quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A busca de votos (jornal Estado de Minas)


Em busca de votos, candidatos deixam rastro de sujeira nas cidades

Publicação: 05/08/2012 07:06 Atualização: 05/08/2012 07:19
 ( Cristina Horta/EM/D.A Press)
Nos próximos dias, cidadãos de todo o país, eleitores ou não, terão que conviver com cavaletes, lambe-lambes, adesivos, bótons, carros de som, empenas e muros pintados com nomes e números de candidatos. As campanhas – em sua maioria ainda em fase embrionária – tomarão as ruas com cabos eleitorais, bandeiras e montanhas de santinhos, movimentando milhões de reais e gerando milhares de empregos em todo o país. Em busca de votos, as mais diversas estratégias serão usadas, mas a cada eleição a eficácia dos métodos que poluem as ruas e passeios tende a se reduzir e até virar gol contra.

Mesmo com crescente profissionalização a cada pleito e com o aumento da influência da internet, muitas campanhas ainda não prescindem de práticas antigas, que incomodam o eleitor e poluem as cidades visual e sonoramente. Contudo, tanto o comportamento do próprio eleitorado, que parece ter evoluído na maneira como decide em quem votar, quanto a crescente preocupação ambiental no mundo pesam negativamente em relação ao uso de cavaletes, lambe-lambes e afins.

Há uma tendência de que as eleições se tornem menos sujas, avalia o cientista político Rudá Ricci. “Pouco a pouco as campanhas devem trabalhar com menos papel e mais com as redes sociais”, afirma. Mas instrumentos que dão volume à mobilização pela vitória de determinado político são importantes para demonstrar que um candidato terá chances de ganhar, avalia. “O eleitor não gosta de jogar voto fora, se um político parece não ter chances de ganhar, dificilmente alguém vota nele”, diz. Rudá cita também a importância de um programa de televisão benfeito e que não seja agressivo, e da presença dos chamados “operadores políticos”, que têm a função de repercutir fatos favoráveis aos candidatos.
O cientista político Malco Camargos também acredita que as campanhas estão ficando mais limpas ao longo do tempo, mas não descarta a importância de adesivos e de cartazes. Malco aponta o santinho e o carro de som como instrumentos importantes: “ santinho seria o varejo e o carro de som o atacado”, mas critica os cavaletes: “Eles acabam confundindo o eleitor”. Quanto aos novos meios, afirma: “Todo candidato que queira chegar ao Executivo tem que ter um bom posicionamento na internet. Ela não é determinante, ninguém ganha eleição na internet, mas pode até perder”, ressalta.

Entre candidatos veteranos, algumas despesas de campanha são dispensadas por serem consideradas menos eficientes. Henrique Braga (PSDB), vereador pelo quinto mandato na Câmara Municipal de Belo Horizonte, que concorre à reeleição, conta que não dispensa o corpo a corpo no período eleitoral, mas garante que não pinta muros. Braga ironiza alguns candidatos que gastam muito dinheiro em cavaletes e em material extravagante de campanha: “Tem gente que fecha ruas inteiras com cavaletes e propagandas. Se só isso resolvesse haveria candidato eleito sem precisar fazer campanha”, diz.

Geraldo Felix (PMDB) é outro vereador que concorre ao sexto mandato em Belo Horizonte. Ele afirma que prioriza o envio de material por correio e diz que lambe-lambes não dão voto a ninguém. “Eu tenho pavor daquilo. Um candidato põe o papel e outro vem e põe em cima. É um absurdo”, comenta.

Ronaldo Gontijo (PPS) também concorre ao seu sexto mandato como vereador e ressalta que sua experiência de campanha o levou a evitar materiais que geram poluição visual. “É lógico que você tem que mostrar que é candidato”, argumenta, “mas dou prioridade ao mailing para um público direcionado e dificilmente uso carro de som”. Com sua experiência, Gontijo avalia que o eleitorado está mais atento às propostas e pode penalizar candidatos que sujam muito a cidade.

2 comentários:

Zorato Speler disse...

Na última eleição municipal, quase votei em branco. Fui para a urna decepcionado com a sujeira que fizeram nas ruas da cidades. Parecia que tinham jogado fora todos os santinhos que sobraram. Mas jogaram nas ruas, na frente das casas, do comércio, nas calçadas. Um vergonha. Um péssimo exemplo. Mostrava até uma infantilidade das coordenações de campanha e dos candidatos.
É certo que o candidato precisa "fazer volume", "fazer barulho", movimentar a população. Porém, na base precisam estar as propostas, projetos e a participação social.
Santinho e papel é para ser distribuído de mão em mão, e não para ser jogado ao vento.
Votei no meu candidato, mas muito decepcionado com aquela ação vergonhosa de ambos os partidos.

Rudá Ricci disse...

Eu tenho minhas dúvidas sobre a eficácia do santinho nos tempos atuais. Ele dá volume. Mas na medida em que tantos distribuem o mesmo folheto, não consigo imaginar como ele atrai além de reforçar para aqueles que já pensavam em votar naquele candidato. O que dá voto, além de TV, é contato direto. Em termos de material, somente aquele que aparece da linha de visão do eleitor caminhando para cima (banner, cavaletes altos etc).