sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Salam


Admiro Caio Blinder, jornalista do Manhattan Connection. O texto abaixo, escrito por ele, justifica esta admiração. Como neto de árabes (minha avó paterna era filha de sírio), é reconfortante perceber que a paz é possível entre palestinos e judeus. Vamos ao final do texto:
"O meu sonho de viver em Israel acabou ali, naquela viagem em 1976, mas não a lealdade sionista. E verdade que existe um pouco da culpa, tão judaica, por ter abandonado a causa, mas tantos anos de militância não foram em vão. Carrego a convicção de que a cri­ação do Estado de Israel é um inquestionável direito do povo judeu e um ato de justiça histórica. Na minha formação sionista juvenil houve uma falha que só o tempo consertou. Os palestinos eram invisíveis. Hoje o problema moral está resolvido na minha cabeça. No conflito entre Israel e os palestinos, é o certo lutando contra o certo. Como não existe drama moral, a questão para ser resolvida é política. A solução é complicadíssima, exigindo mais do que uma partição salomônica.
O sionismo é uma história épica, uma das grandes revoluções do século XX. Para mim é visceral. Foi no movimento que fiz os melhores amigos. Estaremos juntos para sempre, nenhum de nós vivendo em Israel. Do sionismo socialista herdei um certo desprezo pelo individualismo e uma capacidade de ficar indignado com as injustiças da vida. É possível chegar aí por outros caminhos. Este foi o meu. Tenho um pedaço do kibutz dentro de mim."

Algumas informações sobre os EUA


1) Como o dia das eleições não é feriado nos EUA (e cai em dia da semana), o índice de abstenção é um dos mais altos do mundo (quase 50%);
2) O voto pelo correio, que estamos vendo que aumentou este ano, tem por objetivo diminuir a abstenção;
3) Os grandes jornais dos EUA assumem abertamente (e não veladamente, como no Brasil) as suas preferências. Este é o caso do Washington Post (pró-Obama) e da rede de televisão Fox News (pró-McCain, aliás, pró-republicanos, aliás pró-conservadorismo).

A vida, cada vez mais difícil, de Fernando Pimentel


Depois do lançamento do movimento "Coerência Petista", agora foi a vez da Articulação, corrente petista, em BH. Em texto divulgado ontem, lê-se: "a imposição de um candidato aecista ao PT teve consequências danosas para Belo Horizonte, dilapidando grande parte do acúmulo político e social alcançado na cidade desde que o PT e seus aliados chegaram à prefeitura, em 1992". Os votos na legenda, na capital, caíram de 70 mil para 20 mil votos.

Aumento de riqueza dos prefeitos mineiros


A Transparência Brasil revela aumento de patrimônio pessoal de vários prefeitos recém eleitos em Minas Gerais, além de vários candidatos. A base é o patrimônio declarado em 2006 e 2008. Vamos à lista:

1) Custódio Mattos (eleito em Juiz de Fora): aumento de 57% do patrimônio no período, chegando a 1,4 milhão de reais.

2) Jô Moraes (candidata derrotada em BH): queda de 23%, ficando com 98 mil reais.

3) Leonardo Quintão (candidato derrotado em BH): aumento de 91%, chegando a 1,8 milhão de reais.

4) Ademir Lucas (derrotado em Contagem): aumento de 87%, chegando a 441 mil reais.

5) Carlin Moura (derrotado em Contagem): aumento de 269%, chegando a 532 mil reais.

6) Elisa Costa (eleita prefeita de Governador Valadares): aumento de 53%, chegando a 115 mil reais.

7) Luis Tadeu Leite (eleito prefeito de Montes Claros): aumento de 11%, chegando a 837 mil reais.

8) Roberto Carvalho (eleito vice-prefeito de BH): aumento de 58%, chegando a 665 mil reais.

9) Rosângela Reis (derrotada em Ipatinga): aumento de 106%, chegando a 2,2 milhões de reais.

A lista adotou como base a Câmara Federal, daí não termos os dados de todos candidatos. O interessante é que o aumento médio de patrimônio dos deputados federais mineiros foi, no período, de 83,8%. A campeã nesta lista foi Maria Lúcia Mendonça, chegando a 636% de aumento de patrimônio.

Os estilos Lula e FHC de responder à crise


Por muito tempo vários analistas (estou me incluindo neste grupo) questionavam se o governo Lula saberia enfrentar uma crise internacional. Sempre se falava na sorte de Lula não ter enfrentado crises como ocorreram no governo FHC. Mas, até aqui, a reação do governo parece exemplar. Respostas rápidas, múltiplas e heterodoxas. Ontem, Henrique Meirelles chegou ao topo dos recursos que poderia disponibilizar, das reservas cambiais, 100 bilhões de dólares para enfrentar a crise. Um tranco no mercado. Mas o maior trunfo foi a criação da linha de troca de moedas com o FED (swap), sem qualquer custo administrativo, num limite de 30 bilhões de dólares. O que parece interessante é que, ao contrário do governo FHC, as medidas são anunciadas sem alarde estrondoso. O governo FCH sempre foi dado à arrogância política em virtude da crença que é o mais bem preparado tecnicamente. Um círculo vicioso de retroalimentação: publicidade e arrogância. Pena que a grande imprensa, cada vez com menos tempo para estudar, entrou no jogo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Vereadores Eleitos, por idade

Vereadores Eleitos, por partido

Cadastro de alunos inadimplentes?


O conservadorismo vai tomando conta da educação brasileira. Vamos perdendo, dia-a-dia, os avanços dos anos 90. O jornal Folha de S.Paulo publicou, em sua edição do dia 28 de outubro de 2008, matéria informando que a Confenen (Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino) criou um cadastro incluindo os nomes dos alunos inadimplentes das escolas particulares. Um constrangimento que criará bloqueio ao estudo. A educação vai se concebendo como mercadoria. É verdade que alguns sindicatos de escolas privadas já reagiram. Este é o caso do SIEEESP (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo), para quem esta não seria a melhor forma de resolver o problema. Segundo comunicado enviado às mantenedoras, o SIEEESP afirma buscar se manter a partir de ações jurídicas e negociações com autoridades governamentais, não pelo confronto com pais ou responsáveis dos alunos. Tivemos alguns avanços, mas não o que precisamos e queremos. Portanto, não A Confenen representa apenas 15% do segmento. Em SP, o índice de inadimplência chega a superar a marca de 30% o que é extremamente preocupante.
Começamos com esta história de premiação individual de professores (professada pelo movimento conservador Todos pela Educação)e chegamos nessa proposta do Confenen.

Orçamento Federal 2009


O INESC e o CFEMEA elaboraram dois estudos sobre o orçamento federal 2009. Para o INESC, destaca-se a ênfase do governo em programas de transferência de renda e pagamento de bolsas. Dos 33,12 bilhões de reais a serem executados, em 2009, pelo MDS (dirigido por Patrus Ananias, lançado candidato a governador de MG, anteontem), 93% serão destinados ao Bolsa Família, BPC, Renda Mensal Vitalícia e concessão de bolsa do PETI. As duas entidades destacam que os cidadãos brasileiros sem direito à previdência são, em sua maioria, negros e mulheres. Apenas 38% das mulheres negras conseguiram contribuir para a previdência em 2005. Ainda sobre o déficit de cobertura da previdência, destacam que 21% dos que possuem mais de 60 anos não são assistidos por este serviço público (são mais de 20 milhões de brasileiros acima de 60 anos).
Um outro dado importante: 97% dos tituladores do Bolsa Família são mulheres. Mas não há nenhuma informação que esta titularidade tenha alterado sua condição social ou que garanta autonomia.
Finalmente, em relação aos direitos de crianças e adolescentes, o PLOA 2009 propõe redução do crédito dos programas de combate ao trabalho infantil e à exploração de crianças e adolescentes. Temos, hoje, 4,8 milhões de crianças e adolescentes trabalhando. Mas serão atendidas apenas 1,1 milhões delas, a partir do corte orçamentário. O Programa de Enfrentamento da Violência Sexual contra crianças e
> adolescentes, sofrerá um corte de 8,19%.
Enfim, estas são as escolhas do governo federal para 2009.

Acelerando a reforma tributária


Houve, nesta semana, seminário da ANFIP (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil)sobre reforma tributária e seguridade social. Os participantes avaliaram que vem chumbo grosso na seguridade social juntamente com o código de defesa do sonegador. A aprovação da reforma tributária, como já destaquei neste blog, será prioridade do governo, aprovando a todo custo. Esta manifestação foi feita no seminário da Anfip. Mais interessante é que o relator da reforma, deputado Sandro Mabel não anda disposto a debater, e faltou, inclusive, ao seminário da Anfip, apesar de confirmado desde agosto. O site do Instituto Cultiva (www.cultiva.org.br) publicará o parecer sobre o projeto de reforma de Virgílio Guimarães.
Conversei, recentemente, com um assessor da FIESP a respeito e seu parecer (eles defendem a unificação de todos impostos num único IVA federal e acham a proposta governamental muito tímida) e a avaliação dos empresários é que a reforma sai este ano para constar nos Anais que o governo Lula se empenhou. Mas que não agradará nem gregos, nem troianos.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

BH e o dia seguinte às eleições


Já foi criado o movimento "Coerência Petista", em Minas Gerais, lançando a candidatura do ministro Patrus Ananias ao governo estadual. Água no chopp de Fernando Pimentel, como já havia comentado anteriormente. Movimento liderado por pesos pesados do PT mineiro, como o prefeito eleito de Coronel Fabriciano (Vale do Aço), Chico Simões (na foto) e o deputado Padre João. A vida de Pimentel vai ficando cada vez mais difícil e, por tabela, a de Aécio Neves (para a sua sucessão), também.
Na outra ponta, o prefeito eleito, Marcio Lacerda, montou a equipe de transição: os petistas Jorge Nahas (ex-secretário de políticas sociais) e Roberto Carvalho (vice na chapa de Lacerda); o tucano Rodrigo de Castro; o presidente do PPS mineiro, Juarez Amorim; e o pessebista Mário Assad Júnior. É verdade que equipe de transição nem sempre gera secretário, mas onde estaria o lugar reservado para Virgílio Guimarães?

Paulo Vannuchi ameaça pedir demissão


O ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, ameaçou ontem se demitir caso a AGU (Advocacia Geral da União) mantenha a defesa do coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, em processo no qual é acusado de ter sido torturador durante o período da ditadura militar (1964-1985).
Finalmente, percebemos uma voz clara e nítida, voltada para o público e não para as negociações privadas. É uma covardia imensa nossos governantes não se posicionarem a respeito. Qualquer posicionamento. É o básico numa democracia. Poderíamos, ao menos, copiar a Argentina ou Chile. E, que eu saiba, a democracia não desmoronou por lá.

ONG premiada é despejada pelo governo mineiro


A (ONG) Circo de Todo Mundo foi despejada na noite desta segunda-feira, 27, em cumprimento de uma decisão judicial de reintegração de posse ao Estado. A ONG utilizava, há dez anos, um galpão no antigo prédio da FEBEM, no bairro Horto, Região Leste de Belo Horizonte. Insatisfeitos com a forma como a ação foi empreendida, funcionários e crianças atendidas pela organização fizeram uma manifestação na entrada do local. O assessor organizacional do Circo, Oswaldo Ferreira, disse que o grupo continua sem local para trabalhar, pois toda a infra-estrutura foi destruída pela Polícia Militar. "É apenas um espaço, sem nada do que tínhamos. Não sabemos nem onde estão nossos materiais e equipamentos que foram levados. Protestamos não pela ação, mas pela forma como tudo foi feito, na calada da noite", declarou o assessor.
A ONG foi criada em 1993, com o objetivo de prestar atendimento a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Os depoimentos de adolescentes envolvidos com o Circo são comoventes. Destaco, entre tantos, o depoimento de Euler Batista da Silva, de 18 anos, que começou a trabalhar aos oito anos de idade, num abatedouro de frango e que largou a escola, por razões financeiras. Mas entrou para a organização Circo de Todo Mundo, onde conseguiu mudar sua trajetória. Diz Euler: "nem sei o que seria de mim se o Circo não tivesse aparecido. Acho que iria passar o resto de minha vida matando frango."

Queda de matrículas na educação básica


Dados preliminares do Censo Escolar 2008, que serão publicados hoje no Diário Oficial, mostram que as matrículas de educação básica nas redes estaduais e municipais caíram 5% este ano, em relação a 2007, o equivalente a menos 2,5 milhões de alunos. O Ministério da Educação informou, porém, que a estatística está incompleta, pois não foram computados todos os alunos. Os resultados definitivos sairão no fim de dezembro. Números preliminares mostram queda nas matrículas de educação infantil (creches e pré-escolas), ensino fundamental, ensino médio e de jovens e adultos (EJA), o antigo supletivo. A única que cresceu foi a educação especial para deficientes. O total de matrículas nas redes estaduais e municipais caiu de 46,5 milhões para 43,9 milhões. (Publicado n'O Globo de hoje, página 12).

