sábado, 31 de maio de 2008

Alguns resultados do sistema de cotas


Não gosto do sistema de cotas porque ele não enfrenta o racismo. Trata do sintoma e não da causa. Mas gosto ainda menos da censura ou proselitismo auto-indulgente. Neste sentido, vale destacar o dado recém divulgado que, num universo de 54 universidades públicas que nos últimos oito anos adotaram o sistema de cotas no país, em ao menos quatro, distribuídas pelos principais Estados, alunos negros apresentam desempenho próximo, similar ou até melhor em relação aos não-cotistas. Resultados iniciais do aproveitamento de cotistas na Unicamp, Universidade Federal da Bahia (UFBa), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), questionam a hipótese que sugere que alunos negros estariam "entrando pela janela" das instituições superiores da rede pública. No biênio 2005-2006, cotistas obtiveram maior média de rendimento em 31 dos 55 cursos (Unicamp) e coeficiente de rendimento igual ou superior aos de não-cotistas em 11 dos 16 cursos (UFBa). Na UnB, não-cotistas tiveram maior índice de aprovação (92,98% contra 88,90%) e maior média geral do curso (3,79% contra 3,57%), porém trancaram 1,76% das matérias, contra 1,73% dos cotistas.

"Maio de 68 criou um mundo esquizofrênico"


Estou muito impressionado com a leitura do livro da família Glucksmann (ver nota, abaixo) sobre Maio de 68. O centro da crítica é que o movimento jovem libertário criou uma sociedade autônoma e desconfiada do poder público que se divorciou do Estado. Avaliam que criou uma sociedade esquizofrênica, que mudou o comportamento social, mas não a estrutura de poder estatal e partidário. Atacam duramente Miterrand, como um embuste, que teria tomado decisões autocráticas a respeito da política externa, em especial, nas relações com Ruanda. Sarkozy, para estes libertários (68 foi crítica à esquerda e à direita, lembremos), uma neo-direita ou pós-direita, estaria repondo os dois lados da moeda, atacando o hiper-individualismo e a autocracia estatal. Uma linha de argumentação que se aproxima do último livro publicado por Wanderley Guilherme dos Santos ("O Paradoxo de Rousseau").

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Notícias do MEC


O MEC está destacando algumas ações para este ano. Uma delas, pouco comentada, são as caravanas da educação: visitas do Ministro da Educação a municípios para convencer governos a aderirem ao Plano de Metas, Programa Brasil Alfabetizado e Educação de Jovens e Adultos. A partir do índice de desenvolvimento da educação básica (IDEB, indicadores quantitativos de desempenho e fluxo), foram identificados 1.242 municípios e 7.085 escolas que teriam os menores índices, sendo priorizados para recursos federais. Interessante processo de planejamento, embora o IDEB só indique o problema, sem identificar as causas. Já o Brasil Alfabetizado priorizará 1.100 municípios com taxas superiores a 35%. Falta, ao Brasil Alfabetizado um programa de controle social com participação da sociedade civil. Há problemas no interior do país, onde políticos procuram inseriri cabos eleitorais como gestores. Finalmente, destaca a implantação da Universidade Aberta (UAB), com 1.000 pólos presenciais até 2.010 para formação de professores de rede pública.

Maio de 68: o divisor de águas na França


Desde que passei, rapidamente, no ano passado pela Europa e conversei com alguns socialistas sobre a iminente vitória de Sarkozi, venho tentando entender a atração deste novo líder da direita francesa, o que me parece uma contradição em termos. Foi um prefeito de uma pequena cidade, composta por muitos idosos ricos e criou algumas inovações e melhorias, mas nada tão impactante. Agora, leio um livro interessante, uma longa entrevista de André Glucksmann ao seu filho, sobre o ataque que Sarkozy fez no seu último discurso de campanha, em 29 de abril de 2007, exortando os franceses a "liquidar a herança de Maio de 68". Glucksmann, filósofo que participou das manifestações de 68, relata o porque apoiou Sarkozy, ao mesmo tempo que avalia e timidamente apóia o movimento estudantil libertário de Paris. O livro chama-se "Maio de 68: explicado a Nicolas Sarkozi", Editora Record. Este livro foi publicado na França neste ano. Mais à frente, comentarei a leitura em outra nota.

"Bancar Tiradentes com o pescoço do Outro", diz Lúcia Hippólito


Em entrevista à UOL, a cientista política Lúcia Hippólito afirma que a decisão do Diretório Nacional do PT foi um exemplo da desfaçatez. Afirma que o diretório jogou a decisão para Minas Gerais, novamente. E a reação de Fernando Pimentel e Aécio Neves, segundo a analista, é certa. "O diretório nacional do PT veta, mas não veta", disse. Finaliza dizendo que o ataque visa mais Fernando Pimentel, uma nova liderança petista que não está sob o controle do PT paulista, que sobre Aécio Neves.

Como é que é?


O diretório nacional do PT decidiu nesta sexta-feira manter o veto à aliança entre o partido e o PSDB nas eleições municipais de Belo Horizonte. No entanto, nos bastidores está sendo negociada a recomendação para que o prefeito de BH, Fernando Pimentel (PT), aceite o apoio informal do governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), à chapa encabeçada por Márcio Lacerda (PSB). Vai entender!

Artigo no Le Monde


Artigo publicado no Le Monde (em 17 de maio), de autoria de Eric Le Boucher faz um contraponto entre os socialistas da Inglaterra, Itália, França e Alemanha (em dificuldades) e os latino-americanos. Afirma que falta-lhes um programa frente à globalização, além de superar a "tentação do centro". Em determinado momento, Eric se pergunta: "e se a questão for decidida na América Latina? O subcontinente foi dividido entre o centrista Lula e o esquerdista Chávez, entre uma política brasileira social-liberal e um radicalismo venezuelano. O duelo nos importa diretamente, pois os social-democratas são admiradores de Lula ao passo que Hugo Chávez é considerado modelo para o outro campo" (mais à esquerda). Continua sua análise:
"No Brasil, a ThyssenKrupp vai investir 4,6 bilhões de dólares numa nova siderúrgica. O Brasil captou 35 bilhões em investimentos estrangeiros no ano passado, um crescimento de 84%. O mercado da classe média atrai as fábricas e o emprego. Grande potência agrícola mundial, o país alimenta também uma ambição industrial. Reencontrando sua comodidade, o governo decidiu implantar uma política industrial de 125 bilhões de dólares para desenvolver as exportações e a high-tech. E acaba de criar um “fundo soberano”, a exemplo de Dubai ou da China, para financiar empresas brasileiras no exterior.Hugo Chávez também acaba de criar um fundo de cinco bilhões de dólares. Mas para defender sua moeda. Ele compra dólares que circulam no país para tirá-los do mercado negro onde o bolívar é desvalorizado em 50%. Uma dupla moeda é posta em prática, o que permite que os banqueiros acumulem lucros sem precedente."
É assim que a Europa vê Lula e Chávez.

Ainda sobre vereadores brasileiros


Temos, hoje, algo ao redor de 60 mil vereadores no país. Dados de 1999 revelavam um gasto anual de mais de 3 bilhões de reais com manutenção das Câmaras de Vereadores (segundo Marcos Mendes, economista do Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial). Pesquisa do Movimento de Combate à Corrupção, divulgada no final de 2007, revelou que 623 políticos brasileiros foram cassados por corrupção eleitoral, desde 2000, tendo como base a lei 9.840. Desses, 508 foram prefeitos e vice-prefeitos. Outros 84 foram vereadores. Surpreendentemente, o maior número de cassações de vereadores neste ano foi causado pela infidelidade partidária, que ameaçava punir grande parte dos parlamentares do país. Em abril, o Paraná havia cassado 61 vereadores por infidelidade, o Rio Grande do Sul havia atingido 55 cassações de vereadores pelo mesmo motivo, Santa Catarina cassou outros 26, Pará mais 44 vereadores, Amazonas cassou 21, Tocantins mais 15, o sudeste todo cassou apenas 24 e assim por diante. Tais cassações foram motivadas pelos interesses dos partidos (que perderam parlamentares) e não dos próprios cidadãos/eleitores. Há muito o que fazer nesta seara. Para ilustrar, reproduzo notícia sobre nepotismo na Câmara Municipal de São Paulo. Para quem não conhece, esta Câmara tem estrutura de Assembléia Legislativa e os vereadores (da cidade com 15 milhões de habitantes) têm poder equivalente ao de um deputado, com muitos assessores. Pois bem, a Folha de S.Paulo noticia que ao menos seis vereadores mantêm um total de 11 parentes trabalhando em cargos de confiança na Câmara Municipal de São Paulo. De acordo com a reportagem, o primeiro vice-presidente da Câmara, Adilson Amadeu (PTB), tem dois filhos contratados. O líder do PMDB, Jooji Hato, tem um sobrinho nomeado na liderança de seu partido e uma filha como assessora do vereador Milton Leite (DEM). O corregedor da Casa, Wadih Mutran (PP), emprega uma filha no gabinete e uma neta na liderança de seu partido. Dalton Silvano (PSDB) emprega uma filha e uma irmã em cargos de seu gabinete. Toninho Paiva (PR) nomeou uma filha e um sobrinho. O líder do DEM, Carlos Apolinario, emprega em seu gabinete a mulher de seu sobrinho. Nos casos dos assessores dos gabinetes dos vereadores, os salários são de R$ 1.106,36. Os assessores das lideranças partidárias recebem R$ 3.190,03 em valores brutos. Cada um dos 55 vereadores de São Paulo pode contratar até 18 assessores para seus gabinetes. Não há qualquer tipo de controle em relação ao trabalho desses funcionários, embora, anos atrás, Eduardo Suplicy e Chico Whitaker tenham tentado algo e foram ameaçados de morte.

O que incomoda e o que desafia professores da rede pública de ensino


Estive, hoje, em Campestre, sul de Minas Gerais (perto de Poços de Caldas), para dar uma palestra para professores da rede pública (estadual e municipal de ensino). Aproveitei e, antes de iniciar a palestra, passei uma lista para saber o que mais incomoda e o que mais desafia os professores, em sala de aula. As respostas foram:
A. O que mais incomoda
Indisciplina; Alunos totalmente sem interesse; cada vez mais conversando uns com outros; Agressão entre alunos; falta de apoio da família no acompanhamento; Falta de estrutura e muita cobrança por resultados estatísticos, sem se preocupar com a qualidade; Falta de cursos de capacitação; Falta de tempo; Não percepção da identidade (do professor), que dificulta entender a identidade do aluno; Falta de recursos para dinamizar as aulas; Falta de limites dos alunos.

B. O que mais desafia
Conseguir oferecer um ensino que seja realmente necessário; Ensinar o aluno desinteressado; Fazer o aluno querer aprender; Socialização e convivência saudável;
Conscientização, reflexão, profissionalismo, com valorização salarial e carreira; trazer a comunidade para a escola; Ganhar o respeito dos alunos; Apesar da desvalorização, mais interesse do professor no seu exercício; Motivar alunos para participarem das aulas; Ministrar aulas atrativas; Troca de experiências metodológicas/estudar sobre; Trabalhar com alunos portadores de necessidades especiais numa turma numerosa e heterogênea.

É perceptível o grau de engajamento dos professores, a partir da leitura dessas respostas. Uma categoria cada vez mais madura (e angustiada com as condições de trabalho e exigências progressivas dos órgãos governamentais). A tensão causada pelas avaliações sistêmicas, meramente quantitativas (SAEB, SARESP, SIMAVE e outras) desmontam qualquer proposta pedagógica mais séria e focaliza tudo no resultado estatístico, provocando soluções tradicionais e ultrapassadas, como aulas de reforço (memorização, reflexo condicionado, simulações e por aí afora).

quarta-feira, 28 de maio de 2008

PEC votada em primeiro turno na Câmara Federal sobre número de vereadores


Do blog de Angelo Rigon, sobre a PEC votada em primeiro turno na noite de terça-feira, na Câmara Federal:
"Estas são as 24 faixas com o número máximo de vereadores permitido para as câmaras, de acordo com a população de cada município, pela PEC que foi aprovada ontem em primeira discussão:

1. Até 15 mil habitantes: 9;
2. mais de 15 mil e até 30 mil habitantes: 11;
3. mais de 30 mil e até 50 mil habitantes: 13;
4. mais de 50 mil e até 80 mil habitantes: 15;
5. mais de 80 mil e até 120 mil habitantes: 17;
6. mais de 120 mil e até 160 mil habitantes: 19;
7. mais de 160 mil e até 300 mil habitantes: 21;
8. mais de 300 mil e até 450 mil habitantes: 23;
9. mais de 450 mil e até 600 mil habitantes: 25;
10. mais de 600 mil e até 750 mil habitantes: 27;
11. mais de 750 mil e até 900 mil habitantes: 29;
12. mais de 900 mil e até 1,05 milhão de habitantes: 31;
13. mais de 1,05 milhão e até 1,2 milhão de habitantes: 33;
14. mais de 1,2 milhão e até 1,35 milhão de habitantes: 35;
15. mais de 1,35 milhão e até 1,5 milhão de habitantes: 37;
16. mais de 1,5 milhão e até 1,8 milhão de habitantes: 39;
17. mais de 1,8 milhão e até 2,4 milhões de habitantes: 41;
18. mais de 2,4 milhões e até 3 milhões de habitantes: 43;
19. mais de 3 milhões e até 4 milhões de habitantes: 45;
20. mais de 4 milhões e até 5 milhões de habitantes: 47;
21 mais de 5 milhões e até 6 milhões de habitantes: 49;
22. mais de 6 milhões e até 7 milhões de habitantes: 51;
23. mais de 7 milhões e até 8 milhões de habitantes: 53; e
24. mais de 8 milhões de habitantes: 55

6a Assembléia Nacional da Pastoral do Menor


Participei, hoje, da 6a Assembléia Nacional da Pastoral do Menor. Falei sobre "olhar social" e "olhar político" da realidade nacional. Na análise dos coordenadores regionais da PaMen, as ações políticas centrais dos agentes pastorais são
A) Das ações já tradicionais
Mobilizações, caminhadas e marchas
Criação e Fortalecimento dos Conselhos; Participação na formação Política; Participação plebiscitos, seminários, fóruns; Discussão contra a redução da maioridade penal;Assessoria e acompanhamento aos Conselhos de Direitos e Tutelares.

B) Ações inovadoras (para a Pastoral)
Representações no Orçamento Participativo; Elaboração e Monitoramento das Políticas Públicas; Audiências Públicas; Parcerias/Convênios com poder público; Presença ativa nas Câmaras Municipais e Secretarias.

Como se percebe, as ações inovadoras são as que avançam sobre a gestão pública, assumindo mais ativamente o gerenciamento de políticas públicas. Discutimos muito esta agenda. Padre Cleto, da PUC-MG, chegou a comentar que é necessário deixar de seguir a "biruta" e começar a adotar uma "bússola", se referindo a necessidade de uma estratégia política mais objetiva.

terça-feira, 27 de maio de 2008

CSS, a nova CPMF, será votada nesta quarta


Amanhã (quarta) será votada a proposta de criação de uma nova contribuição para financiar a saúde. É a CSS (Contribuição Social da Saúde), que funcionaria nos moldes da extinta CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira). A CSS deve render de 12 a 15 bilhões de reais aos cofres públicos (a CPMF rendia 40 bilhões de reais).

