quinta-feira, 28 de março de 2013

Instrução define posição progressista dos brasileiros (pesquisa IPEA)

Segundo o IPEA, de 2001 a 2011, a renda dos 10% mais pobres no Brasil cresceu 550% a mais que a dos 10% mais ricos. Ok. Mas, qual o impacto real deste dado nos valores da população mais pobre? Foi tentando responder esta questão que o IPEA divulgou alguns dados desta pesquisa sobre valores e estrutura social no Brasil.
Segundo a pesquisa, 1/3 dos brasileiros possui valores e opiniões claramente conservadoras em relação ao comportamento e ampliação dos direitos civis.
O tema, relacionado aos direitos da mulher, que gera maior reação conservadora é o direito ao aborto (60% são contra). Todos os outros temas (desigualdade salarial, violência, comando masculino) apresentam posições mais liberais chegando a 80% das respostas.
O dado fundamental, em relação à igualdade de gênero, é que quando menor o nível de instrução, maior o ranço conservador (ver o gráfico que ilustra esta nota, sendo que quanto mais próximo de 2, mais conservador, e quanto mais próximo de -2, mais progressista). O gráfico apresentado a seguir reforça esta constatação: quando questionados se o pesquisado concorda que o homem dá a última palavra, quanto mais instruído, menor o grau de concordância:


O índice de católicos e evangélicos que discordam desta afirmativa é muito similar (71% dos católicos afirmaram discordar ou discordar bastante; ao passo que 66% dos evangélicos também apresentaram esta opinião). Contudo, o índice de evangélicos que concordam bastante em relação à posição superior masculina é o dobro do índice de católicos (8% e 4%, respectivamente).
7% dos que possuem nível superior de instrução concordam que os homens possuem maior capacidade de liderança que as mulheres, ao passo que entre os analfabetos, 25% apresentaram esta opinião.
A renda também é um divisor de águas quando o tema é aborto, acompanhando quase que de maneira espelhada as posições em relação ao nível de instrução (maior instrução e renda sendo mais liberal; menor instrução e renda sendo mais conservador):


 No gráfico apresentado a seguir fica patente que afrodescendentes e homossexuais formariam os dois grupos sociais considerados mais distantes da maioria dos entrevistados:


Vale destacar que 40% dos evangélicos consideram positiva ou muito positiva a luta das minorias por seus direitos (mesma opinião para 49% dos católicos).
Um dado interessante revelado pela pesquisa do IPEA é que uma parcela muito expressiva da população considera que os pobres escolhem os piores candidatos nas eleições (entre 49% e 55% dos pesquisados), sendo que quanto maior a faixa etária, maior é o percentual (quanto menor o nível de instrução, maior é o percentual):

Finalmente, quanto menos instruído, mais cético é o pesquisado em relação à capacidade de influenciar os governos:


56% dos brasileiros acreditam que é pelo voto que se influencia os governos; 39% afirmam que é através de contato direto e apenas 6% indicam os protestos como principal meio de influenciar politicamente. Quanto maior o nível de instrução, menor é o destaque em relação ao voto (47% para os que possuem nível superior de instrução e 67% para analfabetos) e maior é a crença no contato direto com políticos (48% e 31%, respectivamente). Protestos, independente do nível de instrução, não são citados por mais de 7% dos pesquisados como meio de influenciar os governos.

Um comentário:

Helena Morita disse...

Olá, Rudá! Como faço para ter acesso à integra da pesquisa? Ela está disponível no IPEA?