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A incompetência democrática


Estou lendo o livor de Philippe Breton, A Incompetência Democrática: A crise da palavra na origem do mal-estar na política, publicado pela Loyola.O livro, antes de tudo (apesar do título) é uma declaração de crença na democracia. Obviamente que o autor questiona a crise atual das instituições políticas e se pergunta qual a razão de ser tão difícil concretizar esse ideal teórico? A tese central é que a democracia é uma questão de competências práticas do domínio da palavra e da relação com o outro. A segunda tese é que a democracia não é um regime natural, mas um processo racional, uma dinâmica que constrói opinião e decisões conjuntas. É uma escolha, portanto, uma maneira de decidir. E daí o conflito atual. Breton apresenta algumas estatísticas de cultura e opinião dos franceses a respeito do tema. Destacaria, nesta nota, uma delas, que me incomodou: 55% dos franceses estariam totalmente de acordo com o enunciado "seria preferível que fossem os especialistas, e não o governo, que decidissem o melhor para o país". Não há algo de comum com a tendência brasileira de fazer política?

Certificação de Professores?


O Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) sugeriu criar certificação sobre qualificação de professores de redes públicas (ver Estado de Minas, Caderno Gerais, p. 23, 27/10/08). A argumentação central é que os principais fatores que interferem no desempenho dos alunos seriam carência de infraestrutura e formação do corpo docente. Minas Gerais deverá ser o primeiro Estado a adotar esta modalidade de avaliação, adotando uma prova específica que envolva os 121 mil docentes do Estado. A avaliação terá dois eixos: conhecimentos e desempenho em sala de aula. Não há qualquer dado específico a respeito do conteúdo desta avaliação. O objetivo, segundo o CONSED, é adotar o sistema da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que certifica advogados e, somente com este certificado, o graduado pode exercer a advocacia. Adotar-se-ia, assim, a certificação para validar o exercício da profissão, ou seja, bloquear o acesso à carreira para aqueles não certificados.
Já que Minas Gerais será cobaia desta experiência, vale lembrar que aqui, as regiões Jequitinhonha/Mucuri, Norte e Rio Doce são as que apresentam maior déficit de instrução ou qualificação formal do corpo docente. Ora, estas são justamente as regiões que apresentam menores IDH, maior desigualdade social e queda populacional do Estado. Também são as que apresentam a relação direta mais evidente entre baixo desempenho e renda familiar, sendo o primeiro PROEB aplicado no Estado, ainda durante a gestão Murílio Hingel. Assim, fatores de natureza social foram desconsiderados nesta proposta, relacionando o desempenho dos alunos (fartamente denunciada na grande imprensa nacional) à qualificação individual dos professores. Outros fatores consagrados na literatura e estudos recentes sobre desempenho de alunos de educação básica também não foram citados ou enfrentados pelo CONSED. Vale destacar dados recentes divulgados por outros sistemas de avaliação de redes, como o SARESP (rede estadual paulista) que indicam que o grau de profissionalização de diretores escolares também influencia no desempenho de alunos. Finalmente, avaliações do Banco Mundial divulgados pelo PREAL (Programa de Promoção da Reforma Educativa na América Latina e Caribe) indicam que a participação direta de pais e professores na gestão escolar diminui evasão, repetência e baixo desempenho de alunos. A proposta parece, na verdade, a intenção dos secretários de educação em jogar a batata quente no colo dos professores.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Comentando o texto de Eduardo Marques


Passo a comentar o texto que publiquei nas 3 notas abaixo desta.
Minha hipótese é que haveria um conflito de representação entre o processo eleitoral formal e o da democracia participativa, o que afastaria (por auto-defesa dos candidatos) este tema das campanhas eleitorais. A democracia participativa, em tese, coloca sob suspeição ou exige confirmação da legitimação do eleito pelas vias tradicionais e formais da democracia representativa. São dois processos de legitimação: o voto na urna e um segundo voto em plenárias que geram um polaridade de representação numa mesma cidade. Em outras palavras, um candidato pela via formal que defende a democracia participativa tem que estar convencido que SUA eleição estará subordinada a outros processos eletivos que sucederão sua posse. Talvez, até mais: terá que supor uma legitimação inacabada pela via representativa formal e tradicional. No fundo, este candidato se apresenta como um vetor de mudança da legitimação política em seu município. Sabe que estará implantando um conflito implícito na política local. Daí porque os vereadores ficarem tão irritados com a democracia participativa. Pois bem, este é o segundo ponto de conflito com a política real existente. O presidencialismo com elementos de parlamentarismo que o Brasil adotou na última Constituição cria uma forte dependência (ou negociação permanente) do Executivo para com o Legislativo. Trata-se de uma dependência não formal, já que a pauta do legislativo é sempre definida pelo Executivo. Mas o legislativo pode criar problemas ao prefeito, principalmente no que tange o orçamento municipal. Tanto na negociação de emendas e aprovação do orçamento do ano seguinte, quanto na fiscalização da execução orçamentária, que pode até mesmo gerar um processo de impeachment. Sejamos sinceros: na maioria das vezes, este poder legislativo é o princípio de chantagem política permanente. Mas funciona e determina o dia-a-dia do prefeito e dá sentido ao Secretário de Governo, o negociador de plantão (diário) com os vereadores. Ora, o que faria um candidato a prefeito pensar em introduzir mecanismos de democracia participativa se sabe que terá a ira dos vereadores, ainda quando candidatos?
Então, chego a uma possível hipótese: as eleições brasileiras não se constituem em palco de discussão da democracia participativa. São incompatíveis ou pauta de candidatos de tipo outsider.

As eleições de 2008 e a democracia participativa (1)


Reproduzo, em três notas seguidas, o artigo escrito por Eduardo Marques (do Fórum Paulista de Participação Popular) cujo título é "BALANÇO GERAL DAS ELEIÇÕES 2008 E A DEMOCRACIA PARTICIPATIVA". O artigo é instigante e introduz um elemento de análise pouco observado na grande imprensa para avaliar as eleições deste ano.
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Neste artigo, concentrarei a análise do processo eleitoral em dois aspectos: (1) a gênese do afastamento deste tema da agenda político-eleitoral e (2) a nova geopolítica da democracia participativa. Desde já, reforço minha primeira observação: a democracia participativa e seus instrumentos (sobretudo o Orçamento Participativo) quase não estiveram presentes no debate político-eleitoral em 2008. As exceções, obviamente, confirmam a regra, e são responsáveis por uma mudança do eixo geopolítico da democracia participativa no Brasil, tema que tratarei mais adiante.
Esta redução do debate sobre a radicalização da democracia, sem dúvida, tem relação direta com uma visão dominante no Partido dos Trabalhadores, expressa em diversos de seus governos locais e regionais e, sobretudo, no Governo Lula.
Nesta visão, o principal “jogo político” a “ser jogado” é aquele da democracia representativa à brasileira, com a pulverização de partidos e o pragmatismo por cargos e verbas orientando o sistema. Não por outro motivo, do tripé programático que consolidou o PT como alternativa viável de esquerda no poder – políticas sociais, inversão de prioridades e democracia participativa -, este último é que vem perdendo cada vez mais espaço nos programas e formulações da esquerda.

As eleições de 2008 e a democracia participativa (2)

A experiência do Governo Lula parece, neste sentido, emblemática.
Não há dúvidas que o Governo Lula será reconhecido pela construção de políticas sociais mais fortes e redefinição dos eixos de desenvolvimento econômico e social em duas direções: geograficamente, em direção ao Norte-Nordeste e, socialmente, na direção dos trabalhadores assalariados, realizando uma “relativa” inversão de prioridades. Esta relatividade, logicamente, decorre da capitulação do mesmo Governo Lula à lógica dos mercados financeiros, permitindo a manutenção de altíssima lucratividade para bancos, famílias rentistas e empresas especuladoras, situação esta que continua a engolir fatia gigantesca dos orçamentos públicos.
De qualquer modo, e até por conta desta capitulação inicial à lógica dos mercados, o Governo Lula afastou-se das iniciativas de democratização do orçamento público federal.
Com esta primeira e fundamental derrota da democracia participativa no Governo Lula, seguiu-se uma abertura ao diálogo com setores sociais que defendiam um maior aprofundamento da democracia, permitindo que, marginalmente, algumas ações fossem desenvolvidas.
Nesta linha incluem-se o início do processo de discussão participativa do PPA 2004/2007, a criação do Ministério das Cidades e a realização das Conferências das Cidades e de inúmeras outras Conferências Nacionais, sobretudo ligadas aos setores e segmentos sociais antes excluídos da vida política – mulheres, comunidade negra, comunidades indígenas, economia solidária, juventude, etc. Todas estas ações, por sua vez, não possuíam centralidade no Governo. Isso explica porque o PPA Participativo e as Conferências Nacionais não lograram avanços, uma vez que estiveram pouco articuladas com os instrumentos de planejamento e a execução das ações de governo. Mais ainda, explica porque o Ministério das Cidades e suas políticas participativas foram entregues ao apetite de setores conservadores e fisiológicos, em nome da governabilidade. Dado o pequeno espaço para as políticas de radicalização democrática no Governo Lula, começa a se enfraquecer a “crença” nos instrumentos de democracia participativa e seus efeitos positivos na construção de uma sociedade mais justa e cidadã.
Como reflexo imediato, os novos Governos Estaduais conquistados pelas "forças de esquerda" em 2006 – como na Bahia, Pará e Sergipe -, baseados em delicadas coligações partidárias, não vêm se notabilizando pela criação ou implementação dos instrumentos da democracia participativa.
Mais ainda, a defesa destes instrumentos como peça central dos governos segue perdendo prestígio inclusive no âmbito local.
A democracia participativa, que já representou base fundamental para os programas de governo, torna-se, cada vez mais, uma espécie de “griffe” de governos de esquerda ou “centro-esquerda”. Os resultados desta perda de importância da democracia participativa no debate político-eleitoral local, nas eleições 2008, são visíveis, resultando em uma mudança no “eixo” geopolítico.
Fundamentalmente, os resultados mais expressivos da democracia participativa vieram do Nordeste, enquanto na porção Sudeste/Sul, este tema, quando entrou no debate, entrou pela “porta dos fundos”.

As eleições de 2008 e a democracia participativa (3)

Desenvolvo tal análise abaixo partindo do debate percebido em cada uma das capitais mais importantes do país.
Em Porto Alegre, “berço da democracia participativa” assistimos ao seu enfraquecimento mais contundente. A vitória do PMDB/PSDB de Fogaça reforça dois movimentos: de um lado, a tática conduzida pelos setores conservadores em manter o OP de forma “rebaixada” - reduzindo poder de decisão da população e, portanto, seu protagonismo -, mas criando “falsos sinais” para setores populares e segmentos médios da população. De outro, a fragmentação da esquerda, mesmo no segundo turno, apontou para a falta de consenso em torno deste tema no campo progressista.
Em Curitiba, a vitória do modelo de planejamento tecnocrático de cidade segue firme e forte com a vitória do PSDB.
No Rio de Janeiro, dois candidatos de trajetória política errática não apresentaram formulações sobre o assunto, enquanto a esquerda, mais uma vez fragmentada, não foi capaz de organizar projeto algum para a sociedade. No mais, apenas uma idéia difusa de transparência na administração foi apresentada pelo candidato derrotado Fernando Gabeira. O eleito, Eduardo Paes, do PMDB/PSDB, é uma nulidade completa no tema.
Em Belo Horizonte, o candidato vencedor Márcio Lacerda, patrocinado pelo PT e PSDB, deve priorizar o chamado “choque de gestão”, compromisso este que não tem como se misturar com “o choque de democracia”, a não ser mineiramente. De qualquer modo, seguirá o desafio de manter na agenda local o orçamento participativo, apesar da já visível redução em curso do seu poder de decisão popular e sua afinidade maior com a tecnocracia do planejamento.
Em São Paulo, apesar do PT organizar, inicialmente, um grupo eleitoral de trabalho com vistas a formular ações no âmbito da democracia participativa, suas sugestões acabaram descartadas pelos “sistematizadores” do programa de governo e pela coordenação da campanha. O tema não foi motivo de agenda da candidata, nem tampouco de proposta pública de governo. De resto, a vitória do DEM/PSDB reflete o predomínio de uma aliança que vem eliminando ou sufocando os poucos canais de participação na cidade.
Em Recife, o Secretário de Participação Popular, João da Costa, foi eleito pelo PT ainda no primeiro turno, sem a presença de Lula no palanque eleitoral. Apesar do tema da democracia participativa ganhar espaço no debate político-eleitoral e projetar Recife inclusive nacionalmente, a imprensa do centro-sul insistiu na tese de que o Prefeito João Paulo estaria elegendo um “poste” e que as cartilhas do OP distribuídas no início do ano poderiam cassar o mandato do prefeito eleito. Na verdade, o Prefeito João Paulo, ao indicar João da Costa para sua sucessão, colocou o tema no centro do debate, e colheu uma vitória impressionante. Para a população recifense, incorporada aos processos de participação popular, João da Costa já era muito conhecido e representava o centro de um projeto em curso que vem colhendo resultados positivos. Sem dúvida, as 10 mil cartilhas do OP impressas tiveram influência eleitoral muito menor do que a aparição de Kassab, para todas as TV´s, Rádios e Jornais, entregando um cheque para o Metrô de José Serra, às vésperas da eleição. O processo de participação popular em Recife, de forma estrutural, sem dúvida, foi fundamental para a vitória das forças de esquerda.
Em Fortaleza, apesar das previsões pessimistas, a Prefeita Luizianne Lins foi reeleita em primeiro turno, sem a presença em palanque do Presidente Lula e concorrendo contra todos os caciques estaduais – PSDB/DEM/PPS. Nesta cidade, tal como em Recife, o Orçamento Participativo tem papel importante no Governo, e a re-eleição em primeiro turno representou a aprovação da população a esta forma de governar.
Diante desta rápida análise das eleições nas principais capitais brasileiras, concluo que se queremos aprofundar a análise sobre a democracia participativa, o orçamento participativo e o seu papel no deslocamento do campo hegemônico para a esquerda, convém olharmos, cada vez mais, para o Nordeste.
Talvez, desta forma, as forças progressistas do Centro-Sul do Brasil descubram o “elo perdido”.

domingo, 26 de outubro de 2008

PT é o campeão de votos

A concentração regional do PT no segundo turno


O segundo turno revela uma concentração regional do PT: venceu na região centro-sul (05 prefeitos no sudeste, 02 no sul e 01 no centro-oeste). O mesmo não ocorreu com o PMDB, muito mais distribuído pelas regiões do país (04 no sudeste, 02 no nordeste e 02 no sul do país). O PSDB, que venceu em Cuiabá, também conseguiu vencer no Centro-oeste, sul, sudeste e nordeste (uma prefeitura em cada região).

