segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

PSDB mineiro se prepara para disputar sindicatos cutistas


PSDB vai brigar pela presidência dos sindicatos

Lideranças tucanas articulam para chegar à direção sindical da Copasa, da Cemig e dos professores estaduais


CRISTIANO COUTO
Sindiágua
Sindágua terá eleições para escolher novos presidentes em 2012


Silenciosamente o PSDB articula tomar o controle dos três maiores sindicatos de Minas Gerais. Sindágua, Sindieletro e Sind-UTE terão eleições para escolher novos presidentes neste ano. A estratégia traçada pelos tucanos é ganhar as eleições para aumentar a capilaridade da legenda entre os sindicalistas e trabalhadores, respectivamente, da Copasa, Cemig e professores estaduais. A tática tem como objetivos garantir uma atuação mais branda em relação ao governo de Minas e preparar uma base de apoio para a candidatura do senador Aécio Neves à Presidência da República em 2014.

A primeira organização em que haverá o embate entre tucanos e a base de apoio da presidente Dilma Rousseff (PT) será o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua). A eleição na entidade está marcada para o próximo mês. O atual presidente, o petista José Maria dos Santos, está no cargo há nove anos e vai tentar o quarto mandato. Cada gestão tem um período de três anos. Hoje o Sindágua é filiado à Central Única dos Trabalhadores – braço sindical do PT.

Zé Maria, como é conhecido o presidente do sindicato, afirma que a chapa de oposição terá a presença de tucanos de forma “camuflada”. “Colocaram o PCdoB na cabeça de chapa para dar uma conotação de esquerda. Tem lá o PSDB com a Nova Central Sindical e o PPS com a União Geral dos Trabalhadores”, ataca o petista.

O candidato da oposição à presidência do Sindágua, Jorge Crisóstomo da Paz, diz que a acusação é “uma cortina de fumaça” do atual comando do sindicato. “Tem diretor da Força Sindical na chapa do Zé Maria. Se fôssemos do PSDB, seríamos da direção da empresa”, rebate o candidato, que é filiado ao PCdoB. O candidato explica que a ideia da sua chapa é unir a base de apoio da presidente Dilma mais o PPS. Além do PCdoB e do PPS, participam da chapa trabalhadores filiados ao PSB, PDT, PT e PSTU. “Você acha que o PSTU participaria de uma chapa com o PSDB?”, questiona.

No Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética e de Gás Combustível de Minas Gerais (Sindieletro), as eleições serão realizadas em abril, mas há a certeza de que haverá chapa tucana na disputa. “Temos a expectativa de que tenha uma chapa de oposição (tucana) nas eleições em abril”, afirma o coordenador-geral do Sindieletro, Jairo Nogueira Filho. “É saudável ter oposição, mas desde que seja dos trabalhadores. O que nos preocupa é essa movimentação declarada do PSDB em torno dos sindicatos. Isso pode trazer prejuízos para a categoria”, avalia o dirigente dos eletricitários, ligado à CUT.

Com eleições marcadas para novembro, a presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-Ute/MG), Beatriz Cerqueira, diz que não há movimentação explícita dos tucanos para a disputa, mas que “há o interesse de vários grupos pela direção do sindicato”. “Tem um monitoramento nas redes sociais. Dizem que as eleições vem aí e que vamos perder”, conta a sindicalista.

Um comentário:

SENÔ JÚNIOR disse...

Como estratégia, creio que estão certos. Como passaram décadas longe das bases, estão acertando o retorno a elas e isso tem o seu grau de importância.Político longe das bases morre, vide o exemplo de Marco Maciel em Pernambuco.Eu pessoalmente o vi chorando após o resultado da eleição que o deixou de fora do senado por pernambuco.Confesso que fiquei compungido.