quarta-feira, 21 de março de 2012

Dilma desmonta a coalizão presidencialista

Acho que não precisa de mais ilustração para ficar claro que Dilma não é Lula e que a ausência deste é um desastre para a condução política do governo federal. A cada dia, os "aliados" dão um passo na desmoralização do jeito Dilma de não fazer política. E com apoio de muitos parlamentares do PT.
Lá vai mais uma notícia neste sentido (na foto, até o deputado Henrique Alves revela que estão apertando a goela de todos):


Aliança de governistas rebelados com oposição para Câmara e impede votação da Lei da Copa 












O Planalto decidiu testar a amplitude da rebeldia do seu conglomerado na Câmara. Tentou votar o projeto da Lei Geral da Copa. Não conseguiu. Governistas rebelados juntaram-se à oposição e paralisaram o plenário. A obstrução coletiva forçou o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), a derrubar a sessão. Antes de deliberar sobre a proposta da Copa, os insurretos exigem que seja marcada a data de votação de outro projeto espinhoso: o Código Florestal. Juntaram-se à obstrução a maioria dos partidos governistas –do PMDB ao PDT, passando pelo PSD de Gilberto Kassab. Entre os que queriam votar, apenas o PT, PSB e PP. Foi a voto um requerimento da oposição que pedia que o projeto da copa fosse retirado da pauta. Rendido às evidências, o líder de Dilma Rousseff na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), liberou as legendas do condomínio governista para votarem como desejassem.
Apurados os votos, não foi atingido no painel o quórum mínimo de 157 deputados exigido para o prosseguimento da sessão. Prevaleceu a obstrução. Embora o plenário estivesse cheio, os deputados fugiram do painel, impondo ao governo uma derrota constrangedora.
Ficou evidente que, se não marcar uma data para a votação do Código Florestal, o Planalto não arrancará da Câmara uma decisão sobre a Lei Geral da Copa. A maioria governista dissolveu-se no debate sobre o Código Florestal. Nessa matéria, sumiu a lógica que costuma acomodar as bancadas do governo de um lado e as da oposição de outro. Sozinhos, os oposicionistas PSDB, DEM e PPS seriam esmagados, como de hábito. O problema é que, trincado, o Planalto não teve como passar o trator. Os agrodeputados, um contingente estimado em mais de 220 votos, espraiam-se por todas as legendas, inclusive as governistas. A divisão da tropa de Dilma ficou especialmente evidenciada nas manifestações dos líderes dos dois maiores partidos do condomínio. Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB, associou-se à paralisia: “A lei da Copa é importantíssima. Mas tenho que me curvar à maioria da minha bancada, que tem posições diferentes. Para não radicalizar, para abrir espaço de negociação, para ajudar o nosso governo, o PMDB entra em obstrução.” Jilmar Tatto (SP), líder do PT, discursou em sentido oposto: “O que está acontecendo neste plenário é inadmissível. Recusa-se a discussão de um compromisso que o governo assumiu com a Fifa. […] O que os ruralistas, predadores ambientais com representação nesta Casa, estão querendo é atrapalhar o cronograma da Copa.” Tatto chamou o bloco governista à “responsabilidade”. Ao tachar os ruralistas de “predadores ambientais” obteve o oposto. O PR, que não havia aderido à “obstrução”, mudou de posição. “Faltou tato ao líder do PT”, justificou o líder da legenda. No comando da bancada do PSOL, o ex-petista Chico Alencar (RJ) resumiu a cena: “A situação está de vaca desconhecer bezerro. A base do governo chega aqui e diz que o líder Tatto não teve tato. Para nós, ele falou com clareza. Não podemos permitir a decepação das regras ambientais do Brasil. No mais, a lei da Copa parece que foi reduzida a lei do copo. Só se discute a liberação de bebida nos jogos.” Líder do DEM, o deputado ACM Neto (BA) emoldurou o quadro: “O governo derrotou o governo. Na base da imposição, não se chega a lugar nenhum”. De fato, ficou evidente: ou o governo lambe suas feridas e recosta os cotovelos sobre a mesa de negociação ou arrisca-se a não sair do lugar. Negociando, pode apressar a aprovação da Lei da Copa. Quanto ao Código Florestal, tornou-se uma derrota esperando para acontecer.

3 comentários:

Fred disse...

Que Dilma não é Lula, não se discute, é fato físico. Seguindo a linha da Maria Inês Nassif, se ela continuasse com as alianças anteriores, se tornaria refém da política tradicional e dependente eternamente de seu padrinho político. Por que não pensar que se trata de uma aposta política para inverter as relações de poder e instaurar um novo modo de se relacionar com o legislativo? Quebrar o modus operandi do legislativo seria uma bela herança, não? Tudo tem seu preço, talvez esse custe um ano inteiro de desgaste e entraves...depois disso,
vamos ver se a aposta deu certo.

Rudá Ricci disse...

Fred,
Acho que percebeu que eu não estava comentando os aspectos físicos de Lula e Dilma. Estava comentando a inteligência política dos dois. Dilma não tiraria mais que 2 em qualquer exame sobre este predicado. Maria Inês pode afirmar o que bem pensa, mas precisa fundamentar ou se torna mero palpite. Acho que a afirmação dela é exercício de futurologia. Como pode afirmar que seria refém? Lula foi? A não ser que eu tenha razão: Dilma é tão ruizinha em política que não conseguiria domar nem o ACM Neto, que é menor que ela.

SENÔ JÚNIOR disse...

Dilma não tem aproach para fomentar nada que de resultado positivo sem os alicerces deixados por Lula.Não é fato novo na política os tutelados ejetarem seus tutores do círculo de aconselhamentos e decisões e tomarem o comando do próprio curso, veja-se ai o exemplo recente do Prefeito de Recife João da Costa, que deu um coice em seu padrinho político João Paulo e hoje está para amargar o fim de sua carreria política, a menos que algum fato novo ocorra.