tarifa de ônibus, trem e metrô para R$3,20, lideradas por vários movimentos sociais, dentre eles o MPL Movimento do Passe Livre, trazem para pauta do dia as péssimas condições de transporte e de descaso com a mobilidade urbana na cidade de São Paulo nos últimos anos.
O Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores vem, através de sua Executiva, trazer algumas considerações sobre os acontecimentos.
A defesa por um transporte público de qualidade para todos os paulistanos sempre foi uma bandeira do partido. Foram nas gestões petistas na cidade que tivermos os maiores avanços nesta área, tais como Bilhete Único (que permitiu a maior economia da historia para os usuários frequentes do sistema de ônibus), corredores de ônibus, integração com os Terminais, enfim uma efetiva prioridade para um sistema público eficiente e mais barato para o usuario.
O Partido dos Trabalhadores sempre defendeu a legitimidade dos movimentos populares na luta por melhorias, seja no transporte, saúde, habitação e demais serviços públicos, de forma pacífica, democrática, com total liberdade de expressão.
Os focos localizados de violência, praticados por parte de alguns manifestantes ocorridos nos últimos três dias na cidade de São Paulo não podem levar à criminalização da luta legítima por transporte público e de qualidade na cidade.
Repudiamos a ação truculenta e sem dialogo da Polícia Militar do Estado de São Paulo, que tem sido a mesma nas greves de Professores do estado, da saúde, dos movimentos populares em geral, sob o comando das gestões do PSDB no Estado.
O Governo Democrático e Popular liderado pelo prefeito Fernando Haddad já está apresentando para população de São Paulo ações que constam em nosso Programa de Governo na área de transporte público, como Bilhete Único Mensal que começará a funcionar em novembro agora, que reduzirá custos com o transporte para muitos paulistanos, a construção de 150 km novos de corredores na cidade para ampliar a velocidade média dos ônibus, também serão licitados 11 novos terminais, nas zonas Sul, Leste e mais um na zona Norte.
Teremos também a ampliação das ciclovias na cidade, fazendo com que o trabalhador possa deixar o carro em casa e se dirigir a um metrô ou terminal usando a bicicleta.
Pela primeira vez nos últimos anos o reajuste da tarifa foi muito abaixo da inflação, exigindo um enorme esforço orçamentário da prefeitura que levará a um subsidio recorde de mais de 1,2 bilhões de reais. O prefeito cumpriu o que prometeu na campanha: reajustes abaixo da inflação.
Sabemos bem, porque estamos nesta luta há décadas, que o transporte continua caro e pesa muito no bolso do trabalhador e das famílias.
É necessário discutir seriamente as formas de financiamento de uma tarifa menos onerosa para a população.
Protestos 500x281 Nota da Executiva Municipal do PT









A presidente Dilma já deu o primeiro passo, desonerando o transporte público do pagamento do PIS-COFINS. Precisamos avançar mais. O Estado de São Paulo pode e deve desonerar o ICMS do diesel para o transporte publico, permitindo abaixar ainda mais a tarifa. E registramos ainda que é necessária uma fonte permanente de subsidio à tarifa, oriunda daqueles que utilizam o transporte particular.
Dirigimos-nos a todos que lutam por transporte publico de qualidade e com tarifas mais baixas para estabelecer uma pauta programática com objetivos de curto e médio prazo para ampliar esta luta.
A negociação de uma pauta de melhoria do transporte público e de tarifas menos impactantes aos usuários do sistema exige um desarmamento de espíritos e a busca do diálogo. Temos a certeza que o prefeito Haddad tem essa disposição. Da nossa parte buscaremos com todas as forças criar condições para esse diálogo entre todos que lutam por uma cidade mais justa.
São Paulo, 14 de junho de 2013.
Executiva Municipal do Partido dos Trabalhadores

Passe Livre, vaias, Dilma e caldo entornado

Primeiro vieram os índios. Depois os estudantes. Finalmente as vaias na abertura da Copa das Confederações.
Agora dá para ver que o caldo está entornando. É o início, pode até ser contornado, mas se juntarmos com a história da reação popular ao boato do fim do bolsa família, já temos um cenário de abalo de algumas das partes da moldura que enquadrava, até agora, o governo Dilma.
Para sair deste cerco, só com profissionalismo político. E, convenhamos, está meio difícil perceber este movimento no horizonte.
De qualquer maneira, os próximos dias serão bem emocionantes.