A conta dos partidos neste segundo turno


Uma primeira contabilidade política é a localização dos partidos vitoriosos. Neste caso, o PMDB foi o grande vitorioso nas capitais e o PT nas cidades do interior (com mais de 200 mil habitantes). Mesmo no interior, o PMDB sai vitorioso, logo atrás do PT. Dos 3 grandes, o pior resultado (em número de eleitos) foi do PSDB (1 na capital e 02 no interior). A listagem encontra-se abaixo:

CAPITAIS
PMDB: 4
PTB: 2
PDT/DEM/PSB/PSDB: 1

INTERIOR
PT: 8
PMDB: 4
PSDB: 2
PP: 2
PTB: 1
PR: 1
PSB: 1

29 eleitos

Só falta o final da eleição em Cuiabá. No restante, o resultado é o seguinte:

CAPITAIS
Macapá: PDT
São Paulo: DEM
Rio de Janeiro: PMDB
Belo Horizonte: PSB
Salvador: PMDB
Manaus: PTB
Porto Alegre: PMDB
Belém: PTB
São Luís: PSDB
Florianópolis: PMDB

INTERIOR
Guarulhos: PT
São Bernardo do Campo: PT
Santo André: PTB
Contagem: PT
Juiz de Fora: PSDB
Londrina: PP
Joinville: PT
Campos: PMDB
São José do Rio Preto: PSB
Mauá: PT
Vila Velha: PR
Campina Grande: PMDB
Pelotas: PP
Canoas: PT
Bauru: PMDB
Petrópolis: PT
Montes Claros: PMDB
Anápolis: PT
Ponta Grossa: PSDB

Day After no Brasil


Do ministro Tarso Genro:
"Sempre sustentei a necessidade de que tenhamos um partido centrista forte no Brasil", disse Tarso. "Sou da opinião de que o PT, daqui para adiante, deve aglutinar um pólo de esquerda forte, com PCdoB, PSB e PDT, e se dirigir com um programa progressista em direção ao centro, chamando partidos como o PMDB e outros correlatos para preparar as eleições de 2010".
Mais:
"Independetentemente do resultado de hoje, a disputa política em direção a 2010 saiu modificada, porque a presença de um partido centrista forte, como o PMDB exige uma definição programática maior nos dois pólos da política brasileira, que é o PSDB de um lado e o PT de outro".

Day After em São Paulo


Segundo a Veja (Radar):
De Lula sobre Marta Suplicy, numa avaliação revelada a mais de um correligionário nos últimos dias: “A Marta sairá destas eleições menor do que entrou. Ela foi mal na campanha e nos debates”.

Pelo que ouvi nos últimos dias, deve ser verdade verdadeira.

Day After em BH


Ao longo do dia procurarei analisar os resultados do segundo turno. Começo com BH. O Painel da Folha indica duas versões, sendo a primeira um exercício de fantasia de um ou dois tucanos mineiros: com a declaração de Aécio que aceitaria uma possível derrota de Marcio Lacerda, a população mudou de idéia já que não desejava derrotar Aécio. Imagino que nem a mãe de Aécio chegaria a tal conclusão. Já os petistas mineiros, segundo o Painel, acreditam que foi a máquina deles que virou o jogo e que Aécio estaria surfando na onda da virada.
Este debate faz parte do day after do segundo turno. Não acredito que Aécio, sem forte publidade, consiga ser o depositário da possível eleição (se ocorrer) de Marcio Lacerda. Muito menos Pimentel. Os dois desapareceram do cenário eleitoral. Por outro lado, a militância mais organizada do PT da capital e de cidades próximas se envolveu muito nas últimas duas semanas. Não é possível avaliar o que esta militância ganhará se Lacerda vencer, nem mesmo qual liderança petista se fortalecerá. O fato é que Pimentel sai mais frágil (no momento) do que quando iniciou esta eleição e Patrus/Dulci sairam mais fortes no interior de Minas Gerais (mas não na capital).
Em outras palavras: o jogo de 2010 ficou um pouco mais embaralhado do que estava até então. Teremos que acompanhar os próximos lances.

sábado, 25 de outubro de 2008

Curintiááá


Que crise? O Timão voltou para a Séria A do Brasileirão!!!!
Veja http://mais.uol.com.br/view/2283082876197849758/curintia-por-gilberto-gil-0402306CC8992326?types=A& , a música que Gilberto Gil fez prá gente.

Importando inflação


Um breve estudo elaborado por Fernando Barbosa Filho, Lia Pereira e Samuel Pessôa (todos da FGV-RJ), publicado na revista Conjuntura Econômica, edição de setembro, revela que estamos importando inflação. Na comparação entre IPA (Índice de Preços por Atacado) de bens importados e exportados (janeiro a julho deste ano), fica evidente a conclusão dos autores. Este tema nos é caro em tempos de crise internacional e queda de liquidez. A Folha publica hoje um debate entre alguns economistas respeitados por grandes empresas e agentes financeiros indica a importância deste dado. Para Luiz Carlos Mendonça de Barros, da Quest Investimentos (que levou um baita tombo neste momento da crise) sem o aumento das importações o BC teria adotado sua tradicional linha de freio via taxa Selic. Mas, agora, o país vai importar menos e o problema do controle da demanda vai continuar. O governo deixará o mercado regular esta situação (via queda de crédito) ou vai financiar investimentos (de um lado) e controlar consumo via taxa de juros (de outro)? O governo será mais desenvolvimentista/keynesiano ou mais liberal? Será pragmático (ouvindo Palocci e Luciano Coutinho) ou mais regulador (ouvindo Mantega)? Um dilema para governo de coalizão presidencialista.

Chapa fervendo em BH


Retornei a Belo Horizonte e tentei entender a radical (mais uma vez) mudança na intenção de voto nesta capital.
Para recordar: Márcio Lacerda (candidato PT-PSDB) disputa com o Leonardo Quintão (PMDB). Pelo DATAFOLHA, pesquisa realizada em 17/10 dava 47% a 37% a favor de Quintão. O IBOPE, em pesquisa realizada em 14/10 dava uma diferença ainda maior: 51% a 33% a favor de Quintão. Uma semana depois, os dois institutos finalizaram sua pesquisa no dia 22. No DATAFOLHA, Lacerda aparecia à frente de Quintão: 45% contra 40%. No IBOPE a vantagem de Lacerda era de 45% a 44%. Como sempre, os dois institutos não apresentam os mesmos resultados, mas a tendência é a mesma. O índice de indecisos, brancos e nulos permanecia declinou, neste período, muito pouco (de 16% para 15%, no DATAFOLHA; de 13% para 11%, no IBOPE).
Que o eleitorado de BH vem se revelando, nesta eleição (na passada, Fernando Pimentel ganhou no primeiro turno), volúvel, é mais que uma constatação. Mas não entendia os motivos para tal reviravolta à favor de Lacerda. A primeira informação que obtenho é que militantes do PT de várias cidades do interior aportaram em peso em BH, principalmente os oriundos de Ipatinga, onde derrotaram o pai de Quintão. A campanha de rua reforçou o discurso negativo que Quintão fez em Ipatinga, em junho, quando ocorria evento de apoio à reeleição de seu pai, em que sugeria aos seus correligionários: “vamos dar um pé na bunda da oposição”. Folhetos bem produzidos estão espalhados pelas ruas de BH em que sugerem não deixarem (os eleitores) ninguém dar pé na sua bunda. Uma campanha politizada, não? Obviamente que a mensagem subliminar é que Quintão seria um lobo escondido em pele de cordeiro. O comando da campanha de Lacerda (Virgílio Guimarães, pelo PT de Pimentel, e Rodrigo de Castro, pelo PSDB de Aécio Neves) está trabalhando com os índices do IBOPE, por prudência ou realismo. O fato é que amanhã a chapa vai ferver em BH.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O perfil do diretor melhora desempenho dos alunos


Levantamento realizado pela Secretaria de Educação do Estado de SP indica que rotatividade de diretores de escola prejudica desempenho dos alunos. Diretor que permanece à frente da escola por até 10 anos gera 0,09 pontos no ínidce de desenvolvimento da educação (idesp). O que permanece por até 15 anos gera 0,11 pontos. O que fica por 20 anos na direção gera 0,25 pontos, e assim por diante. Este dado reabre o debate sobre um tema polêmico na educação brasileira, ou seja, o papel do diretor como gestor (como carreira) ou como representante social (portante, cargo eletivo). Nos EUA registra-se um déficit, em Nova York, de 15% de diretores escolares. A formação técnica aliada ao conhecimento no relacionamento humano atrai empresas para levá-los para cargos de gerência em seus negócios.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A difícil tarefa de entender a política mineira


As últimas pesquisas de intenção de voto revelam mudança significativa nas posições entre os candidatos à prefeitura de BH neste segundo turno. Se o primeiro turno foi uma surpresa em Minas Gerais, tanto na capital, quanto no interior, o segundo turno continua mantendo uma aparente falta de lógica. É verdade que Quintão acusou o golpe e começou a se defender do tal discurso que teria feito em Ipatinga na convenção do PMDB, em junho passado, demonstrando seu lado raivoso e grosseiro. Começou a se defender nos programas de televisão. Também é verdade que a campanha de Lacerda começou a atacar Quintão em duas frentes: a) enviando emails em profusão para lideranças e entidades, para estabelecer a dicotomia entre esquerda e direita (algo que absolutamente não é o caso) e b) aumentando o ataque fronta para consolidar a imagem de que Quintão seria falso. Mas nada disso parece ter empolgado a população. Não percebo nenhuma racionalidade de rua entre ter votado contra a imposição mas recuado no segundo turno para não dar a vitória a Quintão. Não percebo um mero "pito" em Aécio e Pimentel e um recuo e parcimônia no segundo turno. Enfim, a política em MG é realmente muito diferente do restante do país. Não é exatamente uma comoção, um debate público, em massa. É uma decisão tortuosa, marcada pela prosa, pela relação comunitária e grupal. As ações de massa significam pouco e sinalizam menos ainda. Não tenho idéia nenhuma do que ocorrerá no final de semana, a não ser que as opiniões oscilaram de semana em semana, demonstrando muito pouca convicção do eleitor. Falta de opção? Falta de compromisso? Falta de informação?

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Reforma Tributária: Conceição Tavares tinha razão

No encontro de Lula com intelectuais, ainda neste semestre, Conceição Tavares supreendeu o Presidente gritando, do fundo da sala onde ocorria o encontro que duvidava que cumpriria a promessa de aprovar a reforma tributária neste ano. Hoje pela manhã, ex-governador Germano Rigotto, que falou no congresso do Unafisco, em Foz do Iguaçu, corroborou a economista petista. Disse, em tom de desabafo, que duvida que a reforma seja aprovada. E se disse absolutamente decepcinado. Os diversos interesses, afirmou, destróem qualquer possibilidade de reforma nesta área.

