quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Aécio é decepção?

Aécio Neves deixou de ser o "queridinho". Ao menos é isto que parte da imprensa paulista está disseminando na última semana. Lembremos que o queridinho de parte da imprensa paulista é José Serra. Mas, mesmo assim, Aécio tem enfrentado dificuldades reais. Destaco 4 obstáculos:
1) É mineiro, de fato e direito. Uma barreira para a grande imprensa paulista, a mais nacional do país. E também o faz muito "tímido" para os padrões da política nacional. Aécio tem dificuldades para aparecer publicamente com arma em punho, criticando, sendo agressivo. Quase sempre, aparece com pauta positiva. E conversa em demasia nos bastidores, o que o faz mais invisível ainda;
2) Esteve, nos últimos oito anos, sob a guarda de Lula, o político mais popular do país. Lula o blindou dos ataques petistas, o que vale dizer, de muitas ongs, redes sociais e movimento sindical. Agora, o cenário é outro e está apanhando para valer;
3) Não entra no nordeste. Este é principal obstáculo territorial. E o nordeste é o segundo colégio eleitoral regional do país. Sem nordeste, seu fôlego é curto. Para piorar, o DEM deve se fundir com o PMDB em 2013. Ou o PSDB faz uma proposta melhor ao DEM (com todos problemas advindos da disputa Serra-Aécio) ou...
4) Discurso anacrônico. Choque de gestão e privatização não dá mais. Foi agenda pré-crise 2008. Agora, alguma pitada de Keynes é ordem do dia. E Aécio nem sabe quem foi Keynes.

4 comentários:

Lingua de Trapo disse...

Cruel

Prodígios Lopes disse...

Antes de ler suia última frase, pensei exatamente o que vc disse. Vc diz que o Aécio é mineiro de fato e de direito, mas alguém já disse que ele é o mais carioca dos mineiros
Para mim, a imprensa paulista é mais paroquial que nacional. Por fim, depois do célebre "Pó pará, governador" e da célebre coluna do Kfoury sobre seus feitos alucinógicos, nenhuma chance mais resta ao senador. E que ele aproveite bem seu mandato.

SENÔ JÚNIOR disse...

A grande verdade Rudá é a seguinte:uma agenda Keynesiana nunca fez parte da cartilha programática do PSDB e os partidos mais à esquerda mal e porcamente se aproximaram dessa linha.Meu falecido pai dizia que o neoliberalismo era uma excrecência e o PSDB respira neo, dai a dificuldade do Aécio absorver a teoria de John Maynard Keynes.

Wagner Eustáquio disse...

H muito tempo não via uma bela tradução sobre o jogo político e atual do Senador. Com pesar, no coração, dou mão a palmatória.

Parabéns Professor.