terça-feira, 30 de junho de 2009

Bollito Misto


Depois de dois dias de consultoria para uma das ongs mais importantes na defesa de direitos da criança e adolescente de SP (o CEDECA Interlagos), não resisti e fui comer um Bollito Misto. Trata-se de um prato italiano, feito por camponeses, rústico e delicioso. Muito bom para este período do ano.
Lá vai a receita:

Para o cozido
1 galinha
1 músculo
1 paleta de vitela
1 cotechino
1 zampone ( se não encontrar, substitua por lingüiça de boa qualidade ou não coloque )
1 língua de boi
1 capa de coxão de dentro ( coxão mole )
200 g de cenoura
200 g de cebola
200 g de salsão
2 folhas de louro
sal e pimenta a gosto

Para os molhos
1/2 xícara de salsa verde
1/2 xícara de salsa peará
1/2 xícara de salsa di rafano
1/2 xícara de mostarda de Cremona ( encontra-se no mercado )
1/2 xícara de mostarda inglesa

Para acompanhar
200 g de batatas pequenas
200 g de cebolas pequenas
200 g de mandioquinha
200 g de repolho
200 g de cenoura

Prepare o cozido
Corte o salsão, a cenoura e a cebola em pedaços, junte as folhas de louro e divida-os em duas panelas. Acrescente água e deixe ferver. Na primeira panela junte a galinha e o músculo. Cozinhe por 2 horas. Em seguida, junte a vitela e cozinhe por mais 1 hora. Em outra panela junte a língua e a capa de coxão mole. Cozinhe por 3 horas. Deixe o zampone e o cotechino de molho por 2 horas em água fria. Leve-os ao fogo e cozinhe em fogo brando por 1 hora e meia. Retire o cotechino e reserve. Deixe o zampone por mais 1 hora e meia. Sirva em pratos individuais com os legumes cozidos cortados em pedaços e com os molhos separados em vários potes. Para 8 a 10 pessoas.

domingo, 28 de junho de 2009

Balanço da Era Lula, numa tarde de domingo


28 de junho de 2009. Faltam 15 meses para que Lula deixe de governar o Brasil. Mesmo faltando tanto tempo, por ter antecipado a disputa pela sua sucessão, já nos forçamos a analisar o conjunto da obra. Mesmo porque, o próprio Presidente teria dito numa reunião ministerial ocorrida no início deste ano que não alteraria mais sua agenda. Teria dito que "se um projeto novo for muito bom, mas muito bom mesmo, o ministro deve entregar à Presidência para encaminhar para o seu sucessor".
O lulismo teve pontos altos e baixos. Tentarei propor uma síntese de cada um desses lados da gangorra.

Pontos Altos

Citaria a estabilidade econômica, que estabeleceu um cenário de sensatez e confiança mediana de todos agentes econômicos e sociais do país. Não vale dizer que é obra de FHC. Ele poderia ter jogado fora tudo e, além disto, conseguiu atravessar bem uma crise internacional, maior que as enfrentadas por FHC. Mas, neste ponto (da estabilidade), os dois conseguiram criar uma nova condição econômica para o Brasil.
Destacaria, ainda, o gerenciamento do maior sistema de proteção e assistência social que o país já viu, desde Getúlio Vargas. Não se trata de mera somatória do que Sarney e FHC fizeram. A questão central foi a maneira como foi gerenciado. O Bolsa Família se destaca, mas incluiria neste rol o PRONAF, o crédito consignado e a elevação do valor do salário mínimo.
Também é mérito do lulismo a consolidação do Presidencialismo de Coalizão. Praticamente construiu uma aliança partidária e empresarial que redefiniu os limites institucionais para qualquer oposição. Arriscaria dizer que redefiniu, por aí, uma lógica de Estado.
Finalmente, destacaria a política externa. Soube surfar na onda da novidade e do crescimento da importância dos BRICs. É evidente que China e Índia cresceram mais que o Brasil neste período. Mas esta comparação é sem sentido. Honduras também cresceu mais que o Brasil. A questão é que Lula se tornou uma liderança mundial, mais evidente que os governantes chineses e indianos. O Brasil se tornou uma força política internacional, não apenas uma promessa econômica.

Pontos Baixos

Como líder do maior partido de esquerda do país, conseguiu destruir a agenda de esquerda. Aproximou tanto seu programa do liberal e social-democrata que mais fez definhar sua oposição à direita que crescer a força das lideranças sociais e da esquerda brasileira. Ainda neste campo, desfigurou o PT. Lula já era maior que o PT. Agora o lulismo simplesmente solapou o PT. Se Dilma (uma lulista sem luz própria) perder a eleição, só restará Lula 2014 para o PT. Nada mais. E não se trata de coincidência. Lula administrou a destruição de nomes que poderiam disputar com luz própria sua sucessão, dentro do PT: Zé Dirceu, Palocci, Marta Suplicy, Tarso Genro, Fernando Pimentel e, mais recentemente, Fernando Haddad. Daí não avançar em nada a reforma política e outras reformas. Simplesmente porque o lulismo faz parte da estrutura de poder das elites políticas tupiniquins. O lulismo atualizou esta estrutura, mas não se esforçou, nem um milímetro, para alterá-la. Em outras palavras: dificilmente surgiria um novo Lula sob o lulismo.
Criou um sistema assistencialista que peca por flertar com o clientelismo. Pode ter criado um neo-clientelismo de tipo mexicano, muito conhecido na nossa região.
Não gerou novos direitos. Apenas procurou proteger (nem sempre com sucesso) os direitos já constituídos. Aliás, toda agenda de novos direitos, a começar pela agenda ambientalista, foi duramente rechaçada pelo lulismo.
Indicaria, finalmente, o PAC como uma espécie de balão furado. É mais uma moeda de compra das empreiteiras e lobbies, além de amarrar pequenas lideranças regionais, que um projeto de aceleração do desenvolvimento. Basta acompanhar o ritmo das obras.

Economia mineira em baixa


Como já havia sido identificado pela Secretaria Estadual da Fazenda, a Pesquisa Industrial Anual (PIA-Empresas), realizada pelo IBGE, revelou que Minas Gerais é o último Estado da região sudeste em produtividade e salários médios. A média salarial anual mineira é de 15 mil reais, contra 30 mil reais do RJ, 23 mil de SP e 18 mil do ES. Existe um evidente problema de baixo valor agregado nos produtos mineiros. Há, ainda, destaque negativo nas indústrias de vestuário e alimentos, que exigem baixa qualificação profissional e são pouco intensivas em capital.
Minas Gerais é Estado das commodities. O minério de ferro continua sendo o principal produto da indústria local. As que mais empregam são, justamente, alimentos, bebidas e vestuário.
O que agrava este cenário é a ausência de planejamento e orientação por parte do governo estadual. Um Estado que foi símbolo de planejamento e indução ao desenvolvimento, caiu nas garras do hipeliberalismo. Alguns "realistas" dizem que o governo estadual têm pouco a fazer. Mas qual o motivo para a Bahia ter tentado orientar o desenvolvimento, atraindo indústrias? Qual o motivo para o Maranhão, de Jackson Lago, ter procurado descentralizar sua gestão para criar fomento ao desenvolvimento do interior? Por qual motivo Minas Gerais não criou sub-governadorias como SP fez no início deste ano?
Não se trata de problema orçamentário, mas de orientação ideológica de governo.

sábado, 27 de junho de 2009

PT: a volta da geração anos 80


As eleições do próximo ano geram muita movimentação nos bastidores do PT. E não apenas em função do fenômeno Dilma e da nova configuração pautada pelo lulismo. Trava-se a articulação, nos bastidores, de uma luta interna, que será pouco percebida pelo eleitor: a luta entre a "geração 80" e "geração 90" do PT.
A geração 80 é aquela que criou o "modo petista de governar" e que era comandada pela moral e princípios da Teologia da Libertação e teorias libertárias, anti-soviéticas, de intelectuais paulistas e cariocas. A participação da base social na definição dos rumos partidários, a desconfiança dos acordos de cúpula, a inversão de prioridades em investimentos públicos, a transparência, a intransigência moral, eram algumas de suas marcas.
A geração 90 foi marcada por ex-militantes de organizações de esquerda e pelos dirigentes sindicais (em especial metalúrgicos e bancários). Esta vertente é absolutamente pragmática, focada no resultado, profissional da política, centralizadora, que criou estrutura empresarial na condução do partido e das campanhas.
2010 será o confronto dessas duas vertentes. Em Minas Gerais, o desenho já está nítido, no embate entre Patrus Ananias e Fernando Pimentel. Mas as chapas de candidatos à Câmara Federal também terão o signo da polarização.
Nesta segunda-feira, sindicalistas, ambientalistas, militantes dos direitos humanos, intelectuais, reunem-se para estudar o lançamento da candidatura de Nilmário Miranda com este foco. Não apenas uma candidatura para fora, mas também para a disputa interna e retomada do PT mineiro pela geração 80.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

2009 começa com reajuste salarial igual ou acima da inflação


96% das negociações salariais analisadas pelo Dieese nos cinco primeiros meses de 2009 teve reajuste igual ou superior à inflação. No mesmo período do ano passado, a taxa foi de 89%. Na indústria, o setor mais afetado pela crise econômica internacional, o percentual de reajustes igual ou acima da inflação ficou em 94%. No comércio, nenhuma negociação teve reajuste abaixo da inflação: 66,7% superaram o INPC e 33,3% acompanharam o índice. Nos serviços, 77,6% dos acordos foram de reajuste acima da inflação, 18,4% foram iguais ao INPC e 4,1% ficaram abaixo.
Uma explicação poderia vir da Teoria das Vantagens Comparativas, do liberalismo. Em outras palavras, os setores mais competitivos têm a tendência de definir o patamar de salários com o exterior, em especial, nos segmentos mais globalizados ou internacionalizados. Mas os estruturalistas nunca aceitaram tal explicação.
O fato é que esperava-se uma forte retração dos reajustes em ano de crise internacional.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Pedro Simon pede afastamento de Sarney


Quase na mesma hora em que se anunciava a morte de Michael Jackson, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) subiu à tribuna para pedir o afastamento de José Sarney (da Presidência do Senado). Em seu discurso questionou o fato de o presidente da Casa não se manifestar sobre as denúncias: "Ele não sabia que existia ato secreto? Não sabia que tinha banco em empréstimo consignado? Não sabia que tem mais de 300 servidores ganhando o dobro? Não sabia... O que o senhor [Sarney] está fazendo lá? Ninguém acredita em nós, não acredita em coisa nenhuma".