Lulismo e o Efeito Doppler 2010


O comprimento de onda observado é maior ou menor conforme sua fonte se afaste ou se aproxime do observador. Um exemplo típico é o caso de uma ambulância com sirene ligada que passe por um observador. Ao se aproximar, o som é mais agudo e ao se afastar, o som é mais grave. De modo análogo, ao trafegar em uma estrada, o ruído do motor de um automóvel que vem em sentido contrário apresenta-se mais agudo enquanto ele se aproxima, e mais grave a partir do momento em que se afasta (após cruzar com o observador). Este é o efeito Doppler, que também se percebe acompanhando carros de corrida quando estamos parados, assistindo a disputa na pista. O lulismo parece fazer o mesmo em relação a 2010: dependendo do interlocutor o som parece mais próximo. Mas se o interlocutor for da imprensa, o som é mais grave e distante.

Gravidez precoce no Brasil


Segundo dados do Ministério da Saúde, a gravidez na adolescência tem aumentado no Brasil. Cerca de 1,1 milhão de adolescentes engravidam por ano no País, sendo que a maioria dessas jovens não têm condições emocionais ou financeiras de assumir a maternidade. Mas, muitas delas resolvem assumir não apenas o bebê, mas também constituir uma família com a chegada dele. Na opinião da terapeuta Isabela Gumberg, o casamento é uma instituição importante na concepção de muitas jovens brasileiras. Assim, a união oficial muitas vezes parece ser vista como uma solução.

CRÉDITO AUMENTA, INCENTIVANDO CONSUMO


O volume total de crédito do sistema financeiro atingiu em abril a marca histórica de R$ 1,017 trilhão. De acordo com o Banco Central (BC), houve um crescimento de 2,5% em relação ao estoque de março, que estava em R$ 993,008 bilhões. Nos 12 meses terminados em abril, a evolução foi de 30,9%. Com isso, o total dos empréstimos ficou equivalente a 36,1% do Produto Interno Bruto (PIB). A taxa de juros ao consumidor e a inadimplência caíram, em abril.

PT da terra de Patrus Ananias apóia candidato tucano


Está difícil pensar em títulos para as notícias que partem do PT. Já utilizei "no cravo e ferradura", "PT X PT" e outros. Mas a velocidade das novidades provoca o envelhecimento precoce dos títulos (que pretendo que sejam bem-humorados). A última vem de Bocaiúva, terra do ministro Patrus Ananias, adversário da aliança do PT com PSDB em BH. Como na capital mineira, o PT de Bocaiúva (45 mil habitantes, no norte de Minas Gerais) desistiu de lançar candidato a prefeito e vai apoiar , Ricardo Veloso, diretor do Instituto de Desenvolvimento do Nordeste de Minas Gerais (Idene), autarquia do governo estadual, filiado no PSDB. O PT já indicou para vice o presidente da Federação dos Metalúrgicos de Minas Gerais, Delson Oliveira. Veloso já foi filiado no PT e foi assessor jurídico da Pastoral da Terra na região. É homem íntegro. Mas é tucano. A tese da candidatura própria tinha o apoio do ministro, do deputado federal Virgílio Guimarães e do deputado estadual Paulo Guedes, majoritários do PT na cidade. Patrus está pagando caro, neste ano, por seu estilo quase passivo de disputar posições no interior do partido.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

No cravo e na ferradura


Embora tenha vetado, mais uma vez, a aliança do PT com o PSDB de Belo Horizonte, a Executiva Nacional do PT aprovou nesta segunda-feira que o partido se alie ao PSDB, PPS e DEM em 12 municípios em todo país. A justificativa é que a disputa eleitoral em BH tem reflexos nas eleições presidenciais de 2010. A aliança com o PSDB foi vetada, também em Açailândia (MA), Cláudia (MT), Cabo Frio (RJ) e Xanxerê (SC).
Alianças com o PPS aprovadas: Palmas (TO) e Montes Claros (MG);
Alianças com PSDB aprovadas: Linhares (ES), Nova Friburgo (RJ), Criciúma (SC) e Itajaí (SC);
Alianças com DEM aprovadas: Guarujá (SP) e Canoas (RS), além da aliança dos democratas e tucanos com os petistas em São Vicente (SP) e Cáceres (MT).
Essas coligações foram aprovadas desde que PSDB, PPS e DEM não estejam como cabeça de chapa na aliança com o PT.
Dia 30 tem reunião do Diretório Nacional. Novo round.

Artigo sobre aliança PT-PSDB em BH


Carlos Ranulfo é professor do Departamento de Ciência Política e pesquisador do Centro de Estudos Legislativos do DCP/UFMG. É colaborador antigo do PT. Escreveu, recentemente, um artigo sobre a aliança inusitada para as eleições de outubro em BH. Escolheu como título "Um jogo de múltiplas arenas". Sinceramente, achei algo ingênuo. Tenta afirmar que existiriam três interesses distintos: o de Fernando Pimentel (cujo foco seria a sua eleição ao governo estadual, em 2010, o que teria chocado vários militantes por estar sacrificando a prefeitura em função de projeto pessoal); o da esquerda do partido (que desejava manter o PT na cabeça de chapa ou a composição a partir da ex-reitora da UFMG Ana Lúcia Gazzola, filiada ao PSB); e o da Executiva Nacional do PT (cujo foco é a eleição presidencial, em 2010). Este é o panorama visto de dentro da floresta, de olhar fixo em cada árvore. Mais afastado, um panorama mais amplo revela que todos atores petistas disputam a mesma coisa: 2010.

Viagem à luta armada: o livro


Uma leitura tensa. Segundo Franklin Martins, "convém afivelar o cinto de segurança" para ler este livro. Uma viagem pelos anos de chumbo. Clemente, nome de guerra de Carlos Eugênio, autor do livro, é o guia da viagem. Ele entrou na luta com 17 anos (quando ingressou na ALN) e participou da luta armada no Brasil entre 1966 e 1973. Ainda segundo Franklin Martins:
"Não existem muitas pessoas que, por sua experiência direta, tenham conhecido o cotidiano e as entranhas da luta armada desde o seu começo até o fim. As quedas nas organizações revolucionárias, como a ALN, o Colina, a VPR, o MR-8, a VAR- Palmares, o MRT, a Rede etc., sucediam-se com tal rapidez, que seus dirigentes mal tinham tempo para esquentar as cadeiras. Por isso mesmo, os que sobreviveram, geralmente, só podem falar com segurança sobre períodos muito curtos. Raríssimos são aqueles que puderam formar urna visão completa do processo, desde a época em que o sonho da luta armada supunha-se invencível até os estertores da guerrilha urbana, quando os militantes morriam como moscas, e o ódio e o desespero assumiram o lugar da esperança e da certeza no futuro. Carlos Eugênio é um deles."

Informações sobre produção petrolífera e Petrobrás


Segundo Ildo Sauer (Prof de energia na USP e ex-diretor da Petrobras) e Paulo Metri (engenheiro e membro da AEPET- Rio de Janeiro), em debate promovido pelo jornal Brasil de Fato em 7 de maio último:
1. Seis paises são os maiores produtores do mundo e controlam mais de 80% da oferta: Arábia Saudita, Iran, Kweit, Rússia, Venezuela e Líbia/ Iraque.
2. As atuais reservas identificadas de petróleo no Brasil permitem o consumo – com as taxas históricas de crescimento- para os próximos 17 anos.
3. A produção mundial de petróleo é de 85 milhões de barris por dia. O custo de produção varia de 1 a 15 dólares no máximo (caso das plataformas marinhas), sendo que o custo médio é de 7 dolares. Estima-se, portanto, que aos preços atuais, o montante de recursos provenientes do petróleo por ano no mundo seja de 2,7 trilhões de dólares por ano.
4.A distribuição da riqueza apropriada pela Petrobrás, nos padrões atuais, seria:
- 10 bilhões de reais em salários.
- 11 bilhões de reais para pagamento de juros bancários.
- 27 bilhões de reais para acionistas, sendo: 40% para o governo, 30 % para acionistas privados brasileiros, e 30% para acionistas estrangeiros.
- 72 bilhões de reais em impostos, royaltiese outras transferências a governos, seja do Brasil, dos EUA, Bolívia, Angola.

A votação do acordo com Aécio no diretório nacional do PT


Este blog informou superficialmente a composição do diretório nacional do PT, que votará a coligação com o PSDB, em Belo Horizonte, no próximo dia 30. Detalho a informação. A composição, hoje, é: Construindo um Novo Brasil (ex-Articulação, com 40%), Mensagem ao Partido (do ministro Tarso Genro, com 20%), Esquerda (de Valter Pomar, com 20%) e Movimento PT (com 20%). Somente esta última corrente é abertamente favorável à coligação. Ocorre que a Mensagem ao Partido vem oscilando e possui cargos no governo Lula e Contruindo um Novo Brasil possui fortes embates internos e interesses divergentes quanto a este tema. Fernando Pimentel tenta convencer alguns membros do diretório a abrir mão de estarem presentes, cedendo sua vaga para suplente (ele e Roberto Carvalho são suplentes).

Walter Pinheiro é o candidato do PT em Salvador


Na décima quinta urna (de um total de vinte)apurada, o deputado federal Walter Pinheiro passou à frente do também deputado federal Nelson Pellegrino nas prévias realizadas pelo PT e se manteve assim, garantindo a legenda como candidato do partido à Prefeitura de Salvador. A disputa foi apertada: Pinheiro venceu Pelegrino por 128 votos de diferença (1.337 contra 1.209). Após a confirmação do resultado, Walter Pinheiro, que contou com o apoio do governador Jaques Wagner (PT), disse que vai trabalhar para aparar todas as arestas do partido. O PT chegou às prévias dividido: dos quatro pré-candidatos, dois, o deputado federal Luiz Alberto (licenciado) e o deputado estadual e sindicalista J. Carlos desistiram da disputa. Durante quase um mês, o governador Jaques Wagner trabalhou para evitar as prévias. No entanto, Nelson Pellegrino, que disputou e perdeu as três últimas eleições para a Prefeitura de Salvador (duas para Antonio Imbassahy e uma para João Henrique Carneiro) não quis desistir da disputa, sob a alegação de que tinha mais densidade eleitoral do que Pinheiro. Agora, a sucessão municipal da terceira maior cidade do Brasil já está desenhada: Walter Pinheiro (PT), João Henrique Carneiro (PMDB), Antonio Imbassahy (PSDB), Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), Lídice da Mata (PSB), Raimundo Varela (PRB) e Olívia Santana (PC do B) devem disputar as eleições.

domingo, 25 de maio de 2008

Estudo do Banco Mundial recomenda Estado forte: a vez dos BRICs


O site do Instituto Cultiva (www.cultiva.org.br )disponibilizará nesta semana estudo do Banco Mundial que analisou as causas fundamentais do desenvolvimento econômico. O estudo, que envolve 21 intelectuais, conclui que o crescimento econômico é resultado do Estado forte. Foram dois anos de trabalho. O estudo foi financiado pelo Banco Mundial, com apoio da Hewlett Foundation. A "Comissão sobre Crescimento e Desenvolvimento" é integrada pelos seguintes economistas: Dr Boediono, presidente do banco central da Indonésia, Kemal Dervis, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Alejandro Foxley, ministro das relações exteriores do Chile, Goh Chok Tong, presidente da autoridade monetaria de Cingapura, Han Duck-Soo, ex-primeiro ministro da Coréia do Sul, Danuta Hübner, comissário europeu para política regional, Pedro-Pablo Kuczynski, ex-primeiro-ministro do Peru, Trevor Manuel, Ministro da Fazenda da África do Sul, Ngozi N. Okonjo-Iweala, diretora geral do Banco Mundial, Robert Rubin, presidente do Citigroup, Robert Solow, professor do MIT e Prêmio Nobel, Michael Spence, também Nobel, de Stanford, Ernesto Zedillo, ex-presidente do México e Zhou Xiaochuan, presidente do Banco da China.
Quem diria?

Ainda sobre as prévias do PT em Salvador

Um levantamento extra-oficial feito pela direção municipal do PT aponta que apenas 2.558 votos foram computados em todas as zonas da capital. Em Salvador, o PT possui 6.400 filiados. Com 20% das urnas apuradas, Walter Pinheiro estava à frente. Contudo, às 21h Pelegrino virou o jogo, ultrapassando-o em 20 votos. Na sequência, houve denúncia de erro na urna da oitava zona eleitoral (Cajazeiras) emperrando a apuração por mais de duas horas. Solucionado o problema, Pelegrino ampliou a vantagem.

Eleições em Salvador


Já comentei neste blog que é possível que a aliança entre PT e PMDB se desfaça na Bahia, depois de anos de tentativa da deputada Lídice da Mata (PSB). Agora vem a notícia que mais deve chatear o governador Jaques Wagner: os deputados Nelson Pellegrino e Walter Pinheiro disputam, hoje, as prévias no PT. Na sexta-feira, ocorreu um bom debate, na Faculdade de Arquitetura da UFBA, entre os dois candiatos. Pellegrino já disputou as três últimas eleições para a Prefeitura de Salvador e não conseguiu vencer. Até onde se sabe, Jaques Wagner avalia que Walter Pinheiro seria o melhor candidato. No final do ano passado, a Executiva Nacional do PT teve de intervir durante o processo de escolha do presidente estadual da legenda. Nas eleições, houve prisões, fraudes e muitas brigas. No PTB, o advogado Edvaldo Brito, que era pré-candidato, aceitou compor com o prefeito João Henrique Carneiro (PMDB), candidato à reeleição. Brito será o vice na chapa de Carneiro. No PPS, outro pré-candidato, o ex-vereador Miguel Kertzman, também retirou a sua candidatura e aceitou ser vice na chapa encabeçada pelo ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB). Há dois meses, o PT rompeu com o PMDB, entregou os 200 cargos que mantinha na administração municipal e decidiu lançar candidato próprio à sucessão. A medida irritou o ministro Geddel Vieira Lima, que contava com o apoio do PT. Além de Imbassahy e João Henrique Carneiro, são candidatos a deputada federal Lídice da Mata (PSB), o deputado federal ACM Neto (DEM), a vereadora Olívia Santana (PC do B) e o radialista Raimundo Varela (PRB).
O diretório municipal do PT informou que o resultado das prévias será conhecido no final da noite deste domingo.

sábado, 24 de maio de 2008

Entrevista de Hugo Chávez sobre Unasul


Ainda em Brasília, Hugo Chávez concedeu entrevista à Fernando Morais, Beto Almeida e Emir Sader. Destaco algumas passagens de sua fala:
"¡ Hoy es un día monumental! Es un día...Yo lo decía esta mañana en la reunión a puertas cerradas...de los Presidentes, Cancilleres! ...que hay que mirar hacia atrás! Hay que mirar en perspectiva para darse cuenta...de cómo las cosas van cambiando...y cómo venimos avanzando en este Proceso unitario!
Yo recordaba...que hace...un día como hoy...el año 1965, la OEA se reunió para legitimar ...¡legitimar!...la invasión gringa a Santo Domingo, que bueno... a punta de metralla y fuego logró cercenar aquella tremenda Rebelión! del pueblo dominicano y del Coronel Camaño! Fíjate! Cómo han cambiado las cosas...! (...) Yo, creo que hay hacerle un reconocimiento...al gobierno de Colombia por haber venido...Porque ha podido no venir...Sin embargo, ha venido, y a firmado...el Tratado de la UNASUR. (...) Hoy nosotros tenemos un Obispo, un cura, el de Paraguay...Un Indio, en Bolivia...Un soldado, en Venezuela. Un guerrillero en Nicaragua. Todos elegidos por sus pueblos...Un Obrero en Brasil, aquí en Brasil, un Obrero...Y mujeres, en comandos de Gobiernos... Ud. esa nueva pintura, de América latina... (...) ¿Por qué no crear una OTAS ? Una Organización del Tratado del Atlantico Sur. Si hay una OTAN... (...) Ahora, el hecho de que...Once paises, de los doce que somos en Suramerica, hayamos votado a favor, sólo Colombia...
Y sin embargo, Colombia ha dicho que ellos no se oponen, pero que no estan en condiciones de participar.
Bueno, más adelante. Nosotros estamos seguros que bueno, más adelante, Colombia, participará tambien. Pero no es un obstáculo para seguir avanzando en la idea..."

