segunda-feira, 11 de agosto de 2008

PSOL e suas correntes internas


Fui cobrado, recentemente, por não analisar os partidos mais à esquerda no espectro partidário nacional, como PSOL, PSTU e PCB. Prometi que faria uma análise mais apurada. Faço um breve comentário, aqui, sobre o PSOL. Minha principal crítica a esses partidos é a volta ao passado, àquela característica da esquerda intelectualizada e de falta de sintonia real com as ruas, que marcava a esquerda pré-PT. Uma rápida olhadela nas correntes internas do PSOL ajuda a identificar esta lógica, que acaba criando a tradicional "sopa de letrinhas", absolutamente distante do cotidiano da sociedade brasileira (o que dá o tom vanguardista). Desde seu primeiro congresso, destacam-se: o Movimento de Esquerda Socialista (MES), da deputada Luciana Genro; a Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST), do deputado Babá; o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL); a Democracia Socialista, conhecida como DS, maior ala radical petista, representada pela senadora Heloisa Helena (AL) e os deputados federais João Alfredo (CE) e Orlando Fantazzini (SP); a Ação Popular Socialista (APS) , liderada por Ivan Valente e por Maninha (DF). Também se encontram grupos minoritários e dissidentes do PT, PSTU e do PDT e até uma ala que era ligada ao MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro). Encontram-se, ainda, o Enlace Socialista; o Coletivo Revolutas; o PP (Poder Popular); o CSOL (Coletivo Socialismo e Liberdade); o Grupo Práxis; a FEC (Frente Estopim Comunista) e o SR (Socialismo Revolucionário).
No 1° Congresso Nacional do PSOL o MES demonstrou grande interesse em criar um amplo leque de alianças para viabilizar a candidatura de Luciana Genro à prefeitura de Porto Alegre. MES-PP conseguiu atrair a deputada Heloísa Helena, que largou o Enlace no curso do Congresso para aderir a teses, consideradas mais à direita que a de seus antigos parceiros oriundos da DS. João Machado e o ex-deputado federal João Alfredo, do Enlace, se viram literalmente atropelados pelo bloco HH-MES-PP-APS-Chico Alencar
O chamado “bloquinho”, que além de Plínio, a CST e o Csol teve a adesão da Alternativa Socialista (AS), racha do MES, do SR (CWI), do CLS, racha do MTL, da corrente Práxis, ligada ao MAS argentino e dos cliffistas do Revolutas, foi conformado com um caráter absolutamente defensivo. Este blocão, juntamente com o Enlace, controlou 75% dos delegados do primeiro congresso, esmagando a posição da CST em defesa da manutenção da frente de esquerda “restrita” ao PSTU e PCB.
É ou não uma sopa de letrinhas?

6 comentários:

Lúcia Leiro disse...

Fiquei tonta... e olhe que sou das Letras... rs

cesinha disse...

Isso faz parte da democracia interna de um partido e da liberdade de expressão de pensamento....

Dom Giovani Moralles disse...

A Direita com certeza agradece esse tipo de divisão dentro de um partido de esquerda e acabam mostrando a população que nós de esquerda não conseguimos nos entender nem entre nós mesmos, isso para mim é lamentável pois a esquerda só vai crescer quando for unida, todos lutando pelos mesmos ideiais e não legislando em causa própria ou de uma minoria, isso me entristece.

Dom Giovani Moralles disse...

Cesinha, essa democracia interna que você se refere, para mim não soma nada, pois ela não fica internamente dentro do partido para ser resolvida, e essas questões acabam saindo para as ruas, para os adversários, primeiro o PSOL precisa ser forte, consquistar seu espaço na democracia brasileira e todos falarmos a mesma língua.

Juan Rocha disse...

Não vejo um "racha" dentro do partido, o PSOL se torna grande por abrigar diversas correntes divergentes e mesmo assim conseguir o diálogo com todas elas, a isso podemos chamar de verdadeira democrácia socialista.

Um abraço.
Juan Rocha - PSOL Montenegro/RS

Edmar Roberto Prandini disse...

Não sou do PSOL, sou petista, mas tenho respeito pelos integrantes do PSOL, mesmo considerando que o partido venha cometendo alguns equívocos em seu posicionamento no cenário nacional. Mas, do mesmo modo, faço críticas internas ao PT também, de modo que neste ponto, entendo que cada militante sempre observará sua agremiação política como espaço em que seus posicionamentos buscam convencer os demais companheiros para o aprimoramento e o fortalecimento.

Não concordo com uma espécie de desvalorização ao fato de que internamento os partidos possuam agrupamentos diversificados. Num país gigantesco tanto territorialmente quanto populacionalmente, com a diversidade que o Brasil possui e com a complexidade do processo de formação social que temos, seria completamente ilógico que existisse uma redução de posicões. A diversidade dos contextos impele fortemente para a formação de diversidades de articulação. Ou compreendemos que essa correlação existe, o não damos a mínima para as realidades em que nos inserimos e pensamos que o mundo possa ser reflexo do pensamento, o que afastaria por completo uma leitura materialista e dialética da realidade.

O que torna o partido um partido de esquerda é a construção de um processo radicalmente democrático de processamento das tensões e de construção das deliberações comuns.

O problema está, portanto, não no princípio pelo qual cada um se insere na dinâmica dos partidos de esquerda, mas no como compartem das resultantes deliberativas e no como as efetivam na luta concreta em seus cotidianos.

Eu ainda anseio por um processo em que o PT e o PSOL consigam reforçar seus posicionamentos e alinhamentos à esquerda, para que o processo de transformação do país ganhe mais qualidade política e avance pela esquerda, a dizer, reforçando e radicalizando a democracia política e social no país.