sábado, 16 de abril de 2011

Nassif e o contrato com o governo federal


Começo afirmando que gosto realmente da competência de Luis Nassif. Seu blog, na maioria das vezes, é instigante. Mas sempre pendeu para uma defesa muitas vezes a-crítica em relação ao governo federal. É uma opção pessoal ou ideológica, o que é legítimo. Mas aí renova o contrato com a TV Brasil. Algo superior a 600 mil reais em um ano. Quem é consultor sabe que não se trata de um valor absurdo, se contar impostos, gastos com viagens, investimentos em pessoal e tecnologia.
O problema é se jornalismo independente e crítico se relaciona com contratos com governos, assumindo análises como comentarista, direção de conteúdo, apresentação e mediação na internet. A questão parece complexa e tão complexa que o próprio Nassif teve que explicar, ainda que rapidamente, no seu blog. Sutilmente, na última frase, justificou o valor do contrato. Sabemos que quando a piada precisa ser explicada é porque tem algum problema.
A nota no blog do Nassif é esta:
Esta semana renovei meu contrato com a TV Brasil. Desde o encerramento do contrato do Brasilianas, em junho passado, tinha um contrato de comentarista econômico do principal jornal da emissora, o Repórter Brasil. O contrato venceu agora. No novo contrato juntaram-se os contratos de comentarista do jornal e de direção de conteúdo, apresentação e alimentação dos debates pela Internet da nova série do Brasilianas. Conforme a própria direção de programação da EBC manifestou no ano passado, o Brasilianas é uma aposta da TV Brasil de criar um fórum para debate de temas de políticas públicas, política e economia, para concorrer, inclusive, com o Roda Viva. Observaram-se no contrato os mesmos valores praticados por canais a cabo, como a Globo News e o Canal Rural.

13 comentários:

Janes disse...

Não vejo nada demais no contrato do Nassif.A marcação é porque ele não é alinhado com o monopólio da midia a quem deu uma banana. Se partir dessa lógica, qualquer jornalista que trabalhe para uma TV pública vai ser acusado de chapa branca. Qualquer? Não! Se trabalhar para os tucanos nada será dito ou questionado. Um exemplo? Marilia Gabriela? Qual o processo de seleção ou licitação por que ela passou para ir pra uma outra TV pública? Vários pesos e várias medidas dão a medida da hipocrisia com o caso.
Sugiro a todos leitura desse texto: http://www.blogcidadania.com.br/2011/04/marilia-gabriela-venceu-licitacao-para-apresentar-roda-viva/

Rudá Ricci disse...

Janes,
Não se trata de um problema moral. Mas é um problema técnico. Deixei claro que os valores são justos e nada abusivos.
Mas há um problema que me parece pertinente discutir sobre a adoção declarada de uma linha editorial alinhada com um governo ou partido. Problema a ser discutido e não uma rejeição. Explico: ao se alinhar declaradamente com um governo não haveria a tendência de se omitir certas notícias (ou evitá-las)? Não por jogo político, mas até por respeito e companheirismo? Se souber, por exemplo, de um caso de corrupção ou montagem de esquema eleitoral, o âncora divulgaria ou não?
Minha questão é saber até que ponto este alinhamento (como ocorreu com a Fox, nos EUA) é saudável ou não ao leitor.
Alguém dirá que todos jornais têm linha editorial alinhada politicamente. Mas não é justamente isto que criticamos na grande imprensa brasileira?

Arlindo JOCI disse...

Me parece que sua idea de alinhada com o governo... e posiçoes a -criticas está longe de ser fidedigna aos fatos.
Inumeras sao as criticas do Nassif ao governo. Inumeras sao os elogios açoes da oposiçao (aecio por ejemplo...) no que o nassif acredita ser importante como gestao, desenvolvimento nacional, cultura...

Rudá Ricci disse...

Arlindo,
Menos adjetivos e mais substantivos. Ao invés de repetir a palavra inúmeros, cite as críticas. Não me lembro de nenhuma significativa. Mas este não é um erro, é legítimo. A questão é se o jornalismo alinhado tende a omitir. É uma questão genérica, hipotética. Qual o medo de fazer este debate?

AF Sturt Silva disse...

Se não me engano a blog do Nassif( que tem outros colaboradores) é particular não?

Geralmente parte da nova mídia (alternativa) não gosta de cobrar questões e muito de menos expor dados que ela acha que vai prejudicar o governo e o PT e assim ajudar oposição...

Como disse o colunista da Carta Capital - internacional,esqueci o nome dele agora ,eles preferem criticar um erro do PIG ,muitas vezes sem necessidade ,por que querem defender algo que não tem como defender ,como o PT ainda está com um processo macroeconomico diferente dos tucanos.Em vez de dar voz a furos para a propia mídia alternativa como a Caros Amigos, Brasil de Fato e etc...

A questão me parece que é um tipo um clientelismo da comunicação.
Mesmo que não prove que o Nassif seja corrupto na pratica ele jamais vai fazer uma politica critica,que as vezes pode ser muito mal vista na Tv Brasil para não ser chutado como foi na mídia privida e tucana.

Ele não vai cair duas vezes na mesma armadilha.

É comum, ele adotar uma linha em seu blog ,que é bastante expressivo entre os eleitores do PT e do governo, e fazer um jornalismo que traga benefecios para ele,inclusive de dar a oportunidade de maiores cargos na Tv Brasil.

Clientelismo por que com essa troca ele traz benefecios para ele e para o governo.

Arlindo JOCI disse...

