sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia Internacional da Mulher: tem algo estranho nesta data

Li, nos últimos dias, algumas opiniões e artigos a respeito do que comemorar neste dia 8 de março. O que parece consenso é que não se deve comemorar, mas ressaltar a violência, que persiste, contra mulheres, principalmente em países com cultura arcaica e patriarcal. Esta sugestão ganha até reforço com o julgamento do goleiro Bruno, mas não me convence muito porque enfatiza a consequência, não a causa.
Minha opinião é que a discussão teria que tomar outro rumo: o da participação política das mulheres. Já ressaltei aqui que a União Interparlamentar sobre a América Latina revelou que o total de deputadas federais brasileiras só é maior que o Haiti, Guatemala e Colômbia. As mulheres representam mais da metade dos eleitores em nosso país, mas elas não votam em mulheres: 9% dos deputados federais são mulheres, para citar apenas um dado ilustrativo.
Sem poder político, não há como alterar instituições e leis. Não há como transformar o que parece comezinho em algo inaceitável. E aí começa o problema. Hegemonia é quando valores e traços culturais entranham uma sociedade se tornando algo tão certo que a reação é automática. Então, o que parece estranho nesta baixíssima participação das mulheres no centro do poder é que há algo além do machismo como exclusividade masculina. Mulheres são tão machistas quanto. Não existe uma campanha entre mulheres brasileiras para reverter este quadro, o que parece reforçar a noção que este assunto não as motiva.
Fico pensando, enfim, por qual motivo não se cria um movimento poderoso que acabe gerar algo como o Dia das Mães neste campo da atuação e participação feminina na política. Aliás, acho que a história de como foi criado este Dia das Mães explica um pouco esta situação. A comemoração foi criada a partir de um movimento de amigas de Ana Jarvis (americana da Virgínia Ocidental, nos EUA) que, preocupadas com sua depressão de Ana após a morte de sua mãe, resolveram perpetuar sua memória num dia para homenageá-la. Ana sugeriu que a homenagem fosse para todas as mães e daí nasceu o efeméride. Singelo, não?
Mas por qual motivo as mulheres não organizam algo tão potente que às coloque no centro do poder político? Aliás, por qual motivo no Brasil não há nem mesmo movimento de mulheres para criar dia de homenagem à mãe? Acho que esta história de Ana Jarvis pode dar uma pista.

Um comentário:

Sandro Schons disse...

Mulheres foram feitas para criar os filhos e não a empregada por isso tanta maldade no mundo quem melhor p criar anao ser a mae?e o desemprego q elas causaram as homens