domingo, 31 de janeiro de 2010

O clima político nos EUA

Chávez e a caça às bruxas


Laureano Márquez é humorista venezuelano. Cometeu um gravíssimo crime na última sexta-feira: escreveu e publicou um texto humorístico e sarcástico. O artigo pensava a Venezuela sem Chávez. A reação do governo foi desproporcional. O Ministério da Comunicação de seu país acusou o artigo de ser libelo fascista e convidar ao golpe de Estado. Foi além e solicitou ao Ministério Público que faça uma investigação. O humorista já foi condenado em 2007 por ter citado a filha menor de Chávez, num outro artigo. Lembro que Chávez é militar e que os militares raramente têm humor.
Fiquei imaginando se o governo brasileiro investisse contra os humoristas que o criticam. Estaria perdido, sem tempo para governar. Ao se calar, o governo brasileiro dá a dimensão correta ao humor.
Por este motivo, reproduzo, abaixo, o artigo de Laureano. Gostaria que o internauta avaliasse se é realmente um libelo que incita ao golpe de Estado.

Venezuela sin Esteban
Laureano Márquez (jornal TalCual)

Una Venezuela sin Esteban es difícil de imaginar, pero todos los científicos coinciden en señalar que el día en que el Presidente dejará el gobierno está cada vez más cercano y han realizado un documental para History CH en el que relatan cómo será Venezuela cuando el Jefe de Estado ya no esté...
...PRIMER DÍA SIN ESTEBAN: La gente realmente no puede creerlo y comienza a vivir un estado de confusión. Grupos armados pro gobierno (anterior) destruyen lo que queda del país (que afortunadamente era muy poco)... Algunos ya completamente enloquecidos siguen aplaudiendo en Miraflores y gritando UH AH... Martha Colomina y Miguel Ángel Rodríguez toman la plaza Bolívar con un grupo de motorizados y cercan a Lina Ron... Venevisión se declara antichavista furibunda.
...PRIMER MES SIN ESTEBAN : Algunos todavía no reaccionan, pensando que va a regresar en cualquier momento. La gente comienza a dejar de comprar dólares como locos. El grueso de los militantes del PSUV dicen que nunca se imaginaron que el gobierno hacía las cosas que comienzan a descubrirse y que ellos no sabían... Llega al país ayuda humanitaria...
...SEIS MESES SIN ESTEBAN : ...Nicaragua y Cuba reclaman sus mesadas ante la corte de La Haiga. Llegan los primeros inversionistas. Los diputados chavistas comienzan a notar que las leyes que aprobaron antes son bastante antidemocráticas porque ahora se las aplican a ellos, y contribuyen a cambiarlas. Ya están libres todos los presos políticos juzgados arbitrariamente o detenidos sin juicio. Esteban sigue viviendo en Cuba con la excusa de que sin él "en Venezuela no hay quien viva" y se rebusca cantando en el Tropicana.
...DIEZ AÑOS SIN ESTEBAN: ...Comienzan a verse los primeros signos de reactivación económica. Ya hay inversionistas extranjeros que vuelven a confiar. La imagen internacional de Venezuela comienza a mejorar y luego de dos periodos de alternabilidad política sin traumas, la gente vuelve a creer en la solidez de la democracia. Los venezolanos que partieron del país durante el gobierno de Esteban, comienzan a regresar en masa atraídos por esta buena imagen internacional y por la reforma de la seguridad social que garantiza un sistema de salud decente a los ciudadanos. Se consigue nuevamente azúcar en los supermercados.
...VEINTE AÑOS SIN ESTEBAN: Muere oficialmente Fidel Castro y Raúl le pide a Esteban que abandone Cuba. Esteban regresa al país. José Vicente Rangel denuncia en su programa dominical las corruptelas de su gobierno y da nombres de los que se enriquecieron, menos uno. El ex presidente hace audición en Venevisión para conducir Sábado Sensacional, que aún a la fecha sigue sin animador, pero el canal le pinta una del tamaño de la colina y denuncia las atrocidades de su gobierno y la repugnante complicidad de algunos. Esteban se dedica a las tierras familiares en Barinas, en medio de constantes protestas de sus trabajadores por mejoras salariales y explotación capitalista.
...CIEN AÑOS SIN ESTEBAN: Del final del siglo XX venezolano y los inicios del XXI sólo queda ya un mal recuerdo. Se estudia el periodo como ejemplo de lo que no debe hacerse con un país. Muchos historiadores dicen que Venezuela entró al siglo XXI cuando Esteban dejó el poder. La gente ve con asombro los videos de cómo él se dirigía al país, de cómo trataba a los ciudadanos y a sus propios ministros. Muchos creen que se trata de una broma del programa cómico más antiguo de la televisió venezolana, Radio Rochela, que vuelve a estar nuevamente al aire en señal telepática abierta.

Em homenagem ao Ca'd'Oro


Ano passado comi o Bollito Misto, no Ca'd'Oro. Este, que foi uma referência em São Paulo, fechou suas portas. Resolvi homenagear o passado com a receita original do La Peara, que acompanha o Bollito. Sugestão de uma internauta deste blog:

LA PEARA
La ricetta (Ingredienti per 4 persone):

500g di pane raffermo, grattugiato e passato al setaccio
100g di midollo di bue
1 l di brodo di manzo e gallina
2 cucchiaini di pepe nero macinato
100g di Grana Padano
100g di Olio extravergine di oliva
sale


Procedimento:
Mettere su un fornello piccolo un capiente tegame di terracotta, protetto da retina rompifiamma e far sciogliere il midollo nell’olio mescolando con cucchiaio di legno. Aggiungere prima pane e pepe e poi il brodo bollente. Mescolare in modo da creare una crema uniforme e senza grumi. Far sobbollire e abbassare quindi il fuoco al minimo. Aggiungere il restante olio per formare una sorta di “coperchio”. A fine cottura aggiungere il formaggio e regolare di sale e pepe mescolando delicatamente. Dipende dai gusti, ma la pearà dovrebbe risultare ben pepata.
“Pearà” in dialetto significa “pepata” ed oggi, assieme alla salsa verde, al cren e alla mostarda, è accompagnamento indispensabile per il carrello veronese dei bolliti.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Do rigor na ciência


Jorge Luis Borges

Naquele Império, a Arte da Cartografia logrou tal perfeição que o mapa de uma única Província ocupava toda uma Cidade, e o mapa do império, toda uma Província. Com o tempo, esses Mapas Desmedidos não satisfizeram e os Colégios de Cartógrafos levantaram um Mapa do Império, que tinha o tamanho do Império e coincidia pontualmente com ele. Menos Adictas ao Estudo da Cartografia, as Gerações Seguintes entenderam que esse dilatado Mapa era Inútil e não sem Impiedade o entregaram às Inclemências do Sol e dos Invernos. Nos desertos do Oeste perduram despedaçadas Ruínas do Mapa, habitadas por Animais e por Mendigos; em todo o País não há outra relíquia das Disciplinas Cartográficas.

Terminei o livro sobre lulismo


Terminei a revisão do livro sobre o lulismo. São seis capítulos divididos em duas partes. A primeira parte, dedicada ao lulismo, trata sobre o lulismo em sua gênese (primeira gestão), o lulismo em sua forma acabada (segunda gestão) e um balanço da literatura sobre as duas gestões Lula. A segunda parte trata da trajetória dos movimentos sociais recentes, assim dividida: capítulo sobre anti-institucionalismo ao ingresso nas formas de gestão participativa; capítulo sobre as novas formas de gestão participativa à estatalização e; último capítulo, sobre a trajetória da educação popular no Brasil.
Do forno, entra para tratamento da editora.

Para quem gosta de pagode

Para quem morar ou estiver em BH, vale passar no Petisqueira 840 graus, um boteco que nas quartas á noite tem pagode de primeira. Hoje, comi uma dobradinha (feita pelo Leo) e ouvi vãrios sambas cariocas e paulistas. Teve até Adoniran Barbosa.
Na Rua Paulo Afonso, 830, no bairro Santo Antônio.

Davos: entre a afirmação e o populismo


Fala-se da crise do FSM, mas pouco se fala da crise do FEM (realizado em Davos). Talvez porque um tem o irresistível charme da burguesia que o outro não tem. Mas, vamos aos fatos. Davos premia Lula. Contudo, nas mesas de debate, critica seu governo e sua performance. E, pior, critica a partir da lupa que já utilizava antes da queda do Muro do Neoliberalismo. É interessante como o mundo gira rápido e os discursos tornam-se gastos em poucos minutos. Este é o sentimento ao ler que John Coatsworth, reitor da Escola de Asuntos Públicos e Internacionais da Universidade de Columbia, sugeriu que o entusiasmo internacional pelo Brasil está diretamente vinculado ao fim do modelo protecionista e ao controle da inflação. Convenhamos que o controle da inflação é, realmente, um fio condutor da retomada do crescimento tupiniquim. Mas destacar o fim do modelo protecionismo é desconhecer o que é o lulismo e a onda internacional que atinge todos países após a crise de outubro passado estourar. Este argumento, que rondou várias exposições em Davos, adota estilo passadista. Parece que o Fórum Econômico Mundial não deseja dar luz às mudanças mundiais. Preocupa-se apenas com a imagem externa (continuando com discurso de sempre no que tange ao público interno). Uma pena. Retomou o populismo.

Faltam 7 pontos para Dilma empatar com Serra


Pesquisa Vox Populi revela que Serra está com 34% das intenções de voto e Dilma já chegou aos 27%. Ciro Gomes aparece com 11%.
Sem Ciro, Serra tem 38%, Dilma 29% e Marina 8%. Segundo turno, Serra manteve 46%, Dilma passou de 32 para 35%. 30% disseram que com certeza votariam em um candidato indicado por Lula.
Em dezembro, Serra estava com 39% e Dilma com 17%.
Se a queda de diferença for uma tendência, na próxima pesquisa Vox Populi, Serra e Dilma estarão em empate técnico. Será um "Deus nos Acuda" para PSDB paulista e DEM. Serra será obrigado a criar um fato político, ou entra na convenção partidária (em julho) em segundo lugar, em franca decadência. Perderá financiamento e apoiadores.

