domingo, 28 de fevereiro de 2010

José Mindlin: perdemos nosso único mecenas


Já temos tão poucos empresários com espírito público em nosso país e acabamos perdendo o único mecenas. Aos 95 anos o bibliófilo, advogado e empresário José Mindlin faleceu na manhã deste domingo. O corpo de Mindlin está sendo velado no hospital Albert Einstein e o enterro está marcado para as 15h deste domingo (28) no Cemitério Israelita, em São Paulo.

Contato com Talca, Chile


A cidade mais atingida pelo terremoto no Chile foi Talca, ao sul de Santiago. O prefeito é Patricio Herrera Blanco (na foto, ao centro). Os contatos são: Teléfono 56-71-203651 alcaldía@talca.cl.
Os meios de comunicação devem retornar hoje ou amanhã (segunda-feira).

DATAFOLHA

Detalhando última enquete DATAFOLHA

Do blog de Luis Nassif:

Cenários regionais, comparando com a pesquisa Datafolha de meados de dezembro:

Nordeste: Dilma vai de 31 a 36, Serra vai de 28 a 22. A diferença a favor de Dilma cresce 11 pontos.
Norte/Centro-oeste: Serra vai de 38 a 32, Dilma vai de 24 a 29. A diferença cai 11 pontos. Temos empate técnico aqui.
Sudeste: Serra vai de 41 a 38, Dilma vai de 19 a 24. A diferença cai 8 pontos.
Sul: Serra vai de 39 a 38, Dilma vai de 19 a 24. A diferença cai 6 pontos.

Na margem de erro, Dilma já empata com Serra nas faixas de 25 a 34 anos, de 35 a 44 anos e de 45 a 59 anos, ou seja, na faixa de 25 a 59 anos. Além disso, ela ganhou 7 pontos porcentuais tanto entre os mais jovens (16 a 24 anos), como entre os mais velhos (60 anos ou mais), as duas únicas faixas em que ela ainda não empata com Serra.
Serra cresceu 6 pontos entre os mais ricos (mais de 10 Salários mínimos) e 3 pontos entre os mais escolarizados (nível superior).
Dilma empata com Serra no voto masculino (32 para ambos).
A aprovação do presidente Lula vai a 73%, que é o recorde histórico do Datafolha (a Folha limitou-se a dizer que “Lula mantém aprovação recorde).

Ainda sobre o Chile


O centro do terremoto foi a região de Maule, uns 200 km ao sul de Santiago, a capital do Chile. Estive lá recentemente, participando de um evento sobre gestão participativa. Talca, a capital de Maule, era exemplo de gestão participativa no Chile, governada pelo Partido Socialista, cujo governante é Patricio Blanco. Uma cidade pacata (como se vê na foto que ilustra esta nota). Estou tentando contato com eles, mas nada se consegue via internet, incluindo o acesso ao site da Prefeitura (www.talca.cl).

sábado, 27 de fevereiro de 2010

DATAFOLHA; diferença entre Serra e Dilma cai para 4%

Pesquisa Datafolha publicada na edição de domingo da Folha, mostra que a ministra petista Dilma Rousseff (Casa Civil) cresceu cinco pontos nas pesquisas de intenção de voto de dezembro para janeiro, atingindo 28%. No mesmo período, a taxa de intenção de voto no governador de São Paulo, José Serra (PSDB), recuou de 37% para 32%. Com isso, a diferença entre os dois pré-candidatos recuou de 14 pontos para 4 pontos de dezembro para cá.
A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 25 de fevereiro. Foram ouvidas 2.623 pessoas com maiores de 16 anos.

Resultado da enquete de fevereiro

Resultado da enquete do blog (para onde vai Lula quando deixar o governo?):


Para organismo internacional (26%)
Para um instituto focado no apoio à África (7%)
Para um instituto focado no seu retorno em 2014 (35%)
Para sua casa (35%)

Havia uma empate técnico, durante semanas, entre organismo internacional e instituto focado no seu retorno em 2014. Nos últimos dez dias o item "para sua casa" registrou aumento de votos e empatou com o item anterior.

