quinta-feira, 25 de outubro de 2012

São Paulo: só uma hecatombe tira a prefeitura do PT

Na origem, hecatombe significava o sacrifício de 100 bois. Um sacrifício tão monstruoso que passou a ser sinônimo de catástrofe. Serra tem quatro dias para juntar a manada. Será muito difícil. Segundo o Datafolha divulgado ontem, Haddad está 15 pontos à frente de Serra. Para o IBOPE, a vantagem do candidato lulista é de 13 pontos.
Esta situação merece uma análise um pouco mais apurada.
Em primeiro lugar, o erro do PSDB insistir com uma promessa que não se realiza nos últimos tempos. Serra já possui recall e, portanto, não se trata de um candidato que amplia, aos poucos, seu capital eleitoral. É justamente o inverso. Serra está sendo banido pelas urnas, em eleições sucessivas. Seu índice de rejeição parece coincidir com sua guinada para o fundamentalismo ultraconservador, tática eleitoral que revela desespero todas as vezes que este personagem se vê em apuros, em adversidade. Possivelmente se relaciona com um convencimento pessoal de que possui preparo muito superior aos seus adversários. Mas também se relaciona com os inimigos que colhe para se fazer candidato. Inimigos que são, muitas vezes, ex-aliados. Em outras palavras, Serra não agrega, não soma, ao contrário, faz do PSDB de São Paulo uma sigla em transe, que perde identidade.
A proposta descabida de FHC em levar Serra à Presidência do PSDB é, ao mesmo tempo, uma estocada no coração do candidato (ainda em plena tentativa de não se humilhar ainda mais neste segundo turno), e uma ofensiva sobre Aécio Neves. Se esta tentativa se prolongar, não vejo como distante a possibilidade de Aécio se transferir para o PSB, agora turbinado pelas urnas e liderado por um governador nordestino com história e apetite político. O que desmontaria toda estrutura de poder dos tucanos e jogaria a sigla numa crise sem fim.
Em outras palavras, estou sugerindo que o PSDB deve sair das urnas menos paulista.
E é aí que o julgamento do mensalinho mineiro pode se constituir em fonte de pesadelos daqui por diante.
A situação é ainda mais crítica porque o DEM sai destas eleições com metade da musculatura que tinha até aqui, que já não sustentava o corpo. Resta ACM Neto para salvar algo. Mas se perder, será derrotado justamente pelo PT.
A situação do PSDB parece realmente problemática. Ainda é forte, mas começa a se desidratar perigosamente a cada embate eleitoral. E o erro vem, sempre, de São Paulo.

3 comentários:

SENÔ JÚNIOR disse...

E o interessante é essa persistência impedernida. Eu comentei em outros blogs que Serra era o eterno candidato a tudo dentro do PSDB e que este tinha tornado-se no partido de um candidato só.
É impressionante a obstinação desse homem, que mesmo diante de tamanha impopularidade, inclusive dentro do próprio partido não abre mão de sua doidivanas pretensão e atira desesperadamente para todos os lados irracionalmente. É o ocaso serrista.

Fred disse...

Bela análise, Rudá!
Aproveitando o ensejo, como o Eduardo Campos em plena ascensão se distingue de um Ciro Gomes ou Tasso Jereissati? Cada um no seu tempo, claro.
Ele já não é mais uma promessa para ser presidente como os dois já foram um dia?
Há forças políticas e sociais que o sustentam?
Abs
Fred

Dimitri disse...

Agora, no final de domingo eleitoral, fica claro que o PSDB se deu melhor no segundo turno nas cidades do Nordeste e Norte, o que pode significar a perda da hegemonia paulista do partido.
De qualquer forma, quem sai mais fortalecido é o Eduardo Campos, embora seja muito cedo para avaliar essa ligação com o Aécio. Vc não acha que é "jogo de cena" dele para ter maior poder de barganha com Lula e o PT futuramente? Acho que Lula já percebeu há mais tempo que seu grande concorrente político seja mesmo o neto de Arraes, e eles já estão se estudando a tempos também.