Site para Churrasco


Esta dica estou roubando do blog do Marcelo Katsuki, da Folha de S.Paulo (http://marcelokatsuki.folha.blog.uol.com.br/index.html). A Wessel e a Smirnoff uniram-se para criar um site que é uma mão na roda: Churraskeiro.com.br. O site traz dicas para um churrasco e uma calculadora que indica a quantidade certa de carne de acordo com o número de pessoas. Também oferece um serviço para enviar os convites para seus amigos que chegam com a previsão do tempo para o dia da festa, fornecida pelo Climatempo. Não é um site para especialistas e gourmet, mas de serviço e, obviamente, de promoção das duas empresas. Mesmo assim, vale a pena.

Brasil consumista, no NYT deste sábado


Com uma foto de Sergio Troczynski, 24 anos, vestindo a camiseta do São Paulo e encostado no seu novo Fiat Punto, o New York Times de hoje, ilustra a matéria intitulada "Boom Times for Brazil's Consumers". A matéria trata do crescimento da classe média brasileira e procura fazer um paralelo com a vida da classe média dos EUA. Conclui que a América Latina encontra-se "menos acorrentada às fortunas dos Estados Unidos". Logo no primeiro parágrafo desta matéria, afirma-se: "Enquanto os consumidores americanos estão apertando os cintos, os brasileiros estão gastando como se a palavra recessão não existisse no Português". O jornal aponta os seguintes fatores que contribuem para esta situação: a) a valorização das commodities, impulsionada pela demanda da China; b) investimento externo; c) controle da inflação, estimulando o acesso ao crédito, atingindo 20 milhões de brasileiros. A matéria completa (em inglês) pode ser acessada no endereço
http://www.nytimes.com/2008/05/24/business/worldbusiness/24brazil.html?ref=americas .

Contestando Lavareda


Recebo a seguinte mensagem de uma amigo que reside na Inglaterra, a respeito da análise de Lavareda sobre o Partido Conservador (ver nota, abaixo):
"Quanto ao Partido Conservador, contudo, nao sei se Lavareda está bem informado. A "remontagem" daquele partido começou há bastante tempo, basicamente a partir da "tomada do poder" por um grupo de jovens conservadores, ambiciosos e inteligentes, anos atrás, capitaneados por David Cameron (na foto), um sujeito bastante antenado com "as tendências gerais", os valores dominantes e, inclusive, capaz de se ajustar rapidamente. Em um país onde os temas ambientais vêm ganhando muita força (a Inglaterra é o país onde mais se discute "mudanças climáticas"), ele vai de sua casa, em Londres, para o parlamento de bicicleta, sempre cercado por um batalhão de fotógrafos. Assumiu posições que os antigos barões do Partido Conservador sequer discutiriam e tem adotado posições progressistas em diversas questões. Não hesitaria em afirmar que, atualmente, na Inglaterra, é um partido está à esquerda do Partido Trabalhista, o que representa mais uma das tantas contradições de nossos tempos. Ou seja, a "refundação" dos conservadores obedeceu a aspectos bastantes singulares, não sei se podendo ser repetidos no Brasil. Onde estaria, por exemplo, esta geração de jovens conservadores, com posturas liberais mais clássicas e democráticas por excelência?"

Avaliações sobre a oposição


O cientista político Antonio Lavareda, conselheiro da aliança PSDB-PFL, acaba de escrever um interessante texto enviado aos "amigos da oposição". Na avaliação dele, a atuação da oposição, hoje, não está à altura da tarefa de quem precisa enfrentar um presidente da República bem avaliado como Luiz Inácio da Silva. Faltaria estratégia para furar o cerco da popularidade de Lula e estabelecer seus próprios termos de diálogo com a sociedade. Sugere a estratégia do Partido Conservador inglês que reformulou sua estrutura interna, abriu espaço à participação dos filiados, patrocinou referendos sobre questões polêmicas, atuou firme na atração de novos militantes, aumentou o rigor ético na seleção de candidatos, “saiu” do Parlamento para discutir temas de interesse nacional em audiências públicas país afora e adotou uma nova linha de combate ao governo.
Esta estratégia do Partido Conservador é, na verdade, comum na Europa.
O sociólogo Antônio Lavareda associou-se aos empresários pernambucanos Paulo Sérgio Macedo e Severino Mendonça para montar um banco. A instituição, que ainda está sob análise do Banco Central, vai se chamar Gerador, ficará sediada no Recife e emprestará dinheiro a empresas de médio porte. Lavareda tem 30% do banco, cujo capital será de 20 milhões de reais.

Greve Geral no Peru


No dia 9 de julho ocorrerá uma paralização nacional no Peru. A FEDUP, federação de docentes universitários do Peru, divulgou uma nota oficial, que reproduzo algumas passagens:
"El pueblo ya lo decidió: el miércoles 9 de julio el país le dirá NO a Alan García mediante un paro nacional. (...) La convocatoria al paro salió de los acuerdos tomados el pasado 17 de mayo, durante una asamblea de las organizaciones sociales, sindicales, partidos políticos. Organizaciones agrarias, de pueblos indígenas, sectores juveniles y colectivos, convocada por la Coordinadora Política y Social (CPS). El secretario general de la CGTP, Mario Huamán, señaló que la CPS exige el cambio de la política económica, un crecimiento económico al servicio de las grandes mayorías, exigimos el cese de la represión y la violencia contra los trabajadores y pueblos amazónicos e indígenas. Más de 20 muertos y 1200 enjuiciados y presos por protestar contra el régimen de García. Frente a ello se exige la derogatoria del decreto de criminalización de la protesta. Cese de las privatizaciones de los recursos naturales, de las empresas estratégicas y de los servicios básicos de la población; defensa de la biodiversidad puestas en la mira de la voracidad de las transnacionales. La jornada de protesta a nivel nacional será contra el alza del costo de vida, a favor de la atención a una agenda agraria y por la promoción de soberanía alimentaria en la que el consumo de productos nacionales permita la no importación que beneficia a los oligopolios. (...) Finalmente la CPS hace un llamado al pueblo peruano, al más del 70% de ciudadanos que desaprueba la gestión de García, para respaldar al PARO DEL 9 DE JULIO, ejerciendo el legítimo derecho a la protesta frente a la ofensiva neoliberal que se impone al país."

Nossos vizinhos vivem alguns dias quentes, de luta social. A começar pela Argentina e, agora, Peru.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

UNASUL e a integração latino-americana


O primeiro passo mais ousado, depois do Mercosul: Unalsul, ganhando contornos de organismo internacional. A União das Nações Sul-Americanas reúne os doze países da América do Sul. A proposta de sua criação surgiu em 2004, em Cusco, no Peru.Os principais objetivos serão a coordenação política, econômica e social da região. Alguns temas merecem destaque desde sua instalação, como a integração energética, de telecomunicações e ainda nas áreas de ciência e de educação, além da adoção de mecanismos financeiros conjuntos. Os presidentes assinaram sua formalização nesta sexta-feira, que será ratificado pelos paralmentos de nove dos doze países. Os líderes regionais discutem também a criação do Conselho de Defesa da América do Sul. A idéia foi apresentada oficialmente pelo Brasil, mas é rejeitada pela Colômbia. Existe o plano de criação do Parlamento único da Unasul, mas não há nenhuma expectativa de que a idéia seja colocada em prática em um futuro próximo. A Unasul terá ainda uma secretaria permanente que deverá ser em Quito, no Equador. Nos termos do Tratado, a Unasul terá como órgãos deliberativos um Conselho de Chefes de Estado e de Governo, um Conselho de Ministros de Relações Exteriores e um Conselho de Delegados. Haverá reuniões anuais de chefes de Estado e de Governo e reuniões semestrais do Conselho de Ministros de Relações Exteriores.

Mais comparações entre Brasil e Itália: competitividade


O ranking mundial de competitividade elaborado pela escola de negócios suíça IMD (International Institute for Management Development), situou Brasil e Itália entre os países menos competitivos no rol das nações analisadas. O órgãobaseia suas conclusões em três fatores: performance econômica, eficiência governamental, eficiência econômica e infra-estrutura. O Brasil ocupa, em 2008, o 43º lugar em um total de 55 nações, subindo seis colocações em relação ao ano passado. Logo atrás, a Itália encontra-se na 46ª posição. A capacidade da Itália de disputar o mercado internacional trilha uma tendência decrescente bem estabelecida nos últimos anos. Em 2005, por exemplo, o país ocupava a 38ª posição. A lista de motivos é longa: o ambiente macroeconômico estagnado, atrelado a déficits orçamentários, uma das maiores dívidas públicas do mundo e uma situação fiscal deteriorada. Outras causas são a baixa eficiência de gastos do governo, o peso da regulação estatal e, de forma mais genérica, a qualidade das instituições públicas. Já o Brasil, após duas quedas consecutivas, encontra-se em um momento de ascendência explicado pela boa performance econômica no último ano e, principalmente, pela eficiência dos negócios – que mede produtividade e práticas gerenciais das companhias -, quesito no qual o país registrou um salto da 40ª para a 29ª posição.

Emprego de jonvens no Brasil e Itália


Como já divulgado neste blog, estudo do Ipea revela que, numa lista de dez países, o Brasil lidera o ranking de desempregados entre 15 a 24 anos, com 45,6%. A Itália se encontra em uma situação intermediária na tabela, ocupando a sétima posição, com 25,9%. Entretanto, a Itália detém a maior taxa absoluta de desemprego juvenil, ao lado da Argetina. 24% dos jovens italianos de 15 a 24 anos estão desempregados, em contraste com 19% entre os brasileiros, segundo o KILM (Key Indicators of the Labour Market Programme). Ocorre que, por lá, a taxa de desemprego é menor em outras faixas etárias do que no Brasil, o que coloca os jovens italianos em particular desvantagem frente aos trabalhadores mais experientes. Na Itália, a razão entre a taxa de desemprego juvenil e adulto (25 anos ou mais), é de 4 jovens desempregados para cada adulto sem ofício, enquanto a cifra brasileira responde por 3,5. Daí o forte preconceito que se sente em relação aos jovens em algumas cidades italianas.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Argentina: conflito com ruralistas atinge popularidade de Cristina


A imagem positiva da presidente caiu para 26 por cento da população em maio, contra 47 por cento de março e 36 em abril, e está 30 pontos percentuais abaixo da medição de janeiro, disse a consultoria Poliarquía. Pela primeira vez desde que assumiu, em dezembro de 2007, a imagem negativa da presidente supera a positiva, ao atingir 34 por cento. "O conflito com o setor agrícola somou-se à crescente preocupação que gera o processo inflacionário na sociedade e causou uma aceleração na mudança de humor social que vinha sendo observada desde 2007", disse Alejandro Catterberg, diretor da consultoria. "Pela primeira vez em muitos anos a população avalia a situação do país com pessimismo: a maioria pensa que o país não está num bom momento, que estamos pior que o ano passado e que a situação piorará no futuro", completou. Os jornais argentinos noticiam, hoje, reunião dos ruralistas com o governo federal, iniciada pouco depois das 18h00. Segundo o Página 12, os presidentes da Sociedad Rural Argentina, Confederaciones Rurales, CONINAGRO y Federación agraria, iniciaram a reunião com o ministro da Economia, Carlos Fernández, e seu chefe de gabinete, Alberto Fernández. Já o jornal La Nación, informa que Eduardo Buzzi demonstrou interesse em finalizar a negociação: “Hay mucho por resolver y es necesario que no haya eufemismos”, teria dito. Disse, ainda: “Nos queremos ir con una respuesta”. Alberto Fernández, assegurou uma "agenda sem restrições", possivelmente pressionado pelos índices de popularidade do governo. Entretanto, defendeu as retenções móveis "como concepto" (seja lá o que isto signifique). É a primeira vez que o ministro de Economía, Carlos Fernández, estará reunido para discutir com lideranças ruralistas. O presidente da Sociedad Rural Argentina (SRA), Luciano Miguens, afirmou que está otimista com esta reunião, chegando a dizer que "a solução está próxima".

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Denúncias graves contra o BNDES


Maurício David envia a seguinte mensagem:
"Recebi cópia do relatório da Polícia Federal sobre a Operação Santa Tereza. Nos termos do relatório, a Santa Tereza trata-se de " operação de inteligencia policial de referencia tendo como objetivo precípuo a desarticulação de uma organização criminosa ativa no ramo da prostituição de mulheres e também esquema criminoso relacionado à liberação e desvio de verbas públicas federais, mais precisamente do BNDES, além de outros crimes praticados pelos investigados". São 140 páginas, basicamente com o detalhamento das escutas telefonicas efetuadas com autorização judicial."

Os frutos de uma Escola da Cidadania


A Escola da Cidadania de Maringá foi criada há dois anos tendo como objetivo maior construir um programa de formação permanente de conselheiros municipais e lideranças sociais. Realizou um Fórum de Educação Popular e Políticas Públicas que contou com a participação de Chico Whitaker (Fórum Social Mundial) e José Moroni (ABONG e Fórum Nacional de Participação Popular). Já realizou muitos cursos e oficinas e agora começa a colher seus frutos, seu reconhecimento público. Participará do Ciclo de Palestras sobre Gestão Educacional na Universidade Estadual de Maringá, no próximo dia 11. As educadoras populares desta Escola, Fernanda Valotta e Solange Marega, abordarão a temática "O Papel dos Conselhos na Democratização da Gestão do Ensino Público", juntamente com integrantes do Conselho Municipal de Educação. Outros municípios poderiam criar instrumentos desta natureza. Maiores detalhes no site www.cultiva.org.br/maringa .

Brasil: um país contra a criança e o jovem


Depois do dado oficial que demonstrou que 5,5% dos trabalhadores infantis do país sofreram, em 2006, doenças ou acidentes de trabalho (o dobro dos acidentes de trabalho envolvendo adultos), agora é a vez do desemprego. O IPEA/IBGE revela que o desemprego entre jovens (de 15 a 25 anos de idade) é 3,5 vezes maior que adultos. E o ritmo desta distância se acelera rapidamente. O IPEA afirma que há preconceito. Não só. O governo vem acreditando na velha cantilena liberal, que o crescimento econômico melhora a qualidade de vida.
A situação fica mais clara quando sabemos que a taxa de desemprego em abril foi de 8,5% da população economicamente ativa, menor percentual já registrado para o quarto mês do ano desde o início da série de cálculos, em 2002. O número de empregados com carteira assinada, em abril, cresceu 9,9% em relação ao mesmo mês de 2007 e 1,5% na comparação com março deste ano, somando atualmente 9,5 milhões de pessoas. O rendimento médio do trabalhador em abril foi de R$ 1.208,10, um aumento real de 2,8% em relação ao mesmo mês do ano passado e 1% na comparação com março.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Obama é o candidato democrata


Com 1.627 delegados, Barack Obama não pode mais ser ultrapassado por Hillary Clinton. É o candidato democrata às eleições presidenciais dos EUA.

O possível racha entre PMDB e PT baianos


Estive, hoje, em Salvador. A avaliação de muitas lideranças políticas é que o ministro Geddel Lima (PMDB-BA, na foto ao lado), um dos artífices da derrocada do império de ACM ao se aliar com o governador petista Jaques Wagner, já se aproxima de ACM Neto.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Petrobrás mais à frente


A Petrobras passou a Microsoft e se tornou a terceira maior empresa das Américas entre as que têm ações negociadas em Bolsas de Valores, segundo levantamento realizado pela consultoria Economatica. O valor de mercado da estatal brasileira, calculado com base no preço das ações, atingiu US$ 287,17 bilhões na última sexta-feira (dia 16). O da Microsoft era de US$ 279,3 bilhões no mesmo dia. À frente da Petrobrás estão: Exxon Mobil (489 bilhões de dólares) e General Eletric (320 bilhões de dólares). Este é mais um dado que demonstra a nova posição econômica do Brasil no mundo e o quanto necessitamos repensar nossa postura política, principalmente no Cone Sul da região.