O debate da noite sobre negociação coletiva

O painel sobre a aprovação da Lei Orgânica do Fisco (LOF) rendeu tanto que a mesa em que participava começou no início da noite. O atraso se deu pela importância do tema para os delegados do XI Conaf (Congresso Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil). A fala mais aplaudida foi do ministro da AGU (Advocacia Geral da União), José Antonio Dias Toffoli, que defendeu a urgência da implementação da LOF (Lei Orgânica do Fisco) no painel “Lei Orgânica do Fisco – Uma administração tributária autônoma e independente”. “Os senhores não podem perder a oportunidade de elaborar uma lei orgânica no Governo Lula. Não sabemos o que virá depois”, afirmou. Segundo ele, a Classe deve aproveitar o período de aproximadamente um ano e meio antes da campanha para a eleição de 2010 e esgotar a discussão sobre a LOF. Em seguida, veio nossa mesa, composta por um diretor nacional da CUT, por Sérgio Mendonça (técnico e dirigente de destaque do DIEESE), além da minha participação. Um resumo da discussão pode ser acessada no site www.unafisco.org.br.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O debate sindical

Hoje, aqui em Foz do Iguaçu, os delegados do congresso da Unafisco (sindicato nacional de auditores da receita federal) fizeram análise de conjuntura. O debate foi intenso. Ouvi, pela primeira vez, uma discussão sobre o "paradigma negocial" (sic). O debate entre duas correntes no interior da Unafisco é sobre o acirramento da luta (através de greves e pressões de rua) ou esgotamento das negociações (não descartando a possibilidade de greve). A primeira corrente afirma que a segunda teria adotado um paradigma negocial que faliu. Falaram pouco do cenário de crise internacional e citaram a briga interna no governo federal, cada vez mais feroz, entre Palocci e Mantega. Citaram muito os novos superintendentes estaduais da receita, todos ex-sindicalistas, e a esperança de conseguirem abrir negociações e avanços para a categoria. Enfim, não entendi muito bem se o paradigma é "negocial" ou sindical.

OCDE: aumenta desigualdade em países ricos


Como já havia socializado anteriormente neste blog, aumenta a desigualdade no interior dos países ricos. Relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado nesta terça-feira, em Paris, reafirma este fenômeno: acentuaram a desigualdade social e a pobreza em 75% dos seus países membros nos últimos 20 anos. Entre os países onde essa disparidade aumentou mais significativamente, destacam-se os Estados Unidos, o Canadá, a Alemanha, a Itália e a Noruega. Encabeçam a lista dos países mais desiguais o México e a Turquia. O estudo aponta que as desigualdades aumentaram de 7% a 8% em relação aos anos 1980, e a quantidade de pobres de 9,3% para 10,6% no conjunto da população. Outra conclusão é que dos países em desenvolvimento que integram a organização, a Índia e a China, não fazem parte daqueles onde as desigualdades aumentaram. Nestes lugares, a mobilidade social foi maior, o que comprova o efetivo desenvolvimento em relação há 20 anos. Em média, os 10% mais pobres das populações dos países da OCDE têm de sobreviver com uma renda de US$ 6 mil ao ano, enquanto que os mais ricos têm até 11 vezes mais do que isso, como é o caso da Itália. O número de trabalhadores pouco ou não qualificados é uma das causas apontadas para a discrepância nos números, além do aumento no número de famílias sustentadas por apenas um cônjuge, casos em que a probabilidade de se tornar pobre é de 33%.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Congresso Unafisco


Estou em Foz do Iguaçu. Participo do XI Congresso Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal, organizado pelo Unafisco, o sindicato nacional da categoria. O tema central deste congresso é Aduana no Brasil: 200 Anos – A importância do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil no Cenário Globalizado. Farei uma abordagem amanhã sobre “Sindicalismo e Negociação Salarial – Uma Nova Realidade e Novos Desafios”.
O Unafisco, que já tinha importância no cenário sindical brasileiro, ganhou projeção nos últimos dias por conta de vários superintendentes estaduais da Receita Federal nomeados no último mês terem sido delegados ou dirigentes deste sindicato. Nos próximos dias, farei uma síntese das discussões.

domingo, 19 de outubro de 2008

PT e PMDB em vantagem no segundo turno


PT e PMDB têm ampla vantagem nos 30 municípios do país onde haverá segundo turno: cada um lidera em sete cidades, fora da margem de erro, segundo a Folha de SPaulo. A reportagem expõe pesquisas eleitorais que indicam que o segundo turno pode trazer vantagem representativa ao PT. Caso concretizadas as estimativas, o partido sairá vitorioso em 20 cidades e poderá governar 8,6 milhões de pessoas.

Clima quente na campanha de BH


Faltando uma semana para o segundo turno, a tensão vai aumentando e a troca de farpas via se tornando a tônica campanha em BH. Leonardo Quintão (PMDB), disse a jornalistas do jornal O TEMPO que seu adversário, Marcio Lacerda (PSB), não foi preso político, como normalmente declara em entrevistas, debates e no programa eleitoral de rádio e televisão. "Ele foi preso comum, porque é assaltante, ele foi lá no comércio e deu coronhadas na cabeça de um moço. Preso político foi Lula. Isso não é preso político, é preso comum. Ele fez acordo com os militares para ter condicional. Preso político não fazia acordo com os militares", disparou.
Em resposta, Lacerda afirmou que Quintão é mentiroso. O candidato à prefeitura de Belo Horizonte pelo PSB acusou o peemedebista de forjar o diploma de economista. "Ele não é economista, pode escrever e publicar. Ele usa indevidamente o título de economista".
Demoraram um pouco para tantas revelações,não?

Turnover político em BH


A campanha de televisão de ontem, em BH, trocou os sinais. Quintão acusou o golpe e explicou o motivo por ter falado, na convenção do PMDB em Ipatinga, em junho, que os seus partidários teriam que "dar um pé na bunda dos adversários". Explicou que estava falando em dar um pé na bunda da corrupção e mentira. Mas, antes, havia dito que era uma brincadeira durante a convenção. Duas explicações em dois dias. Avalio que errou. Por seu turno, Lacerda falou sem atacar, aproximando-se do eleitor. Trocaram os sinais.

sábado, 18 de outubro de 2008

Seminários Regionais para discutir orçamento federal de 2009


A Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) do Congresso Nacional inicia na próxima semana os seminários regionais sobre o projeto da Lei Orçamentária Anual Federal (LOA) de 2009. O roteiro tem início no dia 22 de outubro, em Brasília, e será encerrado em Belo Horizonte, no dia 4 de novembro. O valor total da proposta orçamentária para 2009 é de R$ 1,66 trilhão, dos quais R$ 525,5 bilhões referem-se ao refinanciamento (rolagem) da dívida pública. Desconsiderando-se esse valor, o Orçamento Geral da União efetivo atinge R$ 1,13 trilhão, dos quais R$ 79,7 bilhões correspondem ao orçamento de investimento das empresas estatais federais e R$ 1,05 trilhão aos orçamentos fiscal (efetivo) e da seguridade social.
A CMO avançou este ano na condução do programa Fiscalize (www.camara.gov.br/orcamento), ao incluir a possibilidade de consulta a empenhos da União a estados e municípios.
Antes de citar as datas dos seminários, é importante que fique claro que NÃO são audiências públicas e o tempo para organização é mínimo. E não existe Seminário Nacional. Mas, enfim, é mais do que o governo federal ofereceu. Vamos à programação dos seminários:

Brasília
Data: 22 de outubro
Horário: 14h30
Local: Plenário 2 do Anexo II da Câmara dos Deputados

Fortaleza/CE
Data: 23 de outubro
Horário: 9 horas
Local: Plenário da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará

Recife/PE
Data: 23 de outubro
Horário: 16 horas
Local: Auditório da Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco

Campo Grande/MS
Data: 28 de outubro
Horário: 9h30
Local: Plenário da Assembléia Legislativa do Estado do Mato Grosso do Sul

Manaus/AM
Data: 30 de outubro
Horário: 14 horas
Local: Plenário da Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas

Goiânia/GO
Data: 31 de outubro
Horário: 9 horas
Local: Plenário da Câmara Municipal de Vereadores do Município de Goiânia

Porto Alegre/RS
Data: 3 de novembro
Horário: 9 horas
Local: Teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul

Vitória/ES
Data: 3 de novembro
Horário: 17 horas
Plenário da Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo

Belo Horizonte/MG
Data: 4 de novembro
Horário: 9 horas
Local: Plenário da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais

São Paulo: convervadorismo e violência


São Paulo é um estado de cultura política conservadora. Daí as máquinas políticas funcionarem como peixe no aquário. A cultura conservadora vem de um estímulo social ao sucesso permanente, que se desdobra em consumismo desenfreado e a necessidade de todos se revelarem poderosos. Soma-se a este estilo de comportamento a imensa agressividade paulista (principalmente paulistana), marcada pela objetividade (que Weber denominou de racionalidade em função de uma finalidade). O pobre é, assim como a ética protestante e o espírito do capitalismo, demonstração de derrota, de ignorância. Dificilmente a esquerda prospera neste terreno, a não ser que capitule. Criam-se redes poderosas, marcadas pela lealdade e troca de favores (numa vertente neo-clientelista, onde as relações de dependência criam uma rede unificada a partir dos operadores políticos, quase ignorando os eleitores), envolvendo muito dinheiro, obras e serviços. Foi assim com Maluf, Quércia, Fleury, Alckmin. Daí porque governadores e ex-governadores disputam palmo a palmo as regiões e cargos de confiança instalados no interior paulista, mesmo quando são do mesmo partido. Porque o que funciona em SP não é necessariamente o partido, mas o grupo político. Obviamente que a grande imprensa paulista e o discurso dos políticos oficiais cria uma aura de modernidade e racionalidade que não há, de fato. Mas o mundo real dá seu ar da graça, de tempos em tempos. O absurdo da luta campal entre polícias e o desfecho do sequestro da ex-namorada de um industriário em Santo André indicam que a poeira pode ficar por muito tempo embaixo do tapete. Mas uma lufada pode revelar o que está escondido, a qualquer momento.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Pedro Cardoso contra a nudez pornográfica (1)


No último dia 8 de outubro, no cinema Odeon, o ator (da Grande Família) Pedro Cardoso (na foto) leu um texto em que se opõe frontalmente ao uso da nudez gratuita, que ele denomina de pornográfica, em filmes. Desde então, este texto se tornou tema de discussão em todos meios artísticos, criando uma forte cisão entre opiniões. Reproduzo, em quatro notas, passagens do texto, por considerar um tema relevante para a educação e democracia no nosso país:

"Esse é o texto que eu li na primeira exibição do filme "Todo mundo tem problemas sexuais" no cinema Odeon no dia 08 de outubro de 2008. Ah, eu sou o Pedro Cardoso. Espero que ele ajude a todos nós.

(...) A meu ver, as empresas que exploram a comunicação em massa (e as que dela fazem uso para divulgar seus produtos) apossaram-se de uma certa liberdade de costumes, obtida por parte da população nos anos 60 e 70, e fazem hoje um uso pervertido dessa liberdade. Uma maior naturalidade quanto a nudez, que àquela época, fora uma conquista contra os excessos da repressão a vida sexual de então, tornou-se agora, na mão dessas empresas, apenas um modo de atrair público. Com a conivência de escritores e diretores (alguns deles, em algum momento, verdadeiros artistas; outros, nunca!) temos visto cenas de nudez, ou semi-nudez, ou roupas sensuais, ou diálogos maliciosos, ou beijos intermináveis, em quase todos os minutos da programaçãos das televisões e nos filmes para cinema, sem falar na publicidade. A constância com que essas cenas aparecem tem colocado em permanente exposição a nudez dos atores, especialmente das mulheres; é sobre as atrizes que a opressão da pornografia é exercida com maior violência, uma vez que ela atende, na imensa maioria das vezes, a um anseio sexual do homem. É raro o convite de trabalho, seja filme ou novela ou programa de humor, que não inclua cenas desse tipo para o elenco feminino. (...)"

Pedro Cardoso contra a nudez pornográfica (2)

A minha tese é de que a nudez impede a comédia, e mesmo o próprio ato de representar. Quando estou nu sou sempre eu a estar nu, e nunca o personagem. Quando vemos alguém nu vemos sempre a pessoa que está nua. O personagem é justamente algo que o ator veste. Ao despir-se do figurino, o ator despe-se também do personagem, e resta ele mesmo, apenas ele e sua nudez pessoal e intransferível. Diante da irredutível realidade da nudez de seu corpo, o ator não consegue produzir a ilusão do personagem. O ator ou atriz que for representar um personagem que estiver nu, terá que vestir um figurino de nu (seja lá o que isto quer dizer!).

Pedro Cardoso contra a nudez pornográfica (3)

(...) Fazer o filme assim é uma decisão política para mim. A pornografia está tão dissimulada em nossa cultura, que já não a reconhecemos como tal. Hoje, qualquer diretor ou autor de novela ou programa de televisão (medíocre ou não, mas medíocre também!), ou qualquer cineasta de primeiro filme, se acha no direito de determinar que uma atriz deve ficar pelada em tal cena, ou sumariamente vestida (já vem escrito no texto!), ou levando um malho, ou beijando calorosamente dez minutos um ator que ela acabou de conhecer (e já aconteceu de ser apresentado um prostituto para fazer uma cena de beijo com uma colega nossa).

