sexta-feira, 2 de março de 2012

Mais uma do amigo da onça


Kassab confirma declaração sobre apoio de Serra a Dilma contra Aécio


MARIANA CARNEIRO
DE SÃO PAULO
O prefeito Gilberto Kassab (PSD) confirmou nesta sexta-feira (2) a conversa com o presidente do PT, Rui Falcão, em que disse que José Serra (PSDB) preferiria a reeleição de Dilma Rousseff a apoiar uma eventual candidatura do também tucano Aécio Neves à Presidência em 2014.
"Eu falei em meu nome. Eu disse, em algum momento do ano passado, que eu achava que existia um risco se o Serra fosse prefeito, diante da tensão que existia, de até não apoiar [Aécio Neves]. Isso eu falei mesmo, é verdade", afirmou o prefeito.
Kassab fez a abertura do primeiro debate organizado pela fundação Espaço Democrático, do PSD, com o tema "Privatização, Concessão e PPP's".
Em entrevista ao jornalista da Folha Fernando Rodrigues, Falcão revelou que Kassab teria afirmado que "para a [presidente] Dilma, a melhor coisa que poderia acontecer é o Serra prefeito de São Paulo".
Na análise de Kassab, Serra ficaria fora da disputa pelo Palácio do Planalto e, ao mesmo tempo, não apoiaria Aécio.
O prefeito evitou repetir a mesma avaliação hoje, num momento em que se alia a Serra para enfrentar o PT na disputa pela Prefeitura de São Paulo: "Naquele momento eu tinha esse pensamento. Hoje as circunstâncias são outras e eu não parei pra avaliar".
Kassab enfatizou que essa era a sua avaliação e que nunca conversou com Serra sobre o assunto. O prefeito fez questão de não transparecer ressentimento diante da inconfidência do ex-possível aliado.
"Imagina, nossas relações são as melhores possíveis", disse. "Eu tive essa conversa no ano passado com o presidente e querido amigo Rui Falcão. Eu não pedi segredo."
Entre tucanos próximos a Serra, a revelação soou incômoda: "O Rui Falcão está querendo criar cizânia no nosso partido", disse o senador Aloizio Nunes. "Cada macaco no seu galho. Ele que cuide do PT e nós do PSDB".
PANOS QUENTES
Gilberto Kassab evitou também polemizar com correligionários, como a senadora Kátia Abreu (PSD-TO), que em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo" afirmou descontentamento do alinhamento do partido com o PSDB. No seu Estado, o grupo da senadora e tucanos estão em lados opostos.
Kassab disse que o PSD é um partido novo, com diferentes vertentes e, por isso, é difícil a unanimidade. Mas indicou que seu apoio a Serra não tem nada a ver com partidos e se trata de um apoio pessoal.
"Essa é a razão de afirmarmos que a aliança com o PSDB em São Paulo ocorreria desde que fosse o Serra candidato. É uma peculiaridade: a gestão aqui em São Paulo é conhecida como Serra-Kassab. Não faria nenhum sentido, sendo o Serra candidato, nós não o apoiarmos", afirmou.
O prefeito disse ainda que mantém conversas com dirigentes do PV e do PSB para ingressarem na chapa de Serra e que tem nomes, do PSD, a indicar para uma possível posição de vice de Serra.
"O PSDB já sabe que o Serra candidato contará conosco. Nosso apoio é incondicionalº, reafirmou. ªNo momento certo, sob a coordenação do Serra, a questão do vice será discutida."
Kassab elencou vice-prefeita Alba Marco Antônio, o presidente da UGT, Ricardo Patah, o secretário Alexandre Schneider e "se tivermos uma aliança com o PV, o Eduardo Jorge", disse.

2 comentários:

Aluisio Junior disse...

Obviamente que não é possível sinceridade naquela "saudável" disputa dentro do PSDB protagonizada pelas lideranças mineira e paulista, Aécio Neves e José Serra respectivamente. Claro que tudo, inclusive o apoio do ex-governador Aécio Neves no segundo turno ao Serra, não passava de um teatro para a imprensa , atendendo aos interesses do partido, pois não interessava a legenda demonstrar uma desunião maior do que já se sabia. Normal dentro do que significa uma política partidária, sendo comum a todos os demais. No entanto, um eventual apoio ao PT na condição de situação, em detrimento a uma candidatura do Aécio pelo PSDB, partido onde o Serra construiu parte significativa da sua trajetória política, mostra muito mais que uma traição aos tucanos, ou até mesmo que a seu rival vizinho, mas sim um desequilíbrio do pré-candidato a prefeitura de São Paulo.

SENÔ JÚNIOR disse...

Serra não engole Aécio e vice-versa.