quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Aliança Marina-Campos poderá liderar resto da oposição

Nem todo casamento arranjado pelos pais deságua em tristeza e fracasso. Embora imoral, há testemunhos de casais que, aos poucos, superam o desconforto e caminham pelo respeito e, daí, para o amor. Todos já ouvimos alguma história desta natureza, embora imagino que não signifique a regra deste tipo de união.
É cedo para saber se este será o futuro do casamento entre PSB e Rede.
Mas imaginemos que possa ser mais uma história de superação. O que poderá ocorrer no cenário político nacional?
Como DEM e PPS não comandam a banda, restaria ao PSDB se recompor como liderança do bloco oposicionista ao lulismo. Mas a passagem do bastão do tucanato paulista para o mineiro abalou suas estruturas. A reação paulista, como é de lei, simplesmente solapou os sonhos de Aécio Neves e seguidores. E o PSDB perdeu terreno em todo este imbróglio. Perdeu tempo e se enredou em jogos fratricidas.
PSOL desponta no outro espectro ideológico e só esboça um futuro mais promissor no campo institucional (o espectro mais à esquerda do sistema partidário parece ficar mais confortável no campo de confronto de massas, nas ruas e mundo do trabalho).
Em suma, se o casamento se consolidar, Marina e Campos podem liderar, no próximo período, PSDB, DEM e PPS. Formará um bloco oposicionista mais promissor e programaticamente mais sólido. Além de terem saído do seio do lulismo, o que faz o eleitor encontrar traços dos pais nesses filhos rebeldes.

Um comentário:

Guilherme Scalzilli disse...

Construindo Marina

A novela midiática em torno da tal Rede ajudou a popularizar a candidatura de Marina Silva com uma eficácia de fazer inveja a muitos publicitários espertos.
Talvez não houvesse mesmo outro interesse por trás da mal encenada esquizofrenia dos analistas, que ora condenavam o oportunismo dos novos partidos, ora lamentavam o rigor legal imposto à honrosa exceção “sustentável”. A própria tentativa de criação da legenda soa demasiado amadora e inocente para os personagens envolvidos.
A construção de Marina sobressaiu nos argumentos usados para incensá-la. Seu grupo obscuro, de plataforma desconhecida e métodos esquisitos, se transformou na esperança de renovação política nacional. Menos de 500 mil assinaturas, num total de 140 milhões de eleitores, ganharam dimensões messiânicas. Um distante segundo lugar (estimulado) nas pesquisas de opinião passou a representar uma força capaz de impedir a vitória petista no primeiro turno.
A astúcia da manobra é inegável. As maiores fragilidades eleitorais de Marina sempre foram o baixo índice de reconhecimento popular e o escasso tempo de propaganda a seu dispor. Fatais para qualquer pré-candidato sem grandes recursos financeiros, essas limitações sumiram durante a contínua exposição da ex-senadora, nos horários e espaços nobres dos grandes veículos de comunicação do país, em plena fase de alianças partidárias visando 2014.
Há poucas semanas, Marina Silva era uma figura política tristonha, ameaçada pela irrelevância, atolada num confuso esboço de partido que não conseguia sequer legalizar-se. Hoje ela ocupa o centro das atenções, esbanja triunfalismo e encabeça um projeto de respeitável estrutura administrativa. Missão cumprida.

http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br/2013/04/caras-de-pau.html