terça-feira, 3 de julho de 2012

A diferença entre Lacerda e Erundina

Recentemente, dois expoentes do PSB estiveram enredados em tramas e conflitos entre seu partido e o PT. Erundina e Marcio Lacerda, de São Paulo e Belo Horizonte, criaram uma saia justa das mais incômodas aos petistas que, em ambas cidades, são maiores do que os socialistas. O constrangimento se deu pelas opções eleitorais do PT.
Em São Paulo, Erundina não aceitou ser vice numa chapa que teria como aliado Paulo Maluf, seu sempre adversário, dos mais desleais. Não aceitou, mas prometeu se envolver na campanha e organizar sua "tropa". Antes, se reuniu com a cúpula de seu partido.
Lacerda fez jogo duplo grande parte do último ano. Foi de um lado para o outro, flertando com PSDB e PT. Ao final, ou aquilo que parecia o final, se coligou com o PT, que indicou o vice na sua chapa. Aí, não aceitou o acordo anterior e decidiu não coligar na chapa proporcional. Criou um embaraço justamente no último dia para realização das convenções partidárias que oficializaram as candidaturas. A direção de seu partido, o PSB, baixou em Belo Horizonte. E o prefeito socialista não teve dúvidas. Disse que se a direção nacional provocasse mudança na sua decisão, ele renunciaria à reeleição.
O que ambos têm em comum? Com exceção da crise provocada no PT local, nada mais.
Lacerda não criou a saia justa por motivos ideológicos. Nem mesmo se preocupou em armar algum argumento desta natureza. Simplesmente se impõe, do alto de seu cargo, conquistado justamente com a aliança que renega. Seu cálculo é simplesmente matemático. Não politiza a cidade ou a eleição, ao contrário de Erundina. Não cria um fato político pela esquerda. O fato é só de embaraço, provocando ilações típicas de coronéis: possíveis traições, insegurança, malícia, jogos de bastidor, balões de ensaio, blefes, diversionismos. Lacerda, ao contrário de Erundina, nega qualquer negociação com a direção de seu partido. Em Belo Horizonte, aparece acima do PSB. Não luta para uma chapa socialista, mas para eleger uma base parlamentar que lhe dê folga no que já considera uma reeleição dada.
Enfim, a história dos dois personagens socialistas não poderia desaguar na mesma foz.
Se Erundina pensasse em si, teria voltado atrás. Teria negociado mais secretarias. Jogaria para aumentar seu poder e cacife político no território paulistano. Em termos pessoais, sua decisão interditou sua retomada em São Paulo. Lacerda faz exatamente o contrário. Mas, paradoxalmente, duvido que saia maior que Erundina nesta história toda. Porque pensa no curto prazo. Já não era maior que nossa Rosa Luxemburgo.
Interessante que o prefeito de Belo Horizonte se debate contra a pecha de ser um novato na política e de pensar mais como empresário que como socialista. Se já fazia sentido antes, agora é uma certeza.

Um comentário:

SENÔ JÚNIOR disse...

Rudá ,é essa a mineirice do Lacerda?