Bônus no vestibular da UFMG para alunos de escolas públicas


A UFMG decidiu, em reunião tensa que durou 5 horas, criar um bônus de 10% para candidatos que cursaram todo o ensino fundamental e médio em escola pública. Assim, os alunos oriundos de escolas públicas terão um "fator de correção" a seu favor. Gostaria de aprofundar a análise desta proposta, tendo em vista que parece adotar uma solução de "justiça equitativa" e não "justiça igualitária" (esta última, baseada na meritocracia):
a)A simulação no vestibular de Medicina revela que este bônus elevará de 45 para 120 calouros oriundos de escolas públicas;
b)Contudo, aprofundando um pouco mais o impacto, acredito que o bônus terá maior influência sobre a própria escola pública do que sobre o futuro dos alunos candidatos. Explico: já se notava, há dez anos, que havia uma forte migração de vagas de escolas privadas para públicas, no ensino básico. As escolas particulares mais afetadas eram as católicas. De 1995 para 2000, 130 escolas católicas de ensino básico (fundamental e médio) fecharam as portas, segundo dados da CNBB/CERIS. As escolas católicas perderam 300 mil alunos. Os dois motivos apontados por este estudo foram: empobrecimento da população e melhoria do ensino público. Como sabemos, contudo, que os índices de pobreza vêm diminuindo desde então, o impacto do bônus será ainda maior, acelerando esta dinâmica de aumento da participação das escolas públicas no total de vagas do ensino básico;
c)Acredito, portanto, que os professores da rede pública que matriculam seus filhos (com forte sacrifício sobre a renda familiar) em escolas particulares, desejando vê-los na UFMG (a universidade mais desejada em MG), tenderão a matriculá-los em escolas públicas, ao menos nos próximos 5 a 7 anos;
d)O ingresso de alunos de escolas particulares (mesmo os de baixa renda, cujos pais se sacrificam para pagar as mensalidades) em escolas públicas terá um forte impacto sobre a qualidade do ensino e proposta curricular. Não sei ao certo o fruto desta pressão. Logo de início, aumentará a pressão sobre os professores, não tenho dúvidas;
e)Do outro lado, acredito que aumentará a oligopolização do ensino privado, hoje concentrado em 13 grandes grupos (mais de 30% das escolas particulares do país estão vinculados a estes grupos educacionais privados, como COC, Objetivo, Positivo, Pitágoras entre outros). A educação brasileira movimenta mais de 100 bilhões de reais por ano. A International Finance Corporation estima aumento de investimentos privados na área de ensino à distância e treinamento vocacional. Não por coincidência, este passa a ser tema central para o MEC: ensino profissionalizante;
f)O problema é ainda maior. As redes privadas estão vendendo apostilas e criando assessorias para escolas públicas. Já são 300 municípios brasileiros que adotam apostilas e assessoria privada em suas redes de ensino, sendo 150 (23% dos municípios paulistas) somente em São Paulo. Fica evidente que a tal valorização da escola da escola pública a partir da medida da UFMG é uma ponta do iceberg. O problema é que, nos últimos anos, apenas esta ponta esta merecendo alguma atenção. Não tenho dúvidas: trata-se do discurso único do pragmatismo em políticas públicas.

domingo, 18 de maio de 2008

945 municípios que podem perder repasse federal para transporte escolar


Saiu a lista de prefeituras inadimplentes que poderão perder, a partir deste mês de maio, os repasses de verbas federais destinadas a custear a locomoção de alunos matriculados em escolas públicas de ensino fundamental. Pela lei, deveriam ter prestado contas do dinheiro que receberam em 2007 até 15 de abril de 2008. Não cumpriram, porém, o compromisso. Este recurso federal financia o transporte escolar de 3,4 milhões de crianças, complementando o orçamento de 5.122 prefeituras. Desse total, 1.032 municípios foram à lista de inadimplentes.
Os municípios inadimplentes surpreendem. São 69 municípios paulistas, entre eles: Lindóia, Carapicuiba, Guarujá, Embu, Duartina, Limeira, Marília, Catanduva, Assis, Batatais e Bragança Paulista. No Rio Grande do Sul são 51 municípios, com destaque para a capital Porto Alegre. No Paraná são mais 60. Em Minas Gerais são 155, com destaque para Carangola, Coronel Fabriciano, Diamantina, Dores do Indaiá (terra do primeiro ministro da educação de nosso país), Paracatu, São João del Rei, Teófilo Otoni e Vespasiano.

De Walter Benjamin


A grandeza do passado encontra expressão no sentimento da infância vivida, a “nostalgia confessada por uma infância feliz e uma juventude digna é a condição do criar”.

Minc: agora vai (?)


O "estilo Minc de ser" já começa a aparecer. Na chegada ao Rio de Janeiro, o ministro indicado para a pasta do Meio Ambiente anunciou que tem uma reunião com o presidente Lula amanhã, quando vai apresentar os 10 pontos que considera importante nas questões ambientais. Um deles é contar com a ajuda das Forças Armadas nas Áreas de Proteção Ambiental. Outra proposta é que o coordenador-executivo do Plano Amazônia Sustentável (PAS) seja o ex-governador do Acre, Jorge Viana.

Política Industrial e Reforma Tributária?


O que muitos economistas estão se perguntando é o lugar da reforma tributária após o anúncio da política industrial. Do ponto de vista dos interesses empresariais, a política industrial já resolveria grande parte dos pontos de estrangulamento. Artigo de Décio Pizzato, publicado no site do Conselho Federal de Economia (COFECON) procura dirimir parte desta dúvida. Não concordo inteiramente com seus argumentos, mas é uma boa pauta de discussão. Reproduzo algumas passagens:
"O empresariado nacional sempre manteve cautela com os anúncios governamentais. Os motivos estavam nas resistências dentro do próprio governo, após o anúncio em agosto de 2003, dos quatro setores que comporiam a política industrial (software, semicondutores, medicamentos e bens de capital). O principal objetivo da agora chamada Política de Desenvolvimento Produtivo é de ampliar as exportações brasileiras para que atinjam 1,25% do comércio global em 2010. (...) Foram escolhidos 25 setores para integrar a nova política, a saber, complexo industrial da saúde, tecnologias de informação e comunicação, energia nuclear, complexo industrial da defesa, nanotecnologia, biotecnologia, complexo automotivo, bens de capital, têxtil e confecções, madeira e móveis, higiene, perfumaria e cosméticos, construção civil, complexo de serviços, indústria naval e de cabotagem, couro, calçados e artefatos, agroindústrias, biodiesel, plásticos, complexo aeronáutico, petróleo, gás natural e petroquímica, bio-etanol, mineração; siderurgia, celulose e carnes. O governo pretende ampliar a participação das micro e pequenas empresas exportadoras para 12.971 em 2010 --10% acima das 11.792 em 2006. Quanto ao estímulo à inovação no setor industrial, a perspectiva é que os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento representem 0,65% do PIB em 2010, o que significa um crescimento médio anual de 9,8% até 2010. (...) O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernardo Appy, sinalizou que a reforma tributária, ainda por vir, abrirá o caminho para a elevação do Imposto de Renda. O que será naturalmente apoiado pelos Estados e Municípios, já que o novo modelo a ser proposto deverá beneficiar essas esferas de governo. A argumentação apresentada é que há uma distorção da tributação do país. Uma reduzida tributação direta, sobre a renda e a propriedade, e uma excessiva tributação, indireta, que é embutida nos preços dos bens e serviços. Os sucessivos recordes de arrecadação têm sido conseguidos pelos tributos que indiretamente são repassados para os preços, como a COFINS, PIS, e o ICMS estadual. Estes tributos são mais onerosos para a população de baixa renda. Por outro lado, alega o representante governamental, como exemplo, que a "tributação sobre a pessoa física é pouco explorada no Brasil". (...) Em nenhum momento se ouviu da parte do Executivo a palavra redução e melhoria nos gastos públicos. Assim, tudo se encaminha para que governo, se quiser levar adiante o PDP, faça uma elevação substancial na tributação sobre a pessoa física e a propriedade."

sábado, 17 de maio de 2008

Depois de Itaipu, agora é a vez de Inambari


O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) está em Lima. Vai assinar, neste sábado (17), um protocolo de intenções com o governo do Peru. O objeto do acordo é a construção conjunta da hidrelétrica Inambari.A obra será assentada em solo peruano, na província de Madre de Dios (bom nome!). Foi planejada para gerar 1,4 mil megawatts de energia. Desse total, 300 megawatts seriam consumidos pelos peruanos. O resto viria para o Brasil. Será que Lugo já sabe?

Ministro da Educação sugere corte de 33% das verbas do SESC


Já começou a circular na internet a campanha "Amigos do SESC". Resposta ao balão de ensaio de Fernando Haddad que sugeriu, recentemente, retirar 33% dos recursos do SESC e colocá-lo num fundo administrado pelo governo federal para capacitação profissional. Os "Amigos do SESC" afirmam que "o ministro da Educação, com esta proposta, reforça o pensamento daqueles que defendem a capacitação para o trabalho em detrimento ao desenvolvimento humano integral. O SESC, ao contrário, sempre pautou sua atuação na formação do homem para o pleno exercício da cidadania, pela melhoria da qualidade de vida, contribuindo assim para a inclusão social."
A proposta do ministro reduziria anualmente 230 milhões do SESC em todo o Brasil. Para ser claro, a proposta em discussão por Brasília não atingiria apenas o SESC, mas todo Sistema S. De tempos em tempos esta proposta ressurge. Mas não havia aparecido campanha pelo SESC até agora.

Melancolia


A psicanalista Luciana Chauí Berlinck publica interessante artigo sobre Melancolia na revista CULT intitulado "A sociedade do narcisismo e da melancolia". Destaco uma e outra passagem:
"Em "Luto e melancolia", Freud apresenta uma analogia entre melancolia e luto. A diferença entre ambos decorre da ausência de disposição patológica no luto e da presença dela na melancolia. Psicanaliticamente, uma "disposição patológica" é uma série de condições da vivência pessoal que faz alguém reagir sempre de uma certa maneira aos acontecimentos. (...) No caso da melancolia, a predisposição patológica é dada pelo narcisismo: como este foi vivenciado e porque o indivíduo ficou fixado nele. (...) O melancólico não sabe o que perdeu, escreve Freud. (...) Nessa cultura do individualismo competitivo, o indivíduo é levado pelo desejo desenfreado da felicidade, identificada ao sucesso, sendo este identificado à supremacia pela eliminação do outro (eliminação que, se não é física, é moral e profissional). O propósito do indivíduo, porém, não é castigar o outro com suas próprias incertezas, e sim encontrar um sentido para a vida; por isso ele é perseguido pela ansiedade, desconfiando da competição por tê-la inconscientemente associado a uma enorme necessidade de destruição. Dessa forma, o narcisista ferozmente competitivo em busca de sucesso, portanto, de reconhecimento e aprovação, paradoxalmente só pode intensificar o isolamento do eu."

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O encontro dos dois hemisférios


Do Secretário Geral do Partido Democrático (PD), ex-DS (Democratici di Sinistra), ex-PCI, Walter Veltroni: “SOMOS REFORMISTAS, NÃO DE ESQUERDA”. O mesmo que Lula já disse tantas vezes.

Hillary critica negócio brasileiro


Chega a ser engraçado. Hillary Clinton criticou a compra da Smithfield Foods pela brasileira JBS-Friboi, por US$ 565 milhões. Isso faz da brasileira a maior produtora de carne dos Estados Unidos, à frente da gigante Tyson Foods. Para piorar o humor de Hillary, a empresa brasileira comprou nesta semana a National Beef Packing Co. por outro meio bilhão de dólares. O negócio depende ainda de aprovação federal, mas já deixa o Império norte-americano de beicinho. Quem diria?

UNDIME debate reforma tributária e os impactos sobre a educação


O Conselho Nacional de Representantes da Undime se reúne em Brasília para um debate sobre os impactos da Reforma Tributária nos recursos da educação. O evento acontecerá no próximo domingo, 18 de maio, das 9h às 18h, véspera do encontro do “1º ano de vigência do Plano de Metas Compromisso Todos Pela Educação”. A pauta da reunião extraordinária será uma mesa-redonda, no período da manhã, com os três palestrantes do dia 7 e com representante do Ipea e, no período da tarde, uma mesa com representante do Ministério da Educação. No período destinado à mesa-redonda e à fala do MEC, serão convidadas para participar as demais entidades que vêm debatendo com a Undime a Reforma Tributária: Consed, CNTE, Uncme, Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Inesc. Acredito que seria muito importante (e urgente) os sindicatos estaduais de professores e a CNTE organizarem debates abertos sobre a reforma tributária. Temos até julho para discutir. Depois, Inês é morta!

Ainda sobre a reforma tributária


O deputado Sandro Mabel, relator da reforma tributária na Câmara Federal, criou um site para divulgar as discussões sobre este tema: www.nossareformatributaria.com.br . Não sei ao certo quem está incluído na "nossa reforma", mas o site é uma boa fonte de consulta.

Uma versão sobre a decisão do PT Estadual pela aliança com o PSDB


A deputada Elisa Costa (PT-MG) relata a reunião estadual do PT mineiro que aprovou a aliança com o PSDB nas eleições de outubro em Belo Horizonte:
"Em reunião lotada de militantes, membros do Partido dos Trabalhadores de Minas e grande expectativa da imprensa, que desde às 14h se amontoava na porta de entrada do auditório da Escola do Legislativo, em Belo Horizonte, onde a reunião ocorreu, nesta quinta, 15/5, o Diretório Estadual petista decidiu aprovar a coligação entre o PT e o PSDB na Capital. Foram quase duas horas de debates entre favoráveis e desfavoráveis, com cinco intervenções para cada lado. O resultado da votação foi de 29 votos favoráveis, 26 contrários e três abstenções. As coligações em outras 277 cidades mineiras serão discutidas pelos Grupos de Trabalho Eleitoral(GTE) e encaminhadas para análise do Executiva Estadual. A líder da Bancada do PT na Assembléia Legislativa, deputada Elisa Costa, deu voto como representante dos parlamentares estaduais do partido, que, por maioria, decidiu apoiar a coligação PT/PSDB. “Meu voto foi um voto de Bancada e respeitando a decisão do Diretório Municipal do PT em Belo Horizonte. Nós fizemos uma reunião na quarta, em que todos os deputados se manifestaram e a maioria se pronunciou favorável.” O PT tem uma lista de 277 cidades que encaminharam propostas de coligação com diversos partidos fora do arco de aliança tradicional do partido. As propostas incluem coligações com PSDB, DEM, PPS, PR, PTB, PPB, PP, PTC, PSL, entre outros, em chapas em que o PT sai com prefeito ou com vice-prefeito. A única coligação aprovada na reunião do Diretório Estadual desta quinta, foi a de Montes Claros, com o PPS na cabeça de chapa e o PT, na vice-prefeitura. As demais serão analisadas pelo GTE – Grupo de Trabalho Eleitoral na reunião da próxima segunda-feira, dia 19/5. Essa análise será encaminhada à Executiva Estadual, que deverá se reunir no dia 29/5, para decidir sobre a aprovação ou não."

