terça-feira, 14 de junho de 2011

Confeitaria Tartaruga


Nasci em Tupã, oeste paulista, numa região marcada pela migração japonesa. O que me lembro mais da presença japonesa na minha infância era o ritual familiar dominical, quando escolhíamos os doces na confeitaria Tartaruga. A confeitaria tinha um manjar branco (com uma ameixa no topo e uma calda deliciosa), um pudim, um canudo de massa folhada com recheio de creme que daria uma tese sobre memória afetiva.
O proprietário da confeitaria era Giichi Maeda, mas sua presença era tão significativa quanto de sua esposa, Mitsue. Escolhíamos os doces e eles nos entregavam numa bandeja de papelão, coberta com um papel manteiga e outra bandeja de papelão, tudo embrulhado num papel um pouco mais grosseiro e amarrado com barbante. Consigo lembrar nitidamente desta manobra torturante que era o embrulho dos doces.
Giichi era imigrante japonês que chegou ao Brasil nos anos 30. Chegou à Tupã nos anos 40 e logo conquistou a cidade. E se instalou na minha memória (assim como os sanduíches do Paulinho).
Viúvo há quatro anos, Giichi morreu no domingo passado, aos 99 anos.
Mais uma parte da minha vida que vai junto.

Um comentário:

SENÔ JÚNIOR disse...

O Bar do Paulinho, era o point dos boleiros de fim de semana,onde tomava-se a cerveja mais gelada da cidade.Passei ali muitas noites falando sobre política e muito som de viola.Lembro-me do Cláudio Alvarenga, do Tium, do Maeda, do Professor Osmar,do Dr.Juscelino. Depois nossa turma mudou de point e iamos à Pizzaria do Gordinho ali na Praça da Bandeira. Ali fizemos muitas festas. O Chico Fran, O Silvio Lopes, o Caranzão, o Mita(todos violeiros)O Gordinho sempre recebeu-nos muito bem, naqueles tempos de ditadura.