quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Nova Classe média favoreceu Dilma em 2010, mostra estudo


O PT sai na frente na disputa pelos votos da chamada nova classe média. Os primeiros dados objetivos sobre o comportamento eleitoral desse grupo confirmam as hipóteses dominantes: Dilma Rousseff (PT) foi a mais favorecida em 2010. Estudo dos pesquisadores Lucio Rennó (Universidade de Brasília) e Vitor Peixoto (Universidade Estadual do Norte Fluminense) mostra de maneira inédita que a percepção de ascensão social nos anos Lula aumentou em 78% a chance de o eleitor ter votado em Dilma em 2010. Em 2010, Dilma teve 48,6% dos votos no primeiro turno. Segundo o trabalho, entre os eleitores que perberam ascensão de sua própria classe, ela chegou a 57,4%. A petista alcançou apenas 35,3% entre os que sentiram queda e ficou com 38,1% entre os que identicaram imobilidade. No segundo turno, o impacto da mobilidade social é ainda mais visível. O candidato derrotado José Serra (PSDB), que teve 36,8% dos votos, conquistou 50,4% (sendo eleito, portanto) dos eleitores que perceberam queda de classe social e apenas 29,1% dos que viram ascensão (e 45,5% dos que notaram imobilidade). Em contrapartida, Dilma, que teve 57,2% dos votos, chegou a 66% entre os que perceberam ascensão de sua própria classe e 43% entre os que sentiram queda (e 47,1% entre os que viram imobilidade). O trabalho de Rennó e Peixoto foi feito com base nos dados do Eseb (Estudos Eleitorais Brasileiros), pesquisa realizada com 2.000 pessoas logo após as eleições de 2010.


Observação pessoal:
Interessante perceber que recentes pesquisas de intenção de voto realizadas no interior de MG indicam melhoria da avaliação dos eleitores dos prefeitos de cidades-pólo. Pode haver relação com a constatação de Rennó e Peixoto, ou seja, a percepção de melhoria das condições de vida (com pleno emprego e chegada de muitas obras financiadas pelo governo federal) estaria carreando votos para a situação.

2 comentários:

Téo (Armindo Teodósio) disse...

Caro Rudá, muito pertinente esse destaque que dá à posição política da chamada Nova Classe Média Brasileira. Esse segmento da população se tornou objeto de desejo de políticos, empresas (com sua abordagem da Base da Pirâmide) e ONGs (muitas delas agora preocupadas com o desenvolvimento de Mercados Populares em territórios que desenvolvem sua intervenção socioambiental como estratégia de desenvolvimento local). para Jessé Souza, tanto no livro A Ralé Brasileira quanto em sua sequência, Os Batalhadores Brasileiros, o destino de um Brasil mais democrático e inclusivo está na capacidade de politização desse grupo de pessoas que ascendeu à classe média. Pelo visto, ainda falta muito para a politização desejada e a democracia almejada por todos nós se materializar na base da pirâmide. Téo (Armindo Teodósio, professor da PUC Minas)

SENÔ JÚNIOR disse...

O povo brasileiro precisa ser AUTOR do seu destino e não massa de manobra como vem sendo desde tempos imemoriais.E para isso a politização é muito importante. Não basta apenas querer ter um salário digno, um carro e uma casa própria.O que voce afirma em seu comentário Sr. Armindo Teodósio tem condições de tornar-se realidade, basta apenas que o povo que está deitado eternamente em sono profundo, acorde.