(...) Até quando, nós atores, ficaremos atendendo ao voyeurismo e a desfunção sexual de diretores e roteiristas, que instigados pelos apelos do mercado, ou por si mesmos, nos impingem estas cenas macabras? Até quando, nós atores, e sobretudo, as atrizes, serão constrangidas a ficarem nuas em estúdios ou praias onde homens em profusão se aglomeram para dar uma olhadinha? Ou, pior: quando dissimulam o seu apetite sexual num respeito cerimonioso; respeito esse que é pura tática para não espantar a presa, a oferenda que vai ser imolada no altar do tesão alheio dos impotentes!

(...) A quem diga que a nudez destas cenas é fundamental para a história, eu sugiro que assita a pelo menos 2 filmes de François Truffaut, "Le Dernier Métro" e "La Femme à Coté" e aprendam alguma coisa sobre a narrativa da intimidade de personagens sem haver exposição da intimidade dos atores.

Pedro Cardoso contra a nudez pornográfica (4)

(...) Onde há pornografia, não há liberdade. Há alguém ganhando dinheiro e alguém sofrendo para produzir o dinheiro que este outro está ganhando. Quem se vê submetido a cena pornográfica, sempre sofre, mesmo apesar de seus possíveis compromentimentos subjetivos a tal submissão. O comprometimento eventual de alguns de nós, não legitima o ato agressivo de quem propõe a pornografia. A quem se afobe em me acusar de exagerado, eu só peço que assista aos filmes recentes e a televisão. Está tudo lá. É só ter liberdade para ver.
A quem se afobe em me acusar de moralista, peço antes que procure conheçer o meu trabalho em teatro e que assista ao filme desta noite. Nele, assim como algumas vezes no teatro, tratei, junto com meus colegas, de assuntos bem distantes da uma moralidade puritana. Quem for me acusar, tente primeiro perceber a diferença entre a liberdade para tratar de qualquer assunto e a intenção de usar qualquer assunto para difundir pornografia usando a liberdade de costumes para disfarçá-la de obra dramatúrgica.
Para que não digam que eu sou contra a nudez em si, dedico este texto a atriz Clarisse Niskier, que faz de sua nudez em "A Alma Imoral" um excelente instrumento para a narrativa do seu espetáculo e não um ato pornográfico. Na televisão não há cena de nudez que eu me lembre de ter considerado justificada, mas no cinema há pelo menos uma: Leila Diniz vestindo a nudez de sua personagem no filme "Todas as Mulheres do Mundo", enquanto o personagem de Paulo José diz um belíssimo poema de Domingos Oliveira.

Barômetro Iberoamericano: os presidentes mais populares


Recebo a seguinte mensagem sobre a popularidade dos Presidentes dos países latino-americanos:
Los presidentes Tabaré Vázquez, Lula Da Silva y Alvaro Uribe encabezan la lista de mandatarios más populares en sus países, de acuerdo a la medición del Barómetro Iberoamericano de Gobernabilidad 2008. En los lugares más bajos de la misma lista se encuentran el presidente estadounidense George Bush y el nicaragüense Daniel Ortega.
Uribe ocupa el primer lugar, con un índice de aprobación interna del 85%, mientras que Lula y Vázquez comparten el segundo lugar, con un promedio del 67%. La misma encuesta revela que entre los ciudadanos de Iberoamérica los que cuentan con mayor aceptación son el mandatario brasileño (con un 53,8%), seguido en su orden por Michelle Bachelet, de Chile (45,9%) y el presidente mexicano Felipe Calderón (45,6%).
El sondeo fue realizado en 22 países de Latinoamérica, España y Portugal, por firmas privadas encuestadoras reunidas en el Consorcio Iberoamericano de Investigaciones de Mercados y Asesoramiento (CIMA). Los resultados se basan en 12.401 entrevistas telefónicas realizadas desde marzo hasta junio de 2008 y con un margen de error de 4%.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Educação: para pensar


Do blog http://chicaodoispassos.blogspot.com/2008/10/para-refletir-educao.html:
Investir em educação não garante reeleição
Os eleitores não reconheceram nas urnas a boa atuação dos prefeitos na maioria dos 37 municípios considerados exemplares em educação no Brasil, segundo pesquisa feita pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Ministério da Educação e União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Em 21 dessas cidades, o eleito foi o candidato que representava a oposição. A pesquisa "Redes de Aprendizagem - Boas Práticas de Municípios que Garantem o Direito de Aprender" foi feita no ano passado e destacou cidades no País onde a rede municipal de ensino público funcionava bem.Mas, nesse universo de 37 cidades, 21 não reconduziram os prefeitos ou seus candidatos para um novo mandato.

Campanha em BH: ataque ou lirismo?


O slogan da campanha de Quintão, em BH, é desavergonhadamente lírica, beirando a pieguice: "Gente cuida de Gente". Uma vereda sinuosa para dizer que as obras em BH são importantes, mas nem tanto e que o atual governo seria pouco humano. É isto que ele pretende dizer? Já o caso de Márcio Lacerda é ataque puro. Distribui panfletos pela cidade com o slogan: "Estão querendo enganar você". Parece acusar o golpe do primeiro turno. O eleitor votou enganado, então! E, por aí, procura disseminar a dúvida. Mas, para quem não apareceu no primeiro turno, não seria trocar seis por meia dúzia?
Minha tese é: se o conteúdo da campanha de Quintão é frágil, o formato é muito inteligente, fala de mineiro para mineiro, como se fora um jovem humilde. No caso de Lacerda é o inverso: se o conteúdo é bem preparado, a forma é um desastre porque altera o eixo a todo momento e foi do zero a 300 km por hora, numa espécie de rebelde sem causa.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Deu no blog de Frederico Vasconcelos

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais decidiu suspender a construção de sua milionária mega-sede, que abrigaria toda a segunda instância, obra orçada inicialmente em R$ 368 milhões, estimativa refeita, agora, para R$ 519 milhões, sem incluir gastos de R$ 30 milhões com mobiliário.A justificativa oficial é o novo cenário com a crise econômica mundial, o que, a partir dessa versão, torna o Judiciário de Minas Gerais uma das primeiras instituições a se precaver diante de possíveis tempos de aperto orçamentário. Mas a obra sempre foi cercada de circunstâncias muito controvertidas, o que faz supor a existência de outros fatores para seu cancelamento.A decisão, anunciada pelo presidente do TJ-MG, desembargador Sérgio Resende, ocorre depois de ter sido realizada solenidade de lançamento da pedra fundamental, descerramento de placa e urna enterrada com documentos sobre a obra que seria "histórica", cerimônia que contou com a presença do ex-presidente do tribunal, desembargador Orlando Adão Carvalho, nos últimos dias de gestão, e do vice-governador Antônio Augusto Anastasia.

Evolução do voto em BH, no primeiro turno


A Fundação Perseu Abramo oferece tabelas de evolução de votos em vários municípios brasileiros durante o primeiro turno, possibilitando uma leitura da evolução da intenção de voto. Em BH (na ilustração desta nota) a evolução mostra uma tendência interessante: a partir de 10 de setembro (pouco menos de um mês antes das eleições) começa a evolução da intenção de votos em Quintão (PMDB), crescendo 6% nas duas semanas seguintes. A partir de 30 de setembro, cresce 12 pontos na intenção de votos. Já Márcio Lacerda (PSB) evolui de 40% para 45% até 30 de setembro. A partir daí, cai 8% até o dia da eleição, sendo que o momento de maior queda ocorre justamente no último dia de campanha. A pesquisa do IBOPE, praticamente uma semana após o início da campanha do segundo turno, revela que Quintão abriu 18 pontos sobre Lacerda. Enfim, a tendência de queda de Lacerda (8% por semana) e crescimento de Quintão (12%) se manteve, abrindo justamente a diferença entre queda e crescimento da última semana envolvendo os dois candidatos.

A ausência de Aécio Neves na campanha de BH


É interessante como o PT vem dominando a condução da campanha de Márcio Lacerda, em BH. Principalmente a ala Fernando Pimentel/Virgílio Guimarães. Não se percebe a presença dos principais operadores políticos do governo Aécio. Um erro grosseiro, já que a derrota de Márcio (que parece uma possibilidade real nesta altura do campeonato) será de Fernando Pimentel, mas também de Aécio Neves. Será que procura evitar uma cobrança ou chantagem política mais dura do PMDB? Será que já estaria negociando com o PMDB? É estranho porque o que aparece nos jornais é a presença dos petistas, mas não dos aecistas.

A derrota da esquerda no RJ, segundo Emir Sader


Confesso: sou muito mais Eder (com quem trabalhei no CEDEC) que Emir Sader. Mas Emir acaba de publicar um artigo analisando a derrota da esquerda carioca que me parece instigante. Defende, abertamente, a candidatura de Jandira Feghali: "Quem não se deu conta que a candidatura da Jandira era a melhor colocada para chegar ao segundo turno e que deveriam ter muito mais em comum com ela do que com os outros candidatos com possibilidades de chegar ao segundo turno, de que ela era a única candidatura que, ao longo de toda a campanha, teve chance de chegar ao segundo turno - demonstrou uma grave desvinculação da realidade." Embora instigante, este é o tom definitivo que me incomoda e que coloca Emir na vala comum da esquerda clássica, de tradição autoritária e pouco criativa. Mas, seu artigo avança. Afirma, sobre o PT do RJ: "o PT nunca saiu da casa dos 5%, salvo na - já longínqua no tempo - candidatura de Benedita. Assim era e assim reproduziu-se mais uma vez nesta eleição. Foi uma candidatura do PT e não para tentar que a esquerda do Rio triunfasse."
Sobre o PSOL: "uma vez mais enganaram-se sobre onde está a direita, negando-se a apoiar a Jandira, dizendo que ela é "da base governista", o que parece condenar o candidato a estar na direita, já que o PSOL entrou no caminho sem volta de tomar o PT como o inimigo fundamental - como já provou ao abster-se entre Lula e Alckmin no segundo turno e aliar-se à direita em tantas situações, em votações do Congresso ou na própria eleição presidencial."
Sobre outros partidos de tradição popular ou à esquerda: "Havia candidaturas também do PDT, do PCB, do PCO, no campo da esquerda, que igualmente se guiaram pela lógica da candidatura própria, independente do campo político e do enfrentamento entre
direita e esquerda, sacrificando também a possibilidade de projetar uma força de esquerda no segundo turno."
Enfim, fica a dúvida sobre o motivo da esquerda carioca não ter ouvido Emir Sader.

IBOPE INDICA VANTAGEM DE QUINTÃO, EM BH


A primeira pesquisa de intenção de votos em BH neste segundo turno, divulgada pelo IBOPE, dá vantagem para Leonardo Quintão, do PMDB: 61% a 39% (para Márcio Lacerda) dos votos válidos. Não sei se é possível afirmar que revela o impacto dos debates e estratégias adotadas pelos candidatos nos últimos dias. Teríamos que ter dados qualitativos (resultado de grupos focais) para termos certeza. Mas se for isto, minha percepção que o grau de agressividade do candidato tucano estrelado era demasiado (influenciado por Virgílio Guimarães), se confirmaria.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

E se Quintão ganhar em BH?


Já se especula o que poderia ser um governo de Leonardo Quintão em BH. Não pelas propostas, mas pela composição do seu secretariado. Especula-se o peso de seu pai, Sebastião Quintão, que acaba de perder a prefeitura de Ipatinga. Qual seria o peso das igrejas evangélicas, que apoiaram em peso sua candidatura. E o papel de Hélio Costa, que se apresentou como padrinho político de Leonardo? E Maria Elvira, que no final do primeiro turno, saiu à tiracolo com o candidato peemedebista?
Também se especula qual a fatura que o PMDB mineiro cobrará de Aécio Neves, perdendo ou ganhando em BH, após o segundo turno. Foi o partido vencedor em MG (2 milhões de votos no primeiro turno) e já cobrou a fatura de Lula, o que leva a crer que fará o mesmo em MG por ser base parlamentar do governador.

A democracia chinesa


Zhiyuan Cui (na foto), da nova esquerda chinesa, professor do MIT e da Universidade de Tsinghua (Pequim) foi entrevistado pela revista Desafios (edição de agosto deste ano), do IPEA, e oferece uma interpretação dos mecanismos democráticos da China. No fundo, ele mesmo sugere pouca participação popular nas decisões. Contudo, cita o orçamento participativo, copiado do Brasil e implantado em vários municípios chineses, segundo afirma. E, ainda, destaca a avaliação que um instituto independente faz junto à população sobre o desempenho de um administrador público. Se em dois anos não é bem avaliado, perde o cargo. É uma versão do "recall", sem participação direta da população. Mas não deixa de ser uma possibilidade que poderia se articular com o recall.