UP (or down?) in the air


Fui assistir Up in the air, do jovem diretor Jason Reitman (que também dirigiu “Obrigado Por Fumar” e “Juno”). O artigo de Luis Fernando Veríssimo sobre o filme (e George Clooney) é uma armadilha (boa armadilha), porque nem de longe sugere o quanto o filme brinca com coisa séria. Daqueles filmes (que alguns classificam como comédia dramática) que deixam um sorriso amarelo pregado no rosto. Eu mesmo me vi na solidão de aeroportos durante vários dias do ano, naquela excitação efêmera e infantil de ingressar na fila da entrada da aeronave e na contagem das milhagens adquiridas. O título do filme em português deveria ser caso de cadeia.
O diretor aproveita o tema da crise e demissões em massa nos EUA e não teve dó. Clooney é um consultor cínico e pragmático (a marca deste início de século, convenhamos).
O final é meio adocicado (não feliz). Mas o sorriso continua amarelo até depois de deixarmos o cinema.

Resultado da enquete do blog

Período de férias não é bom para fazer enquete em blog. Num recorde negativo de internautaas que se aventuraram a responder a enquete, quase metade respondeu que 2010 será um ano de ouro para a economia. A outra metade se dividiu entre bom e razoável (neste caso, fruto do impacto da crise européia e norte-americana).

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Mais resultados da Vox Populi

O atual ministro da Justiça, Tarso Genro (PT), lidera com 34% a pesquisa estimulada do Vox Populi.
O prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), tem 31%; Yeda Crucius (PSDB), 7%; Beto Albuquerque (PSB) e Pedro Ruas (PSOL) aparecem com 2% cada.
No Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB) tem 48%, Cristovão Buarque (PDT) 20% e Agnelo Rossi (PT) 16%.

Repique na bolsa de valores


A Bolsa de Valores tupiniquim já desponta em janeiro como uma das que mais perdem recursos dos investidores internacionais. A piora nas condições do mercado no final da semana passada provocou uma saída de quase US$ 1,5 bilhão do país em apenas dois dias -quarta e quinta-feira da semana passada-, segundo o Banco Central. A Bolsa brasileira, que subiu em dólares 145% no ano passado, já teve uma baixa de 11% (5,13% em reais) em 2010, após cinco dias seguidos de perdas. Foi a maior baixa do mundo depois da Venezuela, que recuou 49,3%, já contando o impacto da desvalorização do bolívar. A maior parte dessa perda da Bolsa está ligada a uma desvalorização do real,
que segue um movimento internacional de alta do dólar e da busca por aplicações de menor risco. Só neste ano, o real já perdeu 5,88% diante do dólar, indo de R$ 1,743 para R$1,859. Segundo analistas, a reversão está mais ligada a fatores externos do que a brasileiros. Entre os motivos, estão a restrição ao crédito na China, a revisão da avaliação de risco na Europa e no Japão, regras mais apertadas para
os bancos nos EUA fazerem apostas no mercado de capitais, a queda no preço de commodities e dúvidas sobre a recuperação da economia global com a retirada de estímulos e aumento nos juros.

As clivagens internas do PSDB


Na edição de setembro do ano passado, a revista IstoÉ fez balanço sobre quais diretórios estaduais do PSDB apoiavam Serra como candidato a Presidente da República e quais estariam "indecisos". Vale conferir:

Pró-Serra:
05 diretórios do nordeste (Bahia, Piauí, Sergipe, Rio Grande do Norte e Alagoas)
02 diretórios do norte (Acre e Pará)
02 do centro-oeste (Mato Grosso do Sul e Goiás)
01 do sudeste (São Paulo)

Indecisos (Minas Gerais apoiava Aécio Neves e não entrou na listagem):
04 diretórios do nordeste(Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Ceará)
01 diretório do norte (Amazonas)
03 diretórios do centro-oeste (Distrito Federal, Mato Grosso, Tocantins)
02 diretórios do sudeste (Espírito Santo, Rio de Janeiro)
Os 03 diretórios do sul (Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina)

Se o balanço estava correto, a situação não era das melhores para o governador paulista. Do sudeste, tinha apenas seu Estado. Do sul, nenhum apoio convicto. Do nordeste, dois estados essenciais (Ceará e Pernambuco). O interessante é que sudeste e sul é justamente onde Serra tem melhor desempenho nas pesquisas de intenção de votos. Um divórcio - assim como ocorre no PT - entre força do candidato e força do seu partido?

Cenários das eleições mineiras: Vox Populi


A e-Band divulga pesquisa Vox Populi (ver aqui)que trabalha com três cenários distintos:


CENÁRIO 01
Fernando Pimentel, do PT, aparece com 34% das intenções de voto. Em segundo, está Anastasia, do PSDB, com 15%. Vanessa Portugal teve 4% da preferência dos entrevistados, e Maria da Consolação Rocha, do PSOL, 2%.

CENÁRIO 02
Num segundo cenário, trocando o candidato petista, Patrus Ananias é o primeiro colocado com 28%. Anastásia ficaria em segundo com 17%. Vanessa Portugal é a preferida por 5% dos entrevistados, e 3% votariam em Maria da Consolação Rocha.

CENÁRIO 03
E num terceiro quadro, o candidato Hélio Costa, do PMDB, lidera com 37%. Anastasia vem em segundo, com 16%, seguida por Vanessa Portugal, com 5%. Maria da Consolação Rocha ficaria em último, com 2%.

Daí a procura de acordo entre PT e PMDB. Hoje, esta aliança levaria o governo mineiro.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Democratas estariam com os dias contados?

Um dos boatos mais ouvidos em Brasília é que lideranças dos democratas discutem, desde a passagem do ano, a possibilidade de fechar as portas do DEM. Discutem que um possível fracasso eleitoral em outubro seria fatal para vários de seus expoentes. São boatos, até o momento.

Brasil volta a ser campeão mundial de juros básicos


Mais um título para o Brasil!!!
Como o Copom do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, por unanimidade, manter a taxa básica de juros (a Selic) em 8,75% ao ano, voltamos a ser o país com maior taxa de juros do Planeta. Segundo a UPTrend Consultoria Econômica, a taxa real (Selic menos a inflação) brasileira é de 4% ao ano. Em segundo, vem a Indonésia, com 3,6%. Na última reunião do Copom, em dezembro, o Brasil estava em segundo lugar, com a China em primeiro. Agora, a China está em terceiro lugar, com 3,3%. Austrália e Japão vêm em seguida, com 2,4% e 2%, respectivamente.

Balanço do FSM


O FSM fez dez anos e está sendo objeto de redefinição de rumos. Na verdade, um debate que nasceu com o fórum e que já comentei neste blog: entre a visão clássica de organização de esquerda (com adoção da "linha justa" e tudo mais) e a que vingou até agora, de formação em rede, o structural hole.
Como não seria de se esperar algo diferente, João Pedro Stédile retoma sua origem MR8 e é um dos defensores de maior unidade (a tal unicidade) do FSM. Sugere que “não conseguimos ter um programa mais propositivo, não que o FSM tenha que ter um programa próprio, mas que neste espaço pudéssemos construir idéias mais unitárias que representem um acúmulo de forças". Stédile falou no seminário Dez anos depois: Desafios e propostas para um outro mundo possível, em Porto Alegre. Para Cândido Grzybowski, do IBASE, a decisão de permitir que o FSM rodasse o mundo foi um dos acertos do processo. Já o velho amigo Chico Whitaker sustenta que o FSM continue como praça pública. “O Fórum virou um espaço aberto onde os movimentos e organizações altermundialistas pudessem se encontrar livremente, identificar convergências, pensar ações e articular alianças. Com isso, se tornou um instrumento a serviço da reflexão engajada, mas tal objetivo pode ser questionado”.
Para Oded Grajew, faz-se necessário uma espécie de ação permanente do FSM: “A ação deve existir o ano inteiro, em formação de redes e fortalecimento das existentes. Essa foi a grande sacada do FSM, abrir um espaço onde todos se sentissem contemplados, onde nenhum causa é mais importante que a outra, porque a diversidade é um dos valores da nossa Carta de Princípios. Ela continua válida? Certamente que sim. Avançamos em muitas coisas e nossa tarefa ainda é gigantesca. A discussão do papel do FSM é interessante porque envolve nossa cultura patriarcal, piramidal, onde temos que ser mandados a fazer as coisas. O FSM não orienta subordinados, ele não manda em ninguém”.
(citações de entrevistas publicadas na Carta Maior. A 10a versão do FSM, que ocorre em Porto Alegre, termina amanhã)

Portal Mapas IPEA


O Ipea divulga nesta quinta-feira, às 10h, o portal Mapas Ipea, que permite aos internautas visualizar, no mapa brasileiro, diversas informações sobre os municípios do País. Por meio dele será possível, por exemplo, obter detalhes sobre as 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. O Mapas Ipea foi elaborado a partir do software livre I3Geo. A ferramenta do Ipea reúne em um só endereço informações já públicas que têm como fonte ministérios e outros órgãos federais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) - alguns dos quais utilizam há mais tempo a plataforma I3Geo. Utilizando a ferramenta de buscas, ou a partir de ampliação no mapa do País, o usuário chega à cidade que deseja pesquisar. Entre os dados disponíveis, pode-se consultar a população, a área, o Produto Interno Bruto (PIB), rodovias, estatísticas de educação e quantidade de servidores públicos nos municípios. Os mapas permitem, ainda, saber quais municípios têm acesso mais rápido a aeroportos e quais têm mais famílias em situação de pobreza. Qualquer pessoa poderá montar seu próprio mapa, sobrepondo as camadas de dados que lhe interessam, permitindo novos cruzamentos de dados.
Durante a apresentação da ferramenta, nesta quinta-feira, o endereço do portal será divulgado. A interface estará disponível em quatro idiomas (português, inglês, espanhol e italiano), e o portal será constantemente atualizado com novas bases de dados. A apresentação da ferramenta será feita no auditório do Instituto em Brasília(Setor Bancário Sul, Quadra 1, Edifício BNDES, subsolo). Haverá transmissão on-line pelos sites www.ipea.gov.br e www.agencia.ipea.gov.br.