Sarney: passado e presente (Veja, maio de 1986)

Para quem ainda acredita em Aécio Presidente e Papai Noel


Da pesquisa GPP:
Na comparação de intenção de votos para Presidente da República nas regiões sul, sudeste e nordeste envolvendo Serra e Aécio, o governador mineiro só demonstra alguma competitividade no sudeste:
Nordeste: Serra 59%, Aécio 25%.
Sul: Serra 67%, Aécio 13%.
Sudeste: Serra 52%, Aécio 34%.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Festa Junina no nordeste


O Sul Maravilha desconhece o feriado junino que existe no nordeste. As repartições públicas voltam à trabalhar somente amanhã, em muitas cidades da região. Este é o caso de Salvador. Só para se ter uma idéia, veja a programação do Pelourinho, que começou na sexta-feira, 13:

13/06
20h às 22h Cicinho De Assis
22h à 0h Falamansa
1h às 3h Adelmário Coelho

14/06
20h às 22h Trio Nordestino
22h à 0h Zelito Miranda
1h às 3h Cordel do Fogo Encantado (SECULT)

15/06
20h às 22h Cacau Com Leite
22h à 0h Targino Gondim
1h às 3h Cavalo Doido

20/06
20h às 22h Virgilio
22h à 0h Forrozão Du Karai
1h às 3h Limão C/ Mel

21/06
20h às 22h Gereba
22h à 0h Ladia Betânia
1h às 3h Daniela Mercury

22/06
20h às 22h Alceu Valença
22h à 0h Del Feliz
1h às 3h Calango Acesso

23/06
20h às 22h Carlos Pita
22h à 0h Afro Bossa Nova
1h às 3h Daniel

24/06
20h às 22h Lua Cheia
22h à 0h Trio Nordestino
1h às 3h Xangai

28/06
20h às 22h Sarapatel com Pimenta
1h às 3h Estakazero

29/06
20h às 22h Miguelão do Forró
22h à 0h Colher de Pau

Sarney


Do Migalhas:
"Nunca antes na história deste país, viu-se um ex-presidente da República tão acuado. José Sarney, a figura mais poderosa da esfera parlamentar, atravessa o mais longo calvário de sua trajetória política. O Senado passou a ser a grande fogueira da República. O fogo come as entranhas do presidente da Casa. Senadores pedem sua renúncia. Sarney não deverá sair : 1) porque mostraria fragilidade; 2) perderia espaço - e que espaços - na administração federal. 3) deixaria também fragilizado o governo de sua filha Roseana, no Maranhão; 4) abriria espaços para o fogo corroer a floresta familiar. Sarney só tem uma saída : fazer uma grande reforma no Senado. De meios, métodos e processos."

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sem Ciro, Dilma ultrapassa Serra no nordeste


Do Blog do Fernando Rodrigues (UOL):
"Uma pesquisa GPP realizada em todo o Brasil, de 11 a 14 de junho, com 2 mil entrevistas, revela que Dilma Roussef (PT) tem 29% contra 46% de José Serra (PSDB) quando entre os candidatos não está Ciro Gomes (PSB). O PT esperava que Dilma chegasse ao patamar dos 30% apenas no final deste ano. Nesse mesmo cenário, quando se considera apenas a região Nordeste, Dilma marca 41,4% contra 37,6% de Serra.Quando Ciro Gomes está entre os candidatos, o desempenho de Dilma é bem pior: Serra 42%, Dilma 17% e Ciro 16%."

Acabei de publicar artigo sobre este tema, antes de ser divulgada esta pesquisa. Os dados anteriores já revelavam que o principal obstáculo de Dilma, neste momento, é Ciro Gomes.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Curió abre arquivo sobre guerrilha do Araguaia


O Estadão publicou, no domingo, importante matéria sobre assassinatos de guerrilheiros do Araguaia. O major Curió (foto) abriu ao jornal seu arquivo sobre a Guerrilha do Araguaia (1972-1975). Os documentos, guardados numa mala de couro vermelho há 34 anos, detalham e confirmam a execução de adversários da ditadura nas bases das Forças Armadas na Amazônia. Dos 67 integrantes do movimento de resistência mortos durante o conflito com militares, 41 foram presos, amarrados e executados, quando não ofereciam risco às tropas. Até a abertura do arquivo de Curió, eram conhecidos 25 casos de execução. Agora há 16 novos casos, reunidos a partir do confronto do arquivo do major com os livros e reportagens publicados. A morte de prisioneiros representou 61% do total de baixas na coluna guerrilheira.
Para dar apenas um exemplo do que se encontra nas anotações, reproduzo a que cita a morte do guerrilheiro paulista Antônio Guilherme Ribas, o Zé Ferreira: “Morto em 12/1973. Sua cabeça foi levada para Xambioá”.
Hoje, aumentaram as pressões para que todos arquivos sobre a guerrilhas sejam abertos. Paulo Henrique Amorim sugere, no seu artigo do dia, que a confidência de Curió desmonta a lei da anistia.

Ideologia e interpretação sobre o Irã


O esquerdismo sempre sentiu dificuldades para analisar o mundo real. Algumas correntes chegaram ao cúmulo de relacionar a luta política com OVNIs. Para garantir a tradição, James Petras (na foto) acaba de publicar um artigo que conseguiu a proeza de caducar em menos de uma semana. Neste artigo, sugeria que a denúncia de fraude nas eleições iranianas era um blefe à serviço dos interesses norte-americanos. A velha teoria da conspiração. Foi desmentido em seguida pelo próprio Conselho de Guardiães do Irã, que admitiu 3 milhões de votos a mais que a lista de eleitores oficiais. Esta ansiedade por algo que nem aparece no horizonte é típico do esquerdismo.
Ver artigo de Petras aqui.

Lulismo e novos direitos sociais

Embora Lula seja um símbolo da geração que lutou por novos direitos sociais no Brasil, seu governo, paradoxalmente, parece criar uma rede de contenção para ampliação de direitos. Antes, cria um fortalecimento impressionante de direitos básicos já conquistados e uma rede assistencial, toda centrada na força das políticas e burocracias federais. Assim, diminuiu em muito a autonomia municipal, já que grande parte dos prefeitos dependem das políticas federais, inclusive os convênios.
Alain Touraine disse, uma vez, que a política brasileira é sui generis: quem se diz socialista é social-democrata, os que se dizem social-democratas são liberais e os liberais são, na verdade, conservadores. O lulismo segue este vaticínio.

domingo, 21 de junho de 2009

Lô Borges, Olívia Byington e Simonal


Eu e Clau fomos ao parque municipal de BH, hoje, pela manhã, para assistir um show de Lô Borges e Olívia Byington (na foto). Lô Borges tem ainda uma força impressionante. E Olívia tem um carisma raro, porque é muito delicada. Chegou a cantar um trecho das Bachianas, de Villa-Lobos. Cantou música sertaneja (em homenagem ao seu primeiro filho, João, que adora música sertaneja).
Chego em casa e leio o Mais! que revela que Simonal era realmente informante do regime militar. Fiquei matutando. Comparei a postura pública dos dois que havia assistido pela manhã com a de Simonal. Nada passa impune na vida de uma pessoa. Em algum momento, suas posturas públicas emergem e cobram o preço. Lô Borges é claramente uma geração influenciada pelos Beatles. Olívia é mais clássica, mais intimista. Simonal, por sua vez, liderou (com Carlos Imperial) um estilo que denominava de pilantragem (uma espécie de ginga, de swing).
Mas, o que me incomoda mais é perceber como a verdade é efêmera. Como podemos estar equivocados e ser objeto de inúmeros sentimentos contraditórios em relação ao mesmo tema ou situação. Desde que entrou em cartaz "Ninguém Sabe o Duro que Dei", inúmeras versões pipocaram sobre a relação de Simonal com os aparelhos de repressão política. O argumento mais forte é que se fosse colaborador, não teria sido abandonado pela ditadura. Mas o Mais! indica que era colaborador. Não cita nenhum caso concreto de delação que tenha gerado algum dano objetivo (embora cite que ele teria delatado a irmã de Carlito Maia, que já estava no exílio). Um pé de chinelo da ditadura? Um equívoco ambulante?

As últimas de Lula


Lula falou, em Genebra, que "não há provas" de que tenha havido fraude nas eleições iranianas.
Depois, ao converter em lei a medida provisória que ampliou de 500 para 1.500 hectares o limite das áreas na Amazônia Legal que podem ser vendidas a seus ocupantes sem licitação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou um artigo que condicionava a regularização das propriedades ao zoneamento ecológico-econômico dos Estados, com regras para a ocupação do território. O Ministério do Meio Ambiente disse ter sido pego de surpresa. Na justificativa do veto, Lula alegou que a exigência do zoneamento poderia limitar a regularização fundiária a uma pequena parcela (7,5%) da Amazônia Legal. A previsão é que o zoneamento ecológico-econômico deva ser concluído até o segundo semestre de 2009.
Não contente, defendeu Sarney e seus atos secretos e mais a penca de familiares que ele contratou na surdina.

Parece óbvio que se trata da composição da base política de Lula, no Congresso e para 2010. Mas poderia ter um dedo maquiavélico nesta história. Explico: como pela esquerda e centro o campo está tranquilo, avança o sinal para o voto conservador. Esta estratégia é muito utilizada nos EUA e envolveu Clinton, para citar um exemplo (chegou a ser avaliado pela imprensa como o mais republicano dos democratas).
É uma estratégia muito arriscada, se for este o caso. Mas também procura romper o possível teto de 25% que analistas afirmam que Dilma enfrentará a partir do final deste ano.

sábado, 20 de junho de 2009

Debate entre Paulo Renato e Fernando Haddad


Um debate entre Fernando Haddad e Paulo Renato Souza (debate promovido pelo Grupo Estado) revelou o quanto os dois dirigentes da área educacional vinculados aos dois maiores partidos do país se aproximam rapidamente. Os dois afirmaram que os cursos de formação de professores precisam mudar para que o ensino no país melhore. O ministro Haddad propõe que o Estado assuma esta tarefa, via universidades públicas, a partir da reformulação dos currículos de cursos de Pedagogia e Licenciatura. Já Paulo Renato acredita em cursos de aprimoramento oferecidos depois da formação universitária podem ajudar a melhorar a preparação do professor. O Estado criou no mês passado a Escola de Formação de Professores, que vai oferecer cursos durante quatro meses para docentes aprovados em concursos. O vídeo com a íntegra do debate já está disponível na TV Estadão, no portal http://www.estadao.com.br.
O mais importante: Ministro e secretário também disseram que o aumento da quantidade de professores com curso superior no país não ajudou a melhorar a qualidade do ensino. Dados do primeiro censo completo do professor, divulgado no mês passado, mostram que 70% do 1,8 milhão de docentes da educação básica têm formação universitária. Este argumento coloca por terra aqueles que acreditam que a saída é a qualificação dos professores.

