sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O melhor trabalhador é o autista?


Thorkil Sonne, fundador da empresa dinamarquesa de computadores Specialisterne, contrata apenas pessoas com autismo. Sua experiência com eles tem demonstrado que essas pessoas não portadoras de necessidades especiais têm uma memória robusta e a atenção aos detalhes, se orgulham do que fazem, têm perseverança para tarefas repetitivas e são "muito precisos em sua forma de comunicação". São assim definidos aqueles capazes de viver com relativa independência em relação aos outros. Ao invés de pensar a colocação deste tipo de funcionário em equipes (o que demandaria ajustes de comportamento), a Specialisterne avalia as habilidades individuais e identifica o que os faria sentir queridos e satisfeitos no local do trabalho. A empresa vem apresentando resultados positivos em diversas áreas: testes de softwares, controle de qualidade e serviços de logística.
Anita Russell, consultora da Escola Pathlight, sediada em Cingapura, explica que os autistas têm habilidades e capacidades muito variadas, assim como necessidades e preferências. Afirma, ainda, que para um "número significativo" de pessoas com autismo, o processamento de informações realizado através de meios visuais ou, em outras palavras, do "pensamento visual". E sugere um programa de formação que desenvolva talentos na área de informática de maneira a equilibrar outras áreas que autistas sentem dificuldades, tais como auto-organização e gestão de emoções, além de comunicação social.
Artigo elaborado por 

3 comentários:

Nilton Salvador disse...

Sr. Rudá.
Tomo a liberdade de perguntá-lo: o que o levou a divulgar uma notícia que se relaciona ao Autismo, que em princípio nada tem a ver consigo.
Atenciosamente grato pela atenção
Postagem no:
http://autismovivenciasautisticas.blogspot.com

Rudá Ricci disse...

Nilton,
Achei a matéria muito ruim e perigosa. E como foi divulgada pelo Pierre Levy, autor muito lido, achei que deveria divulgar e abrir polêmica. Com sua mensagem, percebi que fui excessivamente sutil. O título era justamente para perguntar se o leitor considera o melhor trabalhador um autista, como se estivesse sugerindo uma reflexão maior. Perceba que a matéria trabalha o autista como alienado, na concepção original, marxista, do termo. Acredita que eu deveria corrigir ou deixar mais clara minha intenção?

Nilton Salvador disse...

Sr. Rudá.
Muito grato pelo privilégio da sua atenção ao meu questionamento. Sua sensibilidade o levou perceber de imediato o que eu quis dizer. A maior preocupação dos pais de autistas, como é o meu caso, além da síndrome ainda desconhecida cerca de 70 anos da sua descrição, embora com uma imensidade de definições, quanto autores, é o "preconceito". Daí, a "ruindade e o perigo" da matéria divulgada pelo Pierre Levy, que começa pecando pelo título e por ser ele quem é, fez um julgamento prévio negativo de pessoas estigmatizadas por estereótipos, e como suas opiniões sempre têm profundo significado, poderá gerar mais uma polêmica, junto a pessoas menos informadas, que fatalmente levará o dotado da síndrome e seus responsáveis amargarem mais sofrimentos desnecessários. O Autista é considerado alienado e desprovido de sentimentos até pelas Neurociências, por isso suas relações afetivas não são consideradas boas, já que tem preferência pela solidão. Levy ouso dizer, desconhece a multiplicidade que faz com que cada autista seja único, pois não há fórmula pronta para tratamento da síndrome e cada família encontra caminhos e estratégias para alcançar o seu desenvolvimento e a sua integração na sociedade, que não seja pelo trabalho “mecânico” implantado na empresa dinamarquesa, necessariamente. Acredito mesmo que “corrigindo ou deixando mais clara sua intenção”, o senhor dará uma contribuição de inestimável valor para se fazer entender o preconceito e o conceito de atitude, para que todo um sistema de experiências comportamentais, crenças, sentimentos e emoções não se transformem em predisposições contra valores afetivos. Atrás de uma coisa ruim, não é possível que sempre venha outra... Faz-me lembrar a antiga propaganda para educação no transito alertando que atrás de uma bola sempre vinha uma criança. Nós e as crianças continuamos sendo atropelados na maioria das vezes pela falta de atenção. Lição que pouca gente aprende, mas o senhor tem autoridade para ensinar.