Debate sobre lulismo, hoje pela manhã, em BH



Bela discussão, hoje pela manhã, sobre Lulismo: José Maurício Domingues (UERJ, à esquerda), Bruno Wanderley Reis (UFMG, ao centro) e eu.
A única meia divergência: se o lulismo desmobilizou ou não a sociedade civil.
Em agosto, André Singer e, em setembro, Marcos Nobre.


quarta-feira, 12 de junho de 2013

Conjuntura, por Gaudêncio Torquato

As análise de Gaudêncio Torquato são as únicas que comento regularmente neste blog. Considero-as equilibradas, bem escritas e surpreendentemente sintéticas (para uma conjuntura confusa e que exige grandes explicações e fundamentações para se chegar a uma convergência final).
No Porandubas desta semana, destaco suas análises sobre queda da popularidade de Dilma, o papel de Lula como tercius permanente e as projeções sobre eleição de Alckmin.


Sinal amarelo
A pesquisa Datafolha que mostra a queda de 8 pontos percentuais na popularidade da presidente Dilma (de 65% para 57%) pode ser, até, uma "oscilação normal" como querem enxergar alguns, entre eles, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e até o eventual candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos. Mas dá para distinguir o sinal amarelo que a pesquisa exibe. Quem abre sinal de perigo ? Medo do desemprego e ameaça de aumento da inflação. Há motivos para tanto ? Sim. O tomate, há dias, estourou o bolso do consumidor. Muitos se queixam dos preços dos alimentos em supermercados. Aumento na área alimentar bate direto no bolso. Que fica mais vazio.
Equação BO+BA+CO+CA
E se fica mais vazio, a equação acima começa a gerar efeitos. Bolso+Barriga+Coração+Cabeça. Menos dinheiro no bolso significa geladeira mais vazia, barriga menos satisfeita, coração indignado/revoltado e cabeça disposta a punir os responsáveis por essa cadeia de sacrifícios e sofrimentos. É claro que estamos distantes de horizontes fechados, cinzentos. O PIBinho não chegou, ainda, às margens. Mas o perigo ronda. Tudo indica que o governo manterá a economia sob rédeas curtas, de forma a garantir o equilíbrio da equação eleitoral. Todo cuidado é pouco.
Lula no lugar de Dilma ?
Interessante é observar que, a qualquer sinal de perigo, o nome de Luiz Inácio Lula Papão de Votos da Silva vem à tona. É o perfil que representa a salvação do PT em ciclo de crise. É o nome a ser chamado, caso a economia saia dos trilhos. Mas Lula tem dito e repetido que não frequentará a arena. Pois já cumpriu a meta maior de vida. E tem a saúde para cuidar. Mesmo livre do câncer na laringe, que extirpou, permanece o medo do amanhã. Além disso, Lula cumpre uma agenda cheia : viaja pelo mundo, faz palestras a preço de ouro, dá as cartas no PT, tem influência no governo Dilma, é admirado nas margens e nos centros sociais, tornou-se um ícone, o maior político da atualidade brasileira. Por que deixar essa zona de conforto para ser foco de pressões e contrapressões ?
Segundo turno
A hipótese de um segundo turno para as eleições presidenciais ganha força diante de um cenário de problemas na frente econômica e da entrada no páreo desses quatro pré-candidatos : Dilma Rousseff, Aécio Neves, Marina Silva e Eduardo Campos. A vitória da presidente Dilma em primeiro turno, é oportuno frisar, dependeria de um céu de brigadeiro, da economia bombando e de eleitores de bolso cheio. Cenário cada vez menos provável.
Quadro paulista
Geraldo Alckmin é um governador bem avaliado, principalmente pelo eleitorado do Interior do Estado. Ostenta, hoje, 52% de intenções de voto, descendo para o patamar de 42% quando tem pela frente o perfil de Lula. Mas até este perderia para ele no segundo turno. É evidente que essa é uma fotografia de hoje. Porque a campanha terá seu clima, suas circunstâncias, seu modus operandi. E tudo isso funcionará como pano de fundo para influenciar o sistema cognitivo do eleitorado. Este consultor tende a acreditar que a polarização entre o PSDB e o PT está desgastada. Fechou um ciclo. O eleitorado quer ver novas caras, experimentar novos nomes. Por isso mesmo, será muito difícil (não impossível, claro) que Alckmin consiga manter seu alto índice.
O busílis
Alckmin tem entre 37% a 44% de intenção de votos na grande SP. E de 48% a 59% no interior. O que isso reflete ? Uma avaliação menos positiva nas regiões mais violentas.