Mesmo assim, o Brasil possui déficit de 200 mil professores nas áreas de física, química, matemática e biologia.

O ex-ministro fez uma importante projeção sobre os salários dos professores. Disse que em 2003, os profissionais com curso superior completo ou incompleto ganhavam 86% a mais que docentes brasileiros. Em 2007, essa diferença caiu para 61%. A média salarial dos professores é de R$ 1,3 mil. A comparação não levou em conta o novo piso salarial de professores no País. Avalia que em 2015 os valores estarão equiparados. Mesmo assim, com bom tucano, defendeu a tal premiação por desempenho dos alunos (algo totalmente sem sentido).

Enquete


A maioria dos internautas votou na pesquisa sobre o impacto do adoecimento de Dilma Rousseff sobre a eleição de 2010 como sendo inócuo: 54% acreditam que este tema já estará superado em 2010. Outros 27% acreditam que criará alguma dúvida sobre a capacidade da possível futura Presidente administrar o país até o final do mandato. Apenas 17% afirmam que o adoecimento pode criar comoção, gerando aumento de sua popularidade.

Sopa Camponesa e Garfo


Hoje, o Decanter serviu como entrada no almoço (harmonização com vinhos) uma sopa de camarão com aipo, acompanhada de Rosé Carménère Santa Inés, 2007 (chileno). Por um equívoco, serviram a sopa com garfo e faca. No começo, fiquei em dúvida. É que lembrei da sopa camponesa que comi em Barcelona, num inverno dos anos 90. Pedi a sopa e veio acompanhada de um garfo. Achei que tinham errado e chamei o maitre. Perguntei sobre onde andaria a colher e ele me disse que aquela sopa se toma com garfo e faca, mas se eu desejasse, ele providenciaria uma colher. Fiquei com cara de colher e disse que preferia comer como eles comem. Os legumes e feijões enormes se comem com garfo.
Há várias receitas de sopa camponesa. São simples e vale a pena. Reproduzo uma das receitas:

Sopa camponesa
Ingredientes 1/2 nabo, não muito grande
1/2 cabeça de repolho, das pequenas
2 cebolas médias (ou 2 alhos poros)
2 colheres de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de salsa picadinha
4 batatas
4 cenouras
Sal e pimenta a gosto

Modo de Preparo
Pique as batatas, cenouras, cebola e nabo em pedaços razoáveis e o repolho em tiras. Algumas receitas incluem feijão branco. Na Espanha, colocam favas. Acho que dá para incluir ervilhas frescas, na vagem.
Coloque a manteiga em uma panela e quando estiver bem quente refogue os vegetais por 5 minutos. Junte 2 litros d'água fria e tempere com sal e pimenta a gosto
Cubra a panela e cozinhe durante 40 minutos aproximadamente
Sirva esta sopa bem quente, sobre torradas
Coloque por cima um pouco de salsa picada

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Lula na Playboy


Agora é que a oposição ao Lula morre. Até na Playboy? Segundo a Folha (A10) de hoje, a foto de de Valesca Popozuda beijando a foto de Lula foi comentada no Telegraph, Independent, La Reppublica e La Nación.

Ainda sobre Ciro Gomes

No site de Zé Dirceu aparecem algumas dicas a respeito de Ciro Gomes.
Num artigo sobre a "Terceira Via", rebate a tese de Ciro Gomes que Dilma teria como teto 25% das intenção de voto (Ciro se apoia na análise do IBOPE).
Num segundo artigo, comenta a possível candidatura de Ciro ao governo de SP. Diz:

"Ciro Gomes disse que sua eventual candidatura é uma "fofoca forte", mas não descartou a hipótese, já que segundo ele, "pessoas sérias" estão propondo-lhe que estude a possibilidade. Realmente, seu próprio partido em São Paulo, o PSB, tem consultado várias lideranças a respeito. Assim sendo, os interlocutores tomam a proposta como séria também. Foi por isso que fiz um comentário sobre as candidaturas do PSB (Ciro Gomes) e do PDT (dr. Hélio, prefeito de Campinas) ao governo do Estado. (...) A candidatura do Dr. Hélio teria viabilidade com o apoio do PT, do PSB, do PC do B e do PMDB. Este, como sabemos, está aliado ao PSDB e ao DEM em São Paulo, desde a eleição municipal do ano passado, embora eu não aposte na viabilidade do cumprimento integral no ano que vem do que previa o acordo que fechou essa aliança."

Temos outra hipótese explicativa do aceno de Dilma à Ciro Gomes?

Dilma e Ciro Gomes?


Foi um gesto de cordialidade. Afinal, Dilma estava em Fortaleza. Mas o que estaria no "não dito" quando afirmou que gostaria de ter Ciro Gomes como vice numa possível chapa à Presidência da Republica?
Primeiro: o óbvio. Em pesquisa encomendada em maio pela direção do PT, Ciro aparecia muito próximo de Dilma. Sem Aécio, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), aparece em primeiro no segundo cenário, com 36%; seguido por Dilma, com 19%; Ciro, com 17%; e Heloísa Helena, com 8%. Os brancos e nulos somam 19%. A soma de Dilma e Ciro empataria, justamente, com Serra.
Segundo: mas aí acaba o óbvio. Na mesma pesquisa, constatou-se que apresentava-se um segundo cenário, com Serra, Dilma, Ciro e Heloísa Helena. Neste caso, Serra vence com 36% dos votos. Num terceiro cenário, com apenas Serra e Dilma, o tucano vence com 48% dos votos. Conclusão dos cardeais petistas: é preciso existir duas candidaturas do bloco governista ou Serra ganha no primeiro turno.
Enfim, além da cordialidade, a intenção seria sinalizar uma chapa sul-nordeste, liberando o PMDB? Significaria um acordo de bastidor com o bloquinho (ou parte dele)? Um mero factóide para continuar exposta na mídia?

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Mais uma do Eduardo Azeredo


Um dos projetos bizarros que agita a internet é o Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo que quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. O projeto afirma ser crime "obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular, quando exigida", não podemos mais fazer nada na rede. O simples ato de acessar um site já seria um crime por "cópia sem pedir autorização" na memória "viva" (RAM) temporária do computador. O projeto, se aprovado, colocaria a prática do "blogging" na ilegalidade, bem como as máquinas de busca, já que elas copiam trechos de sites e blogs sem pedir autorização de ninguém!
Já existe um abaixo assinado solicitando rejeição deste projeto (PL Senado n. 137/2000, e n. 76/2000).
Tanta coisa para o senador mineiro se preocupar e vai logo se inspirando nas práticas do governo cubano e iraniano!!!!

Adolescentes presos em Betim fazem greve


Quatorze adolescentes acautelados no 2º Distrito Policial de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, estão em greve de fome desde segunda-feira, 15. Eles se rebelaram contra a qualidade da comida, a falta de água quente e a ausência de espaço para os banhos de sol. Outra reclamação dos adolescentes é a visitação, que acontece em apenas um dia da semana. "Conversei com os meninos e eles disseram que vão ficar sem comer até que haja uma solução", afirmou o onselheiro tutelar, Cândido Ribeiro da Silva. No mês de abril, o mesmo local foi inspecionado por representantes da Comissão de Direito Humanos da Assembleia Legislativa. Na época, havia 22 adolescentes nas duas celas apertadas do distrito. Nesse intervalo de tempo, oito adolescentes foram transferidos para centros socioeducativos. O Ministério Público já instaurou um inquérito para apurar a situação. Desde janeiro, são feitas reuniões com os agentes públicos para viabilizar um centro de internação na cidade e uma delegacia específica. Segundo a Subsecretaria de Atendimento às Medidas Socioeducativas do Estado de Minas Gerais, dois dos 14 adolescentes seriam transferidos ontem para outras instalações. O destino dos demais depende do J udiciário. "Fiquei sabendo que a situação é precária. Infelizmente, meu filho vai aprender a lição de uma maneira triste", lamentou a mãe de um dos jovens.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Brasil: campeão mundial de tempo perdido com broncas em sala de aula


A OCDE acaba de divulgar que os professores (tanto de escolas públicas, quanto privadas) gastam, em média, 18% do tempo de cada aula tentando manter a disciplina. Somos campeões mundiais neste quesito. A pesquisa foi feita entre 2007 e 2008 e envolveu 23 países. A mesma pequisa revela que a maioria dos professores brasileiras começaram a dar aulas sem passar por qualquer preparação ou acompanhamento prévio. Também somos o 4o do ranking mundial com número de alunos por turma (32,3 alunos, sendo que a média mundial é de 23,5).
Será que agora algum gestor para de inventar modismos e enfrenta o que é cada vez mais evidente?

Ação contra senadores e servidores do Senado


Os advogados gaúchos Irani Mariani e Marco Pollo Giordani ajuizaram, na Justiça Federal, uma ação que pretende discutir as horas extras não trabalhadas, no Senado, e outras irregularidades que estão sendo cometidas naquela Casa. A ação tramita na 5a. Vara da Justiça Federal de Porto Alegre e tem como réus a União, os senadores Garibaldi Alves e Efraim Morais e "todos os funcionários do Senado Federal, em número de 3.883 servidores, cuja nominata, para serem citados, posteriormente, deverá ser fornecida pelo atual presidente do Senado Federal, senador José Sarney".
Ponto nuclear da ação é que durante o recesso de janeiro deste ano, em que nenhum senador esteve em Brasília, 3,8 mil servidores do Senado receberam, juntos, R$ 6,2 milhões em horas extras - segundo a petição inicial. Os senadores Garibaldi e Efraim são, respectivamente, ex-presidente e ex-secretário da Mesa do Senado. Foram eles que autorizaram o pagamento das horas extras por serviços não prestados. A ação popular também busca "a revisão mensal do valor que cada senador está custando: R$ 16.500,00 (13º, 14º e 15º salários); mais R$ 15.000,00 (verba de gabinete isenta de impostos); mais R$ 3.800,00 de auxílio moradia; mais R$ 8.500,00 de cotas para materiais gráficos; mais R$ 500,00 para telefonia residencial, mais onze assessores parlamentares com salários a partir de R$ 6.800,00; mais 25 litros de combustível por dia, com carro e motorista; mais cota de cinco a sete passagens aéreas, ida e volta para visitar a base eleitoral; mais restituição integral de despesas médicas para si e seus dependentes, sem limite de valor; mais cota de R$ 25.000,00 ao ano para tratamentos odontológicos e psicológicos".
Esse conjunto de gastos está - segundo os advogados Mariani e Giordani -"impondo ao erário uma despesa anual em todo o Senado, de R$ 406.400.000,00,00 ou R$ 5.017.280,00 para cada senador - o que dá uma média de R$ 418.000,00 mensal como o custo de cada senador".
A causa será conduzida pela juíza Vânia Hack de Almeida. (Proc. nº 2009.71.00.009197-9). Abaixo, dados da ação:

