quinta-feira, 19 de maio de 2011

Valter Pomar e os desafios do socialismo latino-americano


Valter Pomar, da direção nacional do PT, discorreu recentemente a respeito dos rumos e desafios da esquerda latino-americana num paper intitulado "Esquerda na América Latina e Caribe: balanço e desafios". Trata-se da comunicação que fez na semana passada no seminário organizado pelo Movement for Social Justice. Embora o autor seja jovem, a análise parece uma nítida recuperação das teses da esquerda de meados do século XX. Reproduzo algumas passagens deste texto:

Sobre o futuro possível dos países latino-americanos
ou bem se tornar uma região integrada a partir de fora, a partir dos interesses e necessidades das potências centrais; ou bem se tornar uma região integrada a partir de dentro.

Ao longo dos últimos cinco séculos, prevaleceu uma variante dependente, associada e periférica de integração, combinada com desenvolvimentos nacionais marcados pela desigualdade e por reduzidas liberdades democráticas.


A partir da segunda metade dos anos 1990, esta situação de defensiva estratégica das forças populares coincidiu com um período de grande instabilidade internacional, decorrente da combinação entre dois fenômenos: a crise do capitalismo e o declínio da hegemonia dos EUA. Temos, de um lado, uma crise de acumulação, que se manifesta direta ou indiretamente em todos os terrenos: financeiro, comercial, cambial, energético, alimentar, ambiental. De outro lado, temos a reacomodação geopolítica, resultante: a) das dificuldades que os Estados Unidos enfrentam para manter sua hegemonia mundial; b) do aguçamento das contradições intercapitalistas, crescentes após a derrota do bloco soviético; c) do fortalecimento de potências concorrentes, especialmente a China.

A luta entre Estados e blocos regionais é, hoje, polarizada de um lado pelos Estados Unidos e seus aliados europeus e japoneses; de outro lado, pelos BRICS e seus aliados. Diferente do que ocorria antes de 1945, hoje temos uma disputa entre Estados da (quase) antiga periferia e Estados do (quase) antigo centro. E, diferente do que ocorria antes de 1990, hoje trata-se de uma disputa nos marcos do capitalismo.
A vinculação prática entre o desafio tático e o desafio estratégico depende da realização das chamadas reformas estruturais democrático-populares: reformas que visam alterar a concentração de renda, propriedade e poder. Mais concretamente, nos referimos à reforma tributária, reforma agrária, reforma urbana, reforma do sistema financeiro, reforma política, democratização da comunicação etc. A reforma política têm importância destacada, seja para reduzir a influência do Capital sobre a esquerda, seja para tornar alcançável a maioria parlamentar indispensável à transformações estruturais, ao menos nos marcos da estratégia atualmente implementada pela esquerda.

3 comentários:

Rogério Floripa (Pra não homenagear Floriano) disse...

Deixando esse documentário que vai de encontro ao texto.


Documentário - A Guerra Contra a Democracia - O premiado jornalista John Pilger mostra a cruel
realidade planejada pelos EUA para todos os países latino-americanos. http://bit.ly/lqg4S8

daniel valença disse...

gostaria de ter acesso a íntegra do artigo, se possível, enviar para valencadaniel@gmail.com
obrigado
abs

AF Sturt Silva disse...

Eu também queria o artigo todo.Se puder agradeço:

afsturtdasilva@yahoo.com.br