Breve comentário sobre terremoto chileno


Estive em Santiago do Chile na década de 70, em plena ditadura militar. Meu pai tentava repassar notícias para o Estadão (ele era correpondente do jornal) e era censurado e grampeado. Na Plaza de Las Armas, próximo de nosso hotel, distribuíam panfletos, em ações relâmpagos, pelo NO (de alteração da constituição). Era impressionante: as ruas ficavam lotadas de homens de óculos escuros com gravadores gigantes para deixar claro que todos estavam sendo vigiados e soldados com metralhadoras circulavam em caminhões por toda cidade. A oposição saía às ruas de uma hora para outra, gritava palavras de ordem, e se dispersava, sumindo nas ruas do centro de Santiago. Uma ação coordenada de enfrentamento e resistência.
Numa tarde, estávamos no hotel e percebemos um barulho no lustre. Achamos estranho mas, logo começou a balançar tudo o mais. Não foi um terremoto forte, mas ficamos meio alertas. Nunca havíamos presenciado uma situação destas. Ligamos para a recepção do hotel e a intrução era para ficarmos longe de janelas (para não sermos feridos em caso de quebra de vidros). Foi estranho. E não era um terremoto de grande envergadura. A sensação de impotência é das piores.

O círculo vicioso das ongs brasileiras

Estou concluindo consultoria à uma ong paulista, de muita importância na área social. O que me dá mais elementos para consolidar um diagnóstico que venho fazendo desde o ano passado e que socializo aqui para provocar o debate entre os internautas:
a) A queda de financiamento externo das ongs brasileiras, ao longo dos anos 90 e início deste século, deslocou a fonte de recursos para o Estado brasileiro (da comunidade solidária aos convênios com governos municipais, estaduais e ministérios);
b) Este deslocamento transformou grande parte das ongs menores (a grande maioria) em agências de terceirização de serviços sociais e assistenciais. Despolitizou as ongs. Os salários e custos operacionais das ongs são baixíssimos, muito abaixo do mercado (para aquelas que entraram neste circuito);
c) Criou-se, assim, um curto-circuito organizacional: as diretorias de ongs viraram ficção e quem manda efetivamente são os gerentes de projeto. Isto porque a maioria dos convênios possui rubrica fechada, sobrando muito pouco recurso para pagamento de outras atividades não relacionadas diretamente com a execução dos projetos conveniados. Sem outras fontes de recursos, as ongs tornaram-se extensões de secretarias. Sem bônus, só ônus.

Aposta: Pimentel será ministro e José Alencar candidato a governador

Se a observação da nota abaixo estiver correta, a equação fica:
a) Pimentel no ministério de um eventual governo Dilma, com poderes semelhantes ao do que foi de José Dirceu no governo Lula;
b) José Alencar será o candidato a governador do PT em Minas Gerais;
c) Patrus será candidato a senador.

E Hélio Costa? Já combinaram com ele?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ainda sobre a entrevista de Fernando Pimentel na Folha

De um arguto analista político de BH:
"Ele não fala como candidato a governador. Fala como futuro ministro. Ele respondeu aos ataques da Veja e do Estadão à candidatura Dilma. Não se preocupou com Minas. A conclusão é que ele abandonou a disputa, ainda que fique para negociar e sair no final. Deixará para o Patrus ou tentará a montagem de um palanque único. O fato é que, a julgar pela entrevista, ele não será candidato a governador."

De Salvador para São Paulo

Estou em Salvador concluindo consultoria para reestruturação da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A. Hoje à noite estarei em São Paulo, onde desenvolvo consultoria para o CEDECA Sapopemba. Para justificar as poucas postagens no blog nesta semana.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O artigo que escrevi que Merval cita na nota abaixo

