domingo, 17 de abril de 2011

A disputa entre Lula e FHC


Primeiro, o roteiro.
FHC diz que o PSDB deve se realinhar e focar na classe média. Lá pelas tantas, diz que seu partido não deveria se concentrar no "povão" (classes D e E, pelo que deixa a entender) porque estão contemplados pelas políticas lulistas de transferência de renda.
Tucanos e petistas caem de pau. Todos afirmam que o povão é a base de qualquer ação política.
Lula aproveita a onda e entra na fila, ironizando.
Aí, FHC se dá conta que não está na academia e desafia Lula para mais uma eleição.
O que poderia ser uma bela discussão sobre estratégias políticas no Brasil de hoje, vira briga de rua.
Vamos por partes.
FHC procura o eixo dos formadores de opinião. E sugere que é a classe C, no que está certíssimo. Não é só e ele teria que se debruçar sobre os dados. A grande imprensa lê pouco. Vários comentaristas afirmaram que não se sabe o que esta Classe C pensa. Mentira. Há farto material a respeito e eu mesmo já publiquei neste blog vários resumos de pesquisas recentes. Mas jornalista não gosta de ler tabelas e pesquisas. Lê briefing.
Seria um debate que elevaria o nível político.
Mas tucanos e petistas não estão muito interessados em debate sobre os rumos da política, sobre suas próprias estratégias. Estão no meio do terreiro de rinha de galos. Não concedem ao cidadão oportunidade de discutirem seus erros e dúvidas. Não podem deixar espaço algum para que o outro ocupe. Anãlise é coisa de acadêmico ou de quem faz terapia. Não é coisa de político brasileiro, macho, dono das maiores certezas desta terra tropical.
Estão embrutecidos. Mas ficam até contentes com isto. Parece coisa de macho.

8 comentários:

Eliete disse...

Também acho lamentável que a possibilidade de uma discussão política entre partidos de oposição e situação tenha se limitado ao deboche e descambado para essa "briga de galo". No entanto, não acho que FHC só tenha se dado conta de "que não estava na academia" quando vieram as reações ao seu texto. A inclusão das expressões "povão" "beba coca-cola" me levam a pensar que ele queria mesmo era levantar polêmica e não exatamente discutir propostas sérias. Aliás, como presidente de honra do partido, o melhor local pra colocar discussão sobre como fazer oposição é numa revista?
Eliete Toledo

Rudá Ricci disse...

É, Eliete, acho que você tem razão. Neste caso, teria sido apenas um chacoalhão no PSDB. O que me parece estranho porque o problema do PSDB não é de foco na conquista de base social, mas brigas internas e programa partidário anacrônico (ficaram nos anos 1990). Há algo que não encaixa nesta história toda...

AF Sturt Silva disse...

A classe C é aquela que surgiu com o governo Lula ou pelo menos teve sua arrancada pratica ali.

É só ela que forma opinião.Perai ,como assim? E onde está a divisa entre a classe C á B e á D?

Se a classe C é que forma opinião a A e B, não importa o que acontecer com elas,essas não vai mudar de opinião e nen a D e E?

Mas elas (AB e DE) também vota não ,é o que importa na políca é isso...

Rudá Ricci disse...

Calma, Sturt. Que confusão, rapá!
Seguinte: segmento formador de opinião é aquele que dissemina valores e visão de mundo, até mesmo interpretação sobre fatos e situações. Por prestígio ou força política, chega a cimentar opiniões, próximo do que Gramsci analisava na contrução do discurso hegemônico.
No modelo clássico americano e fordista, o segmento social que conseguia ocupar esta função era a classe média tradicional, classe B (B1 e B2). Era constituída por profissionais liberais, jornalistas, professores universitários, publicitários, entre outros. Os grandes jornais se apóiam até hoje nestes segmentos sociais. Ocorre que estamos vivendo um período de transição na composição das classes sociais, com forte ascensão das classes D e E. A Classe C tem recursos para consumir a partir de crediário farto. Somente com a renda familiar não conseguiria consumir como está. Mas ela faz, hoje, uma intersecção entre a cultura dos pobres (D e E) e os hábitos e intenções da classe média tradicional (classe B). Esta é a novidade. Nas últimas eleições (três últimas, em especial), a Classe B não conseguiu atingir e envolver as outras classes, abaixo delas, como ocorria historicamente. Ao contrário, a classe B formatou opinião e foi envolvida pela dos apoiadores do lulismo. A "onda" (círculo concêntrico da formação de opinião pública) se moveu ao contrário. A classe irradiadora, o centro, do círculo, passou a ser a classe C. Sua opinião envolve e convence as outras classes, incluindo D, E e parte da B. Um fenômeno típico de um período de mobilidade social, de transição, onde os maiores beneficiários apontam a tendência e constróem leituras mais potentes e positivas. Lembre-se que dificilmente a queixa e a crise atrai. É o discurso do sucesso que atrai.

Daniel disse...

Concordo que a imprensa lê pouco. No entanto, seria necessário reformular todo o sistema, já que jornais diários estão programados para a leitura rápida,do factual. Ao mesmo tempo, parece que o PSDB é apenas FHC. Nem Aécio Neves identifica-se, ou ao menos, defende a sigla. E o PT, quem o representa? Um jogo mal jogado.

AF Sturt Silva disse...

Acho que entendi.

Então o discurso do FHC está certo não? Não entendo por que tanta crítica em cima dele...

Rudá Ricci disse...

É a política, Sturt!
Todos perceberam como poderiam utilizar esta frase nas campanhas. Já imaginou? "PSDB admite que não gosta de povão".
E esta é justamente a critica que fiz nesta nota que postei no meu blog.

senojr disse...

Creio que os dois EX não tem mesmo mais nada importante para fazer e nem para dizer.