domingo, 7 de agosto de 2011

Estado de Minas publica matéria de meia página sobre e-governo em Machado



Chegou a vez do e-governo

Importada da Europa, Estados Unidos e Japão, nova forma de administrar um município tem o computador como ferramenta para que a população aponte problemas e soluções para a cidade

Estado de Minas - 07/08/2011

Usar a internet para aproximar governo e cidadão, favorecendo o controle social e a participação da população nas decisões do Poder Executivo. Essa nova maneira de governar, batizada de democracia eletrônica ou e-governo, ainda é tímida no Brasil, mas vem se alastrando pela Europa, Estados Unidos e Japão. Aliás, foi do Japão que veio a ideia de um projeto-piloto de gestão participativa em rede, que começa a ser implantado no Sul de Minas Gerais e também no interior de São Paulo e do Rio Grande do Sul.Em Minas, na sexta-feira, a Prefeitura de Machado, 40 mil habitantes, fez sua primeira reunião em rede de todo o secretariado com lideranças de bairro em tempo real. É também a primeira experiência desta natureza no estado.

A reunião foi na sede da prefeitura com conexão em quatro Unidades Administrativas Intersetoriais (UAIs), criadas em bairros do município como parte do projeto. Foram discutidas as demandas da população levantadas ao longo do mês pelas equipes que já atuam em programas da prefeitura, mas que fazem também o trabalho de cadastramento das reclamações e solicitações da população e entrevistas para avaliar o governo. Toda essa coleta de informações é feita por meio de um palm top (computador de mão) usado pelos técnicos do programa, similar ao que foi usado pelos recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Censo 2010. As equipes visitam pelo menos uma vez por mês todas as residências da cidade.

Segundo o sociólogo Rudá Ricci, um dos idealizadores do projeto, a ideia de um e-governo municipal foi inspirada em uma experiência da polícia japonesa na área de segurança pública. Lá, técnicos do governo visitam as residências para coletar informações sobre a situação da segurança pública para ajudar a polícia a planejar melhor sua atuação. "Fizemos uma adaptação para as prefeituras." Na versão brasileira, os técnicos, apelidados de "uaizeiros", registram as conversas nesse computador de mão e também em um caderno de anotações. Eles levantam informações específicas sobre a família e quarteirões, indicando obstáculos, lacunas na gestão e problemas. "As informações são descarregadas em um banco de dados que gera gráficos, identificando por casa, quarteirão, bairro e regional os principais problemas e também os acertos", comenta Rudá.

Segundo ele, com a implantação desse programa a prefeitura já conseguiu resolver uma das principais reclamações dos moradores sobre o atendimento nos postos de saúde. "Todos elogiavam os programas da área da saúde, mas reclamavam do atendimento. Com os dados levantados pelos uaizeiros foi possível identificar a causa do problema: a falta de preparo dos funcionários da saúde para lidar com a população." Por causa das informações a prefeitura também descobriu o desvio de sacos de cimento de uma obra feita com recursos públicos.

Controle social
O coordenador do programa no município, Carlos Eduardo Braga, disse que a resposta da população tem sido excelente e que o controle social em cima das ações da prefeitura cresceu muito. "Agora vamos fazer a primeira reunião via internet com todas as comunidades onde já existe UAI, inclusive na zona rural do município. Em cada unidade foi instalado um telecentro com computador, acesso à internet banda larga, uma webcam, datashow e telão." Além das reuniões mensais, Carlos Eduardo conta que na visita de retorno dos uaizeiros todos os moradores que já foram ouvidos recebem um boletim com informações sobre suas demandas.

Para Rudá Riccci, essa é " uma experiência muito mais avançada que o orçamento participativo, pois neste caso a população pode opinar sobre tudo que acontece na cidade". Uma das técnicas do programa, Aline Campos Dias, 30 anos, disse que a população já tem parado os funcionários do programa na rua para cobrar visitas de retorno e também respostas para as demandas. "Em uma das nossas primeiras visitas havia uma rua em um dos bairros muito abandonada. Todos reclamaram muito. No retorno a esse local ficamos surpresos, pois ela estava toda limpa. Achei muito bom isso", conta.

3 comentários:

Angeline disse...

Rudá,

Mais uma vez parabéns. Tomara que essa moda pegue. Curiosidade é saber quanto isso custou a Machado?

Álbano Silveira Machado disse...

Este novo modo de governar é somente para governo que não tem medo da transparência e dos embates públicos.
O Roberto Abobrinha, prefeito de Machado, é um cara aberto e gosta de desafios.
Eu conheço proposta parecida que você apresentou em Montes Carlos, no Governo da Governança Solidária (com Athos/Sued), e não avançou.
É preciso vontade e preparo político para efetivar propostas como esta.
Parabéns à equipe de trabalho da Prefeitura de Machado.
Que sirva de lição às administrações públicas.
Álbano

Giba Motta disse...

Caro Rudá, é isso aí. Quem tiver medo da transparência,com certeza, irá se "estrepar". Bom, caro amigo! Gestão de...ideias, planos, sonhos e praticas POSSÍVEIS sim!. Estou bem orgulhoso (positivamente) de e por você.
Gilberto Motta-Florianópolis