AÇÃO POPULAR Nº 2009.71.00.009197-9 (RS)
Data de autuação: 31/03/2009
Juiz: Vania Hack de Almeida
Órgão Julgador: JUÍZO FED. DA 5ª VF DE PORTO ALEGRE
Órgão Atual: 5ª VF DE PORTO ALEGRE
Localizador: GAB03B
Situação: MOVIMENTO-AGUARDA DESPACHO
Valor da causa: R$6.200.000,00
Assuntos: 1. Adicional de horas extras 2. Horas Extras


AUTOR: IRANI MARIANI
Advogado: IRANI MARIANI
AUTOR: MARCO POLLO GIORDANI
Advogado: IRANI MARIANI

RÉU: UNIÃO - ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO
RÉU: GARIBALDI ALVES FILHO
RÉU: EFRAIM DE ARAUJO MORAIS
RÉU: FUNCIONARIOS DO SENADO FEDERAL

terça-feira, 16 de junho de 2009

Neokeynesianismo, Serra e Aécio


Aliás, dando continuidade à nota que postei abaixo, vale uma breve reflexão comparativa entre as agendas apresentadas por Aécio e por Serra. Embora mais jovem, Aécio carrega uma agenda ultrapassada, mais liberal, cujo único atrativo é a organização da máquina pública. Serra, pelo contrário, é historicamente vinculado à agenda desenvolvimentista, com papel proeminente da regulação e fomento estatais.
O mundo dos humanos, felizmente, não é linear e prega situações que a razão não prevê.

A direita vence na Europa


As eleições para o parlamento europeu deram uma esmagadora vitória aos partidos de direita. França, Alemanha, Itália, Portugal, Grã-Bretanha, Espanha, a lista é grande. Como explicar?
Primeiro, entendendo a agenda apresentada pelos partidos de direita: todos adotaram (e se anteciparam) a agenda neokeynesiana, com forte regulação estatal.
Segundo, em época de crise econômica grave (que derrubou o PIB a partir da queda surpreendente da Alemanha), a Europa torna-se mais intolerante e xenófoba.
Terceiro, a abstenção foi imensa: apenas 43% dos eleitores compareceram às urnas.

A soma revela a desorientação dos partidos de esquerda ou centro-esquerda. Do Partido Democrático italiano ao Partido Socialista francês, a agenda perdeu identidade. Foram muito para a direita com a força do discurso neoliberal. Agora que o mundo é neokeynesiano, perderam ainda mais espaço para a direita.
Na Europa ocorre o inverso do que ocorre aqui.

Teatro e Fotografia

Com o surgimento da fotografia, as artes plásticas foram se distanciando do realismo. A fotografia do teatro é a televisão. Contudo, o Brasil vive uma situação estranha neste campo. O teatro deveria fugir, a partir de então, do realismo. Mas a partir do besteirol, o teatro brasileiro parece desejar ser cada vez mais realista, com raras exceções. Saímos de casa para assistir algo que parece com o que vemos em casa ou na TV? Não faz muito sentido.

domingo, 14 de junho de 2009

Responsabilidade Fiscal em queda


A edição do jornal Hoje em Dia deste domingo destaca que vários prefeitos estariam "esquecendo" dívida antiga, tendo como fundamento o discurso do ministro José Múcio, de 10 de fevereiro, que teria dito: "tomem novos financiamentos, não paguem nenhuma prestação e deixem o problema para a próxima gestão". A LRF impede que prefeitos contraiam dívidas nos últimos oito meses do final de sua gestão (pode no caso de tiver recursos para saldar a dívida no mesmo ano). Caso contrário, têm que deixar dinheiro em caixa para que o governante seguinte quite a dívida.

Hélio Costa: a bola da vez


Hélio Costa é o sonho de consumo do PT e PSDB de MG. As notícias plantadas multiplicam-se como hamster. Uns afirmam que petistas mineiros tramam que ele seja vice na chapa com Dilma Rousseff, o que mataria vários coelhos com uma única cajadada. Outros, dizem que já fechou acordo de bastidor com Aécio Neves.
Eta omi querido, sô!

Cultura GNT


Ouvi, agora mesmo, no Saia Justa, uma passagem de uma poesia dedicada ao parceiro de uma mulher. A frase: "evite que eu me veja". Quem escreve é Márcia Tiburi. Eu fiquei pensando muito na frase.
fui procurar algo na internet sobre Márcia. E encontrei Vinícius de Moraes:
"É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste..."

GNT é um canal de TV cuja pauta é o discurso feminino.

sábado, 13 de junho de 2009

Existe vida inteligente na grande imprensa nacional


Quando a questão é analisar a grande imprensa brasileira, fico cada vez mais parecido com Clóvis Rossi quando analisa o Brasil: um grande ranzinza. Acho que a grande imprensa vem diminuindo seu horizonte, sua ambição. Mas há exceções que me alegram o final de semana. Este é o caso do suplemento de final-de-semana do Valor Econômico, a EU&. As reportagens de fundo são excelentes, em todas as áreas e temas. Na última edição, a crítica de Amir Labaci, a matéria sobre Bob Woodward (do Financial Times)e o texto de Maria da Paz Trefaut ("A comunhão das palavras") matam a saudades do grande jornalismo do pré-90.

Hoje é dia de Santo Antônio


Santo Antônio é o Santo mais popular do Brasil. É o Padroeiro dos pobres e Santo casamenteiro. Chamava-se Fernando de Bulhões e nasceu em Lisboa em 15 de agosto de 1195, filho de uma família rica. Aos 15 anos entrou para um convento agostiniano. Em 1220 trocou o nome para Antônio e ingressou na Ordem Franciscana. Morreu em 13 de junho de 1231.
Um belo texto publicado por Carlos Rodrigues Brandão sobre os caipiras, deu uma dimensão maior a este santo: é o santo que vem logo após a colheita. Tempo de fartura é tempo de casamento. Daí Santo Antônio. Um santo tão popular que os devotos têm a coragem de colocar sua imagem de cabeça para baixo num copo d'água até que seu pedido seja atendido. Santa intimidade, tipicamente tupiniquim (que reporta à tese do homem cordial, aquele que pensa com o coração, com a intimidade).
Mas há muitas outras simpatias, todas construídas a partir do mundo rural. Como a que sugere que se deve comprar um facão e cravar numa bananeira à meia-noite de 12 de junho (onde se encontrará uma bananeira nos grandes centros urbanos?) Acreditava-se que o líquido que escorrer da planta deve formar a letra do futuro amor.
Para onde estaria se dirigindo este mundo rural, da natureza entrelaçada ao misticismo? Não o misticismo medieval, mas este da intimidade? Do santinho camarada?
E, na direção oposta, em que sentido o Brasil urbano não seria, ainda, uma imensa Roça Grande? Em que medida Néstor Canclini não teria razão ao dizer que não conseguimos romper totalmente as tradições rurais, entrando no mundo moderno pelas portas dos fundos?
Seremos a quinta economia do mundo em 2050 (segundo as batidas projeções de economistas e Banco Mundial). Já somos a 7a (ou 10a, dependendo da base de cálculo). Mas não somos a Europa. Somos latinos, africanos e indígenas. Uma espécie de "queijo e vermes" com estilo de conto escrito por Hemingway (PS: Hemingway, um dia, disse que o pulo do gato de seus contos é que sempre suprimia a parte final que havia escrito).

Ambientalistas vencem maior frigorífico do Brasil


A ONG Amigos da Terra (ver site aqui) conseguiu, ontem, que a International Finance Corporation (IFC), braço para setor privado do Banco Mundial, voltasse atrás em sua decisão de financiar a expansão na Amazônia do frigorífico Bertin, objeto de um contrato em março de 2007. Agora, a pressão vai toda para que o BNDES faça o mesmo. O blog de Altino Machado (ver aqui)informa que "fontes internas do IFC, em Washington, confirmaram a Roberto Smeraldi, diretor da entidade, que o banco já decidiu cancelar o contrato com o frigorífico - maior exportador do Brasil e segunda empresa do setor no mundo - e solicitar o imediato pagamento do valor ainda pendente, equivalente a US$ 30 milhões."
O Grupo Bertin tem 30 anos de existência e é uma holding de capital nacional, que atua nos segmentos de agroindústria, infra-estrutura e energia. Sediado no Estado de São Paulo, possui 42 unidades produtivas. Seu forte é a exportação: 80 países, nos cinco continentes. Na agroindústria, o Grupo Bertin apostou no aproveitamento total da cadeia bovina, mas atua em seis divisões de negócios: Agropecuária, Alimentos, Couros, Equipamentos de Proteção Individual, Higiene e Beleza e Produtos Pet. Em infra-estrutura, a companhia está estabelecida nas áreas de Construção Civil e concessões de Rodovias e Saneamento Básico. Já no segmento de Energia Renovável, atua com Pequenas Centrais Hidrelétricas e Usinas de Biodiesel e Álcool, contando ainda com um Resort.
Pode ser a maior vitória de uma ONG ambientalista em nosso país. A ONG Amigos da Terra - Amazônia Brasileira existe desde 1989. A ONG é vinculada aos Amigos da Terra Internacional, rede de entidades ambientalistas, sem fins lucrativos, reconhecida pelas Nações Unidas desde 1971 e com atuação em mais 68 países.
No dia 1/6 o Ministério Público Federal (MPF) havia ajuizado ações contra 22 fazendas e 13 frigoríficos que participariam da devastação da Amazônia por meio da pecuária. Dentre eles, estava o Grupo Bertin S/A (além das fazendas da Agropecuária Santa Bárbara, do banqueiro Daniel Dantas).