Jornal Nacional faz campanha política

A pauta do Jornal Nacional de hoje foi uma bela peça de editorial ideológico. Do começo ao fim foi montado para criticar o governo Lula, inclusive com entrevistas tendenciosas, sem qualquer contraditório. Confrontava notas oficiais lidas pelos âncoras com opiniões gravadas e com imagens de técnicos com posição partidária conhecida. A liberdade de imprensa, como sabemos, precisa ser acompanhada de alguns princípios éticos para não descambar para o partidarismo. Como já ocorreu nas eleições passadas, envolvendo Brizola e Lula e amplamente divulgado, tendo o mesmo Jornal Nacional como editor-político.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A Nova Classe, por Chico de Oliveira e Merval Pereira


Artigo de Merval Pereira, no Globo de ontem, retoma a tese de Chico de Oliveira sobre o surgimento de uma nomenklatura no governo lulista. Baseia-se no livro "A Elite dirigente do governo Lula", de Maria Celina D´Araujo, ex-CPDOC (FGV-RJ). Entre 1999 e 2008, a autora analisou o perfil dos dirigentes dos fundos de pensão (Previ, Petros e Funcef). No governo FHC, 41% dos dirigentes eram sindicalizados. No governo Lula, 66% dos nomeados eram sindicalizados. Merval destaca o papel desempenhado por José Dirceu e luiz Gushiken no direcionamento dos investimentos dos fundos de pensão.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Economia volátil em 2010?

José Roberto Mendonça de Barros projeto economia volátil no Brasil neste ano eleitoral. Aponta três motivos para este cenário:
1. Cenário de crise externa, envolvendo China (inflação), Europa e EUA, agravando a incerteza internacional;
2. Superávit comercial em queda, devido ao aquecimento da economia brasileira e câmbio desfavorável à exportação. MB projeta 5 bilhões de saldo positivo em 2010, com conta de serviços subindo;
3) Processo eleitoral, que pode jogar por terra o pragmatismo da área econômica do governo federal. MB avalia que juros 2% a 2,5% ao longo de 2010, possivelmente no segundo semestre.

Mais uma para registrar e conferir.

Manifestação em Belo Horizonte pela aplicação da Lei Maria da Penha

Motivados pelo brutal assassinato da cabeleireira Maria Islaine, movimentos
feministas de Belo Horizonte organizam Ato Público na Praça 7,
amanhã, dia 25/01, as 10h00 para cobrar das autoridades a aplicação da Lei Maria da Penha. O caso deixou perplexos a falta de empenho da polícia civil.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

AUTOFAGIA E ESQUERDAS BRASILEIRAS


O Correio da Cidadania publica artigo de Fernando Silva ("Hora de decisão na esquerda socialista") que revela o legado de cisões e rupturas eternas da esquerda brasileira e, principalmente, a dificuldade em se tornar popular. Fernando Silva é membro do Diretório Nacional do PSOL, partido recém criado e que já conta com disputas acirradas entre pequenas correntes internas.
Neste artigo, o autor sugere o imenso erro do PSOL em negociar a aliança com Marina Silva e lista os argumentos que provariam o erro:
1) Marina não rompeu com a política econômica do governo Lula. Não por acaso filiou-se ao PV, que está na base de sustentação do governo federal e de governos estaduais tucanos e "democratas", além de declarar que considera positivo o modelo econômico e que Lula tenha dado continuidade ao que FHC começou.
2) Não por acaso também, levou para o PV um grupo de capitalistas e articula um deles como vice, mostrando para onde estava direcionada sua política de ampliação.
3) E vamos combinar que não há discurso ético que sobreviva à convivência na mesma sigla com membros da família Sarney (um dos mandatários da legenda verde).


Fernando admite que "o tempo perdido pode custar caro à manutenção e ampliação de um espaço que por obrigação caberia ao PSOL aglutinar em torno de uma alternativa de verdade à polarização Dilma-Serra".
O tom indica o ânimo de uma esquerda mais e mais acantonada.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Apenas metade dos jovens entre 15 e 17 anos estão matriculados no ensino médio


Outro fracasso retumbante é o relacionado ao Ensino Médio. No início da gestão Lula se falou em ampliar para 4 anos e retardar o ingresso no mercado de trabalho (política internacional, já que o mercado não contrata jovens). Se falou em seleção gradual para o ingresso na universidade, adotando-se a média de provas anuais ao longo do EM. Nada foi feito. Aí, o IPEA divulga que apenas 13% dos jovens entre 18 e 24 anos frequentavam universidade em 2007. E que menos da metade dos adolescentes entre 15 e 17 anos cursava o ensino médio. A disparidade entre o meio urbano e o meio rural é absurda: 57% dos jovens entre 15 e 17 anos das cidades frequentavam o ensino médio; fato que atinge apenas 31% dos jovens rurais nesta faixa etária. Mais: a taxa de frequência dos que têm renda mensal superior a 5 salários mínimos é 10 vezes (dez!!) maior que os que percebem até meio salário mínimo.

Um dos grandes furos do governo Lula: primeiro emprego


O fracasso do Programa Primeiro Emprego obrigou o governo Lula a ampliar a faixa etária atendida, chegando a 29 anos. Conheço Beto Cury, secretário nacional de juventude, e atesto seu empenho. Mas que patinou, patinou!
Unificou os vários programas e jogou como meta de 2010 atender 2,3 milhões de jovens que terão cursado algum programa de formação ofertada pelo governo federal. O problema é que o índice de evasão desses cursos é de 20%, chegando a 33% (no Pará).
Temos 50 milhões de jovens (entre 15 e 29 anos) brasileiros e 33% residem em regiões metropolitanas (10% na capital paulista). Destes, 4,5 milhões vivem em situação de risco extremo (sem ensino fundamental, sem formação profissional e desempregados). Mais de 800 mil (840 mil) são analfabetos e 16,5 milhões estão desempregados.

Os maiores salários do executivo federal


A edição de ontem do Correio Braziliense (página 9, caderno economia) apresenta as maiores remunerações em cada órgão da adminstração direta, autarquia e fundações federais. São elas:

1) Ministério das Relações Exteriores: 24.500 reais
2) Ministério da Previdência Social: 18.260 reais
3) Ministério do Trabalho: 24.500 reais
4) Ministério da Agricultura: 24.500 reais
5) Ministério do Meio Ambiente: 14.731 reais
6) Ministério da Cultura: 18.260 reais
7) Ministério do Desenvolvimento Agrário: 11.431 reais
8) Ministério das Cidades: 16.909 reais
9) Ministério do Esporte: 11.431 reais
10) Ministério do Turismo: 11.431 reais
11) Ministério do Desenvolvimento: 12.350 reais
12) Ministério do Planejamento: 24.500 reais
13) Ministério da Educação: 19.332 reais
14) Ministério da Fazenda: 24.500 reais
15) Ministério da Defesa: 18.260 reais
16) Ministério da Ciência e Tecnologia: 22.860 reais
17) Ministério da Integração Nacional: 14.251 reais
18) Ministério da Saúde: 24.217 reais
19) Ministério dos Transportes: 24.500 reais
20) Ministério das Minas e Energia: 22.637 reais
21) Ministério da Justiça: 18.260 reais
22) Presidência da República: 18.718 reais
23) Ministério do Desenvolvimento Social: 11.179 reais

O mais interessante é o que aparece como maior salário das Universidades Federais do Acre (32 mil reais) e do Ceará (37 mil reais). Aliás, a matéria revela que um professor da Federal do Ceará recebe a bagatela de 46 mil reais (mas somaram as vitórias judiciais que do felizardo que recebe pagamentos retroativos e, mesmo assim, acaba tendo abatimento do teto, caindo para 37 mil reais mensais... coitado!).

Fica a dúvida: qual o motivo da discriminação com os ministérios do esporte, desenvolvimento agrário e turismo? Olha a discriminação aí, gente!
É verdade que o esporte vai ter prêmio de consolação com a nomeação (muito aguardada) da Autoridade Pública Olímpica (que estará usufruindo das benesses até meados da segunda década deste século). Mas e os outros dois?

Os 4 pilares da proposta do CDES


Em seminário internacional ocorrido em março de 2009, o CDES assumiu uma pauta para elaboração de propostas para o desenvolvimento sustentável: a) elaboração de sistema de proteção e promoção social (a lei de responsabilidade social está incluída neste item); b) o financiamento do desenvolvimento; c) a consolidação de infraestrutura que garanta a sustentabilidade; d) o fortalecimento das empresas nacionais.
Na 30a Plenária do conselho, em junho de 2009, foi construído um documento referência sobre redução de desigualdades sociais. Os pontos centrais deste documento são: a) política de valorização do salário mínimo, Bolsa Família, Programa habitacional, PRONAF e previdência.
Finalmente, em outubro do ano passado, foi definido um documento referência sobre a Consolidação das Leis Sociais, tendo como mote principal a criação de uma instância de Governança do Sistema Nacional de Proteção e Promoção Social, tendo como objetiso a articulação das políticas de todos entes federativos; o acompanhamento de acordos internacionais; a observação de parâmetros de monitoramento; a garantia de organicidade do sistema e a integração dos cadastros da área social.
O CDES tem tido um papel efetivo na elaboração da agenda do governo federal.
Podemos ter uma oportunidade importante para avançar no participacionismo. Ontem foi apenas um leve início da formatação desta possibilidade. Mas, na minha opinião, as chances ao menos do governo federal aprovar esta lei complementar são razoáveis porque poderá ser uma espécie de sinalização e resposta àqueles (como eu) que criticam o centralismo e retrocesso que o governo federal provocou no controle social efetivo conquistado desde a Constituição de 88. O problema, contudo, estará na reação de parlamentares, governadores e prefeitos. Mas um passo inicial foi dado.

CDES: uma reunião mais que positiva


O colóquio de ontem, em Brasília, promovido pelo CDES (conselho de desenvolvimento econômico e social) foi uma grata surpresa para todos membros do Fórum Brasil do Orçamento. Ronaldo Garcia, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) apresentou uma proposta de Lei Complementar que praticamente assume todas sugestões de Lei de Responsabilidade Social elaboradas pelo FBO. Esta proposta de lei complementar foi elaborada em conjunto com o IPEA (Ana Peliano estava presente e reforçou os pontos mais importantes). Na sexta-feira, amanhã, uma reunião interministerial da área social deverá bater o martelo a respeito desta proposta de lei. A proposta apresentada institui em todo ciclo orçamentário metas sociais e metas de desempenho de governos em todo país, a criação de um Comitê de Responsabilidade Social (integrado por órgãos públicos e conselheiros setoriais e direitos que representam a sociedade civil) e balanços sociais anuais.
Nós, do FBO, reafirmamos a necessidade de alteração da Lei de Responsabilidade Fiscal e da adoção de mecanismos de responsabilização de autoridades públicas que não alcançarem as metas sociais. Há necessidade, para responsabilizar, de adequação da lei de improbidade administrativa, que foca a punição apenas no âmbito fiscal e econômico.
O Ministério Público Federal, também presente, rendeu elogios e apoiou a iniciativa.
Enfim, foi a surpresa mais positiva dos últimos anos. Uma lei que avança no participacismo brasileiro, que dá poder aos conselhos de gestão pública, que pode gera articulação a eles (superando a segmentação temática atual) já saiu do âmbito do FBO e dos debates da Câmara Federal e foi assumida por parte do governo federal e apoiada por órgãos públicos muito importantes.
Foi anunciada, inclusive, um seminário do CDES sobre o tema para o dia 11 de março. Neste evento, além da discussão da proposta de lei de responsabilidade social, será discutida aprofundada a Consolidação das Leis Sociais.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Breves notícias de Brasília

Hoje nós, da coordenação do Fórum Brasil do Orçamento, teremos reunião, aqui em Brasília, com o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Socia (CDES)a respeito da proposta de Consolidação das Leis Sociais (CLS) que o governo Lula quer aprovar este ano. Além de nós, estarão presentes o IPEA e o IBGE. Defenderemos nossa proposta de Lei de Responsabilidade Social, que gera responsabilização de autoridades que não melhorarem os indicadores sociais a cada ano, implanta balanços sociais em cada município e os mínimos sociais a serem atingidos ano a ano.
Relato, amanhã, este encontro.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Artigo de Givanildo Manoel sobre o Haiti

Rezemos pelo Haiti...