A queda de Marina, segundo colegas de outros ministérios


Conversei, hoje, com alguns membros do segundo escalão de ministérios dirigidos por lideranças progressistas do PT. A avaliação é que Marina foi má gestora e não conseguia tomar decisões rápidas. Afirmam que entregou o Ministério, na segunda gestão, a João Paulo Capobianco (secretário executivo do Ministério), que teria adotado um estilo mobilizador, de pressão política permanente. Depoimento de colegas. Para sentirmos um certo clima.

PT mineiro caminha para um possível racha


Conversando com um alto dirigente do PT mineiro, ligado ao ministro Patrus, este me confidenciou que se Fernando Pimentel perder seu pleito de coligar com o PSDB no diretório nacional do partido e, mesmo assim, resolver fazer campanha velada para o candidato de Aécio Neves, se sentirá livre para liderar campanha para Jô Soares, do PCdoB. Se não for só ameaça...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A análise de Márcio Pochmann


Finalmente, vale registrar a análise do Presidente do IPEA. Acusou a ausência de atenção, na reforma tributária, aos impostos indiretos, que penalizam os pobres. Divulgou que a participação do rendimento do trabalho na renda nacional caiu, de 1959 (que estava em 56,6%) para 39,1%, em 2005. Afirmou que a cada 10 empregos criados no Brasil, 7 são do setor de serviços. Por este motivo, afirmou que temos que pensar em novas formas de arrecadação, contemporâneas. Citou a CPMF como forma moderna, que superava a nota fiscal e a fiscalização do auditor.

Interesse de classe numa única mesa

O debate entre Flávio Castello Branco (da CNI, patronal) e José Feijó (CUT) foi dos mais reveladores. Com poucas ressalvas à proposta de reforma tributária, Flávio citou alguma salvaguarda para resgaste dos créditos do IVA federal e ICMS pago nas exportações. Citou, ainda, que superposição entre ICMS e ISS deve ser superada e que o IPI deveria estar inserido no IVA Federal. Já Feijó foi no caminho inverso. Sugeriu o fim dos tributos sobre consumo e a imediata adoção do tributo sobre herança. A platéia, lotada de empresários, suspirou e olhava para os lados. Feijá disse que o Imposto de Renda é regressivo, já que penaliza quem é assalariado e pediu o tributo sobre faturamento, garantindo os recursos da previdência pública.

A fala de Antônio Palocci

Palocci, ex-ministro e presidente da comissão especial da reforma tributária, definiu a linha governamental. Disse que não há situação de aperto fiscal nos governos e não há necessidade de aumentar impostos para ter ganhos fiscais. Enfim, agora vai. Disse que um fundo de estabilização de receitas garantirá a compensação dos Estados, embora tenha certeza que a reforma não reduzirá a arrecadação. Citou a unificação de vários impostos a partir do Imposto sobre Valor Agregado (IVA Federal) que foi criado nos anos 60 de maneira estadualizada. Enfatizou a necessidade de tributar o lucro ou faturamento e não o investimento, para não inibir o setor produtivo. Afirmou que a "guerra fiscal" deve acabar, mas que os incentivos regionais devem permanecer, através dos Fundos Constitucionais, "mas não por incentivos tributários". E finalizou, com esta máxima: "tributo sobre patrimônio é o mais difícil de ser cobrado e, por este motivo, vai sendo abandonado. Vejam o caso do Imposto Territorial Rural (ITR) que não arrecada nada." O empresariado delirou. Ao ser perguntado por Zilda Arns sobre os recursos para a saúde e educação, não respondeu o que fará com a educação. Mas disse que para a saúde há três alternativas: a) embutir na reforma tributária (falou sem grande convicção); b) recriar uma CPMF (parece ser a solução preferida pelo ex-ministro) ou c) tributar supérfluos, como cigarros e bebidas, embora tema que incida sobre a inflação. Confesso que muitos de nós, de organizações sociais, sentimos o fim da vinculação de recursos orçamentários obrigatórios para a área social (saúde e educação).

A fala do deputado Sandro Mabel


Sandro Mabel é relator da comissão especial que analisa a PEC 45/2007, da reforma tributária. Soltou dois motes na sua fala, muito significativos: a) o ótimo é inimigo do bom (não será possível realizar a reforma tributária dos sonhos); b) o central da reforma tributária é a simplificação (não destacou a justiça social). O discurso é, obviamente, uma espécie de cantilena empresarial. O importante é que apresentou o cronograma da votação na Câmara Federal:
Até 15 de junho: audiências públicas na comissão especial
Até 27 de junho: apresentação do relatório
Até 03 de julho: Votação na Comissão Especial
Até 16 de julho: Votação na Câmara (dois turnos).
Frisou (e o ex-ministro Antonio Palocci confirmou) que as datas serão respeitadas de qualquer maneira. Enfim, há pressa. Do governo e dos empresários. Vários mega-empresários presentes comentavam, no café: "Agora vai!".

Reforma Tributária e interesses de classes

O seminário sobre reforma tributária convocado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social do governo federal foi mais que ilustrativo. Os interesses sociais estavam estampados e, para minha sempre frustração, nomes importantes que estiveram, um dia, lutando ao lado dos movimentos sociais, afinados com os interesses empresariais. Não por interesses escusos, mas por uma sincera afinidade. Na oficina em que tentamos contribuir para elaborar alguma leitura social ao governo federal, foi apresentada como motivação uma espécie de síntese dos problemas centrais que envolveriam o tema da política tributária do país. Revelam bem as posições antagônicas que se procura acolher num mesmo cesto: a) a carga tributária é mal distribuída (67% da tribução incide sobre o consumo e apneas 4% sobre o patrimônio, segundo a Receita Federal)ç b) a carga tributária e regressiva (60% são impostos indiretos, penalizando o consumo de pobres); c) a carga tributária é alta (35,9% do PIB). Ocorre que o segundo ponto conflita com o último. A adoção de imposto progressivo pode aumentar a carga tributária para alguns.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Seminário sobre Reforma Tributária


Amanhã, em Brasília, ocorrerá um seminário sobre reforma tributária, organizada pelo Conselho de Desenvolvimento Social e Econômico do governo federal. Muitas entidades da sociedade civil estarão presentes. Eu estarei participando e relatarei os debates e resultados neste blog, na sexta-feira. A programação segue abaixo:
CERIMÔNIA DE ABERTURA: 09h00 – 09h50
 Ministro José Múcio Monteiro Filho – Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República
 Senador Garibaldi Alves – Presidente do Congresso Nacional
 Deputado Arlindo Chinaglia – Presidente da Câmara dos Deputados
 Ministro Guido Mantega – Ministério da Fazenda

PALESTRAS DE ABERTURA: 09h50 – 10h30
TEMA: Os Objetivos da Reforma Tributária na Visão do Poder Executivo e da Câmara dos Deputados
Palestrantes:
 Ministro Guido Mantega (20 minutos)
 Deputado Sandro Mabel – Relator da Comissão Especial da Reforma Tributária (20 minutos)

PAINEL: 10h30 – 12h30
TEMA: Justiça Fiscal: Reforma Tributária e Distribuição da Riqueza
Coordenador:
 Conselheiro Clemente Ganz Lúcio (10 minutos)
Palestrante:
 Márcio Pochmann – Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA (45 minutos)
 Debates (50 minutos)
 Fala final do palestrante (15 minutos)

ALMOÇO: 12H30 – 14H30

OFICINA DO OBSERVATÓRIO: 14h30 - 18h00
TEMA: Indicadores de Qualidade do Sistema Tributário Nacional
Coordenação:
 Comitê Técnico do Observatório

Artigo de Altino Machado, do Acre, sobre Jorge Viana


"O ex-governador Jorge Viana recusou a sondagem do presidente Lula para assumir o Ministério do Meio Ambiente. Já segundo um dos próximos do presidente, a conversa "não deu liga". Carlos Minc, secretário estadual de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, voltou a ser a aposta de grupos do Palácio do Planalto.A utopia do líder sindical e ecologista Chico Mendes, cujo assassinato em Xapuri completará 20 anos em dezembro, chegou ao fim com o pedido de demissão de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente. (...) Marina Silva e Jorge Viana foram aliados das lutas de Chico Mendes, mas se distanciaram no decorrer de duas décadas, quando conquistaram poder com a promessa de dar continuidade aos ideais do seringueiro de Xapuri. Esse é um detalhe quase totalmente desconhecido no restante do país. Viana se destaca na paisagem do Acre como o maior desenvolvimentista da história. Construiu estradas, reimplantou projeto de cultivo de cana-de-açúcar para a produção de álcool, defende abertamente a prospecção de petróleo e a construção das usinas do rio Madeira. (...). Porém, Jorge Viana recusou o convite do presidente Lula para assumir o Ministério do Meio Ambiente. Entre os argumentos estariam a necessidade de uma jornada menos agitada de trabalho após a cirurgia no ouvido que fez no ano passado, o salário milionário como presidente do conselho de administração da Helibras (Helicópteros do Brasil), evitar ser taxado de traidor pelos aliados do grupo do atual governador do Acre Binho Marques e de Marina Silva, pois sabe que deixaria de ser o "dono" do Acre em caso de uma ruptura. Aceitar o comando do MMA significaria a Jorge Viana se desincompatibilizar da possibilidade de volta ao governo estadual em 2010, o que abriria mais terreno para o avanço do senador Tião Viana, irmão dele, que é pré-candidato ao cargo."

Discriminação racial em escolas de Belo Horizonte


Pesquisa realizada em cinco instituições de ensino de Belo Horizonte aponta que 70% dos estudantes sofrem com a discriminação racial praticada por colegas e funcionários. O estudo Igualdade das Relações Étnico-Raciais na Escola foi uma iniciativa de três organizações não-governamentais (ONGs) que lidam com a discriminação racial, com o apoio do Núcleo de Relações Étnico-Raciais e de Gênero da Secretaria Municipal de Educação da capital.

Síntese da política educacional de Aécio Neves


O Sindute/MG, sindicato dos professores da rede estadual de ensino de Minas Gerais, elaborou a seguinte síntese do que compreende ser o cerne da política educacional do governo Aécio:
1)Política Focalizada
Subdivide-se em duas frentes:
a)Atuação sobre escolas de regiões vulneráveis (risco, violência e dificuldades de aprendizagem).
b)Implantação das escolas-referência (escolas modelo)

2)Melhoria dos indicadores e avaliações externas
Os indicadores que orientam o olhar pedagógico da SEEMG são os publicados pelo SAEB, ENEM, IDEB e SIMAVE. São todos quantitativos, com ênfase na leitura e escrita e operações matemáticas. Não há preocupação ou avaliação de processos ou temas relacionados com comportamento e raciocínio crítico. A reforma curricular do Ensino Médio teve como intenção separar áreas de conhecimento (exatas/humanas), voltada nitidamente para o mercado e resultados nas avaliações externas. As escolas de tempo integral adotam reforço (sem projetos pedagógicos claros) para os alunos com baixos índices de rendimento.

3) Ação pedagógica de natureza instrucional
Não há preocupação com o processo individual de aprendizagem que definiria o professor como ator e investigador deste processo. Ao contrário, o professor é executor de tarefas de reforço e instrução.

4)Valorização dos elementos de controle de resultados e gestão
O principal agente de controle passa a ser o Supervisor, que tem suas funções determinadas pelo Guia do Supervisor Pedagógico.

5)Escola Modelo
A Escola Modelo perseguida pelo governo estadual é aquela desenhada nas Escolas Referência: aparência de tipo empresarial (sala de professores, jardins, quadras cobertas), implantação de sistemas de controle sistemáticos e parcerias com a iniciativa privada. Para a SEEMG as escolas-modelo devem melhorar sua capacidade gerencial, implantar cursos de capacitação para professores e gestores. Receberam verbas para investimentos para melhoria da estrutura física (diferenciada do restante da rede).

Custo Aluno no Brasil


Segundo o índice CAQi (Custo Aluno Qualidade Inicial), a estrutura básica para o ensino médio custaria, em 2005 - ano utilizado como base para o estudo apoiado pela UNICEF - R$ 1.645 anuais. No entanto, o país gastou 57% desse valor - R$ 939 - em 2004, dado mais recente fornecido pelo órgão. Nesse caso, o déficit chega a 75%.

Gasto por aluno no Brasil (Fonte: MEC, 2004)
a) 1ª à 4ª: R$ 1.359 ( gasto necessário R$ 1.618)
b) 5ª à 8ª: R$ 1.374 (gasto necessário R$ 1.591)
c) Médio: R$ 939 (gasto necessário R$ 1.645)
1Dados do MEC, para 2004

Já nas outras séries, cai a distância entre o valor mínimo recomendado pelo estudo e o praticado no país em 2004. No ensino fundamental 1 (1ª a 4ª séries), o CAQi é R$ 1.618, enquanto o país gasta R$ 1.359; para o fundamental 2, o valor mínimo sugerido era de R$ 1.591, e o gasto por aluno foi de R$ 1.374.
Entre 2002 e 2007, os especialistas em educação Denise Carreira e José Marcelino Rezende Pinto coordenaram um levantamento para definir todos os gastos que uma escola tem por aluno - desde material de limpeza até salários de funcionários e professores. Batizado de "Custo Aluno-Qualidade Inicial", esse cálculo serviria de base para a formulação de políticas públicas. A proposta dos pesquisadores é tornar o CAQi o valor mínimo estabelecido em lei para o ensino público do país. A escola "mínima" projetada pelos pesquisadores tem laboratórios de ciências e de informática, biblioteca e turnos de cinco horas por dia (a maioria das crianças brasileiras passam na escola apenas o tempo mínimo exigido por lei, quatro horas). Dados do Censo Escolar 2006 mostram que 73% das escolas de ensino fundamental no país não têm bibliotecas e apenas 28% têm quadra poliesportiva. Em estudo da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que reúne 34 países desenvolvidos e emergentes como Turquia, México e Chile, o Brasil é o que menos investe por aluno. Um dos problemas centrais em relação aos investimentos para a educação é a premissa divulgada pelo Banco Mundial em 1995 (ver documento “Prioridades e Estratégias para a Educação”) que vem se alastrando pelo país. A premissa indica que os principais fatores que interferem na aprendizagem dos alunos seriam (em ordem de importância): bibliotecas, tempo de instrução e tarefas de reforço. O conhecimento dos professores aparece em quinto lugar e o tamanho das turmas de alunos em sétimo. Um equívoco irresponsável.