Evolução das matrículas no ensino superior no Brasil

Irã e Coréia


A situação esquenta no oriente. Segundo a agência estatal KCNA, o governo norte-coreano de Kim Jong-il "responderá de forma militar" se os Estados Unidos e outros países realizarem um "bloqueio" de seus navios. Tal decisão é o lance mais ousado após aprovação da resolução do Conselho de Segurança da ONU que amplia o embargo de armas e o bloqueio de ativos norte-coreanos, e autoriza a inspeção de navios e aviões suspeitos de transportar mísseis ou armamento nuclear para Pyongyang. Faltou diplomacia à ONU. Bloquear Cuba é ainda fácil. Mas país que possui bomba nuclear...
A história fica mais complicada com a reeleição do iraniano Mahmoud Ahmadinejad, logo no primeiro turno, com 64,78% dos votos. Ahmadinejad rejeitou recentemente o pedido para paralisar seu programa nuclear. Negou, ainda, que o teste nuclear norte-coreano tenha relação com o lançamento de um míssil Sejil 2, de tecnologia avançada com alcance de até 2.000 quilômetros e capaz de atingir Israel e as bases americanas no golfo Pérsico.
Os dois governos não possuem absolutamente nada de esquerda, embora os maniqueístas considerem que aqueles que são contrários ao mundo capitalista sejam de esquerda por tabela. Ao contrário, possuem traços totalitários, marcados pelo personalismo e idolatria, com forte apelo xenófobo. A melhor política seria a distenção dos EUA com o mundo palestino, porque diminuiria o apelo regional ao ultra-nacionalismo. Obama, enfim, acerta em sua política externa. O Brasil, neste caso, tem muito pouco a fazer, a não ser intimidar Chávez a continuar se aproximando de Ahmadinejad. Aliás, os EUA e ONU deveriam seguir a orientação que a diplomacia brasileira adotou com o governo venezuelano: ao invés de confronto direto, um gradativo enquadramento do ímpeto beligerante. É menos espetacular que uma guerra, mas mais eficiente.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Eleição no Irã


Uma pena se Mousavi não provocar o segundo turno nas eleições iranianas. As informações é que mesmo de madrugada, saem às ruas carreatas, apitaços e buzinaços. Mas são jovens pintados de verde, grande parte mulheres (como se vê na foto). Verde é a cor da campanha de Mir Hossein Mousavi, 67, reformista moderado que promete melhorar as relações do Irã com o Ocidente, além de dar mais direitos para as mulheres e relaxar a repressão aos costumes entre os jovens. O slogan de Mousavi é "o governo da esperança". Mousavi recebeu apoio do ex-presidente Mohammad Khatami, que governou o país de 1997 a 2005, e foi considerado um liberalizador nos costumes; e principalmente sua mulher, Zahra Rahnavard, 61.
Até o momento, vai dando reeleição, em primeiro turno, de Mahmoud Ahmadinejad, com 63% do total apurado (61% do total).

quinta-feira, 11 de junho de 2009

A "marolinha", na manchete do Estado de Minas de ontem

Minhas apostas para 2010 em MG


Aposta 01:
Aécio Neves será candidato a Senador. Fará várias marolas, mas o tempo será cada vez menor para tanta marola.

Aposta 02:
Minas Gerais votará num candidato não paulista para a Presidência da República (assim como o nordeste). Em peso.

Aposta 03:
São dois cenários para as eleições estaduais.
O primeiro: polarização entre Patrus Ananias e Hélio Costa (este último, com apoio do PSDB).
O segundo: uma candidatura quase única de Fernando Pimentel (com apoio dos aecistas). Este segundo cenário tem alguma possibilidade, mas deve passar por um primeiro crivo interno, no PT. Ocorre que Fernando Pimentel apoiou 100 candidatos a prefeito do interior mineiro, no ano passado. Foram distribuídos muitos "santinhos" com as fotos do candidato, Aécio e Pimentel. Este, possivelmente, é o motivo para Pimentel aparecer à frente de Patrus nas pesquisas de intenção de voto (até o momento).

Política educacional: PT X PSDB?


Em termos de políticas sociais, já se foi o tempo em que petistas e tucanos se diferenciavam radicalmente. O "modo petista de governar" já é peça de análise histórica. Na área educacional a diluição é ainda mais acentuada. Na comparação entre Fernando Haddad e Paulo Renato, os últimos tempos revelam que os dois andam na mesma direção. E pelo mesmo trilho. Haddad procura unificar o vestibular através do ENEM. Este era o sonho de Paulo Renato, confessado em várias reuniões internas. Haddad sustenta que o currículo de ensino médio deve superar as disciplinas, organizando-se por áreas. É o mesmo que foi registrado nos PCNs do Ensino Médio, elaborados pela equipe de Paulo Renato. Mas aí começam as diferenças. Nos governos estaduais e municipais, não há correspondência interna das políticas educacionais, em prefeitos e governadores do mesmo partido. Arriscaria dizer que petistas caminharam, na área educacional, para o lado dos tucanos. Perderam, em sua maioria, a ousadia e inovação. Por seu turno, basta comparar a gestão educacional paulista e mineira para perceber diferenças profundas. Os paulistas são mais técnicos e os mineiros são evidentemente marketeiros.
Algo ocorreu nos últimos dez anos. Possivelmente, as mudanças curriculares e de orientação pedagógica dos anos 90 exigiram mudanças administrativas que custariam mais verbas, que não vieram. O ataque frontal ao sistema de ciclos, pela imprensa cada vez menos técnica e mais impressionista, também diminuiu o ímpeto inovador. A polarização PTXPSDB também diminuiu o espaço para o risco. Uma situação é ser mais um num sistema partidário muito competitivo. A outra é ser um dos pólos de um sistema partidário bipolar. Os espaços diminuem porque um pequeno erro aumenta a distância entre aqueles que até agora estavam polarizados.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Beatriz Sarlo e a tensão social em Buenos Aires


Li com uma mescla de admiração e melancolia a entrevista que Beatriz Sarlo, talvez a mais importante crítica literária (que tem muito de socióloga) argentina, concedeu ao Mais!, de 7 de junho. Gosto muito da Argentina e especialmente de Buenos Aires. Sempre manteve algo clássico, meio europeu (com seus cafés). Mas é verdade que andar pela Santa Fé, nos dias atuais, transparece uma linha divisória deste mundo de glamour e a pobreza. Pior: anos atrás a pobreza estampada nas ruas (que dificilmente se via em Buenos Aires) se confundia com famílias indígenas do norte do país. Agora não só. Inicialmente era como se uma parte da sociedade argentina que estava escondida na capital argentina tivesse aparecido, finalmente. Mas Sarlo fala de uma capital muito distinta das grandes cidades brasileiras: de uma paisagem que não tem nada da pós-modernidade de São Paulo ou do gigantismo desenvolvimentista de Brasília e tantas outras cidades brasileiras. Mas é triste ler passagens como esta que reproduzo de sua entrevista:
"A Argentina precisou passar por várias crises, e creio que na última, de 2001, realmente se deu conta de que não era o país próspero, ou relativamente próspero, que acreditava ser. Foi quando viu, literalmente, exércitos de centenas de pobres nas ruas recolhendo lixo."

Conflito na USP relatado pelo professor Pablo Ortellado


"Hoje, as associações de funcionários, estudantes e professores haviam deliberado por uma manifestação em frente à reitoria. A manifestação, que eu presenciei, foi completamente pacífica. Depois, as organizações de funcionários e estudantes saíram em passeata para o portão 1 para repudiar a presença da polícia do campus. Embora a Adusp não tivesse aderido a essa manifestação, eu, individualmente, a acompanhei para presenciar os fatos que, a essa altura, já se anunciavam. Os estudantes e funcionários chegaram ao portão 1 e ficaram cara a cara com os policiais militares, na altura da avenida Alvarenga. Houve as palavras de ordem usuais dos sindicatos contra a presença da polícia e xingamentos mais ou menos espontâneos por parte dos manifestantes. Estimo cerca de 1200 pessoas nesta manifestação. Nesta altura, saí da manifestação, porque se iniciava assembléia dos docentes da USP que seria realizada no prédio da História/ Geografia. No decorrer da assembléia, chegaram relatos que a tropa de choque havia agredido os estudantes e funcionários e que se iniciava um tumulto de grandes proporções. A assembléia foi suspensa e saímos para o estacionamento e descemos as escadas que dão para a avenida Luciano Gualberto para ver o que estava acontecendo. Quando chegamos na altura do gramado, havia uma multidão de centenas de pessoas, a maioria estudantes correndo e a tropa de choque avançando e lançando bombas de concusão (falsamente chamadas de “efeito moral” porque soltam estilhaços e machucam bastante) e de gás lacrimogêneo. A multidão subiu correndo até o prédio da História/ Geografia, onde a assembléia havia sido interrompida e começou a chover bombas no estacionamento e entrada do prédio (mais ou menos em frente à lanchonete e entrada das rampas). Sentimos um cheiro forte de gás lacrimogêneo e dezenas de nossos colegas começaram a passar mal devido aos efeitos do gás – lembro da professora Graziela, do professor Thomás, do professor Alessandro Soares, do professor Cogiolla, do professor Jorge Machado e da professora Lizete todos com os olhos inchados e vermelhos e tontos pelo efeito do gás. A multidão de cerca de 400 ou 500 pessoas ficou acuada neste edifício cercada pela polícia e 4 helicópteros. O clima era de pânico. Durante cerca de uma hora, pelo menos, se ouviu a explosão de bombas e o cheiro de gás invadia o prédio. Depois de uma tensão que parecia infinita, recebemos notícia que um pequeno grupo havia conseguido conversar com o chefe da tropa e persuadido de recuar. Neste momento, também, os estudantes no meio de um grande tumulto haviam conseguido fazer uma pequena assembléia de umas 200 pessoas (todas as outras dispersas e em pânico) e deliberado descer até o gramado (para fazer uma assembléia mais organizada). Neste momento, recebi notícia que meu colega Thomás Haddad havia descido até a reitoria para pedir bom senso ao chefe da tropa e foi recebido com gás de pimenta e passava muito mal. Ele estava na sede da Adusp se recuperando. Durante a espera infinita no pátio da História, os relatos de agressões se multiplicavam. Escutei que a diretoria do Sintusp foi presa de maneira completamente arbitrária e vi vários estudantes que haviam sido espancados ou se machucado com as bombas de concusão (inclusive meu colega, professor Jorge Machado). Escutei relato de pelo menos três professores que tentaram mediar o conflito e foram agredidos. Na sede da Adusp, soube, por meio do relato de uma professora da TO que chegou cedo ao hospital que pelo menos dois estudantes e um funcionário haviam sido feridos. Dois colegas subiram lá agora há pouco (por volta das 7 e meia) e tiveram a entrada barrada – os seguranças não deixavam ninguém entrar e nenhum funcionário podia dar qualquer informação. Uma outra delegação de professores foi ao 93o DP para ver quantas pessoas haviam sido presas. A informação incompleta que recebo até agora é que dois funcionários do Sintusp foram presos – mas escutei relatos de primeira pessoa de que haveria mais presos. A situação, agora, é de aparente tranquilidade. Há uma assembléia de professores que se reuniu novamente na História e estou indo para lá. A situação é gravíssima. Hoje me envergonho da nossa universidade ser dirigida por uma reitora que, alertada dos riscos (eu mesmo a alertei em reunião na última sexta-feira) , autorizou que essa barbárie acontecesse num campus universitário. Estou cercado de colegas que estão chocados com a omissão da reitora. Na minha opinião, se a comunidade acadêmica não se mobilizar diante desses fatos gravíssimos, que atentam contra o diálogo, o bom senso e a liberdade de pensamento e ação, não sei mais. Por favor, se acharem necessário, reenviem esse relato a quem julgarem que é conveniente.
Cordialmente,
Prof. Dr. Pablo Ortellado
Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Universidade de São Paulo"

