quinta-feira, 14 de abril de 2011

Um "empate" na política nacional


O termo foi utilizado pelos seringueiros do Acre nos anos 1980. Alguns dizem que teve início em 1976. Faziam uma espécie de barricada humana e não deixavam as máquinas derrubarem as florestas. Como nenhuma das partes se movia, o resultado era um "empate". Fazia parte da estratégia de reconhecimento oficial das reservas extrativas, mas também que as condições para execução desse trabalho fossem definidas e caracterizadas. Empate era o símbolo de sua resistência.
O fato é que o sistema partidário tupiniquim entrou numa lógica parecida, de empate, onde nenhuma peça se move. Ouço casos e casos envolvendo o governo federal na montagem de um quebra-cabeças confuso. Não há cargo para todos governistas. E mais gente entra na fila agora que virou moda (por este motivo óbvio) criar partido político. Porque a única novidade política neste país do "empate" é a criação de um novo partido. Mesmo que seja apenas para entrar na fila.
Também ouço que em São Paulo o governador Alckmin vem enfrentando os mesmos problemas. Nomeia e troca o nomeado para acomodar outros aliados.
A lógica política gerou este empate. Não há muita mobilidade.
O Brasil se peemedebiza e os espaços de ocupação são cada vez menores para quem não é notável, ícone nacional. Prefeitos, deputados, senadores e governadores de Estados com poucos recursos para investimento querem, todos, ser governistas. Governista é cool.
Aqui em Minas Gerais é uma possível explicação para o deslize do governador Anastasia. Sério e admirado no meio acadêmico, respeitado politicamente, o que o fez nomear senhores questionados pela imprensa afora para cargos de alta patente em empresas de capital misto de Minas Gerais? Pouco mineiro, não? Ou seria mais um efeito do "empate" na política brasileira?
E que dizer do PT mineiro? Empatado porque se transformou em partido de parlamentares, que esquadrinharam o Estado em feudos políticos numa espécie de neo-clientelismo de esquerda, o partido não consegue dar lugar para a emergência de novas lideranças. Vive empatado. Não há espaço para a movimentação das peças, para a inovação. E, aí, as velhas figuras dos anos 80 permanecem à frente do partido, com suas velhas plataformas, seus velhos acordos, seus discursos mais ou menos raivosos, sem que o Estado efetivamente mude para os mineiros.
A política empatou. No Brasil todo. Algo que tem pouca relação com as expectativas dos brasileiros.

Um comentário:

Senival disse...

É a reprise da reprise.Na verdade Rudá em vez de "empate" talvez devessemos dizer "empaque" numa alusão a empacar. Os cabras empacaram que nem burro chucro e estão mais para retrocesso do que para estagnação ou avanço.