O Futuro do PT
Por RUDÁ RICCI
1. A promessa de um outsider
Uma das trilhas para analisar o futuro do partido do Presidente Lula é organizar um olhar em perspectiva, o que inevitavelmente gera comparação entre sua promessa original e sua realização efetiva. Por aí é possível localizar mais nitidamente o lugar do partido no interior do sistema partidário nacional.
Ao adotamos esta trilha analítica, a primeira questão posta é compreender a promessa feita na origem do PT. Ao contrário da imagem que ficou da primeira campanha eleitoral que o partido participou, o PT não prometia a revolução socialista ou o revanchismo em seus documentos originais. Era, no seu início, um partido outsider, se aproximando de uma revolução de hábitos e práticas políticas, colocando em xeque até mesmo a tradição revolucionária das esquerdas do país. Não por outro motivo, os documentos oficiais dos primeiros anos deste partido negavam todas estruturas políticas autoritárias e centralizadoras. Criticavam, pela esquerda, o socialismo real existente e, por tabela, os acordos de cúpula. Era o ideário anti-institucionalista dos movimentos sociais dos anos 80. Um discurso que criava um frescor no sistema partidário do país. Na origem, o PT foi o “maio de 68” da política brasileira.
Por este motivo, os parlamentares eram pautados pelas deliberações dos anônimos militantes de base, organizados em diretórios municipais, zonais ou núcleos (uma mescla entre comunidade de base e célula de organizações de esquerda). Esta é a lógica que isolou parlamentares que sugeriam o apoio do partido à uma candidatura oposicionista pela via indireta quando da derrota da campanha das Diretas Já. Deputados como Airton Soares e Marco Aurélio Ribeiro foram enquadrados pela base partidária, possivelmente um fato inédito na vida dos partidos políticos do país.
A elaboração de programas de governo consistia num complexo processo de discussões presenciais de militantes de base, criando o que alguns dirigentes, irritados, chamavam de “colcha de retalhos”. Até mesmo a maior corrente interna, a Articulação, adotou uma metodologia inspirada neste ideário, o “consenso progressivo”, em que divergências eram postas de lado, para serem retomadas mais adiante.
Esta lógica durou até 1990. O que prometia o partido até este momento? Prometia uma mudança radical no sistema partidário, a transparência na gestão pública, a inversão de prioridades (prioridade em investimentos sociais e em regiões mais inóspitas e marginalizadas) e controle social. Prometia, ainda, avanços progressivos, dentro da ordem, na direção do socialismo. Um socialismo, é verdade, não muito bem explicado, meio libertário, meio autonomista, meio vocacionado ao conselhismo. Não por outro motivo, o velho dilema entre reforma e revolução era retomado com freqüência em debates internos do partido.
E veio 1989. Por pouco este partido outsider não conseguiu eleger o Presidente da República. Derrotou o trabalhismo de Brizola. Derrotou o gigante PMDB. Mas, significativamente, perdeu, no final, para o mais outsider dos candidatos. Um partido outsider chegava à reta final da disputa contra um candidato outsider. Foi um período especial da história política brasileira, que perdurou por mais alguns anos. Outros candidatos de estilo exótico, tendo em Enéas a sua expressão maior, tiveram votação expressiva. O Brasil revelava com toda sua força a desconfiança em relação à sua ordem política. Mas a direção partidária leu outros sinais. A quase vitória assustou muitos dirigentes petistas. Faltou pouco. Por esta fresta surgiu algo que o ideário original do petismo execrava: o realismo político.
O realismo político é o avesso da utopia política. Se a utopia projeta o outsider como possível, o realismo opera ao contrário: adapta-se às condições postas, aos limites da ordem. É deste momento que o conceito de correlação de forças virou senha para justificar o óbvio, ou seja, que o PT era outsider. Sendo outsider, dificilmente teria condições de se impor sobre as outras forças. Mas esta é justamente a lógica de quem se posiciona como outsider: negar o establishment.
O desafio que se apresentou a partir daí era o de se apoderar dos instrumentos e lógicas institucionalizadas, procurando reverter a correlação de forças na medida em que o PT se colocava integralmente como parte do sistema e lógica partidários.
Enfim, 1990 foi o momento da inflexão do partido. O momento seguinte não foi exatamente a Carta ao Povo Brasileiro, nem mesmo a vitória de Lula nas eleições presidenciais. A prova de fogo foi a crise aberta pelo que ficou conhecido como mensalão. Foi o último pedágio de entrada do petismo ao sistema tradicional de operação dos partidos brasileiros.

