quinta-feira, 23 de maio de 2013

O boato do fim do bolsa família e a percepção popular

Há um elemento pouco explorado nesta história do boato do fim do bolsa família. Trata-se da percepção popular a respeito das políticas públicas que conformam o lulismo. Em outras palavras, a corrida que gerou mais de 900 mil saques das contas do programa na CEF indica que há insegurança em relação à situação econômica do país. Interessante que tal percepção aparece aqui e acolá. Ontem, a Country Ratings Pool divulgou os dados da pesquisa anual sobre percepção da imagem externa de 25 países. A percepção sobre o Brasil melhorou levemente (de 45% para 46%) entre os 26 mil entrevistados que afirmaram que o Brasil tem imagem positiva. Mas houve aumento daqueles que indicaram imagem brasileira negativa, principalmente em relação às nossas dificuldades econômicas (de 18% para 21%). Não chega a ser um desastre, mas uma tênue nuvem cinza. No mesmo caminho, a revista Forbes, que acaba de indicar a Presidente Dilma Rousseff como a segunda mulher mais poderosa do planeta, ressalva que ela tem a "tarefa de levar o país adiante após dois anos com as taxas de crescimento mais lentas em mais de uma década".
Novamente, a Forbes explicita uma percepção com sinais trocados: embora tenha poder, sua perfomance na área econômica gera desconforto.
Um boato tem que ser crível ou será motivo de chacota ou descaso. Algo como "onde há fumaça, há fogo". Se a fumaça sair de um pequeno cinzeiro, será difícil alguém, em sã consciência, acreditar que se trata do início do incêndio de todo um quarteirão ou o surgimento de um novo Nero.


3 comentários:

Antonioni disse...

O povo vé que temos muitos carros (vendidos financiados) mas não temos onibus para ir ao trabalho. Temos cada vez mais congestionamento. Temos obras, mas de fachada, temos aumento da densidade demografica nas cidades, temos o aumento da venda de bebidas e a juventude bebe cada vez mais e usa crack (pão e circo). O povo vé (e muitos participam) que estamos fazendo farra e gastando dinheiro a toa. Os mais experientes sabem que o negocio é poupar, construir devagarzinho e ir juntando.O governo incentiva o contrario. Sei que temos muita lenha para queimar (toda a floresta amazonica, comodities, ferro, petroleo, boi, soja e etc) Mas a educação não existe e estamos indo para um colapço moral, agravado pela falta de infraestrutura para o mundo muderno a que estamos adentrando.

GS disse...

"...a corrida que gerou mais de 900 mil saques das contas do programa na CEF indica que há insegurança em relação à situação econômica do país...". Colocado dessa maneira, faz-me pensar que para ter essa percepção as pessoas, de uma maneira geral, conhecem a sua realidade política. E isso vai na contra-mão do que tem postulado, afirma o professor que o lulismo não tem feito a discusão política com os beneficiários, que tem dado o peixe sem ensinar a pescá-lo.

Rudá Ricci disse...

Não se trata de conhecimento, mas de percepção. Percepção está mais para o campo do intuitivo, não do racional. A questão, então, é de sensação, de informações não elaboradas. Vai na mesma direção do que venho sustentando: existem sinais de derrota no campo dos valores e da cultura devido ao rebaixamento do embate das ideias e ideologias.