Algumas, na area de atuaçao dele:
Dos substantivos:
- Taxa de juros, cambio, politica industrial y para a micro y pequena empresas, falta de projeto nacional para o crescimento y demasiado acordos para garantir "governabilidade" ...

dos adjetivos:
- inumeros textos do Nassif y de outros economistas

Dos substantivos:

---- A questão é se o jornalismo alinhado tende a omitir. É uma questão genérica, hipotética. Qual o medo de fazer este debate?...

Ainda que Demasiado Generico... hehehe.... Vale discutir.
Está é uma possibilidade!
Daí fazer uma critica como que a nenhum jornalista pode fazer contracto com o governo chega a ser ... perdao da palavra mas... infantil na analise. De un adjetivismo e quizas moralismo gritante.

Arlindo JOCI disse...

... para mim, algumas analises de puro achismo...

O Nassif trabalhou na Folha, na rede cultura y outros espaços...
Para quem o segue verá que alguns dos termos sempre foram defendidos por ele com mais ou menor enfasis... destacando:
Desenvolvimento Nacional e gestao.

Mas, quem sabe mais importante que o Nassif como pessoa é a idea que jornalista que tem ideas consonantes com o governo nao pode fazer contrato com ele... discussao ao meu ver moralista porque parte da idea de isençao total que como bom analista politico que sao... sabem que nao existe. Y que ao longo dos anos tanto pode encontrar profissionais que se alinham completamente como se pode encontrar professionais que tem contracto com governo em qualquer esfera e continuam com as criticas que creem importantes.

Martinelli disse...

"O problema é se jornalismo independente e crítico se relaciona com contratos com governos." Pergunto: há jornalismo independente na iniciativa privada ? Na Band News FM, por exemplo, um comentarista é independente para falar sobre um podre da emissora?

pimon disse...

Rudá, vejo Nassif mais isento que 99% dos acobertados pela mídia e que recebem da REDE EUA!
E eu conheço, muitos.
Nassif não é tão alinhado ao governo federal, nem pensar.
Mas não critica sem razão, sua razão, da qual discordo quase sempre.
Mas o respeito!

Esquemas táticos disse...

Não concordo. A TV Brasil é do governo, mas não é o governo. Dêem uma olhada no site da EBC e verão que o jornalismo praticado por lá é de primeira linha. E tem muitas críticas ao governo. E o Nassif não é chapa-branca, basta acompanhar seu blog. Além disso, como muitos lembraram aqui, as críticas feitas a ele chegam a ser infantis. Por um acaso todas as grandes empresas de comunicação não têm contrato com o governo? De publicidade, por exemplo. E esses seminários temáticos promovidos pelos jornais, principalmente na área de economia, sempre têm participação de governos estadual e federal e/ou de suas empresas.

WANDERSON disse...

Até agora estou tentando entender o que motivou e quais as razões concretas que levaram o Sr. Rudá a levantar tais questionamentos sobre Nassif.

A discussão sobre "linha editorial" (???) me parece totalmente deslocada, na medida em que o Jornalista Luis Nassif não dirige nenhuma agência de notícias e sim um portal de debate e análise da notícia. O blog é um espaço onde onde Nassif e seus colaboradores no portal analisam as notícias em conformidade com os seus pontos-de-vista cujos prismas são do conhecimento de seus leitores.

As posições de Nassif são do conhecimento do público, tanto quanto as de Boris Casoy, portanto,acho sem sentido o questionamento crítico que se ensaiou contra Nassif nesse espaço e que não acrescenta nada ao currículo deste respeitado cientista social, Rudá Ricci.

Rudá Ricci disse...

Fico feliz em ser chamado de senhor e de perceber como tantos defendem o Nassif.
De qualquer maneira, como cidadãos, todos somos sujeitos à críticas. O fato é que há uma relação direta entre jornalismo e independência. Utilizar o argumento que grandes empresas recebem verbas governamentais não é argumento, mas constatação. Poderia dizer que tais grandes empresas - não citadas - fazem chantagem com sua linha editorial. Enfim, não entraria no mérito do tema.
O mérito é simples: é possível ser âncora e motivador de debates a partir de um contrato com TV estatal (ou governamental) e conseguir manter a independência crítica? É somente esta a dúvida que levanto e não faço nada além disto, nem insinuar.
O que lamento é alguns comentários nestes espaço que não parecem compartilhar a necessidade da dúvida e do debate como tema de um blog. A certeza é realmente mais simples. Mas a dúvida não pode ser definida como um juizo de valor. Eu continuo em dúvida. Eu, por exemplo, presto consultorias para muitos governos. Portanto, tenho relações profissionais com o meio político. O fato é que eu e minha equipe pensamos em uma série de controles e limites para não nos confundirmos com ação de governo. Uma delas é não assinar contratos com mais de um ano de duração, prestarmos contas de todas consultorias e contratos assinados em web sites (abertos ao público), nunca nos envolvermos com posicionamentos políticos dos contratantes e assim por diante.
A pergunta que faço é pertinente e correta, eticamente fundamentada. Nada a temer.

WANDERSON disse...

Professor, não me leve a mal, descobri seu blog recentemente e tenho identificado com sua linha analítica, mas continuo sem entender a motivação dos seus questionamentos com relação ao Nassif.

Bom, se era para demonstrar que o Senhor e sua equipe, digamos, tem preocupações maiores com "questões éticas", se comparados à equipe da "Dinheiro Vivo"...acho que nem o senhor nem o Nassif precisa provar nada pra ninguém.

Ao meu ver, Nassif já deu diversas demonstrações do seu caráter e do seu valor, "dando a cara pra bater", contrapondo-se aos interesses das grandes corporações midiáticas, quando seria mais fácil silenciar,pousando de "imparcial".

Vale salientar que as posições de Nassif são praticamente as mesmas, desde quando se acreditava que esse país jamais elegeria um "Peão" Presidente.