terça-feira, 9 de junho de 2009

Recessão e Eleição Blindada


O Brasil entra em recessão técnica (segundo trimestre consecutivo com queda do PIB). Contudo, a maioria dos economistas diz que o país já dá sinais de recuperação econômica. Se bem que economista vem errando bastante nos últimos tempos.
Mas o fato importante não é esse. O fato é que a pesquisa CNI/IBOPE revela crescimento de Dilma Rousseff (Serra liderando com 38% e Dilma em segundo com 18%). Há um dado desta pesquisa mais importante: quando o Ibope apresenta ao eleitor a opção Aécio Neves, Dilma passa a liderar a corrida. O Nordeste é a região em que Dilma aparece com mais apoio.
Assim, em termos nacionais, a queda do PIB não está afetando a avaliação da população sobre o desempenho do governo federal e também não afeta negativamente a candidatura de Dilma Rousseff. O dado sobre Aécio/Serra indica que a opinião do eleitor sobre as eleições de 2010 parece blindada ou apartada das questões econômicas. Lembra algo que já havia sido pesquisado por Moacir Palmeira em áreas rurais: as lutas sociais se desvinculavam dos engajamentos em campanha eleitoral. Um sindicalista combativo de área rural muitas vezes se engajava em candidaturas conservadoras. Tratava-se, segundo o autor, de "adesão" a um ou outro grupo e de uma certa percepção que política se limitava à campanha eleitoral, à festa democrática. Algo próximo do comportamento das tribos.

domingo, 7 de junho de 2009

Arquipélago de São Pedro e São Paulo


Corpos e destroços do AF447 começam a ser resgatados neste domingo. A localização das descobertas está nas proximidades do Arquipélago de São Pedro e São Paulo. O arquipélago foi descoberto pelos portugueses em 1511. Em 1832, Darwin visitou o arquipélago. Trata-se de uma paisagem que, de longe, lembra uma mini-Fernando de Noronha. Mas de perto é inóspita, uma paisagem meio desoladora. Uma construção de madeira de 45 metros quadrados abriga uma equipe de quatro cientistas e pesquisadores que se revezam a cada 15 dias, com o apoio da Marinha do Brasil. Esta construção possui uma cozinha, uma sala de refeições, centro de comunicações, quarto para quatro pessoas, quarto de banho e varanda. O telhado conta com painéis fotovoltaicos para geração de energia elétrica.
Tudo bem bacana, tudo bem legal. Mas que o ministro falou demais, falou. Agora pouco ouvi uma patriotada do jornaista da Band, José Luiz Datena, dizendo que o ministro esteve certo desde o início e que os corpos e destroços estavam onde ele sempre disse que estariam. Mas, pergunto: e a história que a mancha de óleo seria do avião (depois se afirmou que seria de um navio) e que, por este motivo, seria uma prova que ele não teria explodido no ar? E por qual motivo o ministro falou mais que os técnicos e alta patente da aeronáutica que dirigia as operações de resgate e busca?

Servidores da Secretaria de Educação paralisam atividades


O blog http://seemg.blogspot.com/ noticia as mobilizações de servidores da secretaria estadual de educação de Minas Gerais. Reproduzo excertos das duas últimas postagens do blog:

1) Servidores públicos da Secretaria de Estado de Educação de 47 Superintendências Regionais de Ensino realizam manifestação hoje (5 de junho), na avenida Amazonas, em frente ao prédio da Secretaria de Estado de Educação, em Belo Horizonte. A mobilização tem o propósito de reivindicar a recomposição salarial da categoria, concessão de promoção por escolaridade adicional, posicionamento por tempo de serviço e melhores condições de trabalho, tanto física quanto humanas. De acordo com Andrezza Araújo Coelho, delegada regional do Sindipublicos, sindicato da categoria, uma recomposição salarial não é registrada há sete anos.

2) Superintendência Regional de Ensino de Uberaba fizeram paralisação geral ontem (dia 5 de junho). Cerca de 70% do efetivo aderiu ao movimento. E oito deles foram à Belo Horizonte, para participar de manifestação em frente à Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG).

Reforma Tributária e Aposentados


Recebo da FAPEMS (Federação das Associações dos Aposentados e Pensionistas do Estado do Mato Grosso do Sul) a seguinte mensagem:

"A Reforma Tributária se for aprovada como foi apresentada pelo Deputado Federal Sandro Mabel, retirará aproximadamente 15 bilhões de reais da Saúde, considerando os números de 2007. Além disso, fixa na Constituição Federal, o índice de 39,7% do IRPJ e IVA-F o valor a ser aplicado em toda Seguridade Social. (Saúde - Assistência e Previdência)."

sábado, 6 de junho de 2009

Número de filhos por família (IBGE)

O que é família no Brasil (IBGE)?

Blog da Petrobrás


Acesse aqui.

Vôo 447 e Politica


A Aeronáutica brasileira acaba de informar que foram encontrados dois corpos masculinos, uma maleta que continha um bilhete da Air France em nome de um passageiro do vôo 447. Também foram avistados no mar uma mochila com um cartão de vacinação e uma poltrona azul com numero de série semelhante ao usado pela companhia aérea. O material foi localizado por uma aeronave R-99, cujo radar tem tecnologia para encontrar objetos sem auxílio visual.
O que gostaria de destacar é o ranço da política nacional. A França, maior interessada na elucidação das causas da tragédia e que tem uma organizada e exigente sociedade civil, manteve cautela. Já nosso ministro, nem mesmo aguardou confirmações e já disse que a mancha de óleo era indício de que a aeronave não teria explodido. Espero que tenha aprendido e deixado questões técnicas para quem é técnico (no caso, as altas patentes da aeronáutica brasileira).
O que faz lideranças políticas tupiniquins serem tão sedentas de factóides e sensacionalismos? A raridade de notícias que confirmem sua competência? A eterna necessidade de se legitimar? Qual o motivo para instrumentalizarem politicamente questões que evidentemente são técnicas e merecem cautela científica? O que faz nossa cultura politica oficial ser tão pouco prudente? Por que somos tão direcionados ao espetáculo político? Por que somos eternamente rodeados pelo populismo? O Bolsa-Família estimularia a busca de "boas notícias" à qualquer custo?
Caso não fosse o primeiro a informar, o ministro teria sua credibilidade abalada? Por qual motivo? Estaríamos disputando com a França algum lugar no pódium?

Aumenta intenção de voto... mas também a rejeição de Dilma Rousseff


Do Radar On-Line:
"Na terça-feira, o Ibope divulga mais uma rodada de pesquisas eleitorais. Dilma Rousseff aparecerá com cerca de 17% das intenções de voto (em março, tinha 12%). Está, inequivocamente, subindo. A preocupação do PT, no entanto, é outra. A rejeição a Dilma também cresce. Na pesquisa da Sensus divulgada na semana passada, poucos se deram conta de que o nível de conhecimento de Dilma entre os brasileiros já está alto - 72% afirmam que sabem quem ela é. Em compensação, chegam a 32% os que dizem que não votariam na ministra. José Serra, por exemplo, é conhecido de 95% dos eleitores, mas sua rejeição é proporcionalmente muito mais baixa, 26%."

O que significa? Dilma já estaria batendo no teto? Ganharia os contornos de toda candidatura tradicional do PT?

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Creche e pré-escola gratuita e em tempo integral


A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou na terça-feira projeto de lei para ampliar a rede de creches e pré-escolas gratuitas e em tempo integral no país. A proposta, de autoria da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), ainda será analisada pelas comissões de Assuntos Sociais e de Educação, antes de seguir para a Câmara.
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Dioclécio Campos Junior, atualmente apenas 17% das crianças brasileiras de até 6 anos de idade têm acesso à educação no Brasil, o que, para ele, é um atraso inaceitável.

Propaganda mineira para divulgar o que não existe na educação


O governo estadual mineiro volta a combater a evidente queda de qualidade do ensino estadual com propaganda. Propagandas de meia página em jornais mineiros tentam criar o sentimento que tudo anda bem. Mas a situação é de degradação total. Dados do IDEB revelam que dos 10 Estados com melhores resultados no país, MG é o único que estacionou de 2005 até hoje. Reportagem da premiada jornalista Daniela Arbex revelou o descalabro de escolas estaduais totalmente desestruturadas. Ausência de política educacional para a área rural, para atender populações tradicionais, ausência de estratégia global para a educação. Uma total perda de rumo. Estive, ontem, com uma importante secretária de educação (premiada) de um governo municipal da base eleitoral de Aécio Neves. A avaliação é sempre a mesma: a educação estadual está em queda livre.
Vou mais longe: se for o caso posso citar nomes, mas o alto escalão de várias secretárias de governo de Aécio Neves criticam duramente a secretária Vanessa Guimarães (na foto) pela total falta de abertura à parcerias, alta centralização e autosuficiência. As críticas são gerais e quase irrestritas, ao longo do Estado.
O que faz um governador tão bem avaliado a insistir numa aventura como esta? Por que não trocou a direção desta secretaria como fez José Serra recentemente? Qual o mistério?
Propaganda sem conteúdo tem limites.

Mensagens comentando meu artigo


Recebi várias mensagens comentando (ou estimuladas) pelo meu artigo, publicado ontem na Folha de São Paulo. Vou reproduzir alguns excertos:

De Maciel Gonçalves:
"Envio este e-mail porque não pude me conter após ler seu artigo "Educação básica: qualificação ou "burnout"?". Lá você diz que as pessoas erram ao dizer que um dos maiores problemas da educação básica pública é a falta de qualificação. (...) Lembro-me bem do dia em que perguntei a uma professora o que era "Integralismo" e ela simplesmente me ignorou, dizendo que isso não tinha importância. Sei muito bem que existem professores extremamente competentes ali, mas é uma minoria risível. (...)"