Nobel de Economia foi para Paul Krugman


Paul Krugman, que já afirmei neste blog que é o único economista do mundo que sabe escrever, acaba de receber o Prêmio Nobel. O economista possui um blog (http://krugman.blogs.nytimes.com/) e um site (http://web.mit.edu/krugman/www/). Trata-se de um liberal clássico, honesto e que escreve com humor e clareza desconcertantes.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Primeiro debate do segundo turno em BH


Ontem foi dia de debate entre candidatos à prefeitura de Belo Horizonte na TV Bandeirantes. Como já havia demonstrado logo no dia seguinte à eleição de 5 de outubro, o candidato tucano estrelado, Marcio Lacerda (PSB), foi mais incisivo e Leonardo Quintão (PMDB) ficou mais na defensiva. Não sei se esta nova postura de Lacerda está bem calibrada. Parece agressividade em demasia. No 1º bloco, o principal argumento do candidato tucano estrelado foi refutar a acusação que teria participado do esquema do mensalão. Leu uma carta atribuída ao deputado Osmar Serraglio (relator da extinta CPI dos Correios) e o senador Delcídio Amaral (presidente), que deram depoimentos para isentá-lo de participação no escândalo do Mensalão. E foi para o ataque. Disse que Quintão não ter tido experiência administrativa. Quintão, surpreendentemente (teria se baseado no estilo Gabeira?) chegou a pedir perdão para Lacerda em resposta à entrevista na qual o peemedebista havia feito críticas ao fato de o socialista não ter ainda exercido mandato no executivo. No já conhecido estilo "bom moço", disse: "O senhor me perdoa porque não foi aquilo que eu disse à moça, mas foi realmente o que eles colocaram na entrevista". Ficou a dúvida se é uma nítida estratégia de Quintão. Em determinado momento afirmou que Lacerda tem "idade para ser meu pai", e não iria responder a ataques. Enfim, os dois se arriscam neste início de segundo turno. Lacerda, porque de uma hora para outra vai para o ataque com gana. Pode parecer desespero. Mas é uma novidade, mais ao estilo petista de atacar. E Quintão aposta em outra tática arriscada: assume a postura de jovem educado, "da paz", mas pode parecer excessivamente recuado, na defensiva. Devemos lembrar que quem entende melhor de mineiro no Brasil é mineiro.

O mundo depende dos emergentes


Ontem, o ministro Guido Mantega afirmou que o crescimento mundial depende, em 75%, dos países emergentes. Fui conferir este dado e encontrei um artigo publicado no Herald Tribune que diz que realmente o crescimento dos emergentes criou uma inversão no mundo. Diz o autor da matéria (e editor do jornal), Roger Cohen: "O mundo está de cabeça para baixo". E cita o dado de Mantega: em 2007 os países emergentes foram responsáveis por dois terços do crescimento econômico global.

A origem da palavra favela


Estou lendo O Santo Sujo, biografia de Jayme Ovalle (foto). Lá pela página 59 o autor Humberto Werneck afirma algo que não sabia. A palavra favela teria origem no nome de um arbusto nordestino, da região de Canudos. Segundo o autor, com o fim da Guerra de Canudos, muitos negros que haviam sido recrutados para combater o movimento messiânico migraram para a capital Rio de Janeiro e ocuparam os morros.

domingo, 12 de outubro de 2008

SISTEMA IRÁ MONITORAR INVESTIMENTOS GOVERNAMENTAIS NA INFÂNCIA


O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a ONG Contas Abertas promoveram nesta quinta-feira (09) o lançamento oficial do Sistema de Monitoramento do Investimento Criança (SIMIC). A ferramenta permitirá a todo e qualquer cidadão monitorar os investimentos do governo federal em programas e ações destinados à população infanto-juvenil. Por meio do SIMIC será possível fazer análises comparativas dos gastos efetuados entre 2006 até setembro de 2008. A cada seis meses, Unicef e Contas Abertas irão publicar o Boletim Investimento Criança, que trará análises sobre os investimentos e os gastos efetuados pelo governo federal na área. A ANDI apoiará a iniciativa oferecendo um curso presencial para jornalistas para o manejo desta ferramenta, além de lançar em breve um curso à distância sobre o tema Orçamento Público para a Infância. Acesse: www.investimentocrianca.org.br ou www.unicef.org.br

Democracia, segundo Humberto Maturana


Augusto de Franco envia a transcrição da comunicação de Humberto Maturana nas mesas redondas organizadas pelo Instituto para o Desenvolvimento da Democracia Luís Carlos Galán, da Colômbia, sobre a democracia. Destaco algumas passagens:

Quisiera hacer algunas reflexiones sobre el origen de lo humano, para que desde allí veamos que relevancia puede tener esto con respecto a la infancia y la construcción de la paz, de modo que la paz no sea la antinomia de la guerra. (...) Los estudios de genética muestran que nosotros los seres humanos y los chimpancés teníamos un antecesor común, es decir, pertenecemos a los linajes que se separaron hace cinco millones de años.

(...)Pero lo peculiar es el modo de vida, nosotros tenemos un vivir humano y en mi esquema pondría: “humano”, un vivir humano. Lo que nos aporta nuestra corporalidad depende de lo que estamos hechos y lo que pasa en el modo de vivir se da por la relación, no por lo que nosotros hacemos ni cómo nos movemos, sino por la relación entre la dinámica corporal y las circunstancias. Todo esto es válido para cualquier animal o planta. Lo que quiero destacar con esta mirada a nosotros mismos es que nosotros somos seres humanos por el modo de vivir y nuestro modo de vivir es en el lenguaje.

(...) Si se define la paz social como la represión policial, se conserva la represión policial y todo lo demás cambia en torno a la conservación de la represión policial. De modo que lo que estoy diciendo es válido para todas las circunstancias en que hay sistemas y hay relaciones que se conservan. El ser humano se configura cuando en la historia comienza a conservarse el vivir en el lenguaje, entonces la corporalidad cambia entorno a la conservación del vivir en el lenguaje, generación tras generación. Nosotros tenemos una corporalidad tal que tenemos un sistema nervioso, tenemos una laringe, una dinámica respiratoria, todo un conjunto de características que tienen que ver con nuestro vivir en el lenguaje.

(...) El acto de compartir no consiste en dejar que el otro coma al lado de uno. Consiste en transferir lo que uno tiene al otro. Yo le paso al otro algo que tengo, ese es un acto de compartir. De alguna manera nosotros seguimos siendo animales recolectores que comparten alimento. Somos animales recolectores, pero también somos animales compartidores. Piense cada uno de ustedes lo que les pasa cuando alguien en la calle pide dinero. ¿Qué le pasa a uno?. Si uno no quiere dar evita el encuentro de la mirada con la del que pide, porque en el momento en que ustedes se encuentran con la mirada del otro ocurre algo que resulta ineludible: sienten tentación por compartir. Pero eso no se origina en la cultura, ustedes pueden incluso tener argumentos para no dar.

Y somos animales compartidores porque pertenecemos a la historia de compartir. Yo no se en qué momento de estos tres millones de años hacia atrás, comenzó el compartir en nuestro linaje, pero somos animales compartidores.

(...) De acuerdo con esta historia, nosotros somos animales dependientes del amor. No importa la edad, nos enfermamos cuando se interfiere con el amor: el bebé, el niño, la niña, el joven, la muchacha, el adulto, el viejo y nos curamos cuando se restituye el amor.

(...) El amor es fundamental en las relaciones. Pero el amor no es otra cosa que el dominio de las conductas en las cuales el otro surge como legítimo otro en la convivencia con uno y eso es lo que constituye lo social.

(...) Siendo así ¿Cómo es que vivimos en la guerra, en la agresión, en la negación? ¿Por qué pasan lo que pasa en Yugoslavia, por ejemplo?. Allí se vive una guerra étnica, latente cientos de años, donde los niños croatas han crecido odiando a los servios y a los musulmanes y viceversa. ¿Cómo es que vivimos. así?. Esa era la primera pregunta.

(...) En Chile se han hecho encuestas sobre las transiciones gubernamentales de un régimen dictatorial a un régimen intencionalmente democrático y, en este contexto, sobre lo que la gente piensa sobre la política. Se escucha repetidamente la queja sobre la política como un juego del poder, de la dominación, del sometimiento, de la instrumentalización de las relaciones, de las alianzas temporales. Algunos sectores de los partidos políticos en el gobierno y en la oposición tenían que decidir sobre los candidatos a la presidencia. Al escuchar las noticias o leer los diarios, ambos grupos se acusaban recíprocamente de hacer alianzas instrumentales en función del acceso al poder; es decir, describían unos a otros como “monkey bussines”.

(...) Nosotros somos animales en tanto pertenecemos a la historia que nos dá origen, pero somos cooperadores que debido a que no tenemos impedimentos para cooperar; cuando en las relaciones amistosas aceptamos la invitación a cooperar la pasamos bien. Solamente nos molestamos cuando pensamos que nuestro amigo nos está utilizando, cuando está instrumentando la relación. Las amistades se acaban cuando las relaciones se vuelven instrumentales. No obstante, vivimos en los términos en que Franz De Vall usa la expresión politica chimpacé, al tiempo que tenemos preocupaciones por la polis, por la comunidad; en cierta manera vivimos en una esquizofrenia, escindidos entre dos polos de intenciones fundamentales: Crecemos en la simulación, en la apariencia, en la manipulación, en la competencia, pero al mismo tiempo deseamos que los temas de la comunidad nos importen sin quedar atrapados en las relaciones de dominación, sometimiento e instrumentalización y guiarnos por la cooperación.

(...) ¿Qué es la democracia?.

Si uno mira los orígenes de la democracia lo que uno descubre es que ella surge como un modo de convivencia entre iguales, entre seres que se respetan, que tienen derecho a opinar y a participar en las decisiones que los afectan. ¿Qué tiene que pasar para que de hecho podamos hacer una vida democrática?.

Tenemos que ser capaces de vivir en la colaboración, tenemos que ser padres capaces de hacer de ese espacio de convivencia, que es la familia, un ámbito social.

¿Qué tiene que pasar para ello?. Tenemos que respetarnos, tenemos que ser capaces de encontramos con el otro como legítimo otro en la convivencia con uno.

¿Qué tiene que pasar para ello?. Tenemos que respetarnos a nosotros mismos. El respeto por el otro pasa por el respeto por si mismo; el respeto por si mismo pasa por el respeto por el otro. Pero para que eso pase, el niño pequeño debe crecer de tal manera que adquiera conciencia de sí y conciencia del otro en la legitimidad de la relación social.

Muchos educadores, muchas personas saben esto y hay investigaciones que lo profundizan. La doctora alemana Gerda Verden-Zöller ha hecho un estudio sobre la relación materno infantil normal, en el que se muestra que los bebés y los niños en crecimiento, adquieren conciencia corporal y conciencia de sí junto con la conciencia de la corporalidad del otro y la conciencia de la legitimidad del otro, en la relación que permite establecer el juego materno infantil.

¿Y qué es la relación de juego? Es una relación de cercanía corporal, de aceptación corporal sin exigencias de trueque, en total aceptación de la legitimidad del otro. Eso se da normalmente en una relación materno infantil, no distorsionada por relaciones circunstanciales como podría ser la pobreza, la distracción en otras cosas fuera de la relación. No como una simbiosis entre lo femenino y lo infantíl, sino como una relación unívoca entre un adulto y un niño.

A finales de la II Guerra Mundial se hizo un estudio en Inglaterra con los niños desplazados de un lado para otro por los bombardeos en Londres y en otras ciudades inglesas. Este estudio mostró las consecuencias nefastas en el desarrollo del niño cuando hay deprivación materna. Y la deprivación materna ocurre cuando se interrumpe la relación unívoca de cuidado de un adulto con el bebé, con el niño o con la niña. Hay momentos cruciales en el desarrollo del niño tales que, cuando hay deprivación materna, ese bebé se transforma en un niño que es incapaz de establecer relaciones de confianza. Es incapaz de relacionarse con el otro.

Cuando esa deprivación materna ocurre, hay alteraciones en el desarrollo que son irreversibles. Después de esos tres primeros meses los niños manifiestan alteraciones en su desarrollo. Si el niño pequeño ha aprendido a controlar su esfínteres, deja de hacerlo; si ya está asistiendo al jardín infantil y tiene buenas relaciones, con una semana de deprivación materna sucede mi retroceso en las relaciones interpersonales en dicho lugar, empero es recuperable.

(...) Un amigo me dijo:
— La historia de la humanidad es la historia de la guerra.
Lo que sé sobre la guerra lo aprendí en los textos del colegio, que describen la historia de la humanidad como una sucesión bélica. Cuando mi amigo me dijo eso quedé insatisfecho. Era una mirada histórica de un fenómeno, pero esto no era todo lo que caracteriza a la humanidad, ni lo que la ha hecho humana. Esa fue una de las razones para interesarme por el origen del patriarcado, por las culturas europeas.

(...)La apropiación y la guerra van juntas. Se desencadena cuando de la negación del otro se pasa a su eliminación, cuando uno se apropia del modo de vivir del otro, cuando la apropiación se convierte en un modo de vida y cuando uno se puede apropiar de todo, de cosas, de ideas, del sexo del otro.

(...) El acto de matar al lobo para excluirlo de su comida no es trivial en la historia. Los niños aprenden a hacer esto como una cosa normal y esto se transforma en un modo de vivir y por lo tanto en una cultura. No se aprende solo la técnica de matar al lobo, se aprende también la emoción que va con esto, la emoción que va con la apropiación, la emoción que va con el control. Se pierde la confianza, aparece el control, las relaciones pasan a ser relaciones de control y con ello tenemos la multiplicación del patriarcado.

