sexta-feira, 6 de julho de 2012

Aécio acusa o golpe

O senador Aécio Neves acusou o golpe. Reclamou do que denomina de interferência da Presidente Dilma Rousseff na disputa eleitoral em Belo Horizonte. Estranhíssimo já que o governador Antonio Anastasia adotou expediente idêntico ao do Palácio do Planalto. Ambos utilizaram o peso da máquina administrativa para atrair aliados às chapas que defendem nas eleições de outubro. Não parece republicano, mas usaram este "instrumento político".
Obviamente que o peso da máquina federal é maior que a estadual. A intervenção federal atraiu, ontem, o apoio do PDT, PCdoB, PSD e PRB para a chapa de Patrus Ananias. O PSD oscilou durante toda a manhã de quinta-feira.
O senador Aécio Neves tergiversou ao criticar a ação federal. Disse que não compõe a lógica da política mineira. Algo absolutamente sem nexo. Os partidos brasileiros são nacionais. Na República Velha tinham esta conotação regional. O senador mineiro sabe disto. Portanto, joga para a platéia.
O jogo ficou muito apertado, para ambas as partes. Uma campanha que parecia tranquila, com eleição certa de Marcio Lacerda, reposicionou todo quadro eleitoral e partidário. Lacerda e Aécio são os principais responsáveis por esta mudança (responsabilidade maior do prefeito, como venho argumentando neste blog). Talvez, tenham calculado errado, apressadamente. Não esperavam uma recomposição tão rápida dos petistas.
Agora, a eleição em Belo Horizonte revelou o alinhamento partidário que deve ocorrer em 2014. Não existe mais esconde-esconde para o eleitor e para a grande imprensa.
Daí o discurso da vitimização. Chutou o adversário e caiu no chão, simulando que foi a vítima. Não me lembro de discurso similar do senador. Um discurso frágil, defensivo, que não estimula nem seus apoiadores. No mais, revelou que a disputa será muito mais pesada do que se imaginava há uma semana atrás.
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Um comentário:

Paulinho Saturnino Figueiredo disse...

"Algo absolutamente sem nexo". Brilhante a síntese. Como sem nexo vêm sendo os pronunciamentos, pouco frequentes, do senador mineiro-flumunense, fala ôca, antiga, escorada numa bem aprendida retórica barroca que, talvez, nem mais coubesse até na boca ilustre de seu avô.