terça-feira, 13 de maio de 2008

A carta de demissão de Marina


"Caro Presidente Lula,
Venho, por meio desta, comunicar minha decisão em caráter pessoal e irrevogável, de deixar a honrosa função de Ministra de Estado do Meio Ambiente, a mim confiada por V. Excia desde janeiro de 2003. Esta difícil decisão, Sr, Presidente, decorre das dificuldades que tenho enfrentado há algum tempo para dar prosseguimento à agenda ambiental federal. Quero agradecer a oportunidade de ter feito parte de sua equipe. Nesse período de quase cinco anos e meio esforcei-me para concretizar sua recomendação inicial de fazer da política ambiental uma política de governo, quebrando o tradicional isolamento da área. Agradeço também o apoio decisivo, por meio de atitudes corajosas e emblemáticas, a exemplo de quando, em 2003, V. Excia chamou a si a responsabilidade sobre as ações de combate ao desmatamento na Amazônia, ao criar grupo de trabalho composto por 13 ministérios e coordenado pela Casa Civil. Esse espaço de transversalidade de governo, vital para a existência de uma verdadeira política ambiental, deu início à série de ações que apontou o rumo da mudança que o País exigia de nós, ou seja, fazer da conservação ambiental o eixo de uma agenda de desenvolvimento cuja implementação é hoje o maior desafio global. Fizemos muito: a criação de quase 24 milhões de hectares de novas áreas de conservação federais, a definição de áreas prioritárias para conservação da biodiversidade em todos os nossos biomas, a aprovação do Plano Nacional de Recursos Hídricos, do novo Programa Nacional de Florestas, do Plano Nacional de Combate à Desertificação e temos em curso o Plano Nacional de Mudanças Climáticas.
Reestruturamos o Ministério do Meio Ambiente, com a criação da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do Serviço Florestal Brasileiro; com melhoria salarial e realização de concursos públicos que deram estabilidade e qualidade à equipe; com a completa reestruturação das equipes de licenciamento e o aperfeiçoamento técnico e gerencial do processo. Abrimos debate amplo sobre as políticas socioambientais, por meio da revitalização e criação de espaços de controle social e das conferências nacionais de Meio Ambiente, efetivando a participação social na elaboração e implementação dos programas que executamos.
Em negociações junto ao Congresso Nacional ou em decretos, estabelecemos ou encaminhamos marcos regulatórios importantes, a exemplo da Lei de Gestão de Florestas Públicas, da criação da área sob limitação administrativa provisória, da regulamentação do art. 23 da Constituição, da Política Nacional de Resíduos Sólidos, da Política Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais. Contribuímos decisivamente para a aprovação da Lei da Mata Atlântica.
Em dezembro último, com a edição do Decreto que cria instrumentos poderosos para o combate ao desmatamento ilegal e com a Resolução do Conselho Monetário Nacional, que vincula o crédito agropecuário à comprovação da regularidade ambiental e fundiária, alcançamos um patamar histórico na luta para garantir à Amazônia exploração equilibrada e sustentável. É esse nosso maior desafio. O que se fizer da Amazônia será, ouso dizer, o padrão de convivência futura da humanidade com os recursos naturais, a diversidade cultural e o desejo de crescimento. Sua importância extrapola os cuidados merecidos pela região em si, e revela potencial de gerar alternativas de reposta inovadora ao desafio de integrar as dimensões social, econômica e ambiental do desenvolvimento.
Hoje, as medidas adotadas tornam claro e irreversível o caminho de fazer da política socioambiental e da economia uma única agenda, capaz de posicionar o Brasil de maneira consistente para operar as mudanças profundas que, cada vez mais, apontam o desenvolvimento sustentável como a opção inexorável de todas as nações.
Durante essa trajetória, V. Excia é testemunha das crescentes resistências encontradas por nossa equipe junto a setores importantes do governo e da sociedade. Ao mesmo tempo, de outros setores tivemos parceria e solidariedade. Em muitos momentos, só conseguimos avançar devido ao seu acolhimento direto e pessoal. No entanto, as difíceis tarefas que o governo ainda tem pela frente sinalizam que é necessária a reconstrução da sustentação política para a agenda ambiental.
Tenho o sentimento de estar fechando um ciclo cujos resultados forma significativos, apesar das dificuldades. Entendo que a melhor maneira de continuar contribuindo com a sociedade brasileira e o governo é buscando, no Congresso Nacional, o apoio político fundamental para a consolidação de tudo o que conseguimos construir e para a continuidade da implementação da política ambiental. Nosso trabalho à frente do MMA incorporou conquistas de gestões anteriores e procurou dar continuidade àquelas políticas que apontavam para a opção do desenvolvimento sustentável. Certamente, os próximos dirigentes farão o mesmo com a contribuição deixada por esta gestão. Deixo seu governo com a consciência tranqüila e certa de, nesses anos de profícuo relacionamento, termos feito algo de relevante para o Brasil.
Que Deus continue abençoando e guardando nossos caminhos.
Marina Silva"

Mais sobre a demissão de Marina Silva


Jorge Viana, ex-governador do Acre, foi apontado como substituto de Marina Silva no cargo de ministro do Meio Ambiente. A UOL, por sua vez, afirma que "o Palácio do Planalto não confirma ter recebido o pedido de demissão, mas fontes do governo do Rio dizem que o presidente Lula convidou Carlos Minc, secretário do Ambiente do Rio, para assumir o cargo". O gabinete do senador Sibá Machado (PT-AC) comunica que Marina Silva assumirá seu mandato no Senado (Sibá é seu suplente). O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, e o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Bazileu Margarido, também estão demissionários. O Conselho de Gestão do Ibama deve se reunir ainda hoje para discutir a transição sobre o comando do Meio Ambiente. Segunda a Agência Estado, ontem, durante lançamento do Programa Brasileiro de Inventário Corporativo de Gases de Efeito Estufa, a ministra criticou a menina dos olhos do governo Lula, o investimentos em biocombustíveis: "o Brasil não quer ser a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) dos biocombustíveis", disse Marina à Agência Brasil. "Queremos dar nossa contribuição em relação aos biocombustíveis, mas observando nossa capacidade de suporte. E de forma que não comprometa a segurança alimentar nem a questão ambiental". "Nossa economia depende 50% da nossa biodiversidade. Quem destruiria sua galinha dos ovos de ouro?", indagou em Brasília.

Marina aguentou até onde dava


A ministra Marina Silva acaba de pedir demisssão do cargo. Aguentou até onde deu. Foi derrotada desde o início, como no caso da produção de transgênicos. A gota d'água foi o choque com a Casa Civil, iniciado no ano passado, que teve como tema central as concessões do leilão das usinas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira (RO). Por conta do PAC, Lula e Dilma Rousseff pressionavam por agilidade nas licenças ambientais concedidas pelo Ministério do Ambiente. Havia enfrentado uma greve de técnicos do IBAMA que não concordavam com a divisão interna e criação do Instituto Chico Mendes. Outro ponto de tensão foi o posicionamento do ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, que passou a coordenar o Plano Amazônia Sustentável (PAS). Mangabeira defende a construção de um aqueduto para levar água do Nordeste para a região.
Historiadora, foi a mais jovem parlamentar a ocupar uma vaga no Senado Federal na República, com 36 anos, em 1994. Foi reeleita em 2002. Como senadora, foi vice-presidente da Comissão Especial do Congresso de Combate à Pobreza, criada a partir de uma proposta sua, vice-presidente da Comissão de Assuntos Sociais e membro titular da Comissão de Educação. Em 1999, foi líder da bancada do PT e do Bloco de Oposição. Durante sua legislatura, apresentou diversos projetos, como o que disciplina o acesso aos recursos da biodiversidade brasileira e ao conhecimento das populações tradicionais.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

José Aparecido pede afastamento do cargo

José Aparecido, Secretário do Controle Interno da Casa Civil da Presidência da República acaba de pedir afastamento do cargo. Ele é acusado de ter vazado os dados do dossiê/banco de dados sobre gastos de FHC quando Presidente da República. No final da semana passada ameaçou divulgar quem o orientava no governo federal.

Aumentam os acidentes de trabalho no Brasil


As notificações de acidentes e doenças do trabalho cresceram 107% entre 2006 e 2007. Os registros passaram de 112.668 para 231.288. Distúrbios mental e osteomuscular foram destaques, com uma variação de até 1.324%. Os dados foram levantados pela coordenadora do Laboratório de Saúde do Trabalhador da UnB (Universidade de Brasília), Anadergh Barbosa-Branco, com base em números do Ministério da Previdência Social. O aumento é devido ao sistema do Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário para caracterizar acidentes e doenças relacionados ao trabalho, regulamentado pela Previdência Social em fevereiro de 2007. Com a metodologia, os diagnósticos estatisticamente relacionados à atividade têm ligação automática com o trabalho, mesmo que o empregador não emita a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho).

Proposta de Programa de Governo Municipal elaborado pelo Fórum Paulista de Participação Popular


PROPOSTA DE PROGRAMA DE GOVERNO DIRETRIZ: DEMOCRATIZANDO A CIDADE

O Governo Democrático e Popular de nossa cidade para o período 2009/2012 terá como uma de suas diretrizes a ampliação da democracia. O governo terá como prioridade a democratização dos espaços públicos estatais, através da criação e do aprimoramento de mecanismos de participação popular. Através dele, o Governo Democrático e Popular buscará estimular o controle social frente ao poder público e às instituições privadas (como concessionárias de serviços públicos, empresas poluidoras do meio ambiente e meios de comunicação de massa, entre outras), fomentando um ambiente geral de democracia e respeito à diversidade humana. Esta diretriz de governo pretende colocar nossa cidade em sintonia com a introdução de mecanismos de gestão participativa, política esta que vêm sendo experimentada em diversas cidades ao redor do mundo com grande êxito, sendo aprovadas e incentivadas pelo Programa de Gestão Urbana da ONU (PGU/ONU) como uma das mais importantes práticas de gestão pública. Só uma administração pública transparente, controlada pela população, com servidores conscientes de seu papel de trabalhadores do serviço público, será capaz de superar as velhas práticas do patrimonialismo, da privatização, da corrupção, do autoritarismo e do desleixo com a coisa pública. A democratização da gestão da cidade se dará através das seguintes ações:
a) fortalecer os Conselhos Gestores Municipais existentes (Saúde, Assistência Social, Criança e Adolescente) e criar outros Conselhos Municipais, necessários para a ampliação do diálogo do Governo com a sociedade na implantação de políticas públicas setoriais;
b) buscar a garantia da representação paritária, das eleições diretas e do caráter deliberativo dos Conselhos Gestores Municipais;
c) garantir a realização de Conferências Municipais em todas as áreas para a construção de políticas públicas, aprovando nestes espaços a metodologia para a implantação ou renovação dos respectivos Conselhos Gestores;
d) implantar o Orçamento Participativo e o Conselho do Orçamento Participativo na cidade, garantindo a discussão e a deliberação sobre todo o ciclo orçamentário municipal de forma participativa;
e) implantar um processo de discussão participativo na revisão do Plano Diretor Municipal;
f) criar o Conselho da Cidade, espaço de discussão e deliberação sobre as políticas urbanas de longo prazo para nossa cidade;
g) implantar um programa de formação e capacitação continuada para a cidadania e a gestão participativa;
h) criar uma Coordenadoria de Planejamento Participativo, ligado ao Gabinete do Prefeito, responsável pela implementação e coordenação destas ações;

IMPLANTANDO O ORÇAMENTO PARTICIPATIVO
O ciclo orçamentário de nossa cidade (Plano Pluri Anual/PPA, Lei de Diretriz Orçamentária e Lei Orçamentária Anual) contará com ampla participação popular na sua elaboração. Através do Orçamento Participativo, serão realizadas Assembléias Regionais e Temáticas em toda a cidade, onde serão apontados os programas e ações prioritários para o PPA, bem como os investimentos necessários a serem incluídos na Lei Orçamentária Anual. Através das Assembléias Regionais e Temáticas, serão eleitos diretamente os representantes deste processo, que comporão o Conselho do Orçamento Participativo, responsável em última instância pelo acompanhamento da execução orçamentária e dos investimentos deliberados pela população. O Conselho do Orçamento Participativo terá composição única e exclusiva de representantes da sociedade civil, eleitos através das Assembléias Temáticas e Regionais, e deliberará sobre 100% dos investimentos públicos da cidade. Será criado um Grupo de Trabalho interno ao governo, com representantes de todos os órgãos da administração pública, responsáveis pelo encaminhamento e suporte técnico em relação às deliberações do Conselho do Orçamento Participativo.

IMPLANTANDO O CONSELHO DA CIDADE
O Conselho da Cidade será implantado no segundo ano de governo, constituindo-se em um Fórum de interlocução e deliberação do governo com os diversos atores sobre as políticas de longo prazo da cidade. No Conselho da Cidade, estarão representados o Governo Municipal, o Governo Estadual e o Governo Federal, os Conselhos Gestores Municipais constituídos, o Conselho do Orçamento Participativo, entidades representantes dos trabalhadores, empresários, Universidades e Movimentos Sociais. O Conselho da Cidade será um canal aberto constante de discussão e deliberação sobre a política urbana e social da cidade. Para tanto, deverá incorporar as discussões em torno da Revisão do Plano Diretor, as ações prioritárias constantes no PPA e os investimentos prioritários no Orçamento Público Municipal, definidos no Orçamento Participativo, bem como as discussões e deliberações a respeito das políticas públicas setoriais definidas nos Conselhos Gestores e nas Conferências Municipais.

domingo, 11 de maio de 2008

Causas da elevação dos preços dos alimentos


O diretor geral da FAO, Jacques Diouf, listou cinco causas principais para a elevação internacional dos preços dos alimentos:
a) Mudanças climáticas no mundo;
b) Aumento dos custos dos insumos agrícolas como sementes e fertilizantes, setor dominado por um oligopólio mundial de empresas e que recebeu impacto do aumento do barril do petróleo;
c) Aumento do consumo de alimentos na Índia e na China, com destaque para os produtos de origem animal;
d) Uso de grãos, especialmente do milho, para biocombustíveis;
e) A especulação financeira em bolsas de mercadorias de futuro, aonde é definido os preços dos commodities agrícolas.
Vou aprofundar ligeiramente o item "b" desta listagem. Na década de 90 houve uma acelerada concentração na produção de insumos agroindustriais e em quase todas cadeias produtivas (além da área rural). No setor agroindustrial, algumas empresas se destacaram, desde então: BUNGE, MONSANTO, CARGILL, CONTINENTAL GRAIN, ADM (Archer Danields Midland), DREYFUS, QUARKER OATS, Unilever, Nestlé, Sygenta, Bayer, Basf, Coca-cola, Pepsi-cola, Banisco, Kellog, Ralston Purina, Philip Morris, British American Tobbaco, Protec & Gamble, Parmalat (que parece retornar à disputa de mercado mundial), Danone, CONAGRA, Noble Group, Marubeni, Dupont. Essas empresas controlam os insumos agrícolas (sementes, agrotóxicos, fertilizantes, e também o comércio da produção agrícola no mundo). Parte das empresas do comércio agrícola também passou a controlar a produção de fertilizantes. As maiores empresas de fertilizantes são: Potash corp., Yara (Noruega) Sinochem, Mosaic, ICL (Israel) K + S (Alemanha) Bungue e Cargill. No período de 2006 e 2007, todas essas empresas tiveram aumento em suas taxas de lucro líquido, uma média de 60% ao ano.

Uma dica de queijo


Ontem, degustei o queijo holandês "Vincent". Lembra Grana Padano, com aqueles cristais típicos e sabor com personalidade, mas é mais leve. É gorduroso (45% de gordura). Há várias receitas de sopa que utilizam este queijo e aproveito para socializar uma delas:
Ingredientes
• 125g de aipo
• 3 tabletes de caldo de legumes
• 300g de cenoura
• 60g de margarina
• 3 cebolas grandes
• 60g de farinha
• 1,5 litros de água
• 150ml de leite
• 200g de queijo Vincent gratinado
• Cebolas picadas
• Sal
• Pimenta moída na hora

Modo de Preparo
Descasque o aipo e corte em pedaços pequenos. Corte a cebola em cubos e frite em um pouco de margarina, adicionando o aipo e a cenoura cortada. Acrescente a água e os tabletes de caldo e deixe ferver em fogo baixo até que os legumes estejam cozidos. Derreta a margarina e misture com a farinha. Dissolva parte de um tablete de legumes no leite e acrescente à mistura. Despeje esse caldo depois na sopa e adicione o queijo Vincent gratinado. Mexa até derreter o queijo. Acrescente sal e pimenta a gosto. Sirva a sopa com cebola picada e pão de centeio integral com margarina.

Até tu, Brutus?


"Se ser ignorante é pedir por justiça para o povo paraguaio, aceito essa ignorância", disse Lugo, em referência às declarações do diretor do Departamento da América do Sul do Itamaraty, João Pereira, publicadas pela imprensa brasileira e reproduzidas nos jornais paraguaios. E eu que venho elogiando a diplomacia brasileira. Deve acontecer nas melhores casas diplomáticas. É o que espero.