De Viviane Cândido (SP):
"Quero parabenizá-lo por seu artigo hoje na Folha, especialmente porque você trabalha uma fronteira muito tênue no que diz respeito à opinião e ao conhecimento: muitas vezes o que se diz é que o educador tem a opinião e as pesquisas e suas avaliações, traduzidas em políticas públicas têm O conhecimento... Além disso, ao apresentar o relato da professora doutora Áurea Regina Damasceno, você traz algo que me tranquiliza em minha experiência pessoal! Recentemente, ao chegar de um dia destes em que beiramos à exaustão, li um e-mail em que um amigo repassava uma dessas 'reproduções' das bobagens que os alunos de ensino médio escrevem no ENEM e outro perguntava pelos educadores sérios e por políticas públicas."

De José Carlos Kiihl (Caconde, SP):
"Em 2003, fiz o concurso em São Paulo para professor do ensino médio. Escolhi cadeira em Caconde (SP), tendo tomado posse em Novembro de 2004. A idéia era saber o que estava acontecendo com o ensino público em São Paulo. Pedi exoneração do cargo em Maio de 2005. Gostaria de lhe transmitir algumas das minhas observações:
- Meu salário bruto (para carga semanal de 26 horas) era de R$ 810, recebendo livre R$ 640 (em 2006, declarei o total no Imposto de Renda e paguei 27,5% do bruto!)
- Havia feito projetos de sala ambiente etc, com boa chance de ganhar o dinheiro solicitado. Contudo como saia de uma sala e entrava em outra, com um intervalo curtíssimo para almoço, entre o período da manhã e da tarde, decidi desistir dos projetos, pois seriam impossíveis de serem implementados.
- apesar de pagar mal os professores, mesmo este pouco está sendo jogado fora pelo governo. Pois os alunos não estão aprendendo nada.
Não é questão da formação dos professores. Na verdade eles têm formação muito melhor que a dos meus antigos professores (ninguém era formado em nada, pouquissimos concursados, gente improvisada para quebrar o galho - anos 50 e 60).
- o material didático atual é maravilhoso (pelo menos o de Matemática). Em Novembro escolhi os textos e em Fevereiro a escola recebeu os livros encomendados, que foram distribuidos, gratuitamente aos alunos. No meu tempo o material didático era inesistente, ou de péssima qualidade.
Pois o que observei, neste breve período de atuação, foi que os alunos são totalmente sem educação (no sentido literal do termo). Eles não sabem se comportar. Não respeito nada. Nem os professores, nem os colegas, nem os funcionários, nem os colegas. E pelo, que pude constatar, nem os pais!"

De Rita de Cássia Oliveira (Taquaritinga,DF):
" Então, vem-nos a pergunta que "parece-nos", deveria ser óbvia: - Por que então, não paramos de inverter a ordem da lógica dos investimentos e começamos a investir em primeiro lugar direto na sala de aula (investimentos físicos e logísticos), colocando-a sempre na posição de investimento urgente por que a hora da aula é agora e na sequência os investimentos destinados à educação e à escola, mas que nunca ultrapassam a porta da sala de aula do momento adequado (o momento da aula) e que acabam por se tornarem indiretos?"

The Economist: má educação brasileira


Um artigo na edição mais recente da revista britânica The Economist traça um panorama da situação da educação no Brasil e afirma que a má qualidade das escolas, "talvez mais do que qualquer outra coisa", é o que "freia" o desenvolvimento do país. Citando os maus resultados do Brasil no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), realizado a cada três anos pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a revista afirma que, apesar dos grandes investimentos e progressos em setores como política e economia, em termos de educação, o país está "bem abaixo de muitos outros países em desenvolvimento". A publicação compara a situação brasileira à da Coreia do Sul, que apresenta bons resultados no Pisa. "Até a década de 1970, a Coreia do Sul era praticamente tão próspera quanto o Brasil, mas, ajudada por seu sistema escolar superior, ela saltou à frente e agora tem uma renda per capita cerca de quatro vezes maior". Sindicatos Para a revista, entre os principais motivos para a má qualidade da educação no país está o fato de muitos professores faltarem por diversas vezes às aulas e os altos índices de repetência, que estimulam a evasão escolar. Na opinião da Economist, o governo precisa investir mais na educação básica. "Assim como a Índia, o Brasil gasta muito com suas universidades ao invés de (gastar) com a alfabetização de crianças".

quinta-feira, 4 de junho de 2009

CALLmeKAT - Toxic


Em noites que devem ser regadas com um bom vinho, talvez acompanhadas por uma sopa de cebola francesa, vale a pena ouvir esta dica de Nelson Motta: Katrine Ottosen. Ouça aqui.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Política Mineira: um trem que já passou


No blog de Renato Pereira, que você pode acessar aqui, comenta-se as possibilidades de Aécio e o acordo com Itamar. Vou reproduzir algumas passagens e comento em seguida:

"De acordo com a notícia da Agência Brasil, o governador mineiro, Aécio Neves, reconheceu hoje, (03/06), em entrevista ao programa "3 a 1", da TV Brasil, que vai ao na noite desta quarta-feira, que as chances de o governador de São Paulo, José Serra, ser o candidato do partido às eleições presidenciais do próximo ano são maiores do que a candidatura dele próprio."

"Para este blogueiro Itamar é peça chave nas pretensões do governador Aécio Neves para a Presidência do Brasil. E sua filiação ao PPS é estratégica. Explico.Itamar é um notório apoiador da candidatura de Aécio ao Planalto. O PPS estará ao lado do PSDB nas eleições de 2010. Portanto, a filiação de Itamar ao PPS será mais um ponto positivo para o governador mineiro, pois ganhará um aliado de grande peso político em outra legenda. E isso faz diferença.Então quer dizer que com o apoio de Itamar, Aécio vencerá as prévias? Não. Claro que o apoio de Itamar, se filiado ao PPS, fortalecerá a candidatura de Aécio, mas não quer dizer garantia de vitória.Na verdade, nacionalmente, com algumas exceções regionais, poucos acreditam na vitória de Aécio sobre Serra nas prévias do PSDB. Mas o tucano mineiro pode surpreender, em política tudo pode acontecer."

Meus comentários:
1) Aécio Neves já perdeu o bonde da candidatura à Presidência da República. Tudo pode ocorrer em política, mas a tendência é clara. Mesmo porque, o impacto da crise econômica sobre o PIB e orçamento mineiros é muito maior que em São Paulo;

2) O PPS há muito perdeu poder de fogo. Se uniu de tal maneira ao PSDB que perdeu completamente sua visibilidade/identidade. Em marketing, o nome é "falta de posicionamento", ou seja, não consegue se diferenciar dos outros. Lamento esta situação, para ser sincero. Mas não vejo nenhum futuro no PPS, se continuar se mantendo como sigla auxiliar;

3) Itamar Franco não existe mais na política nacional. Nem mesmo na política mineira. Talvez tenha força em Juiz de Fora. E fica por aí. Um apoio inócuo, que faz marola na grande imprensa no dia do anúncio e que depois some durante o jogo. Mesmo porque, os mineiros se envergonharam com o destempero de Itamar quando governador. Itamar é pouco mineiro, digamos. Como pode somar? Acredito que seja mais uma demonstração de desespero dos apoiadores de Aécio (e de Itamar) que uma força real qeu se soma a um projeto nacional.

Atílio Boron: Cuba na OEA?


Atilio Boron, Diretor do Programa Latinoamericano de Educação à Distância em Ciências Sociais PLED/Buenos Aires) escreve em seu site um breve artigo sobre a decisão da OEA que revoga a exclusão de Cuba (ocorrida em 1962), assumindo a posição oficial do governo cubano:

"Primero, la resolución es un síntoma de los grandes cambios que han tenido lugar en el panorama sociopolítico de América Latina y el Caribe en los últimos años y cuyo signo distintivo es la persistente erosión de la hegemonía norteamericana en la región. La derogación de aquella ignominiosa resolución impuesta por la administración Kennedy revela la magnitud de las transformaciones en curso y que la Casa Blanca acepta a regañadientes. De este modo se repara –si bien tardía y parcialmente- una decisión de inmoralidad manifiesta y que ha pesado como un intolerable baldón sobre la OEA y sobre los gobiernos que con sus votos, o su abstención, facilitaron los planes del imperialismo norteamericano. Este, al no poder derrotar militarmente a la Revolución Cubana en Playa Girón optó por erigir un “cordón sanitario” para evitar que sus influjos emancipadores se contagiaran a los demás países del área. Intento que, por cierto, fracasó rotundamente.

Segundo, el debilitamiento de su hegemonía no significa que Estados Unidos renuncie a apoderarse, por otros medios, de los recursos y las riquezas de nuestros países o a tratar de controlar a nuestros gobiernos apelando a otros expedientes. Sería un error imperdonable pensar que debido a este declive de su capacidad de dirección política -e intelectual y moral a la vez- el imperialismo depondrá sus armas y comenzará a relacionarse con nuestros países en un pie de igualdad. Todo lo contrario: ante el declinar de su hegemonía su respuesta fue nada menos que la activación de la Cuarta Flota, con el propósito de lograr por la fuerza lo que en el pasado obtenía por la sumisión o complicidad de los gobiernos de la región. Y Obama no ha emitido la menor señal de que piensa cambiar esa política.

Tercero: Cuba, así como los demás países de Nuestra América, nada tienen que hacer en la OEA. Tal como lo hemos señalado en innumerables oportunidades, esta institución reflejó un momento especial en la evolución del sistema interamericano: el de la absoluta primacía de Estados Unidos. Esa etapa ya ha sido superada, y no tiene vuelta atrás. La maduración de la conciencia política de los pueblos de la región hizo que aún gobiernos muy afines a la Casa Blanca no tengan otra opción que enfrentarse a Estados Unidos en la condena al bloqueo de Cuba y, en San Pedro Sula, a derogar la decisión de 1962. Ante esta situación, la OEA está condenada por su larga historia como dócil instrumento del imperialismo: legitimó invasiones, asesinatos políticos, magnicidios, (algunos, como el de Orlando Letelier, perpetrados en Washington), golpes de estado y campañas de desestabilización contra gobiernos democráticos. Fue ciega, sorda y muda ante las atrocidades del “terrorismo de estado” auspiciado por Estados Unidos y ante políticas criminales como el Plan Cóndor. Cuando en Mayo del 2008 estalló la crisis en Bolivia el conflicto fue rápidamente solucionado por los países de América Latina sin que la OEA jugara papel alguno. No hizo falta. No hace más falta.