Temo sempre falar em meu blog de assuntos que a mídia pauta, mesmo aqueles que considero importantes tratar, quando o faço, tento sempre buscar um equilíbrio que raramente encontramos nos tais telejornais, revistas ou jornais da grande mídia.
A primeira imagem que me chamou atenção, foi a declaração do Cônsul do Haiti no Brasil Jorge Samuel, um branco representando um país majoritariamente negro, essa representação por si só, já nos traria uma boa análise sociológica, mas a fala que foi gravada, quando ele falava em “off”, qual é o olhar de quem representa o país e o que pensa a elite branca mundial sobre o Haiti! Ele nessa conversa "informal", atribuía aos cultos haitianos de tradição africana, a responsabilidade pelas suas desgraças!
Outra situação curiosa, que não tem como desprezar tal o número de matérias, é o da morte da médica brasileira Zilda Arns, Mulher (mãe) Branca(redentora), que desenvolve trabalho assistencialista no Brasil e em alguns países, que morreu durante a tragédia no país, que pode passar dos 200 mil negros, justamente a morte dessa mulher branca conservadora é que tem prevalecido! Não tem como se perguntar, porque esse apelo todo? E não tentar responder, que tem motivações da elite branca mundial e a brasileira em especial.
O Brasil na fase Lulista, que é o cara, já "ganhou" de tudo no cenário internacional, copa, olimpíadas, notoriedade etc. Agora, precisa ganhar uma Santa, no lugar aonde perdeu e perdeu feio, com a sua desastrosa intervenção militar a mando dos estadunidenses, que é nessa ilha, cheia de negros “macumbeiros” (como falou o Cônsul haitiano) que ousaram ser livres e cultuar seus ritos ancestrais, levando-os a carregar uma maldição indissociável a sua existência, a não ser que tenham uma Santa branca (claro!), mártir do assistencialismo e que estava ali para cumprir a saga do santo, morrer se doando!
Assim, em breve, toda a desgraça ocorrida no Haiti, aos poucos irá se dissipando da mídia, durante algum tempo teremos aqui e ali flashes esporádicos, uma notícia aqui e ali por obrigação, suas vidas desgraçadas continuarão, talvez a seleção brasileira vá lá a mando do presidente para "solidarizar-se" e os haitianos depois de assistir “seus” ídolos, voltarão a cumprir a sua sina.
Um belo dia, veremos o Haiti tomar a mídia nacional novamente pela mãos da grande mártir, que deu sua vida pelo povo haitiano, sendo indicada para o Nobel da Paz pós sua morte e ganhando evidentemente e logo em seguida, o Vaticano iniciando o processo de santificação daquela mulher branca e pura, seguidora da religião de tradição judaico-cristã, redentora da humanidade e dos povos impuros, que foi limpar os haitianos de sua maldição, que acabou tendo as suas vidas ceifadas lentamente pelo mal que lhes assola, porém, essa mulher, voltará ao país redimindo-lhes de seu mal, como sua grande padroeira, quando eles poderão em caravana ir até a igreja erguida em sua homenagem, para receber os fieis que serão purificados e espalharão pelo país o caminho da purificação e superação de seu mal.
Esqueceremos assim, aquele país do povo que ousou desafiar a ordem burguesa, que apavorou a elite branca mundial a mais de 200 anos, quando se rebelaram contra escravidão arrancando os seus grilhões e expulsando seus opressores brancos e se autodeterminado como um povo livre.
Esqueceremos que essa ousadia custou muitas invasões dos inconformados senhores donos do mundo, que não cansaram de invadir a ilha para retomar a ilha e impor a mais cruel forma de dominação humana, a escravidão, dividindo-o (Haiti e Republica Domicana) para dominar , ocupando como o fez os Estados Unidos em duas ocasiões, ou tendo presidentes fantoches ( Papa e Baby Doc ) e fiéis aos interesses estadunidenses.
Esqueceremos principalmente, que somos nós (brasileiros) que ocupamos o Haiti, a pretexto de civilizar os negrinhos abusados que não sabem escolher presidentes, tendo imposto as maiores crueldades, com a nossa visão sub-imperialista ou fazendo o trabalho sujo dos senhores do norte, que expulsaram o seu presidente mal.
Esqueçamos tudo isso e Rezemos pelo Haiti, para que esse povo impuro pare com suas “macumbas”, esqueçam a sua grandeza e ousadia na história e que nada de mal mais lhes acontecerá...

Piadinha sobre o cônsul do Haiti

Tem que trocar esse cônsul por uma Brastemp

Matéria da Folha coloca água no chopp de Aécio


Desde que Aécio Neves resolveu peitar o jornalista Frederico Vasconcelos, da Folha, ganhou um adversário de peso. Na edição de hoje, página A7, Breno Costa divulga a paralisação da obra do centro administrativo, que ficará próximo do aeroporto de Confins (Sem fim, para alguns). A obra estava orçada em 700 milhões de reais e já atinge a casa dos 1,2 bilhão de reais. A paralisação tem como motivo a luta judicial pela desapropriação de área que daria lugar ao túnel que ligaria o centro administrativo ao aeroporto. Governo propõe 27 reais o metro quadrado e proprietários demandam entre 300 e 600 reais.
A data prevista inicialmente para inauguração era 15 de janeiro. Era. O governador disse que nem tem mais data definida.

Pimentel já dá as cartas no PT mineiro

Estou em SP e ao sair de BH leio, de relance, matéria do jornal O Tempo, cuja manchete afirma que Fernando Pimentel aceitaria que PT fosse vice na chapa com o PMDB na disputa pelo governo mineiro. Fui consultar o jornal, pela internet. O que aparece, de fato é o seguinte (na fala do ex-prefeito de BH):
O ministro Hélio Costa disse recentemente que aceitaria a ideia de um conjunto de pesquisas para escolher o nome do candidato. Não há nenhuma contradição em o PT querer ter candidato próprio e querer sentar com o PMDB para construir um palanque único, ainda que esse palanque único, mais na frente, possa ter um peemedebista na cabeça de chapa.

O importante é que Pimentel já dá as cartas no PT mineiro. Ao menos, cria os fatos políticos que lhe dão ampla dianteira. Minha avaliação é que se trata de um problema de estilo: Pimentel é muito agressivo e Patrus e apoiadores não sabem agir desta maneira.

Vitória da direita chilena


A vitória de Piñera, no Chile, deve confundir parte dos brasileiros. Devem se perguntar o que teria errado Bachelet. O Chile é um país com muitas peculiaridades. Quando estive em Talca, sul de Santiago e reduto do Partido Socialista, há dois anos, fiquei impressionado com o grau de concentração do orçamento público e da política na capital chilena. Os socialistas tentavam alterar esta lógica (um secretário de governo de cidade polo não ultrapassava 1,5 mil reais, na época e o principais programas dependiam de transferência de recursos federais), mas não conseguiam, embora a Presidente fosse de seu partido.
Também me impressionou uma certa fragilidade de Bachelet. Em meio a um tiroteio a respeito de um decreto que ela teria assinado, Bachelet pedia desculpas por não ter lido corretamente o que havia assinado. Tive a impressão de grande oscilação política dos socialistas, ao lado de forte personalismo. Não me parecia que o governo federal tinha um projeto claro e pulso firme.

De qualquer maneira, o analista da emissora de televisão TVN, Oscar Godoy, disse que após este resultado, através das urnas, "fica enterrada a vinculação da direita chilena com Pinochet", segundo O Globo.
As propostas mais importantes que Piñera apresentou em sua campanha foram:
1) Planos sociais nas áreas de saúde e educação para os mais carentes;
2) Acesso à universidade para estudantes de famílias mais pobres (já que são pagas no Chile);
3) Manter as medidas implementadas por Bachelet, como a presença de creches nas áreas populares e as facilidades para mães solteiras poderem trabalhar;
4) Criação de "um milhão de empregos" nos quatro anos de mandato e combater a delinquência no país.