Desemprego no Mundo (OCDE)


Em setembro, a taxa para os Estados Unidos foi de 6,1% da população economicamente ativa, a mesma taxa de agosto, mas ainda 1,4 ponto percentual acima do registrado no mesmo mês de 2007. Na zona do euro, o desemprego ficou em 7,5% em agosto, o equivalente a 0,1 ponto percentual acima do mês anterior e do ano passado. Entre as principais economias européias, os maiores aumentos de desemprego foram registrados na Espanha (11,3% em agosto, 3 pontos percentuais a mais que um ano antes) e Itália (6,8% em junho, 0,8 ponto percentual a mais que no mesmo período do ano anterior). Na Alemanha, houve uma melhora do panorama. O desemprego foi de 7,2% em agosto, uma redução de 1,1 ponto percentual em relação ao mesmo mês de 2007.

A crise e os emergentes, segundo a BBC


Segundo a BBC, baseada nos dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) na sexta-feira, apenas o Brasil escapou de um declínio no chamado índice composto, ou CLI, que serve como um alerta antecipado para momentos de mudança entre ciclos de expansão e de recessão na atividade econômica. Os dados apontaram uma perda de fôlego mesmo em outras grandes economias emergentes, como Rússia, Índia e China. O CLI para o G7 caiu de 96,5 para 95,6 entre julho e agosto, ficando 5,2 pontos abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado. Isto significa que a zona está vivendo uma "forte desaceleração", com cada país da área – formada por Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Japão, Canadá e Itália – dentro desta categoria. O patamar de 100 pontos serve de referência para a entidade classificar a atividade econômica dos países como em "expansão", "inversão para baixo", "desaceleração" e "recuperação", dependendo da pontuação em relação a ele.
Na nova avaliação, o Brasil foi o único dos países a dar "sinais de expansão" – o indicador passou de 107,3 para 108,3 e está 3,4 pontos acima do nível do ano passado, apesar da crise. A China e a Rússia continuam com indicadores em torno de 100, mas viram o nível cair em agosto, configurando uma "inversão de tendência para baixo". Já o CLI da Índia, em 96,5 pontos, está 7,1 pontos abaixo do registrado no mesmo nível do ano passado, o que indica "desaceleração", nos critérios da OCDE.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Aliança eleitoral de PT com oposição não surtiu efeito, segundo a Folha


A estratégia do PT de marchar junto com partidos de oposição ao governo Lula em 41,2% dos 5.553 municípios brasileiros se mostrou ineficiente. Ao lado de pelo menos um adversário no campo nacional (PSDB, PPS ou DEM), o PT foi vitorioso no primeiro turno em apenas 490 cidades (21,4%) dos 2.292 municípios onde os petistas estavam juntos com os adversários. O partido elegeu 35% dos candidatos coligados somente com siglas da base: 886 em 2.492 cidades, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Como a Folha revelou na semana passada, petistas e tucanos, por exemplo, estavam juntos em 1.095 cidades. As urnas indicam que a dobradinha funcionou no primeiro turno em apenas 258 cidades (23,5% do total se elegeram). O resultado reforça a posição de alas do PT avessas às parcerias, formais e informais, com a oposição, como em Belo Horizonte. Na cidade, para eleger Marcio Lacerda, o PT se uniu ao PSDB contra a vontade de ministros petistas como Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e Luiz Dulci (Secretaria-geral da Presidência).

Crise, reservas cambiais e PMDB


O Brasil tem, no momento, mais de 200 bilhões de reservas cambiais. Mas o governo federal já sinaliza que deverá gastar 10% dessas reservas para conter a crise, criando lastro para as exportações. Há várias análises a respeito deste acúmulo de reservas. Alguns economistas destacam a ação dos especuladores nacionais e estrangeiros que trouxeram seus dólares em massa ao Brasil para comprar títulos da dívida “interna”, em busca dos juros mais altos do mundo. O resultado disto é a explosão da dívida interna, que atingiu R$ 1,4 TRILHÃO em dezembro de 2007, tendo crescido 40% em apenas 2 anos. Em 2007, o governo federal gastou R$ 237 bilhões com juros e amortizações da dívida interna e externa (sem contar o refinanciamento, ou seja, a chamada “rolagem” da dívida), enquanto apenas gastou R$ 40 bilhões com a saúde, R$ 20 bilhões com a educação e R$ 3,5 bilhões com a Reforma Agrária.
Agora, a história será outra. E nesta esteira o PMDB caminha rapidamente. Sabe que tem que cobrar a fatura das eleições aos seus aliados (governo Lula e governo Aécio). Daí a rapidez. Ontem já iniciaram negociação com o governo Lula, exigindo apoio às pretensões para as próximas eleições da mesa diretora da Câmara Federal e isenção de Lula onde o PMDB disputa segundo turno (caso de BH). Parece que ganharam a parada.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Mais mulheres chefiam famílias no Brasil


De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a proporção de famílias chefiadas por mulheres passou de 24,9%, em 1997, para 33%, em 2007, o que representa um total de 19,5 milhões de famílias brasileiras que identificam a mulher como principal responsável. Durante o mesmo período, famílias formadas por casais com filhos e chefiadas por mulheres também representam um "fenômeno em ascensão". Entre 1997 e 2007, os números passaram de 600 mil para quase 3,3 milhões. Em 1997, entre as famílias formadas por casais com filhos, apenas 2,4% eram chefiadas por mulheres. Em 2007, a proporção subiu para 11,2%.
Este é um fenômeno importante que as escolas de ensino básico e o próprio MEC ainda não se deram conta.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Um presente para Minas

Eugênio Celso Gonçalves assumiu, hoje, a Superintendência da Receita Federal em MG. Um presente para os mineiros. Eugênio é um super militante da educação fiscal no país, apaixonado pelo serviço público e pela transparência e justiça social. Pode parecer marketing, mas é a pura verdade.

O mapa do voto em BH


O mapa de votação de Márcio Lacerda e Leonardo Quintão revela o quanto as batalhas políticas mineiras são sutis e desgastantes. Na eleição de Fernando Pimentel, o PT ganhou em todas zonas eleitorais. Na comparação com a votação de Márcio Lacerda, os bairros operários se destacam. O bairro Barreiro, onde está localizada a Escola Sindical 7 de Outubro (CUT), Fernando Pimentel venceu com a larga margem de voto em relação ao segundo candidato: 50 mil de frente. O mesmo ocorreu no bairro popular de Venda Nova. Já Márcio Lacerda, obteve uma vantagem de 8 mil votos no Barreiro e apenas 500 votos em Venda Nova. Na região leste, importante nas lutas sociais tipicamente urbanas (por habitação e saúde pública) a vantagem também foi pequena. Precisa dizer como a oposição interna (petista) a Fernando Pimentel rebateu na candidatura de Márcio Lacerda?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A segunda batalha


Após o primeiro turno das eleições municipais, é hora de catar os cacos. Lula terá dor de cabeça em Salvador/Bahia, já que o PMDB vem caminhando em rota de colisão com o PT (fato que se repete, em dimensão menor, em Porto Alegre e BH). Serra deve estar de olho no crescimento de Kassab, seu segundo round pessoal. Aécio Neves terá que recompor sua estrutura política no interior de Minas Gerais e tentar refazer a aliança com um PMDB fortalecido e cada vez mais independente em terras mineiras. E Ciro Gomes... bom, esta é a história pessoal deste personagem político.

A esquerda perdeu, diz Plínio de Arruda Sampaio


Em entrevista ao Brasil de Fato, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e o advogado Ricardo Gebrin avaliam que as eleições do final de semana representaram uma "derrota monumental da esquerda" e que esta teria sido uma campanha "despolitizada". O que chama a atenção é a franqueza dos entrevistados. Gebrin acredita que o lançamento de candidaturas próprias enfraqueceu os partidos mais à esquerda. Plínio afirma que o PSOL errou no discurso, escolhendo as soluções administrativas, despolitizando o embate eleitoral. Vale a pena: http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/agencia/nacional/esquerda-sai-enfraquecida-das-eleicoes

O que provocou a vitória do PT?


O PT elegeu ao menos 546 prefeitos, o que representa crescimento de 33%, em relação ao total de eleitos em 2004 (411), e de 43% sobre o número atual de administrações do partido (382). Com tal resultado, subiu da 6ª para a 4ª posição no ranking do número de prefeituras por partido. Ainda na comparação com 2004, apenas seis partidos cresceram quanto ao número de prefeitos: PT, PCdoB, PSB, PV, PMDB e PDT. O PMDB manteve-se como partido com mais prefeitos no Brasil, subindo de 1.057 para 1.200 (+14%). Na outra ponta da tabela, dos que encolheram de tamanho, se encontram as três legendas que mais fazem oposição ao governo Lula: DEM, PSDB e PPS.
O PPS perdeu 58% das prefeituras, caindo de 306 para 130; enquanto o DEM foi reduzido de 790 para 497 (-37%) e o PSDB de 871 para 784 (-10%).
O que interessa, no momento, em relação a essa apuração é saber a motivação que levou a este resultado. A influência de Lula foi relativa. Em alguns municípios interioranos, Lula parece ter feito a diferença e sua imagem foi disputada à tapa. Mas nas capitais esta influência foi muito baixa ou irregular. Num partido cuja militância decaiu desde a primeira vitória de Lula à Presidência, este fator também não parece ser conclusivo. Mesmo porque, ficou evidente o papel de cabos eleitorais pagos, clássicos da política nacional, segurando bandeiras num "corredor polonês" sem qualquer originalidade, paramentados e aguardando o próximo lanche. O eleitor teria "nacionalizado" o voto local? Teria votado na estabilidade, no lulismo?

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A vitória do PT nas capitais


O partido que mais elegeu candidatos no primeiro turno das eleições municipais foi o Partido dos Trabalhadores (PT). Das 15 capitais brasileiras que já estão com resultado definido no primeiro turno, o PT elegeu seis prefeitos. Luizianne Lins (Fortaleza), João Coser (Vitória), Raul Filho (Palmas), Roberto Sobrinho (Porto Velho), Raimundo Angelim (Rio Branco) e João da Costa (Recife).Na segunda posição, estão empatados os partidos PMDB, PSDB e PSB, que elegeram dois candidatos cada.
PP, PV e PC do B estão empatados na terceira posição com um prefeito eleito cada um. No resto das capitais em que haverá segundo turno, o PMDB vai concorrer em seis delas: Belém (PA), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC). Já o PT vai para o segundo turno em três: Salvador (BA), Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP). Nas eleições municipais de 2004, o PT já liderava com o maior número de prefeitos eleitos nas capitais: foram nove. No mesmo ano, o PSDB ficou em segundo lugar, com cinco eleitos, e o PMDB alcançou apenas a quarta posição, com dois prefeitos eleitos em capitais.
Este cenário deve alterar alguns movimentos políticos para 2010. O mapa está muito mais favorável ao lulismo. Contudo, a disputa interna no PT (Marta Suplicy, Fernando Pimentel/Aécio Neves e lulismo) deve render alguns rounds. Mesmo o Rio Grande do Sul poderá reagir, com Tarso Genro e Dilma Rousseff à frente.
O problema maior, sem dúvida, está na disputa interna do PSDB (Serra e Aécio, em especial, que terão que reagir ao crescimento de Kassab, no caso de Serra, e reacomodar o Estado rebelde, no caso de Aécio Neves).
Finalmente, o PMDB torna-se uma incógnita porque não tem uma figura de expressão nacional, mas tem um cacife eleitoral invejável.

Juiz de Fora e Montes Claros terão segundo turno

Fui induzido a erro. Juiz de Fora, onde a candidata petista obteve o dobro de votos que o segundo colocado e Montes Claros, onde o atual prefeito (PPS) ficou em segundo lugar (do grupo mineiro auto-intitulado "lulécio") terão segundo turno. Como o PT ganhou no primeiro turno em Betim, continua com 13 prefeituras em cidades pólo. O PMDB, por enquanto, fica com 8.

