quarta-feira, 4 de julho de 2012

Eleições em BH: muito cacique para pouco índio

O ensaio da vez é Patrus Ananias como cabeça de chapa e PMDB de vice. Leonardo Quintão ganharia um ministério, como prêmio de consolação. Se não for mais uma nuvem de fumaça, a chapa demonstraria que o PMDB tinha em mãos dados que indicavam sua pouca chance eleitoral.
Talvez seja a chapa mais coerente até aqui, levando Marcio Lacerda a se unir de vez com quem sempre teve maior aproximação. Neste caso, seria um presente para o eleitor, que poderia votar sem culpa. Não que a diferença seja abissal entre os dois polos. Mas reproduz alianças que já vinham ocorrendo aqui ou ali na capital mineira. PT e PMDB já formaram um bloco parlamentar poderoso que, pela primeira vez desde a eleição de Aécio Neves como governador, criou graves solavancos na gestão tucana em MG.
Lacerda, por sua vez, fez aproximações tímidas na direção do PSDB. Seu discurso inicial foi de implantação do choque de gestão na Prefeitura. Sejamos sinceros: o partido que mais coerência demonstrou até aqui (dentro os quatro que protagonizam este momento pré-eleitoral) foi, aliás, o PSDB.
O que vale ressaltar é que militantes e eleitores estão, hoje, no mesmo patamar de importância na definição de qualquer rumo político em Minas Gerais: algo como os "intocáveis".
Sinto aquela sensação de vergonha alheia ao ver a situação ridícula a que chegaram os militantes partidários, principalmente os petistas. Hoje fica mais transparente a falta de comunicação entre direções e filiados. Basta acompanhar as redes sociais, twitter ou facebook. As opiniões e humores oscilam como um pêndulo maluco, descascando a velha tinta da afinidade emocional que liga (ou ligava) os sem-poder ao projeto, discurso ou símbolo que identificava seu partido.
O caso do PT mineiro é o mais grave e demonstra uma falta de cuidado ou carinho dos dirigentes para com seus filiados. Uma máquina de moer carne. Demoliu Roberto Carvalho sem dó. Amordaçou o deputado Rogério Correia. Os pequenos dirigentes, aquele baixo clero que só nesses momentos tem alguma chance de ter seus 15 minutos de fama, disparam a cada meia hora uma "novidade". Sempre iniciando a frase com: "acabo de conversar com a direção nacional e...". Uma espécie de porta-voz do além, papagaio de pirata que avança sobre o microfone como Bozó, aquele personagem de Chico Anísio que dizia que "trabalhava na Globo". Este baixo clero nem se preocupa em informar antes seus comandados. O mais importante é fazer o jogo pela grande imprensa. Jogam para confundir, para aparecer e acabam se enredando na confusão que criam.
Os jornalistas experientes, por seu turno, sabem que até amanhã grande parte das declarações serão balões de ensaio. Mas entram no jogo dos 15 minutos de fama. Postam no twitter a "última novidade" como troféu abatido minutos atrás.
Uma vergonha geral. E o que menos conta é o cidadão.

Um comentário:

Jânio Bragança disse...

Estamos antecipando duas disputas eleitorais futuras: a do governo do estado e da presidência da república.
acredito que qualquer resultdo para a disputa para PBH, descarto a hipotese de votação pequena, o Patrus sai fortalecido. Principalmente o Patrus e secundáriamente o Roberto Carvalho. O Patrus em qq cenário passa a ser o nome forte do PT Mineiro. As recomposições internas irão neste sentido. Veremos.