Contas bancárias que recebem doações para as vítimas no Haiti

Há vários canais para cidadãos e empresários interessados em fazer doações para as vítimas do terremoto no Haiti. Veja quais são as principais formas de ajudar:

Embaixada do Haiti no Brasil
Banco do Brasil
Agência 1606-3
Conta corrente 91.000-7
CNPJ 04170237/0001-71

Cruz Vermelha
HSBC
Agência 1276
Conta corrente 14526-84
CNPJ é 04359688/0001-51

Viva Rio
Banco do Brasil
Agência 1769-8
Conta corrente 5113-6
CNPJ 00343941/0001-28

Care Internacional Brasil
Banco Real-Santander
Agência 0373
Conta corrente 5756365-0
CNPJ 04180646/0001-59

Pastoral da Criança
HSBC
Agência 0058
Conta Corrente 12.345-53
CNPJ 00.975.471/0001-15

Caixa Econômica Federal*
Agência 0647
Conta corrente 3.600-1
CNPJ 00.360.305
As doações da Caixa serão encaminhadas à Coordenação de Assistência Humanitária (Ocha, na sigla em inglês) pelo Programa Mundial de Alimentação (PMA) da Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo Escritório das Nações Unidas.

domingo, 17 de janeiro de 2010

A imprensa mineira no estertor do governo Aécio

A grande imprensa mineira foi objeto de muita crítica a respeito da cobertura do governo Aécio. Há, na internet, material farto a respeito de uma espécie de censura branca que o governo estadual impôs por estas bandas. Contudo, ao ler o livro de Reali Jr. fiquei pensando se não haveria, também, uma deficiência de formação dos jornalistas e editores. A pauta política dos jornais mineiros é excessivamente marcada pela agenda oficial. Notas oficiais se transformam em notícia. Aqui ocorre algo que se comenta muito em relação à jovens talentos do futebol brasileiro e que são exportados muito cedo. Os jornalistas que se destacam um pouco são rapidamente transferidos para São Paulo ou Rio de Janeiro (principalmente São Paulo). Encontrei, outro dia, a ex-âncora do Bom Dia Minas no shopping Higienópolis com a equipe de jornalismo local. Se transferiu para lá. Vejo um outro jovem repórter na bancada do Em Cima da Hora, da GloboNews. Chico Pinheiro já está por lá faz tempo. Sem contar a "velha guarda": Fernando Mitre (Bandeirantes) e Gabeira.
Existem talentos comprovados, como o de Daniela Arbex, da Tribuna de Minas, de Juiz de Fora. E bons profissionais correspondentes do Valor (como Cesar Felício), Folha e outros grandes jornais não-mineiros.
Mas o que ocorre com os jornalistas de jornais mineiros? Haveria uma dificuldade de mercado, para além da censura velada dos governos? A crise permanente de queda de vendagem dos jornais mineiros - que os coloca no colo dos políticos governistas - estaria destruindo a carreira local de nossos jovens talentos?

sábado, 16 de janeiro de 2010

Aggiornamento da grande imprensa brasileira


Uma de minhas dúvidas é se a grande imprensa brasileira fará seu aggiornamento editorial em breve. Com a mudança do perfil da classe média tupiniquim, grande parte dos editorialistas ficaram sem público (ou com público cativo, cada vez mais envelhecido). Não sei se o mercado falará mais alto, a despeito do discurso ideológico dos nossos grandes veículos de comunicação, ou se manterão sua voz ideológica conservadora.
Neste cenário de dúvidas, a Carta Capital parece ser a ovelha negra de uma possível mudança futura. O que, aliás, revela um momento interessante da partidarização da grande imprensa nacional, como no período de Vargas (para reforçar a comparação entre lulismo e varguismo). Não deixa de ser muito interessante do ponto de vista sociológico.
De qualquer maneira, se Lula retornar em 2014, será muito difícil manter colunistas e editores atuais em muitos jornais. A queda vertigionosa de vendas, que já se faz sentir, será cada vez mais grave.

Livro do (sobre) Reali Jr


Eu aguardava um tempinho para ler o livro "Às Margens do Sena" de e sobre Reali Jr. O livro é uma espécie de depoimento-entrevista sobre este jornalista que considero um dos autores de escrita mais elegante do Brasil e que reside há 35 anos na França. Uma leitura muito agradável, como imaginava. Não sabia que, do alto de sua elegância, ele tivesse um temperamento explosivo, parecido com o meu (talvez até pior, já que é costumeiro sair no braço com um desafeto).
A leitura vale a pena.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Jubileu Sul exige mudança na política de ocupação militar no Haiti


Jubileu Sul é uma rede de movimentos sociais, organizações populares e religiosas, política, comunidades e campanhas na América Latina e Caribe, África, Ásia e o Pacífico.Presentes em mais de 40 países, está organizada numa estrutura global descentralizada que conta com um Comitê Coordenador Internacional formado pelos representantes eleitos das Secretarias Regionais de África, Ásia, Pacífico e América Latina e o Caribe. Sendo os países atualmente da América Latina e Caribe que fazem parte do Comitê são: Argentina, Brasil, Nicarágua e Haiti.
Esta rede acaba de divulgar nota de preocupação com o modelo de apoio internacional ao Haiti que passo a reproduzir:

A lo largo de los últimos años y junto con muchas organizaciones haitianas, hemos denunciado la ocupación militar por parte de las tropas de la ONU y los impactos de la dominación impuesta por medio de la deuda, el libre comercio, el saqueo de su naturaleza y la invasión de intereses transnacionales. La condición de vulnerabilidad del país a las tragedias naturales –provocada en gran medida por la devastación del medio ambiente, por la inexistencia de infraestructura básica, por el debilitamiento de la capacidad de acción del estado- no está desconectada de esas acciones, que atentan históricamente contra la soberanía del pueblo.
Es momento que los gobiernos que forman parte de la MINUSTAH, las Naciones Unidas y especialmente Francia y Estados Unidos, los gobiernos hermanos de América Latina, revean esas políticas a contramano de las necesidades básicas de la población haitiana. Exigimos a esos gobiernos y organizaciones internacionales sustituir la ocupación militar por una verdadera misión de solidaridad, así como la urgente anulación de la ilegítima deuda que hasta el día de hoy se cobra a Haití. Exigimos que los recursos destinados para el auxilio y la reconstrucció n no generen nuevo endeudamiento ni que se les impongan condicionalidades o cualquier otra forma de imposición externa que desvirtúen ese objetivo, como es la práctica de las Instituciones Financieras Internacionales como el Banco Mundial, el BID y el FMI, los llamados "países donantes" y las empresas que ellos benefician.
Es hora que la comunidad internacional, y en particular los países e intereses que se han enriquecidos a costa de ello, reconozcan y cumplan con su deber de reparar las deudas históricas, sociales, ecológicas y climáticas que han venido acumulando para con el pueblo haitiano. Es hora de reconocer además, que históricamente son las mujeres quienes no solo llevan una carga desproporcionada de los costos de una tragedia como esta, sino que también puedan y deban ser artífices protagónicas del proceso de reconstrucció n.
Llamamos también a los movimientos y organizaciones del mundo entero, a las personas vinculadas sobre todo con la salud y el hábitat popular, la cultura y la comunicación, a movilizarse, creando y sumándose a las campañas de apoyo, organizando comités locales para el envío de recursos y brigadas solidarias en este momento tan difícil. Compartimos con el heroico y resistente pueblo haitiano nuestro luto y solidaridad, con la certeza que el país resurgirá libre y soberano.
Jubileo Sur/ Américas
Jubileo Sur Global

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Notícias do Haiti


Recebido por email, de pesquisador da Unicamp no Haiti:

A noite de ontem foi a coisa mais extraordinária de minha vida. Deitado do lado de fora da casa onde estamos hospedados, ao som das cantorias religiosas que tomaram lugar nas ruas ao redor e banhado por um estrelado e maravilhoso céu caribenho, imagens iam e vinham. No entanto, não escrevo este pequeno texto para alimentar a avidez sádica de um mundo já farto de imagens de sofrimento. O que presenciamos ontem no Haiti foi muito mais do que um forte terremoto. Foi a destruição do centro de um país sempre renegado pelo mundo. Foi o resultado de intervenções, massacres e ocupações que sempre tentaram calar a primeira república negra do mundo. Os haitianos pagam diariamente por esta ousadia. O que o Brasil e a ONU fizeram em seis anos de ocupação no Haiti? As casas feitas de areia, a falta de hospitais, a falta de escolas, o lixo. Alguns desses problemas foram resolvidos com a presença de milhares de militares de todo mundo? A ONU gasta meio bilhão de dólares por ano para fazer do Haiti um teste de guerra. Ontem pela manhã estivemos no BRABATT, o principal Batalhão Brasileiro da Minustah. Quando questionado sobre o interesse militar brasileiro na ocupação haitiana, Coronel Bernardes não titubeou: o Haiti, sem dúvida, serve de laboratório (exatamente, laboratório) para os militares brasileiros conterem as rebeliões nas favelas cariocas. Infelizmente isto é o melhor que podemos fazer a este país. Hoje, dia 13 de janeiro, o povo haitiano está se perguntando mais do que nunca: onde está a Minustah quando precisamos dela? Posso responder a esta pergunta: a Minustah está removendo os escombros dos hotéis de luxo onde se hospedavam ricos hóspedes estrangeiros. Longe de mim ser contra qualquer medida nesse sentido, mesmo porque, por sermos estrangeiros e brancos, também poderíamos necessitar de qualquer apoio que pudesse vir da Minustah. A realidade, no entanto, já nos mostra o desfecho dessa tragédia – o povo haitiano será o último a ser atendido, e se possível. O que vimos pela cidade hoje e o que ouvimos dos haitianos é: estamos abandonados. A polícia haitiana, frágil e pequena, já está cumprindo muito bem seu papel – resguardar supermercados destruídos de uma população pobre e faminta. Como de praxe, colocando a propriedade na frente da humanidade. Me incomoda a ânsia por tragédias da mídia brasileira e internacional. Acho louvável a postura de nossa fotógrafa de não sair às ruas de Porto Príncipe para fotografar coisas destruídas e pessoas mortas. Acredito que nenhum de nós gostaria de compartilhar, um pouco que seja, o que passamos ontem.Infelizmente precisamos de mais uma calamidade para notarmos a existência do Haiti. Para nós, que estamos aqui, a ligação com esse povo e esse país será agora ainda mais difícil de ser quebrada. Espero que todos os que estão acompanhando o desenrolar desta tragédia também se atentem, antes tarde do que nunca, para este pequeno povo nesta pequena metade de ilha que deu a luz a uma criatividade, uma vontade de viver e uma luta tão invejáveis.
Otávio Calegari Jorge

Dois comentários sobre o filme Lula

Comentário 01:
Antes de assistir o filme, minha irmã, técnica da Fundação SEADE (secretaria do planejamento paulista) comentou que havia chorado ao ver a cena em que Lula fala na assembléia da Vila Euclides e pede para os operários repetirem a fala dele para os outros de trás, e assim por diante, numa onda (não tinham aparelhagem de som).

Comentário 02:
De Franciele Alves, socióloga recém-formada, de Maringá:
"Fui assistir também, pasme já chegou esse filme aqui!Concordo com seu comentário sobre ser uma obra de marketing. No entanto, me atrevo a comentar um outro lado, dos que não vivenciaram a história como você...considerei como grande apelo essa questão da origem pobre do presidente, dá ao mesmo tempo um mal estar (nos corações "conservadores") e uma sensação de pertencimento (na alma dos simpatizantes e dos que o elegeram como a personalidade mais confiável). De minha parte parece descortinar um pouco do porque da história do Lula (independente dos rumos que seu governo, postura, acordos, etc o tenham levado/transformado) se cruza com a dos brasileiros, brasileiros que lutaram em épocas de ditadura; enfim toda essa corrente que trouxe a bandeira da participação e da cidadania para a constituinte (o que inclui você né? Whitaker, Moroni e tantos outros). São devaneios por enquanto..."