Felicidade, por Umberto Eco


"Não acredito na felicidade. Acredito apenas na inquietude. Ou seja, nunca estou feliz por completo. Mas admito que na vida existem felcidades que duram dez segundos ou meia hora, como quando nasceu meu primeiro filho. Alguém que é feliz a vida toda é um cretino. Po isso, antes de ser feliz, prefiro ser inquieto". Aos 76 anos!!

L'Evoluzione di DarWINE


Os vinhedos que cercam Montalcino, uma cidade medieval na Itália, e o vinho que eles produzem vêm sendo fonte de orgulho para os habitantes locais há muito tempo. Mas, recentemente, se tornaram fonte de embaraço. Desde o final do ano passado, um promotor público está investigando para determinar se alguns dos grandes produtores dessa variedade de vinho - brunello di Montalcino - violaram as leis que definem o direito dos vinhos a essa classificação, a mais prestigiosa entre todos os vinhos da Toscana.

O que virá depois do neoliberalismo?


De Bresser Pereira, no Estado de S.Paulo (Caderno Cultura:
"Há boas indicações, entretanto, que a contra-revolução conservadora e neoliberal dos últimos 40 anos está terminando. O fracasso das reformas neoliberais, o desastre representado pela Guerra do Iraque, a crise financeira nos Estados Unidos são sinais de que os Anos Neoliberais terminaram. O que nos espera? Não são os críticos sociais que nos darão essa resposta, mas a própria dinâmica de cada sociedade nacional e da sociedade global em que vivemos. Devemos, entretanto, estar atentos, porque os novos tempos não decorrerão apenas da reação aos fracassos anteriores, mas das vontades políticas republicanas que souberem aproveitar o bom momento para fazer o mundo caminhar na direção da paz, da liberdade, do bem-estar, da justiça social, e da proteção da natureza."

Racismo, emprego e instrução no Brasil: a cota em questão


Pesquisa IBOPE/Ethos revela que apenas 3,5% dos executivos de grandes empresas no Brasil são negros, embora 49,5% dos brasileiros se declarem de cor preta ou parda (a maioria concentrada nas regiões norte, nordeste e, mais adiante, centro-oeste). Pesquisa do DIEESE do final dos anos 90 já revelava que apenas 1,9% dos negros ocupados em São Paulo são empregadores, em comparação aos 7,2% de brancos nesta posição, enquanto mais da metade das mulheres negras (56,3%) estavam ocupadas como domésticas ou mensalistas (INSPIR/ DIEESE/AFL-CIO, 1999). Segundo uma pesquisa elaborada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), apesar da pobreza no Brasil ter diminuído na década de 90, entre os negros o número de pobres aumentou consideravelmente neste período. O estudo revela que o número de pessoas que ganhavam até R$ 75,50 (números de 2000) diminuiu em cinco milhões entre 1992 e 2001. No entanto, na contramão desta estimativa, o número de negros pobres abaixo da linha de pobreza aumentou em mais de 500 mil. Isto significa que um negro a cada 11 não-negros ficaram ainda mais pobres entre 1992 e 2001. O mais revelador é que mesmo quando brancos e negros possuem o mesmo grau de instrução, os rendimentos são diferenciados (ver estudo de Rosana Heringer, "Desigualdade Racial noBrasil"). Enfim: não é falta de instrução, mas racismo puro.

sábado, 10 de maio de 2008

De Zé para Zé


O primeiro Zé diz que só requisitou o segundo Zé. E o segundo Zé (José Aparecido Nunes Pires, na foto) mandou avisar (segundo Globo Online) a assessores do Palácio do Planalto e dirigentes petistas que está disposto a prestar depoimento na CPI do Cartão Corporativo. Antes de viajar para Goiânia para tentar esfriar a cabeça, ele fez um desabafo em tom de ameaça de que não será o bode expiatório do escândalo. Para integrantes da cúpula do PT, Aparecido negou com veemência que tenha sido o autor do vazamento das informações sigilosas. Mas voltou a relatar que forneceu dois funcionários da Secretaria de Controle Interno para elaborar o que Dilma chama de banco de dados.

Mais um passo dos tucanos estrelados


A executiva municipal do PT em Belo Horizonte aprovou hoje resolução que inclui formalmente o PSDB na aliança com o PSB para a disputa da prefeitura da capital mineira (12 votos contra 4). A resolução inclui o PPS no acordo, o que ampliaria o arco de alianças eleitorais do PT (que, até então, excluía PSDB e PPS), ficando apenas DEM de fora. A chapa é encabeçada pelo secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Márcio de Araújo Lacerda (PSB), e tem como vice o deputado Roberto Carvalho (PT). Na próxima quinta-feira o texto já será discutido pelo PT estadual. A decisão do diretório nacional sai no máximo até o fim deste mês. E assim vai. Como se percebe, os principais lances deste jogo interno petista saem das mãos do prefeito Fernando Pimentel. O diretório nacional reage, apenas, mas não consegue criar um fato político. Lembremos que ao redor de 40% do diretório nacional é composto por correntes mais à esquerda do projeto lulista. Soma-se a esta situação a oposição dos ministros Luiz Dulci e Patrus Ananias (embora sem grande poder de fogo e articulação).

Educação: avaliação sistêmica?


Debati, hoje, com a ex-coordenadora pedagógica da Secretaria de Educação de Betim, Neiva Toneli. Uma das polêmicas foi a pertinência das avaliações sistêmicas quantitativas, como SAEB (nacional) e SIMAVE (mineira) para definir a qualidade do ensino. Sou contrário às avaliações classificatórias, como as duas que cito acima, justamente porque aprendizagem é processo e não resultado. Pelo contrário: uma pessoa que acerta uma questão pode ter copiado a resposta. Mas quem erra, está sendo sempre sincero. Ainda mais: saber que alguém não lê um texto simples não indica os motivos deste problema ao professor (se é problema motor, social, de hábito cultural, de estímulo, metodologia ou didática). As avaliações quantitativas e classificatórias desqualificam o professor e abrem espaço para fortalecimento dos sistemas de controle externo, com muita gente ganhando para aplicar "formulários" de última hora, sem qualquer relação com o cotidiano do aluno. Até mesmo o governo federal embarcou nesta falácia. Alguém deve estar ganhando muito com esta "unanimidade".

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Fórum de Educação do Sinesp


Estive ontem, dia 8, abrindo o XII Fórum Educacional do SINESP, em São Paulo. Aprofundamos a privatização dos conteúdos das escolas públicas no Brasil e esta mania dos governos de todos partidos criarem sistemas de avaliação quantitativa dos resultados educacionais. Um absurdo porque a educação é processual, é desenvolvimento humano e não mero reforço. A avaliação pedagógica é necessariamente qualitativa, processual e deve articular vários fatores que interferem no desenvolvimento da criança e adolescente. É mais um sintoma da adoção da lógica empresarial nos conteúdos das políticas sociais brasileiras. Amanhã participo de uma mesa em Betim que fará um balanço do sistema de ciclos implantados naquele município.

Fome e financiamento no mundo


As ongs brasileiras discutem, cada vez com mais intensidade, o corte de financiamento externo. O governo se recusa a apresentar uma proposta de lei de fomento às ongs, como ocorre no México. O financiamento externo para ações sociais será cada vez mais escasso e com razão. Afinal, o Brasil já é a 7a economia mundial. Além disto, se em 1960 se estimava 80 milhões de pessoas que se alimentavam aquém das necessidades em todo mundo, em 2006 este número saltou para 880 milhões. E a maioria (515 milhões) vive na ÁSIA. Outros 186 milhões vivem na África sub-saariana onde a fome atinge a 34% da população local. Seria anti-ético disputarmos investimentos externos com essas regiões. A solução tem que ser doméstica.

Fundo Soberano?


O ministro Guido Mantega está lutando pela criação de um fundo soberano brasileiro. Seria formado a partir do dinheiro arrecadado com impostos pelo governo e de compras de dólares no mercado feitas pelo Tesouro. Mantega voltou a afirmar que o objetivo do fundo soberano é apoiar as ações de empresas brasileiras no exterior. De acordo com o ministro, o dinheiro do fundo servirá como recurso mais barato para o BNDES, que financia a expansão das empresas. Os jornais especializados na área econômica vêm repercutindo esta idéia. Nathan Blanche, da Tendências Consultoria, avalia que as empresas brasileiras contam com linhas de financiamento para investimentos a exportações, o que dispensa a criação de uma subsidiária do BNDES, no exterior. Este consultor afirma que "o custo fiscal para o Brasil seria enorme", lembrando que se o dinheiro para constituição do fundo vier da emissão de títulos públicos, a taxa real será de 7,25%, diferentemente de outros países, em que a taxa chega a ser negativa, como em Cingapura (5,3%), nos Emirados Árabes (7,3%) e na China (3,8%). Alguns técnicos da área lembram que Cingapura quis comprar o porto de Nova York, com um fundo desta natureza, ou seja, interesses políticos podem se sobrepor aos interesses de investimentos estratégicos. Os dois argumentos (pró e cético) parecem fundamentados.

Mais uma da turma do Zé Dirceu


A Polícia Federal e a sindicância interna da Casa Civil identificaram o secretário de Controle Interno do órgão, José Aparecido Nunes Pires, como o vazador do dossiê elaborado no Palácio do Planalto com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Aparecido é militante histórico do PT. Foi levado para a Casa Civil por José Dirceu. Funcionário de carreira do Tribunal de Contas da União, assessorou vários deputados petistas em CPIs, incluindo Dirceu, cassado em 2005 no escândalo do mensalão. Aparecido chegou a disputar em 1994 uma vaga de deputado federal pelo PT de Goiás, mas não foi eleito.

Notícias da China


De uma colega do CECIP (Centro de Criação de Imagem Popular) que está na China e relata o cotidiano daquele país:
"Aqui perto do hotel vi à meia noite, um homem explorando o lixo. De manhã, várias pessoas me abordaram , meio às escondidas (mas não muito) oferecendo relógios, bolsas etc. E, próximo a um lago onde nadavam carpas vermelhas e pequenas tartarugas, um pavilhão onde pessoas bem idosas - tocavam instrumentos típicos e
dançavam, enquanto outros velhos contemplavam maravilhados.... E os jovens , conversando em grupos, no mesmo espaço, nem viam o que estava acontecendo. Dois univeros que nao dialogavam."

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Mudanças na avaliação educacional em Belo Horizonte

A Secretaria de Educação de Belo Horizonte (governo Fernando Pimentel, do PT) acaba de alterar o sistema de comunicação das avaliações pedagógicas dos alunos que são entregues aos pais. Agora, as avaliações serão entregues através de boletins trimestrais. O fato é que esta decisão não colide com o sistema de ciclos. Não entendo o motivo para esta determinação não ter sido tomada antes. No sistema de ciclos de formação (ou aprendizagem), a avaliação deve ser diária, a partir de reuniões coletivas e conselhos de classe periódicos (justamente para avaliar o desenvolvimento ou processo de aprendizagem). Há uma profunda deturpação do sistema de ciclos no Brasil.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Curiosidade: o celular-luva


Um designer projetou para a Samsung este "Finger Touching" (foto) que é, na verdade,uma luva. Há anos se pesquisa o "body-net", um óculos que lê a retina e aciona funções de computador, internet e fax. Um anel especial faz as vezes do teclado. No site http://asia.cnet.com/crave/2007/02/23/finger-touching-mobile/ é possível acessar mais informações sobre este "celular-luva". No site http://www.tigoe.net/pcomp/blog/archives//000170.shtml é possível acessar um texto sobre bodynet.

Brasil continua avançando sobre a economia latino-americana


O Banco Itaú adquiriu 100% do capital da administradora de previdência uruguaia Unión Capital Afap. Para que a operação seja concluída ainda precisa passar pelo crivo do Banco Central do Uruguai. A Unión Capital é hoje propriedade, em partes iguais, do Boston International Holdings, uma afiliada do Bank America, do Citibank Oversea Investment Corporation e do Banco de Montevidéu-Fundo de Recuperação de Patrimônio Bancário. Em março de 2008 contava com 162 mil clientes para os quais administrava economias que totalizavam US$ 634 milhões, com uma participação de mercado de aproximadamente 20%. No Uruguai, o Itaú atende a mais de 100 mil clientes por meio de 16 filiais, conta com 477 empregados, tem ativos da ordem de US$ 1 bilhão e administra economias de mais de US$ 1,6 bilhões, incluindo depósitos locais e custódias.
Depois da Brahma e da Sadia avançando sobre o mercado de cerveja e carnes da Argentina e Uruguai, o Itaú se consolida como gigante regional em seu setor.

A persistência de Pimentel: água mole...


A entrevista de Fernando Pimentel publicada no jornal Estado de Minas de hoje corrobora uma pequena nota publicada, também hoje, na Folha de S.Paulo. Na entrevista, o prefeito de Belo Horizonte afirma que após responder duramente à decisão do Diretório Nacional (que vetou aliança do PT com o PSDB na capital mineira) chegou a hora do apaziguamento. Afirma que Lula e Dilma Rousseff já manifestaram interesse na solução (na verdade, manifestaram interesse na aliança). A nota da Folha afirma que o acordo com Pimentel será para reafirmar que a aliança em Belo Horizonte não vetará a candidatura própria petista em 2010. Todos com experiência política sabem que uma promessa dura, no máximo, semanas e não anos. Muito menos dois anos. Enfim, um acordo para desbloquear a aliança tucana estrelada.

