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Estive, hoje, em Campestre, sul de Minas Gerais (perto de Poços de Caldas), para dar uma palestra para professores da rede pública (estadual e municipal de ensino). Aproveitei e, antes de iniciar a palestra, passei uma lista para saber o que mais incomoda e o que mais desafia os professores, em sala de aula. As respostas foram:
A. O que mais incomoda
Indisciplina; Alunos totalmente sem interesse; cada vez mais conversando uns com outros; Agressão entre alunos; falta de apoio da família no acompanhamento; Falta de estrutura e muita cobrança por resultados estatísticos, sem se preocupar com a qualidade; Falta de cursos de capacitação; Falta de tempo; Não percepção da identidade (do professor), que dificulta entender a identidade do aluno; Falta de recursos para dinamizar as aulas; Falta de limites dos alunos.
B. O que mais desafia
Conseguir oferecer um ensino que seja realmente necessário; Ensinar o aluno desinteressado; Fazer o aluno querer aprender; Socialização e convivência saudável;
Conscientização, reflexão, profissionalismo, com valorização salarial e carreira; trazer a comunidade para a escola; Ganhar o respeito dos alunos; Apesar da desvalorização, mais interesse do professor no seu exercício; Motivar alunos para participarem das aulas; Ministrar aulas atrativas; Troca de experiências metodológicas/estudar sobre; Trabalhar com alunos portadores de necessidades especiais numa turma numerosa e heterogênea.
É perceptível o grau de engajamento dos professores, a partir da leitura dessas respostas. Uma categoria cada vez mais madura (e angustiada com as condições de trabalho e exigências progressivas dos órgãos governamentais). A tensão causada pelas avaliações sistêmicas, meramente quantitativas (SAEB, SARESP, SIMAVE e outras) desmontam qualquer proposta pedagógica mais séria e focaliza tudo no resultado estatístico, provocando soluções tradicionais e ultrapassadas, como aulas de reforço (memorização, reflexo condicionado, simulações e por aí afora).
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