PMDB e PT foram campeões de votos


Maria do Carmo se elegeu prefeita em Betim. Não havia listado porque havia uma disputa imensa com o candidato do PV. Uma derrota impressionante do todo poderoso Vittorio Medioli, dono de uma empresa jornalística e investidor em reflorestamento que chegava a distribuir jornais de graça nos bairros de Betim durante as últimas campanhas (jornal O Tempo). O candidato do PV (partido de Medioli), Rômulo Veneroso, foi apoiado por Aécio Neves, pelo vice-governador Antônio Augusto Anastásia, além do atual prefeito de Betim, Carlaile Pedrosa. Aliás, esta eleição indicou uma derrota significativa do governador mineiro.
Em Minas Gerais, o PMDB obteve 2 milhões de votos, seguido pelo PSDB e PT (pouco acima de 1,5 milhão de votos cada).
PMDB obteve um total de 17,8 milhões de votos no Brasil, seguido pelo PT, com 16 milhões. O PSDB vem em seguida, com 14 milhões. DEM, PDT e PP giraram na casa dos 6 milhões.

domingo, 5 de outubro de 2008

Balanço eleitoral de Minas Gerais


Fiz um primeiro balanço das eleições em cidades polo ou que são referência em sua região, no Estado de Minas Gerais. Não computei as cidades onde haverá segundo turno (todas localizadas na região metropolitana). Alguns municípios ainda não tiveram seus votos totalizados. Na listagem que apresento, PT e PMDB saem vitoriosos. PT com 13 prefeitos eleitos e PMDB com 9. Os outros partidos aparecem com, no máximo, 3 prefeitos eleitos em cidades polo. A listagem apresento a seguir:

Alfenas: PT
Almenara: PDT
Araxá: PDT
Barbacena: PMDB
Carangola: PPS
Caratinga: PT
Coronel Fabriciano: PT
Curvelo: PMDB
Divinópolis: PSDB
Formiga: PT
Guaxupé: PT
Governador Valadares: PT
Guanhães: DEM
Ipatinga: PT
João Monlevade: PV
Juiz de Fora: PT
Lavras: PSDB
Manhuaçu: PPS
Montes Claros: PMDB
Muriaé: PP
Nanuque: PPS
Nova Lima: PT
Ouro Preto: PMDB
Paracatu: PMDB
Passos: PMDB
Pará de Minas: PR
Patos de Minas: DEM
Ponte Nova: PTB
Pouso Alegre: PT
Sabará: PSC
Santa Luzia: PMDB
São João Del Rey: PMDB
Sete Lagoas: PSDB/PT
Timóteo: PDT
Teófilo Otoni: PT
Uberlândia: PP
Unaí: PSDB
Ubá: PT
Uberaba: PMDB
Varginha: PT
Viçosa: PSDC

Boca-de-Urna IBOPE


O PT já aparece como grande vitorioso das eleições do primeiro turno nas capitais do país. Vejamos a primeira pesquisa de boca-de-urna após as eleições terem se encerrado:

Fortaleza e Recife: os candidatos do PT, Luizianne Lins (Fortaleza, apoiada pela Democracia Socialista, corrente do PT e PSOL) e João da Costa (que enfrentará disputa no tapetão ao longo de seu mandato) estão eleitos no primeiro turno

Salvador: ACM Neto está fora do páreo. Vão para o segundo turno o peemedebista João Henrique e o petista Valter Pinheiro.

Belo Horizonte: o segundo turno tem cheiro de derrota para Aécio Neves e Fernando Pimentel. O candidato tucano estrelado disputará com Leonardo Quintão, do PMDB.

Rio de Janeiro: Eduardo Paes disputará com Gabeira, criando um grande dilema para o PT e a esquerda carioca.

Porto Alegre: o prefeito Fogaça disputará o segundo turno com a petista Maria do Rosário.

São Paulo: Marta Suplicy disputará com o atual prefeito (do DEM) Gilberto Kassab. Marta fica em primeiro lugar e será uma grande dor de cabeça para Lula, devido ao seu crescimento (e dos irmãos Tatto). Kassab crescerá, a partir de agora, como estrela do DEM, devido ao grande fracasso eleitoral de outros candidatos de seu partido. Com isto, Serra sai com outra dor de cabeça dessas eleições. Derrotou a primeira pedra em seu caminho, Geraldo Alckmin (que tem tudo para sumir do mapa político), mas terá em Kassab a segunda pedra. Somente após driblar este fogo amigo começará a pensar nas eleições presidenciais.

Magical Mystery Tours


Aproveitando o dia eleitoral, estou terminando o livro de Tony Bramwell, que leva o mesmo nome do projeto de Paul McCartney, logo após a morte de Brian Epstein, o famoso empresário dos Beatles. O texto é bem ruim, mas adota um estilo mais que coloquial, como se estivesse conversando na sala de estar. Tony foi amigo de infância de George, Paul McCartney e John Lennon e começou a trabalhar com eles carregando e armando seus instrumentos. Tudo começou quando se encontrou com George no segundo andar de um ônibus em Liverpool, em 27 de dezembro de 1960, a caminho de um show dos 'Beatles - Direto de Hamburgo'. Yoko Ono é massacrada no livro, revelada como uma pessoa impertinente, insistente, sem qualquer talento e mais que ambiciosa, sabendo manipular as incertezas e instabilidades de John Lennon. Uma leitura tipo "Caras" para um bom final de semana (longo, já que o livro tem mais de 500 páginas).
Em Tempo: o autor não consegue esconder uma certa auto-promoção e procura revelar um lado familiar dos Beatles.

Urna biométrica


O TSE faz, no momento, um primeiro balanço das eleições municipais de hoje. Foram apenas 168 prisões. O Ministro Ayres Britto destacou a urna biométrica, que foi testada e deverá ser o novo passo tecnológico para eleições brasileiras em, no máximo, oito anos. Uma das experiências deste tipo de experimentação foi São João Batista, a 100 km de Florianópolis, que foi um dos três escolhidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para iniciar a implantação da urna biométrica. A urna biométrica identifica o eleitor por impressão digital. Os outros dois municípios que estréiam o sistema são Fátima do Sul, no Mato Grosso do Sul, e Colorado do Oeste, em Rondônia. Dezesseis mil eleitores estão aptos a votar em São João Batista, após um recadastramento, quando foram obtidas as impressões digitais de todos os eleitores pelo Tribunal Eleitoral de Santa Catarina. A população registrada no município em 2007 era de 22.089 pessoas. Com esta tecnologia, o voto de alguém falecido morre (o trocadilho é péssimo, mas não resisti).

Algumas observações gerais sobre as eleições de hoje


1) Observação 01: os partidos que se consolidam
Parece que definimos, de vez, o sistema eleitoral brasileiro. PT, PSDB e PT elegem os prefeitos de municípios com maior eleitorado do país (e maior PIB). A polarização PT/PSDB (se bem que deve acabar nos próximos dois a quatro anos, em virtude da aliança inconfessável em curso) se consolida no firmamento. PMDB é o partido sem pai, ou com muitos pais, o que dá esta "estabilidade" permanente. Em algum lugar, seu candidato (mais à esquerda ou à direita) tem espaço livre para se eleger. É o partido do "espírito brasileiro";

2) Observação 02: Rio é diferente de São Paulo
A afirmação é óbvia, como sabemos. Mas agora ficou ainda mais nítida. Se em SP ganha quem tem máquina, no RJ é exatamente o inverso. No RJ a instabilidade econômica parece ter atingido a política. Um sobe e desce de nomes que se elegem e não se consolidam. As eleições de hoje mostram como a qualquer momento alguém pode ultrapassar o favorito dos eleitores (até ontem).

3) Observaçao 03: Mudança em baixa
Este país de tantas oscilações ganhou mais uma: se a palavra mudança era lugar comum em campanhas eleitorais dos anos 90, agora não elege nem cabo eleitoral. O voto só muda o que está realmente indesejável. As câmaras municipais são um claro exemplo. Em SP e RJ, a faixa etária dos vereadores eleitos gira ao redor de 40 a 60 anos de idade (76% no caso de SP e 56% no caso do RJ). Rui Maluf, num belo artigo publicado no Valor Econômico de 2 de outubro, afirma (comentando este fato) que o encantamento com a redemocratização já acabou. Levemos em conta que a) a Transparência Brasil vem revelando que o índice de atos relevantes dos vereadores das capitais brasileiras não ultrapassa 20% e b) o processo eleitoral brasileiro não garante a eleição dos mais votados e queridos (em virtude do quociente eleitoral), o que acaba favorecendo os "caciques partidários" e chegamos à conclusão que o ousado e inovador tem pequeno lugar nas eleições brasileiras.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Transparência Brasil: vereadores de POA têm atuação de baixa relevância


88% da atividade legislativa dos vereadores de Porto Alegre é irrelevante, segundo a Transparência Brasil. De 1.442 mil projetos apresentados entre 2005 e 2008 pelos vereadores que se encontram em exercício, 694 foram aprovados. Apenas 171 dessas propostas que se tornaram lei se referiam a assuntos com impacto sobre a vida e a administração da cidade. Os demais projetos aprovados - mais de 500 - dedicavam-se a homenagens, fixação de datas comemorativas e outros assuntos irrelevantes.
Isso resulta numa taxa de relevância (projetos relevantes aprovados em relação ao total de projetos apresentados) de 12%. 35 dos 36 vereadores da capital do Rio Grande do Sul são candidatos nestas eleições.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

MST responde às acusações de desmatamento


Em nota divulgada à imprensa, o MST responsabilizou a política do governo federal pela presença de supostos assentamentos na lista dos maiores devastadores da Amazônia. A nota, na íntegra:
"1- Nenhum dos oito assentamentos da lista dos maiores devastadores da Amazônia, divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente, localizados no Mato Grosso, é coordenado pelo MST. A presença de supostos assentamentos na lista dos maiores devastadores da Amazônia é conseqüência da política do governo federal, tanto na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso quanto do presidente Lula, de regularizar a posse de áreas sem critérios adequados para inflar os números da reforma agrária.

2- A pilhagem de madeira foi travestida de assentamento, como denunciamos ao lado do Greenpeace, em 2007. Foram criados assentamentos ilegais em benefício de madeireiras na Amazônia Legal. Investigações do MPF (Ministério Público Federal) e do Greenpeace
identificaram a falta de laudos e licenciamento ambiental, além de cadastros adulterados, para criação formal dos chamados 'assentamentos fantasmas', destinados ao desmatamento de áreas florestais para extração de madeira.

3- A reforma agrária está parada em todo o país. Os assentamentos realizados não atacaram o latifúndio e a concentração de terras aumentou no país durante os últimos governos. Cerca de 70% dos assentamentos dos governos FHC e Lula foram criados em terras públicas, por meio da regularização fundiária na região da Amazônia
Legal.

4- Participamos da campanha 'Desmatamento Zero', em defesa da Amazônia, ao lado de diversas entidades da sociedade civil. Exigimos a rejeição do Projeto de Lei 6.424/05, do senador Flexa Ribeiro (PSDB), que diminui a área de reserva legal florestal da Amazônia, e a medida provisória 422/08, conhecida 'PAG (Plano de Aceleração da Grilagem)', que possibilita a legalização da grilagem na Amazônia.

5- O Ministério do Meio Ambiente deve rejeitar esses projetos devastadores e tomar medidas rígidas para impedir a expansão do agronegócio na Amazônia, que é o principal responsável pelo processo de devastação. Nos últimos cinco meses de 2007, a pilhagem da madeira, a expansão da pecuária e da soja para exportação causaram a devastação de até 7.000 km2, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente."

O IBAMA nosso de cada dia


A área agrária sempre teve calafrios com a área ambiental. Mas com a lista dos 100 desmatadores divulgada ontem pelo ministro Carlos Minc, a tensão veio à tona. O ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) chamou o episódio (Minc havia afirmado que os assentamentos rurais eram os maiores desmatadores do país) de lamentável. E fez coro ao discurso da ex-ministra Marina Silva, para quem a divulgação da listagem alertou os grandes desmatadores. Rolf Hackbart, presidente do INCRA, também reagiu com muita irritação, afirmam técnicos do INCRA que consultei. Cassel e Rolf se reuniram ontem no IBAMA, aproveitando um evento na sede do IBAMA. Por seu turno, o ministro Carlos Minc cometeu mais dois deslizes: disse que não havia checado a lista (mesmo tendo divulgado à imprensa) e que a culpa é do IBAMA, a sempre "bola da vez" de todos ataques e culpas da área. Poucas vezes o INCRA foi defendido por lideranças da agricultura familiar (ou instituições vinculadas a este segmento). Minc teve o mérito de unir todos, incluindo a ex-ministra.

Indecisos em BH


Pesquisa encomendada pela Rede Globo ao IBOPE revela que os indecisos em Belo Horizonte perfazem 11%. Na análise do perfil do indeciso, temos:
a) 13% das mulheres e 9% dos homens estão indecisos em quem votar nas eleições municipais;
b) 17% dos que possuem acima de 50 anos e 10% dos que possuem entre 30 e 49 anos de idade;
c) 16% dos que só cursaram até a 4a série primária (caindo para 7% entre os que possuem curso superior).

Há duas hipóteses de análise. A primeira, que o fator tradicional de nível de escolaridade, ou seja, os segmentos com menor acesso à informação são os que decidem por último. Mas o interessante é a segunda hipótese: aqueles com estabilidade profissional (ou no ápice da carreira, ao redor de 35 anos de idade, e aqueles com vida profissional consolidada ou aposentados) são os que parecem resistir a votar no candidato biônico de BH. Não são efetivamente oposicionistas, ou já teriam decidido votar nos candidatos não apadrinhados pelo governador e prefeito. Mas resistem em votar num candidato forjado em gabinete. Apostaria que, na reta final, ao menos metade dos indecisos vote em um candidato. A última pesquisa disponível revela que Márcio Lacerda continua crescendo, mas ainda não garantiu a vitória no primeiro turno. Estes indecisos poderão fazer a diferença.