Cuarto: lo que sí hace falta es fortalecer y coherentizar sin más dilaciones los diversos proyectos de integración de los países de América Latina y el Caribe, como el ALBA o la UNASUR, iniciativas distintas pero que expresan la realidad contemporánea de la región. La OEA, en cambio, es una institución insanablemente anacrónica y por eso mismo inservible: representa un mundo que ya no existe sino en los delirios de los nostálgicos de la Guerra Fría y por eso no puede hacer ninguna contribución para enfrentar los desafíos de nuestro tiempo. Después de haber derogado la resolución de 1962 le haría un gran servicio a la humanidad si decidiera disolverse."

Sobre piso nacional para professores

Feliciana Saldanha, diretora do Sindut-MG, envia mensagem alertando para a nota (ver abaixo) sobre o piso salarial da categoria de professores. O piso não se refere à jornada de 40 horas, mas jornadas ATÉ 40 horas semanais.

Políticos são considerados corruptos por 68% dos cidadãos do mundo


A Transparência Internacional acaba de divulgar pesquisa envolvendo 73.000 pessoas em 69 países em mais de 60% avaliam que políticos, empresas e poder judiciário são corruptos. O índice de desconfiança sobre os meios de comunicação foi de 43%. Os dados da nota que recebi são:

"En España, el 29 por ciento de lo encuestados creen que el sector privado es el más expuesto a la corrupción, seguido por los partidos políticos (27%), los funcionarios (15%), el poder judicial (12%), los medios (9%) y el poder legislativo (8%).
La presidenta de TI, Huguette Labelle, indicó en la presentación del informe que existe el riesgo de que la creciente desconfianza en los políticos se traduzca en niveles cada vez más altos de abstención, lo que provocaría la elección de líderes poco representativos.
Uno de cada diez encuestados admite haber pagado un soborno durante los últimos 12 meses o que lo haya hecho algún miembro de su familia, una proporción que en España representa sólo el 2 por ciento.
La organización indica que existe una diferencia entre nuevos y antiguos miembros de la UE, ya que mientras los niveles se mantuvieron bajos en Holanda (1%), Luxemburgo (4) o Reino Unido (3) en otros como Lituania llegaron al 30 por ciento.
Las regiones más expuestas a este tipo de prácticas son Oriente Medio y África: en Liberia, Sierra Leona y Uganda más del 50 por ciento de los encuestados reconoce haber pagado un soborno en el último año. El 25 por ciento afirmó haber pagado un soborno a la policía, percibida como "la institución más propensa" a este tipo de corrupción. El poder judicial, las oficinas de registro y permisos y los servicios de administración de tierras, salud y educación son los siguientes más proclives a aceptar sobornos. Según Labelle, lo más grave de esta situación es que sólo uno de cada cinco encuestados denunció de manera oficial los hechos y los que no lo hicieron alegaron, entre otras cosas, que creían que informar de lo ocurrido no tendría efecto o les causaría problemas. En cuanto a las medidas gubernamentales para combatir la corrupción, sólo uno de cada tres entrevistados dice confiar en los mecanismos existentes, mientras que más de la mitad consideró que no eran efectivos. En España, el 44 por ciento consideró las medidas "ineficaces" frente a 29 por ciento que las calificó de "efectivas" y al 27 por ciento que no supo valorar la acción del gobierno en esta materia. Destacan una caída en la confianza pública en los Balcanes y Turquía. La encuesta publicada hoy fue realizada por Gallup Internacional entre octubre de 2008 y febrero de 2009, sobre 69 países de todo el mundo, entre ellos 17 de los 27 miembros de la Unión Europea."

Mobilização nacional de blogueiros em Cuba

OEA revoga suspensão de CUBA


Tão emblemática quanto a revolução cubana é o isolamento, imposto pelos EUA, à Cuba. A suspensão do embargo pelos EUA geraria um forte impacto (simbólico) internacional. E parece que está cada vez mais próximo. Obama estuda "pontes" que consigam preparar terreno. E a OEA deu, hoje, um passo fundamental nesta direção. Os chanceleres que participam da 39ª Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizado em Honduras, revogaram a suspensão de Cuba que começou há 47 anos. Reproduzo a resolução:

"A Assembléia Geral, reconhecendo o interesse sobre a plena participação de todos os Estados-membros; guiada pelos propósitos e princípios estabelecidos pela Organização dos Estados Americanos contidos na Carta da Organização e em seus outros instrumentos fundamentais relacionados com a segurança, a democracia, a autodeterminação, a não-intervenção, com os direitos humanos e com o desenvolvimento; considerando a abertura que caracterizou o diálogo dos chefes de Estado e de governo na Quinta Cúpula das Américas, em Port of Spain, e que com esse mesmo espírito os Estados-membros desejam estabelecer um amplo e revitalizado quadro de cooperação nas relações hemisféricas; e levando em conta que, nos termos do artigo 54 da Carta da Organização dos Estados Americanos, a Assembléia Geral é o órgão supremo da organização; resolve:

1. Que a sexta resolução, adotada em 31 de janeiro de 1962 na oitava Reunião de Consulta de Ministros de Relações Exteriores, mediante a qual o governo de Cuba teve a participação no sistema Interamericano excluída, fica sem efeito na Organização dos Estados Americanos.

2. Que a participação de Cuba na OEA será o resultado de um processo de diálogo iniciado a pedido do governo de Cuba e em conformidade com as práticas, os propósitos e princípios da OEA. "

Itamar Franco como vice de Serra?


Esta vem da análise de Gaudêncio Torquato:

"Pois é, Itamar Franco, que entrou no PPS, é cotado para ser o vice na chapa de José Serra. Quantos votos tem Itamar ? Quantos votos tem o PPS ? Qual é o tamanho da bancada do PPS ? Pois bem, essas respostas embasam a escolha de um vice. O PPS ficou pequeno. Não adicionará muito ao PSDB para efeito de espaço na programação eleitoral gratuita. Itamar, por seu lado, é uma figura respeitada, mas parece viver no século passado. Poderia, sim, agregar Minas Gerais, eis que se trata do segundo maior colégio eleitoral do país. Sob esse aspecto, tudo bem. Mas quem deve fazer melhor análise é o tucano Aécio Neves, governador das Minas Gerais."

DUVIDO!!

E Torquato ainda avalia a candidatura de Dilma Rousseff:

"Faz tempo que esta coluna avisa : Dilma é competitiva. Ultrapassou, como previmos, a faixa dos 20% antes de julho. Seu teto, o teto histórico do PT, é de 35%. Isso não significa que não poderá ultrapassá-lo. Cada tempo, cada campanha e cada candidato têm os seus caminhos, mais estreitos ou mais largos, a depender das circunstâncias. No caso da Dilma, algumas observações podem ser feitas, já neste momento : tem condições de ganhar as eleições, caso equacione as condições de saúde; o empate com Serra no espaço da pesquisa espontânea mostra que já é muito conhecida do eleitorado; está usando muito bem o palanque pré-eleitoral, enquanto Serra está isolado no Palácio dos Bandeirantes; sua posição fixa mais em torno de si a base governista."

Democracia Participativa na Europa


Acabo de receber mensagem da França em que se informa que Ségolène Royal (ex-candidata à Primeira Ministra da França, pelo Partido Socialista) e Claudio Martini (Presidente da Região Toscana), a partir do termo de cooperação entre suas regiões (Toscana e Poitou-Charentes) para promoção da democracia participativa lançaram o portal www.demo-part.org. A cooperação vincula-se ao projeto da Fundação Européia para a Democracia Participativa. Esta Fundação foi proposta por Ségolène em 2005 na conferência euro-latino-americana sobre a democracia participativa, realizada em Poitiers (município da região centro-oeste da França).

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A máfia dos taxistas


Não entendo os motivos para não se tentar romper com a máfia dos taxistas. Em muitas cidades do interior não existe ponto livre porque cada "ponto" (criado pela máfia local) custa ao redor de 25 mil reais. Um taxista pode "alugar" um ponto. Na prática, quem pega um taxi paga um valor fixo, fazendo do taxímetro um objeto decorativo. Nas capitais a coisa é mais complicada. Há cooperativas que recebem em cartão de crédito ou débito e só pagam muitos dias depois ao taxista. Mas fazem um "favor": adiantam o dinheiro pela módica taxa de 10% ou 20%. Uma extorsão.
Mas existe o troco: hotéis cobram 20 reais ou mais para "chamar" um taxista. Percebi esta situação, pela primeira vez, em Curitiba. Quando saía de um hotel, o mensageiro corria pelas ruas para chamar um taxi. O que incomodava era a "dedicação" quase insana dos mensageiros. Até que um taxista me explicou. Vários hotéis ao contratar mensageiros afirmam que esta "taxa" é um adicional ao salário. Garantem a "comissão".

Os falsários


Fui assistir Os Falsários. Era para ser um forte contraponto ao filme que havia assistido no sábado (o brasileiro A Mulher Invisível, com o brilhante Selton Mello). Um drama pesado, quase épico. Mas não foi. Trata de uma passagem da vida do falsificador Salomon Sorowitsch, judeu, preso num campo de concentração, que é forçado a gerenciar a maior falsificação de libras e, depois, dólares, do mundo. A intenção formal é inundar o mercado de dinheiro falso e desequilibrar a economia dos países inimigos (Inglaterra e EUA). A informal é gerar alguns trocados para chefes nazistas. Esta co-produção germano-austríaca, contudo, tem algo de estranho porque toda a história deveria gerar angústia. Mas não gera. O diretor e roteirista Stefan Ruzowitzky narra a história, adaptada do livro de Adolf Burger. Novamente, a intenção explicita é explorar os conflitos morais, mas acaba focando o pragmatismo (do comandante alemão e do falsário Salomon). O pragmatismo como centro evita cair no dramalhão batido dos filmes sobre a grande guerra, mas cria um clima quase prosaico, se afastando em muito de uma situação épica que parecia ser a moldura do filme desde o início. Forma e conteúdo parecem se cruzar nas telas. Li várias críticas do filme e uma que chamou a atenção destacava a "câmera nervosa sem motivo, com zooms típicos de filmagem de campo de batalha" (site cinematório). O "sem motivo" da crítica faz coro ao que senti. Normalmente, teria motivo, já que se trata de um filme de guerra. Mas esta forma não bate com a emoção gélida que o filme cria.
Alfredo Bosi nos ensina que uma obra de arte possui três discursos que se entrelaçam: o conteúdo racional, a forma e a emoção. Embora entrelaçados, cada discurso possui identidade própria.
Os Falsários cria uma estanheza neste sentido porque cada um desses três elementos (ou discursos) parece apontar para uma direção muitas vezes muito diferente. O tema é tipicamente moderno, mas a estética e o foco no pragmatismo de homens ambiciosos, sem ideologia, se aproxima do pós-modernismo (que, aliás, não produz uma leitura ética da vida). Bem estranho.