sexta-feira, 17 de maio de 2013

O calvário de Aécio

Parece que Aécio terá que pagar por todos seus pecados políticos. E, pela forma como os tucanos paulistas estão sangrando o pobre senador mineiro, os pecados devem ser muitos. Está estampado na UOL de hoje:


Às vésperas da convenção que elegerá o senador Aécio Neves (MG) para comandar o PSDB, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse ontem que o novo cargo não será decisivo para fortalecer a candidatura do mineiro à Presidência da República e que o partido "tem vários bons candidatos" à disputa pelo Palácio do Planalto.
O mais interessante é que sempre disseram que rancor é marca de político mineiro. Até aqui, parece predicado de político paulista, ou de tucano paulista. Não deixam o mineiro nem mesmo sair um milímetro do chão e já atiram pedras. Aliás, este é outro paradigma quebrado. Sempre disseram que era o PT e as organizações mais à esquerda no Brasil que adoravam lavar roupa suja na rua e se dividir até unidade subatômicas. Pelo visto, os sinais se trocaram.
Assiste-se uma triste decomposição da articulação majoritária da oposição ao lulismo (que não incorpora PSOL, PSTU e outras agremiações mais à esquerda). Assisti parte das discussões que ocorreram ontem no Senado, antes da aprovação massacrante da MP dos Portos. A oposição DEM/PSDB jogava a toalha desde o primeiro minuto e nem mesmo tentava convencer os poucos gatos pingados que, como eu, tentavam buscar algum sinal de vida inteligente naquela sessão. O grau de ânimo dos oposicionistas se expressou na breve entrevista de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) em que afirmou que não conseguiu participar da sessão "feito idiota, coonestando aquilo tudo". Em seguida, exagerou, exasperado: "vivemos uma situação pior do que a que atravessamos na época da ditadura". O fundamento que apresenta é que em determinados momentos a ARENA se encontrava encabulada para massacrar o MDB, o que, segundo sua análise, é algo que não ocorre atualmente (na relação do governo federal e seus aliados em relação à minoria parlamentar). 
Não sei não. Com este nível de argumentação, parece realmente que a oposição resolveu jogar todas as toalhas que ainda mantém.  

2 comentários:

Jânio Bragança disse...

Sim, jogou a toalha. o discurso do Aécio está desatualizado, não tem nenhum vinculo com o eleitorado. O seu modelo de raciocínio não foge ao de assessor do "doutor Tancredo". Agora só falta arrumar um motivo que justifique a sua saída da disputa presidencial e de forma enfraquecida pela covardia política enfrente o Pimentel em Minas.

Paulinho Saturnino Figueiredo disse...

Eu ficara perplexo com a falta de alcance e de grandeza do discurso do Aécio, mas não conseguia definir o incómodo. Algo de anacrônico, de caducamente retórico. A imagem de "assessor do doutor Tancredo abriu-me as portas da compreensão.