Que tal?

Lei de Responsabilidade do FBO será discutida no Conselho de Desenvolvimento Econômico Social federal


No próximo dia 20, o CDES discutirá a lei de responsabilidade social proposta pelo Fórum Brasil do Orçamento. Este colóquio está no âmbito da elaboração da Consolidação das Leis Sociais (similar à CLT).
A Presidência da República adotou duas vertentes na produção da CLS: a) elaborar Projetos de Lei com vistas a institucionalizar programas sociais e canais de participação social criados a partir de 2003 por via administrativa, e b) analisar a possibilidade, mediante consultas e diálogo social, de encaminhar projeto de Lei de Responsabilidade Social. E o CDES está sendo chamado para colaborar com o debate, avançando mais no diálogo sobre o tema.
A programação será:
Abertura: Objetivo e antecedentes da participação do CDES no debate sobre a consolidação das Leis Sociais

Princípios e diretrizes para a governança de um sistema de proteção e promoção social previsto em Lei de Responsabilidade Social
• Deputada Federal Luiza Erundina, relatora da proposta de Lei Complementar de Responsabilidade Fiscal e Social, apresentada pelo Fórum Brasil de Orçamento, em tramitação no Congresso Nacional.
• Ronaldo Coutinho Garcia – Secretário de Articulação Institucional e Parcerias/MDS
A contribuição do CDES para o Projeto de Lei de Responsabilidade Social
• Debate entre os conselheiros

Nós, da executiva do FBO, estaremos presentes neste colóquio. Eu postarei comentários neste blog no dia 21.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Sobre Lula, o filme


Fui assistir "Lula, o filho do Brasil". Como obra de arte, é muito conservador e mediano. Mas não foi feito com esta intenção. A primeira parte do filme acelera muito a história de vida de Lula, o que não gera muita empatia. A única passagem interessante é quando ele retoma o emprego numa indústria e se alegra enormemente. Sei o quanto esta situação é realmente importante para um operário do ABC, que tem orgulho de ser metalúrgico, faz parte de sua dignidade. Mas é a partir do envolvimento sindical de Lula que o filme melhora, incluindo a trilha sonora, que empolga, aos poucos. O final do filme é uma obra de marketing, reproduzindo a fala da mãe de Lula (para "teimar", sempre), o filme da posse de Lula como Presidente, seguido por fotos da sua infância e uma música nordestina. Nada é gratuito. Uma obra política declarada.
A situação que passa para o anedotário pessoal é que no momento que mostrava a cena da mãe de Lula sendo internada, o cinema do shopping Diamond (de BH) ficou no breu. Deu pane no projetor e demoraram uns 15 minutos para reiniciar a projeção.

Conversa com Joaquim Gregório, juiz cearense


Em Fortaleza, pego um táxi. Olho para o taxista e quem é o motorista? Joaquim Gregório, ex-juiz de futebol da primeira linha, quase inserido na lista da FIFA. A conversa foi ótima. Contou até um caso envolvindo Marcelinho Carioca, que tentou negociar um terceiro cartão amarelo que o tirou de um jogo com o Flamengo.

Publicação sobre Responsabilidade Social, no Ceará

Morre, no Haiti, Zilda Arns


Acabo de receber a triste notícia que Zilda Arns morreu em missão no Haiti, vítima do terremoto que atingiu duramente aquele país. Embora ela tivesse uma posição mais conservadora que a Pastoral do Menor, sempre assumiu posturas claras e progressistas nas negociações com os governos. A última vez que testemunhei esta postura foi na discussão que travamos com Palocci e governo num seminário que discutiu a reforma tributária, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Representando a sociedade civil, pediu a palavra e questionou a ausência de segurança no financiamento obrigatório da saúde e educação, criando um evidente incômodo entre governistas e empresários presentes.
Perdemos uma liderança sóbria e tenaz.

O bode na sala: PNDH


O "recuo" de Lula em relação ao programa nacional de direitos humanos é quase explícito. Recuou apenas nos temas que atingiram segmentos políticos de maior impacto: militares e igreja católica. Mesmo assim, trabalhando com cautela. No restante, nem citou nada. E ainda deu um pito no ministro da agricultura. Dá todos sinais que o PNDH foi um "bode na sala" ou um balão de ensaio. Bem no início do ano, entre as festas de final de ano e carnaval.
Não que os ministros participem desta pantomima. Mas é bem estilo Lula.

Ceará (2)


No campo político, a situação interessante é a de Tasso Jereissati. Ele rejeita a possibilidade de ser candidato a governador. Quer tentar a reeleição para o senado. Perguntei o motivo, para vários militantes. A resposta foi: ele está se transformando em dirigente que fica, cada vez mais, "atrás da cortina". Uma espécie de "notável". Também me informaram que ele não tem votos e popularidade na capital.

Ceará


Retornei, ontem à noite, de Fortaleza. Há uma comoção geral com o assassinato da menina de cinco anos, Alanis Maria de Oliveira. O assassino foi quase linchado ao ser transferido da cadeia onde estava encarcerado.
O tema do abuso de crianças e adolescentes parece ser forte no Ceará. Há um caso gravíssimo envolvendo uma rede de farmácias que está sendo investigada porque teria sido palco de assassinatos seguidos de adolescentes infratores (e adultos, também). Existe uma acusação desta rede ter contratado uma espécie de esquadrão da morte, uma milícia privada, para dar cabo de assaltantes. É um caso que está sendo investigado.
Mas há muita coisa boa por lá. Falei para a equipe do CEDECA Ceará, o centro de defesa dos direitos da criança e adolescente. Conheço de perto este CEDECA e o de São Paulo, o CEDECA Interlagos. Deixa qualquer militante pela ampliação dos direitos sociais feliz da vida: muitos jovens, engajados, que se mesclam com lideranças experientes e comprometidas. As sedes dos CEDECAs são um primor, bem cuidadas, bonitas, extremamente agradáveis. E são referência local. A equipe é procurada para tudo, até para aconselhar sobre o futuro dos filhos. Um exemplo.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Ainda sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos


Recebi alguns emails de visitantes do blog pedindo para comentar o caso do PNDH. Eu jã havia tangenciado o tema, focando na tensão envolvendo o ministro Vannuchi, mas vou tentar (entrando no clima do filme Sherlock Holmes; ver nota abaixo) ser mais direto. O que acho que vale destacar:

1) A maior parte do decreto assume as deliberações da conferência nacional do tema. Ora, todos que defendemos a ampliação do controle social sobre os governos temos que aplaudir este expediente. O problema é que o governo Lula não tinha feito isto com nenhuma outra conferência nacional (vou explicar adiante porque acho que é um problema);

2) O ministro Vannuchi não está fazendo absolutamente nada que não estivesse desenhado que faria a partir de seu currículo. Novidade seria não ter feito;

3) Faltou, contudo, habilidade política. E é justamente por aí que fico com a pulga atrás da orelha e acredito que estamos nos defrontando com o "bode na sala". Primeiro, porque será uma grata surpresa se a sociedade civil organizada conseguir fazer alarde o suficiente para intimidar as forças ultra-conservadoras que fazem deste decreto uma quase-inquisição. Segundo, porque o governo Lula pouco se preocupa com a esquerda ou discurso de esquerda. Pelo contrário, sabe que a novidade do lulismo é justamente ter ligação direta com a população mais pobre, que é conservadora;

4) Ora, se juntarmos A com B, fica a impressão que a cúpula do governo federal ou deixou passar, de maneira displicente, o decreto, ou criou um balão de ensaio, avaliando a possibildade até mesmo de queimar o ministro;

5) Registro, segurando o riso (confesso), o debate que assisti hoje no GloboNews a respeito do tema, envolvendo o ministro Sepúlveda Pertence, José Gregori e Bolivar Lamounier. Gregori, como sempre, foi ponderado e firme. Mas o show ficou por conta do ministro Sepúlveda Pertence que acusou, com todas as letras, que a oposição a Lula está fazendo uso desavergonhado deste caso. Falou olhando com deboche para William Waack e Bolivar Lamonier que ficaram muito constrangidos. E Pertence não fez defesa do PNDH. O que me leva a crer que este é mais um tema que reafirmará a natureza "teflon" do lulismo.

Estarei amanhã e terça em Fortaleza, falando para militantes sociais sobre a conjuntura e os desafios do movimento por ampliação de direitos sociais no Brasil. Tentarei atualizar o blog de lá, mas será de maneira precária.

Sherlock Holmes, o filme


Fui assistir o filme com o muito bom Robert Downey Jr. Até Jude Law se saiu bem como Watson. O filme tem o ritmo das histórias em quadrinhos e os traços profissionais do médico Watson ficam mais nítidos, além da personalidade excêntrica de Sherlock. Downey faz uma sutil alusão ao uso de cocaína, imperceptível para quem não conhece a história (dele e de Sherlock Holmes).
Até Rubens Edwald Filho elogiou o filme no seu blog, embora com ressalvas, que reproduzo rapidamente:
Não chega a ser perfeito, tem problemas de ritmo e traz muita informação para o público casual desacostumado a pensar, mas Downey (Iron Man) está em plena forma e trabalha muito bem com Jude Law como parceiro. Ele faz o Dr. Watson bem mais jovem do que costume.Maior falha: Rachel McAdams como o único amor de Holmes, um personagem que exigiria uma atriz mais sedutora na linha de Kate Blanchett ou Charlize Theron. Apesar disso, vale a pena assistir.

Gosto desta crítica porque ao menos uma vez na vida sinto que assisti o mesmo filme que os críticos profissionais.