Lugo seguindo os passos de Lula


O austero economista Dionisio Borda será o ministro da Fazenda do novo governo do Paraguai. Ele é o primeiro nome confirmado do futuro gabinete do presidente eleito, Fernando Lugo. Tem fama de durão em termos fiscais. Em entrevista concedida ao Valor Econômico, ele disse que o agronegócio é o caminho para o desenvolvimento do país e que o Estado deve adotar políticas mais incisivas de apoio ao setor, beneficiando principalmente as pequenas e médias empresas e os pequenos e médios proprietários rurais. A indicação foi elogiada pelo mercado financeiro. Na mesma entrevista ao Valor Econômico, Borda afirma que "o padrão da produção aqui é muito concentrador, muito intensivo em recursos naturais e em capital. Mas não é tão importante em termos de ocupação de empregados". Dionísio é professor de economia da Universidade Nacional de Assunção e já foi Ministro da Economia. Pouco antes das eleições, afirmou que "o Partido Colorado é um partido que está presente em todas as instituições, estatais e etc. No Paraguai, não existem concursos. Os cargos são por indicação política. Mas os eleitores parecem cansados das denúncias de corrupção e da falta de desenvolvimento do país".

terça-feira, 6 de maio de 2008

Olímpiadas na China: a tensão em virtude da perseguição política


Falun Dafa (ou Falun Gong) é uma prática composta de cinco exercícios de qigong (chi kung), sendo quatro em pé e um sentado em meditação. Tornado público pela primeira vez em 1992, na China, pelo mestre Li Hongzhi, Falun Dafa popularizou-se rapidamente, alcançando em apenas cinco anos mais de 70 milhões de praticantes só na China, segundo pesquisas estatísticas do próprio governo. Contudo, em 1999 o ex-líder do Partido Comunista Chinês (PCC) Jiang Zemin, iniciou uma violenta perseguição aos praticantes de Falun Dafa na China, alegando que a prática seria um culto diabólico, ou uma religião política opositora ao Partido Comunista. Manfred Nowak, Relator Especial sobre Torturas das Nações Unidas, declarou em 2006 que 66% das vítimas de torturas e maus tratos na China eram praticantes de Falun Dafa. Esta é uma das tensões do momento que gira ao redor da Olimpíada.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Precariedade das escolas estaduais mineiras


Reproduzo a reportagem de Daniela Arbex, do jornal Tribuna de Minas e premiada nacional e internacionalmente, sobre as condições das escolas estaduais mineiras:
"Segunda-feira, 14h15, hora do recreio. Alunos do ciclo inicial de alfabetização de uma escola da rede estadual encaminham-se para o refeitório. No cardápio, arroz, feijão e lingüiça servidos em pratos de alumínio sobre a bancada. Em pé, crianças de 6 anos começam, então, a merendar, apesar de muitas sequer terem altura para alcançar a mesa. Permanecem nessa posição por cerca de 15 minutos, não porque tenham pressa para ir brincar, mas por falta de bancos para que possam assentar-se enquanto comem. O flagrante acima não se refere a nenhum colégio do Norte de Minas, região conhecida por seus baixíssimos indicadores sociais, mas a uma escola estadual com 873 alunos, localizada em Juiz de Fora, principal município da Zona da Mata e nono do Estado em relação ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Longe de ser uma exceção, a situação se repete em outros colégios da rede estadual. Para tornar público o que está por trás dos muros da educação, alguns diretores aceitaram mostrar suas escolas na tentativa de desencadear um processo de mudança. "A gente trabalha muito para tentar melhorar o quadro, mas o sucateamento é gritante”, revela a diretora de uma escola estadual na Zona Sudeste. Ela trabalha com uma verba de manutenção e custeio de R$ 11 mil por ano. Ao todo, conta com R$ 916 por mês para manter a escola em funcionamento, dinheiro usado na compra de material de limpeza, giz, papel e pequenos reparos, R$0,88 por aluno. A verba da merenda, enviada à parte, é de R$ 0,19 por estudante ao dia. A diretora confessa que, apesar de o recurso da merenda escolar ser destinado aos alunos do ensino fundamental, se vê obrigada a reduzir, ainda mais, a qualidade da comida, para atender também os estudantes do ensino médio. “Não posso falar para os alunos do ensino médio não comerem.” Ao percorrer esse e outros estabelecimentos de ensino, a Tribuna encontrou uma realidade que viola os direitos fundamentais do ser humano: banheiros sem descarga e portas, alguns deles até sem vaso sanitário -, carteiras quebradas e reaproveitadas, boa parte doada por colégios particulares. Além disso, salas de aula lotadas, levando estudantes a sentarem-se a centímetros do quadro, pias e vidros quebrados, fiação à mostra, refletores queimados, resultando em iluminação precária, infiltração nas paredes, mofo nos telhados e bebedouros utilizados como torneira, já que a água de beber também é usada na faxina da escola.

domingo, 4 de maio de 2008

Mais equívocos da política educacional mineira


A Secretaria de Educação de Minas Gerais continua revelando equívocos gerenciais e pedagógicos. No momento, os problemas se acumulam em relação ao papel do Supervisor Pedagógico, que ganha dimensão de controle externo. No Guia elaborado para orientar esta função podem ser destacados alguns equívocos:
1) Logo na apresentação, destaca-se que o Supervisor deve se ater às avaliações EXTERNAS da educação de Minas Gerais. Assim, revela a atenção em relação ao SAEB, Simave e outros instrumentos de avaliação quantitativa, focados no resultado e não no processo de aprendizagem;
2) O documento está subdividido por ações para cada quadrimestre e transforma a função do supervisor em Diretor Pedagógico da escola;
3) Define a comunidade escolar como professores, direção, especialistas e servidores da escola (item 3.1.1 – Preparando para o início do ano escolar – Janeiro). Não citam pais e alunos;
4)Orienta para que o supervisor visite todos os dias a sala de aula para assessorar o professor. Trata-se de um tema polêmico porque pode se constituir num elemento de quebra da autoridade do professor frente aos alunos, além de parecer um instrumento de controle e não assessoramento. Este é o problema fundamental deste documento: afirma ser apoio, mas indica que a função do supervisor é de controle. Para assessorar, o supervisor estaria ao lado ou abaixo do professor, sendo informado do que o educador necessita;
5) Para ilustrar a afirmação acima, destacam-se duas passagens do Guia. A primeira, no último parágrafo do item 3.1.2, onde se lê: “aprecie as atividades elaboradas pelo professor antes de serem reproduzidas”. No item 3.1.3 encontra-se: “participe da elaboração dos planos de ensino e de intervenção pedagógica, os quais constituem pano de fundo para elaboração dos planos de aula pelos professores”. Há uma evidente hierarquia funcional que não revela apoio, mas controle;
6) No item “Participação dos Pais”, revela-se uma limitação desta participação às reuniões que se iniciam em março (indicado no documento). É o supervisor que apresenta direção e professores, segundo o Guia;
7) Sobre formação continuada, o Guia sugere uma atividade bimestral, o que é absolutamente insuficiente. Os professores necessitam de reuniões semanais, no máximo quinzenais, para apresentação de diagnósticos pedagógicos e, a partir daí, desenvolvimento de estudos referentes às dificuldades observadas;
8) O melhor item do documento é o 3.1.4 (“Monitoramento e avaliação dos resultados – abril”). Indica um conjunto de 10 perguntas que ampliam o escopo de avaliação do desenvolvimento do aluno. O interessante é que estas questões não orientam as fichas avaliativas elaboradas pela própria SEEMG, revelando uma divisão interna muito significativa entre técnicos da área pedagógica. Dentre as questões, destaco as que questionam se o aluno sofre alguma carência (doenças, miséria, falta de tempo para estudar), se o aluno se concentra na sala e se apresenta problemas de relação familiar. São questões fundamentais e amplas para o professor compreender as dificuldades no processo de aprendizagem. Mas, como indicado anteriormente, estas questões não orientam as fichas avaliativas.

Referendo na Bolívia: boca-de-urna


Com a votação do referendo sobre a autonomia de Santa Cruz, na Bolívia, encerrada, as primeiras pesquisas de boca-de-urna já indicam que 85,9% dos eleitores apoiaram o "sim" à criação do primeiro governo autônomo do país. Os resultados foram divulgados pela rede de televisão local. De acordo com resultados parciais, a rejeição à proposta alcançou 14,1% dos votos. O referendo pela autonomia de Santa Cruz que aconteceu neste domingo registrou vários incidentes que deixaram pelo menos 28 feridos, segundo divulgou o ministro do Interior Alfredo Rada. Ele considerou o referendo fracassado "porque simplesmente levou à divisão do próprio povo do departamento". O comando das Forças Armadas da Bolívia divulgou comunicado em que afirma que a autonomia de Santa Cruz fere a segurança nacional. Em outras palavras: o recado está dado.

A privatização da educação pública no Brasil


Com os dados da notícia que publiquei abaixo fica mais fácil comentar o moviento Todos pela Educação. Trata-se da adoção de instrumentos da iniciativa privada na gestão da educação pública. O discurso dos coordenadores do movimento destrói o tratamento republicano na área. Mais um passo para a privatização da educação pública, em seu conteúdo e organização. É um movimento social real, privatista. Lembremos que 150 municípios de São Paulo já contratam sistemas apostilados privados (Objetivo, COC e Positivo) para as escolas públicas de suas redes (23% das 645 cidades paulistas). Há ainda outros 150 municípios no País com esse tipo de contrato, totalizando 300. Atualmente, há pelo menos 13 grandes grupos que atuam no mercado de sistemas de ensino: Objetivo, COC, Positivo, Expoente, Anglo, Pueri Domus, Uno, Ser, Ético, Etapa, Poliedro, Pitágoras e FTD. Os seis últimos ainda não atuam em escolas públicas.
Destaco, a seguir, trechos da entrevista de Mozart Neves, Presidente do Todos pela Educação, publicada na Folha de S.Paulo, C5, em 19/4/08:
“Fizemos os gestores públicos refletirem sobre a necessidade da profissionalização, com metas e clareza de onde se pretende chegar. Antes, havia boas intenções, mas sem rumo definido. Era tudo focado no processo, e não no resultado, que é o aluno de fato aprender. Agora, fui ao Piauí, cujo governador é do PT, e o secretário claramente aponta metas, resultados, premiação para os diretores por resultado. Aqui em São Paulo, com o PSDB, a Maria Helena também lançou premiação para os professores. Isso mostra que é preciso separar o joio do trigo. Não dá mais para fazer educação pensando que todo mundo é igual, todos vestem igualmente a camisa. Não dá mais para dar reajuste linear a todos.”
“Ainda há uma resistência de professore e diretores com a idéia de metas e resultados. Vai ser uma mudança cultural.”
“O Plano de Desenvolvimento da Educação, do MEC, profissionalizou a gestão, com diretrizes para que cada município, a partir do seu diagnóstico, consiga estabelecer seu plano. Outra mudança importante foi no financiamento. Antes, funcionava como balcão de negócios. (...) Agora, há diretrizes claras, com ajuda dos municípios com mais dificuldades."

Educação no Brasil: quantidade ou qualidade?


O tema já é batido entre educadores. O Brasil conseguiu, nos anos 90, colocar quase todas crianças e adolescentes em idade escolar no ensino fundamental. O índice oficial está acima de 95%. Mas a qualidade despencou, por motivos muito complexos. O primeiro deles é que as regiões pobres tiveram seus filhos ingressando nas escolas que, até então, eram dirigidas para filhos da classe média. O currículo, como já dizia Bordieu, é culturalmente viciado pelos hábitos pouco populares, dificultando a compreensão dos códigos pelos filhos da pobreza brasileira. Os professores também não se formaram para atuar numa situação de educação de massas. Para piorar, seria fundamental que as escolas pudessem criar estímulos (inclusive visuais) para a imersão em um mundo mais multifacetado, complexo e plural do que o encontrado nas comunidades de origem dos alunos. Alunos com poucos estímulos visuais para a escrita, reduzem seu vínculo com a escrita em comparação com aqueles onde o estímulo é frequente e intenso. O fato é que relatório da UNESCO informa que apenas 53,8% das crianças brasileiras matriculadas na escola terminam a 8a série (dado de 2005). Uma situação pior que a de 1999, quando 61% concluíam o ensino fundamental.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Uma hipótese polêmica sobre a popularidade de Lula


Várias pesquisas recentes revelam uma cultura política ambivalente em nosso país: 75% dos brasileiros afirmam que seriam corruptos se tivessem poder (IBOPE), 42% não sabem se são favoráveis à democracia ou ditadura (PNUD) e assim por diante. O governo Lula, por sua vez, adota políticas ambivalentes (queda de mortalidade infantil e explosão de acidentes envolvendo trabalho infantil, como uma das tantas ilustrações). Estaria aí uma das fontes de identidade? Um governo mais próximo do ideário popular (além das políticas de transferência de renda)?

O drama boliviano


Os jornais bolivianos de hoje expressam a tensão que vive o país em função de uma onda separatista. A OEA procura mediar este conflito. No próximo dia 4 de maio o Estado de Santa Cruz realizará um referendo ao decreto de independência do território. As forças governistas avaliam ser um ato ilegal e anticonstitucional, condenado pelo Congresso Nacional e pela Corte Nacional Eleitoral.

O feitiço e o feiticeiro


Depois de alguns católicos rotulá-la de "abortista", Débora Diniz (UnB) tem motivos para pensar que o mundo dá mais voltas que do que se pensa. Pesquisa realizada pela UnB (Universidade de Brasília) e pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) revelou que a maioria das brasileiras que abortam são católicas (de 51% a 82% do total de 3,7 milhões). A maioria delas tem entre 20 e 29 anos e já são mães.

Edgar Morin e Maio de 68


Edgar Morin esteve em Porto Alegre onde falou sobre "1968-2008: o mundo que eu vi e vivi". O jornal Folha de S.Paulo entrevistou este grande filósofo francês. Destaco uma ou outra passagem:

FOLHA - Quarenta anos depois, o que ficou dos acontecimentos de Maio de 68?
EDGAR MORIN - 1968 foi, antes de mais nada, um ano de revolta estudantil e juvenil, numa onda que atingiu países de naturezas sociais e estruturas tão diferentes como Egito, EUA, Polônia... O denominador comum é uma revolta contra a autoridade do Estado e da família. A figura do pai de família perdeu importância, dando início a uma era de maior liberdade na relação entre pais e filhos.
(...)
Mas o importante é que houve um processo de auto-afirmação da adolescência como entidade social e cultural. O rock, muito além da música, consiste em agrupamentos de jovens. É uma maneira de se vestir e se comportar. É a autonomização da adolescência, que se afirma por oposição ao mundo adulto dos professores e pais. Depois disso, a poeira baixou e tudo pareceu voltar ao que era antes. Mas houve mudanças, sim. Foi depois de 68 que os homossexuais e as minorias étnicas se afirmaram e que o novo feminismo se desenvolveu. A imprensa feminina francesa pré-68 dizia: "sejam bonitas e façam uma boa comidinha para agradar aos seus maridinhos".

FOLHA - Mas o mal-estar que causou Maio de 68 permanece..
MORIN - Não só permanece, como agravou-se. Onde há vida urbana e desenvolvimento, há estresse e ritmos de trabalho desumanos. A poluição causa males terríveis, e nossa civilização é incapaz de impedir a criação de ilhas de miséria. Mas o que piorou mesmo foi o fato de termos perdido a fé no progresso. O mundo ocidental dava como certa a idéia de que o amanhã seria radioso. Mas, nos anos 90, percebeu-se que a ciência trazia também coisas como armas de destruição em massa e que a economia estava desregulada, enterrando de vez a promessa de que as crises haviam deixado de existir. O sentimento de precariedade é agravado pelo fato de os pais não saberem se seus filhos terão um emprego. Tampouco há esperança vinda da esfera política. Os políticos hoje se contentam em pegar carona no crescimento econômico.

"As paredes têm ouvidos, seus ouvidos têm paredes"


A frase acima estava nas paredes do movimento europeu de estudantes, em maio de 68. Ela tem algum paralelo com as discussões cada vez mais frequentes sobre o que conquistamos com algumas novas estruturas participativas de gestão pública, como os conselhos e o orçamento participativo. Somente na semana passada e a próxima, participei de duas discussões semelhantes em São Paulo, uma (ontem) em Belo Horizonte e participarei de mesas que tratam direta ou indiretamente do tema em São Paulo (dia 8), Alemenara (dia 9, no norte de MG) e Betim (dia 10). No meio tempo, estruturas clássicas, como sindicatos, também organizam discussões que tratam do conflito entre concepção política e práticas (inclusive administrativas). Há um evidente cruzamento de temas, a partir de ângulos distintos, que superam a perplexidade do final dos anos 90 e caminham para um balanço crítico e tentativa de elaboração de novas iniciativas. E, ainda, revelam o ranço e certo esgotamento das estruturas clássicas de representação (típicas dos séculos XIX e XX), ainda que sem visão clara de quando e o que as substituirá.

Brasil é recomendado com grau de investimento


A agência de classificação de risco Standard and Poors concedeu ao Brasil o grau de investimento nesta quarta-feira (30), o que melhora a recomendação investimento seguro para investidores estrangeiros. De acordo com a agência, a nota para os títulos brasileiros em moeda nacional é agora BBB+, e os emitidos em moeda estrangeira são considerados BBB-. É, sem dúvida, mais um passo na curva ascendente de consolidação do Brasil em país desenvolvido. Impressionante. O fato é que temos, como venho destacando neste blog, que nos preocupar com duas questões inusitadas: a) nosso papel de liderança na região (o que inclui nova postura dos movimentos sociais e ongs, que competem por recursos no exterior, sem necessidade econômica a partir de agora); b) o paradoxo de sermos uma potência econômica e de muito poder regional e termos uma dos maiores índices de desigualdade social do mundo.