A migração se inverte: os nordestinos retornam à sua terra


O professor da Universidade Federal de Alagoas, Cícero Péricles, revela que nos últimos seis anos mais de 400 mil nordestinos retornaram à sua cidade de origem. Em parte, segundo Péricles, reflexo do Bolsa Família e da Previdência, mas não só. Muitos retornam com seu sonho de sucesso frustrado.
Segundo o PNAD, o trabalhador nordestino conseguiu contribuir para a diminuição das desigualdades de renda entre as regiões em 2008, mas ainda segue com o menor salário das cinco regiões brasileiras. A renda média mensal do trabalhador no Nordeste chegou a R$ 685 - pouco mais da metade da média nacional no ano, que ficou em R$ 1.036. No Piauí, que apresenta o pior índice entre os Estados, essa renda foi de apenas R$ 586. Em 2008, o trabalhador da região obteve o maior ganho de rendimentos, de 5,4%, enquanto no país esse aumento foi de 1,7%. Segundo o IBGE, a melhora na renda aconteceu em todos estratos sociais e pode ser explicada, entre outros motivos, pelo maior grau de estudo da população. Em 2008, a região Nordeste foi a que apresentou a maior redução no grupo de um a três anos de estudo dos trabalhadores (-12,9%) e segundo maior ingresso de pessoas no mercado de trabalho com mais de 11 anos de estudo (11,2%), só perdendo para a região Norte (11,9%). No país, esse crescimento foi menor (8,5%).
Mas a pesquisa revela que a concentração de rendimentos entre os que ganham mais cresceu entre 2007 e 2008 no Nordeste, ao contrário do que ocorreu no Sul, Sudeste e Norte. No Centro-Oeste, a Pnad aponta que não houve mudança significativa no índice.
Péricles avalia que os baixos salários do Nordeste ainda são reflexo da pouca qualificação profissional. Embora confirme o aumento da escolaridade nos últimos anos, sustenta que a maioria dos empregos gerados na região paga salário mínimo. Segundo Péricles:

"Esse aumento na renda dos trabalhadores teve impacto maior no segmento dos 10% mais remunerados, que, pesar de pequeno, recebe um volume maior de recursos. Mas, como o crescimento foi geral, o índice de Gini, que mede a concentração de renda, caiu suavemente. O impacto das transferências diretas de renda [Bolsa Família] e previdência social sobre a economia nordestina é muito grande. Juntas, elas cobrem mais de dois terços das famílias da região. A Previdência Social pagou em julho deste ano R$ 4 bilhões a 7,2 milhões de nordestinos. Desses, 3,8 milhões segurados formam a clientela rural. Já o Bolsa Família pagou em julho R$ 524 milhões a 5,8 milhões de famílias nordestinas. Todos esses recursos melhoram a renda familiar e, claro, vão diretamente para o consumo, gerando impactos na dinâmica regional. No Nordeste, nenhum setor produtivo isoladamente [seja indústria, serviços ou agricultura] engloba um conjunto tão numeroso de pessoas ou produz um volume de recursos tão alto de renda".

sábado, 9 de janeiro de 2010

45 prefeitos mineiros foram cassados em 2009


Dados do TRE/MG indicam que Minas Gerais bateu recorde de cassações de prefeitos. Foram 45 eleitos em 2008 que foram cassados em 2009. Do total de municípios atingidos, 12 tiveram novas eleições e 7 são administrados pelo presidente da Câmara Municipal. Outro 5 municípios são administrados pelo segundo colocado nas eleições de 2008. 16 prefeitos continuam no cargo, aguardando recurso.
Alguma Poliana poderia dizer que é algo normal, já que MG possui 853 municípios. Mas o TRE joga por terra este argumento: após as eleições de 2004 foram realizadas apenas duas eleições extemporâneas no ano seguinte; e entre 2005 e 2008 foram apenas oito.

Cassandra no mar de otimismo?


Conheci Marco Antonio Rocha quando fui "foca" do Jornal da Tarde, lá no início dos anos 80. Bom... não foi bem conhecer porque foca raramente fala com medalhão. Ele tinha um ar de seriedade e profissionalismo. Toda esta introdução para comentar um artigo dele, publicado um pouco antes do Natal, no Estadão. O título do artigo foi "É preciso depender menos da sorte". É importante que estas ponderações sejam lidas para que não fiquemos no oba-oba (que parece que vai se confirmando a cada anúncio de indicador econômico) e absolutamente desprevenidos.
Marco Antonio destaca os seguintes pontos:
1) O Banco Central projetou (o Departamento de Economia do BC) déficit em conta corrente do balanço de pagamentos de 2010 de 40 bilhões de dólares (tinha previsto, inicialmente, de 29 bilhões);
2) Este déficit é o equivalente a 2% do PIB. O maior déficit recente do Brasil, destaca Marco Antonio, foi em 2001, de 4% do PIB. Desde então, não houve fluxo comercial negativo;
3) Contudo, o atenuante, destaca o artigo, é que temos uma projeção de invetimentos estrangeiros da ordem de 45 bilhões de dólares;
4) Marco Antonio, contudo, desconfia deste otimismo todo, mesmo citando os 240 bilhões de dólares em reservas cambiais que o Brasil possui. Tudo em função das despesas crescentes com importações, projetando-se para 2010 a bagatela de 155 bilhões de dólares.

Não chega a ser uma tormenta que se forma no céu azul. Mas fica aqui registrado.

PS: a conta corrente do balanço de pagamentos registra as entradas e saídas devidas ao comércio de bens e serviços, bem como pagamentos de transferência. Existe outra contabilidade do balanço de pagamentos que é a conta de capital, que registra as transações de fundos, empréstimos e transferências.

Vanucchi X Lulismo


Pelo andar da carruagem, Paulo Vanucchi, ministro dos Direitos Humanos, está em rota de colisão com o lulismo (não necessariamente com Lula). Depois da trombada com Nelson Jobim a respeito da Comissão da Verdade, agora compra briga novamente com Jobim, que se soma ao ministro Reinhold Stephanes (Agricultura). Trata-se do Programa Nacional de Direitos Humanos que repete em muito o programa da área de FHC, em 2002. Mas esta coincidência não tem nenhuma importância, já que a questão central é a frigideira em fogo alto.
O problema de Vanucchi é que, desta vez, Franklin Martins (Comunicação Social do governo), companheiro de resistência à ditadura, pediu para seu nome não constar ao final do texto oficial deste programa. Alguns bispos católicos também criticaram o que interpretam como censura religiosa contida no Programa.
Aí, temos dois problemas. Um, para Vanucchi, que vai se desgastando politicamente no governo de coalizão, algo que o lulismo odeia. Outro, para Lula, que se demitir o ministro fará dele um mártir à esquerda.
Minha aposta: se as críticas não assumirem proporção de tsunami, Lula deixará o tema esfriar e tomará sua decisão mais adiante. Se demitir Vanucchi, contudo, não ficará nem chateado. Na leitura das pesquisas de opinião, o lulismo não vive de apoios à esquerda. Mergulhou de cabeça na cultura mais que popular do Brasil. E, segundo o texto de André Singer aponta a partir de muitas pesquisas, este brasileiro é conservador e desconfia da esquerda (quer, segundo o texto mais que citado neste blog, um protetor que não rompa com a ordem).

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O lulismo é o pai dos mais pobres


O texto de André Singer (ver nota mais abaixo) é mais relevante que as notícias veiculadas na grande imprensa dão a entender. A partir do cruzamento de várias pesquisas de intenção de voto (desde 89) percebe-se que Lula foi se deslocando da aceitação das classes médias e mais instruídas para as camadas mais pobres (até 2 salários mínimos mensais de renda). O ápice deste deslocamento ocorreu em 2006. Os dados apresentados são consistentes.
Este é o fundamento para Singer sugerir que o lulismo é bonapartista, justamente porque os muito pobres (lumpensinato, no jargão marxista) não se organizam enquanto classe ou grupo social, historicamente dependentes de um pai ou guia político.
A tese sobre o bonapartismo, confesso, parece-me algo forçado. Não que o lulismo não seja identificado como um pai protetor. A questão é que estes mais pobres estão em franca ascensão social. Neste caso, o conceito de bonapartismo ficaria incompleto já que a tendência seria da organização dos novos membros da classe média baixa.
De qualquer maneira, os dados analisados por Singer revelam a pujança do lulismo e, ainda mais, o forte impacto que estaria criando no mercado de consumo de massas e até mesmo na sobrevivência dos velhos formadores de opinião (lidos e ouvidos pela velha classe média).

Palmeiras e as 10 mais


Recebo de meu irmão (tão corinthiano quanto eu, logo é meu mano duplo, meu!) o seguinte esclarecimento que muito poderá nos auxiliar a entender o futebol brasileiro de 2010:


Palmeiras - As 10 mais

01) O Palmeiras é como refrigerante de 2 litros: quando chega no final já perdeu o gás.

02) O Palmeiras é como duende: verde, pequeno, e tem gente que ainda acredita!

03) Agora é certo: Obina NÃO é melhor do que o Eto`o! Porém, Obina é melhor do que o Maguila!

04) Diretoria do Palmeiras anuncia promoção: Quem for ao Palestra Itália vestindo camisa oficial, paga meia. Quem for vestido com camisa e calção, não paga. Quem for vestido de camisa, calção e meião pode sair jogando no meio de campo.

05) Você sabe que o mundo mudou quando se dá conta que: O melhor rapper é branco. O melhor golfista é negro. O presidente do Brasil é o Lula. A França acusa os EUA de arrogância. Agora, se o Rubinho e o Palmeiras forem campeões, corram! É o Apocalipse!

06) Palmeiras vai lançar uma raspadinha promocional! Se raspar e aparecer uma faixa escrito "Palmeiras Campeão", você pode ir a qualquer padaria e trocar por um sonho!

07) Palmeiras lançará lavanderia no Palestra Itália: especializada em secar e torcer.

08) Palmeiras retoma parceria com Parmalat: a empresa entre com o leite, e o Palmeiras com o papelão!

09) MST invade Parque Antártica, sob alegação de ser uma área verde improdutiva!

10) Em razão da campanha na reta final do brasileirão 2009, o Palmeiras recebeu uma certificação nacional: A RISO2009.

Minhas discordâncias com o texto de Altman


Vou repetir: discordo do texto de Altman (reproduzido, na íntegra, na nota abaixo). Contudo, Altman abre um "bom combate". O texto é lúcido e instigante.
Então, atrevo-me a explicitar minhas discordâncias:

1) Para um leitor desavisado, Altman retoma a divergência que surgiu desde a origem do FSM a respeito de sua estrutura interna: se aberta e em rede ou se reprodutora da lógica clássica da esquerda, com estrutura de comando e certo "centralismo democrático";

2) A divergência foi pautada desde o Brasil, tendo Chico Whitaker como liderança proposta de rede aberta e organizações trotskistas (não só, é bom destacar) defendendo a estrutura organizativa mais tradicional;

3) Altman cita Chávez por ser um ícone importante das últimas versões do FSM (inclusive, numa passagem até folclórica, sendo carregado pelo governador Requião, por vários eventos) da versão organizativa mais hierarquizada. Enfim, o nome do presidente venezuelano não surgiu no seu artigo como mera ilustração da conjuntura;

4) Os "idos de 2001" não estão tão longe assim, convenhamos. O artigo troca os sinais e acaba dando a impressão que o novo é o velho. O fato é que até hoje não testamos efetivamente uma estrutura organizativa em rede, aberta, onde não há direção ou vanguarda e onde todos, se carregam alguma representatividade, podem se utilizar do espaço do FSM. Também não testamos uma organização de tipo structural hole que não exige que os participantes tenham que se conformar com as teses aprovadas pela maioria. Já citei neste blog um interessante livro de Luciano Canfora sobre a falácia de se confundir democracia com maioria. Mas este é assunto para outro momento. O fato é que o que já testamos é a organização partidária moderna, nascida no século XIX, de massas, com programa definido e permanente, com estrutura hierárquica sólida e corpo organizativo (direção, adminstração e militância de base). Ela, efetivamente, não representa as ruas do século XXI, mas meramente as direções e adminstrações partidárias. Alguém teria alguma dúvida a respeito?

5) Finalmente, Altman, um bom combatente da velha guarda, denomina a estrutura em rede de autonomista (e, logo, adjetiva de "relíquia exótica", como convém aos textos de tradição marxista militante do início do século XX). Ora, não me lembro de qualquer texto do FSM que citasse este termo. Contudo, ele tem uma origem, principalmente no Brasil. Fez parte de uma quase-corrente petista, que envolveu expoentes da academia, como Marilena Chauí e Eder Sader (não confundir com o irmão, Emir).

Enfim, acredito que Altman tentou acelerar a história com seu julgamento final. E jogou algumas armadilhas sem prévio aviso. E aí, o leitor fica imaginando que a proposta original do FSM fracassou. O que dá sentido ao título do meu blog.

Artigo de Breno Altman sobre o 10o FSM


Antes de mais nada: não concordo com nada do que reproduzo abaixo. Mas a provocação é muito interessante e vale a pena este bom combate.

Fórum Social Mundial, décima edição

O discurso autonomista, tão proeminente nas primeiras edições do Fórum Social Mundial, apresenta-se hoje como uma relíquia exótica, desprovido de vida e conexão com a realidade. O que explica a irrelevância à qual, pouco a pouco, vai sendo condenado o próprio Fórum.


Breno Altman
Jornalista, diretor do site Opera Mundi (www.operamundi.com.br)

Os milhares de ativistas que se reunirão em Porto Alegre, no final desse mês, terão várias razões para comemorar seu feito. Mas também estarão diante do fracasso de um dos conceitos estratégicos que levou à convocação do Fórum Social Mundial no início desse século.

Quando a primeira edição ocorreu, em 2001, as forças progressistas viviam ainda um forte ciclo de dispersão e recuo, apesar das manifestações anti-globalização em Seattle, Washington e Praga durante reuniões de organismos financeiros multilaterais. Os focos de resistência, mesmo se multiplicando, ainda não eram capazes de forjar alternativa ao mundo unipolar surgido após o colapso da União Soviética.

Desse quadro tampouco escapava a América Latina, território onde a hegemonia do neoliberalismo revelava sinais mais evidentes de fadiga, com a ruína de diversas administrações alinhadas com o Consenso de Washington.

A vitória eleitoral do venezuelano Hugo Chávez, em 1998, significara um passo importante na construção de cenário mais positivo para a esquerda, ladeada pela bancarrota do governo conservador equatoriano e pela crise política que, na Argentina, acabaria por desembocar na rebelião contra o governo De La Rua. Mas esses fatos, por relevantes que fossem, ainda não indicavam uma reviravolta continental nos idos de 2001.

O Fórum Social Mundial foi, então, a primeira iniciativa planetária, em muitos anos, capaz de reunir os brotos de mobilização político-social contra a coalizão imperialista liderada pelos Estados Unidos. Sua primeira edição, e algumas das seguintes, deram rosto ao protesto contra o desenho de mundo forjado pelos monopólios e seus governos.

Um dos segredos para reunir correntes e experiências tão diversas talvez residisse, para além do formato de uma feira mundial de idéias, no argumento-força de que os protagonistas do evento deveriam ser os movimentos sociais e as organizações não-governamentais. Havia uma declarada marginalização de partidos e governos, que apenas perifericamente puderam participar das atividades programadas.

Não se tratava de um truque organizativo. Entre os principais articuladores do Fórum, com expressiva repercussão em fatias eventualmente majoritárias dos ativistas presentes, predominava o ponto de vista de que o centro dinâmico de uma estratégia progressista tinha se transferido do Estado para a sociedade, dos partidos para os movimentos, da política institucional para as redes sociais.

Essa opção permitiu construir um arco amplo de participação, além de abrir espaços na couraça midiática. Na prática, o Fórum se apresentava como a negação da forma-política que faz parte da herança genética da esquerda. Apostava na horizontalização contra a verticalização, nas pautas de reivindicação contra os programas de governo, na resistência social contra a alternativa de poder. Muita gente podia entrar nesse barco.

Tal formatação revelou-se, com o passar do tempo, a benção e a agonia do Fórum. Não há dúvidas de que permitiu um impulso inicial sem precedentes, mas se provou um fracasso estrondoso como caminho estratégico.

Afinal, a recuperação política da esquerda, ao menos onde acontece com relevância, como é o caso da América Latina, passou centralmente pelo papel dos partidos e da política, pela conquista de governos e sua defesa. Mesmo as forças acumuladas pelos movimentos sociais confluíram para esse leito, auxiliando a desgastar e a isolar os blocos conservadores.

O discurso autonomista, tão proeminente nas primeiras edições do Fórum, apresenta-se hoje como uma relíquia exótica, desprovido de vida e conexão com a realidade. O que explica a irrelevância à qual, pouco a pouco, vai sendo condenado o próprio Fórum, de onde antes partiam tantas vozes que anunciavam o ocaso da forma-partido.

Já sem o brilho e a capacidade convocatória de suas primeiras edições, o Fórum Social Mundial volta a Porto Alegre. Nada indica que terá a mesma pujança do nascedouro, quando poderia ter desempenhado um papel de maior destaque na composição entre partidos, governos, intelectualidade e movimentos sociais.

Acabou aprisionado a fórmulas que garantiram sucessos iniciais, de público e crítica, mas que acabaram por limitar seus horizontes a uma estrutura de congraçamento, debate e inação.

Ainda sobre o artigo de André Singer: o papel político do Bolsa Família

Sobre o papel do Bolsa Família na eleição e popularidade de Lula, o artigo de André Singer destaca a sua relatividade:

Shikida e colaboradores concluem: O PBF mostrou alguma evidência de impacto positivo na eleição, porém os resultados não se mostraram robustos. Mesmo se significativo fosse, o valor do estimador seria bem menor do que o necessário para que essa fosse a variável chave para a compreensão da eleição de Lula. Shikida e colaboradores sugerem que o controle dos preços, como um componente central do aumento do poder de compra entre as camadas pobres, pudesse ser mais explicativo da virada ocorrida em 2006. Chamam a atenção, por exemplo, para o fato de que entre 2003 e 2006, a cesta básica subiu 8,5% e 10,4% em Porto Alegre e São Paulo, mas, em Recife e Fortaleza, a variação foi de 4% e de 3%. Terá sido coincidência Lula ter perdido no Rio Grande do Sul e em São Paulo nos dois turnos, ao passo que no Estado de Pernambuco recebeu 82% dos votos no segundo turno e no Ceará, 75%?

Bonapartismo lulista, por André Singer

Repercute o artigo de André Singer, ex-secretário de Imprensa e ex-porta-voz do governo Luiz Inácio Lula da Silva, publicado na revista Novos Estudos CEBRAP. Para Singer o lulistmo teria incorporado "pontos de vista conservadores", surgiu baseado no "conservadorismo popular" e concedeu ao presidente "uma autonomia bonapartista".
Singer sugere, ainda, que o subproletariado - termo usado pelo economista Paul Singer ao analisar a estrutura social do Brasil no início dos anos 80 -, que sempre teria se mantido distante de Lula, aderiu em bloco à sua candidatura depois do primeiro mandato, ao mesmo tempo em que a classe média se afastou dela. Nos seus termos:
O primeiro mandato de Lula terminou por encontrar outra via de acesso ao
subproletariado, amoldando-se a ele, mais do que modelando, porém, ao mesmo tempo,
constituindo-o como ator político" (...). Isso implicou um realinhamento do
eleitorado e a emergência de uma força nova, o lulismo, tornando necessário um
reposicionamento dos demais segmentos.


De acordo com o autor, esse realinhamento só foi possível porque o subproletariado passou a ver em Lula, com o seu discurso conservador, a "manutenção da ordem" - o que não ocorrera nas eleições anteriores. Esse realinhamento teria tirado a centralidade dos estratos médios da sociedade - como os estudantes e assalariados com carteira assinada, que formavam a base eleitoral do petista - e explicaria o "relativo desinteresse de Lula pelos formadores de opinião".

Minha opinião: já temos informações suficientes, vindas de dentro do governo Lula, para que os petistas deixem de imaginar que toda análise sobre o lulismo visa a conspiração contra o governo. O mais correto seria os petistas analisarem com acuidade a guinada que o lulismo provocou no petismo para poder ao menos ser protagonistas da mudança.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Hélio Costa já admite ser vice de Dilma


É cada vez mais forte o rumor que Hélio Costa está inclinado a aceitar (ou a lutar, dependendo do interlocutor que analisa a possibilidade) o convite para ser vice na chapa com Dilma Rousseff. Há emissários saindo pelo ladrão para afirmar que o ministro estaria pensando na possibilidade, mas aguarda convite formal.
O fato concreto é que Hélio Costa tem um dilema a resolver em Minas Gerais. Mesmo estando em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de votos para o governo mineiro, disputará com Anastasia e o candidato do PT. Mesmo que o candidato do PT seja Fernando Pimentel, o que poderá promover a recriação do bloco "lulécio", restaria pouco espaço para Costa, no máximo, o cargo de vice-governador. O que diminuiria seu peso político atual. Restaria, no caso, a candidatura ao senado. Mas aí, disputaria com José Alencar e Aécio Neves o que seria derrota na certa.
Há, portanto, duas opções imediatas: a) bancar a briga pelo governo estadual (e, ao perder, ficar a ver navios o que é tarefa difícil por entre as montanhas mineiras); b) "cair para cima", como é possível vislumbrar com a composição na chapa de Dilma.
Não descartaria, ainda, que tente a opção "a" até maio, mas faça marola com a negociação de ser vice de Dilma. Como factóide ou opção real, a possibilidade de ser candidato a vice-Presidente dá notas na imprensa.