2. Da promessa ao realismo político

O PT não é o mais importante partido do país. Este posto pertence ao PMDB (em número de parlamentares, prefeitos, total de votos). Mas o lulismo é maior que o PT e, possivelmente, maior que o PMDB. O lulismo é uma concepção de gestão política e do Estado que inverteu absolutamente o ideário petista. O PT, por seu turno, se “americanizou”, ou seja, forjou-se como uma grande máquina eleitoral, ao estilo dos partidos Democrata e Republicano, um “partido-empresa”, onde a burocracia interna, desconhecida por grande parte da população, até mesmo dos filiados, opera alianças, apoios, financiamento, peças publicitárias. Obviamente que há resistências internas. Mas as correntes internas contam muito pouco para a prática do PT.
O efeito imediato do lulismo como força política superior a do PT é a dissociação da base social e eleitoral de um de outro. O partido ainda trilha o caminho aberto pelo lulismo, de transição de uma base organizada e de grandes centros urbanos para a população de baixo poder aquisitivo, dos rincões do país e desorganizada. Uma mudança que retoma um dilema antigo da esquerda brasileira: a de se tornar popular sem perder o ideário de esquerda. Este é um dilema enfrentado desde a fundação do PCB, na década de 20. A esquerda brasileira tem profundas dificuldades para se tornar popular em virtude do lastro teórico de origem européia, do mito do partido de quadros e da necessária tutela do partido sobre os destinos das ações sociais. Tivemos autores que tentaram criar um pensamento de esquerda genuinamente brasileiro, como Caio Prado Jr ou Florestan Fernandes. Mas pensar o Brasil nunca foi tarefa fácil, porque somos uma nação multifacetada e corroída por uma cultura moralista e conservadora. O lulismo dialoga diretamente com esta cultura popular, complexa e conservadora. Fala para a classe média emergente, que desconfia da política mas é extremamente pragmática o que, na prática, a leva a ser cínica. Aceita, mas sem nenhuma fé.
O lulismo, ao se submeter à ordem do sistema partidário, dialoga com esses segmentos sociais desorganizados e sem qualquer pretensão pedagógica, sem buscar enfrentar a cultura conservadora. Seu diálogo é rebaixado, procurando criar uma identidade permanente. Ora, ser reflexo político de uma base social conservadora é efetivamente trilhar pelo conservadorismo. E este é o motivo pelo qual o lulismo – e os dirigentes petistas que abraçaram o realismo político - perdeu toda inspiração de um projeto de esquerda. O lulismo é social-liberal. Por este motivo, o PT se tornou figura menor. O petismo não se tornou popular. Em contraste com o lulismo, sua imagem pública se tornou carrancuda e, para a grande imprensa, oportunista.
O PT tem dois momentos muito distintos em sua história. Nos anos 80 foi um partido de massas porque abraçou a lógica e ideário dos movimentos sociais daquele período, marcado pela democracia direta, o anti-institucionalismo, o anti-capitalismo, o participacionismo e o comunitarismo cristão. Mas em meados dos anos 90, foi capturado por um grupo político muito menos público que as tendências e correntes petistas (ex-militantes de esquerda organizada oriundas do PCB e dirigentes sindicais metalúrgicos e bancários, o setor mais controlador e autoritário do sindicalismo brasileiro). Esta cúpula adotou práticas estranhas à origem do partido, deixaram de lado a utopia que gerava energia à militância e agiram de maneira rebaixada, pragmática, focada na vitória a qualquer custo.
Nos anos 80 era preciso ser líder de massas para ter expressão pública no PT. A partir de 94 não houve mais esta necessidade e identidade. Muitos dirigentes passaram a ter sua legitimidade centrada na burocracia partidária, na vida parlamentar, nos cargos da administração pública, mas não mais em movimentos e representação de massas.
E, por esta breve leitura da trajetória do partido podemos indicar a hipótese que o PT viverá, a partir de 2011, uma profunda encruzilhada. Se continuar adotando a atual via do estatal-desenvolvimentismo, tutelando a sociedade civil, ou seja, completando a modernização conservadora iniciada por Vargas, estará fadado a continuar falando para a classe média emergente, a maior porção do eleitorado brasileiro. E esta nova classe média é profundamente conservadora e pragmática. Se Dilma Rousseff vencer as eleições de outubro e resolver romper com esta lógica, poderá bloquear o diálogo fácil com esta nova classe emergente que, hoje, compõe a maior fatia do eleitorado brasileiro. A ruptura com a imagem de Lula será visível. E provocará uma profunda crise de representação partidária que será testada em 2011, em plenas eleições municipais. O dilema da esquerda permanecerá.
A questão posta pelo lulismo é como romper com sua poderosa e pragmática lógica e retornar à utopia da esquerda democrática, sem se tornar elitista. O PT estará nesta encruzilhada posta por estas duas referências: o lulismo ou o elitismo. A maior possibilidade será a de um lulismo com Lula nas sombras. Talvez nem tanto na sombra como se imagina. Lula deitou raízes na sociedade e no sistema partidário. Está enviando a Consolidação das Leis Sociais ao congresso. Não se trata de um trocadilho. Getúlio Vargas não estava no governo e foi carregado por muitas forças partidárias (incluindo o PCB, perseguido ferozmente por sua ditadura), de volta ao trono. O lulismo tem cheiro de queremismo.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A burocracia petista, por Merval Pereira de hoje

Fonte: Jornal O Globo - 23/02/10

A burocracia petista
Merval Pereira

A ascensão de Dilma, imposta por Lula e capitaneada por Marco Aurélio Garcia, seria a afirmação de um fenômeno que vem ocorrendo desde os anos 1990: a substituição da liderança política e eleitoral pela burocracia partidária. Essa imposição de uma tendência que vinha se desenhando teria sido beneficiada pela crise política que atingiu as principais lideranças partidárias em 2005, com o escândalo do mensalão, e pode fazer com que o partido venha a ter mais poder de pressão do que sempre teve sob o governo de Lula. O cientista político Nelson Paes Leme considera o fato "significativo e inusitado" e receia que possamos ter em nossa história republicana, aí incluídos os dois grandes períodos autoritários do Estado Novo e do Golpe de 64/84, "pela primeira vez na Presidência da República, uma burocracia partidária, de viés socialista mais à esquerda, norteando os destinos do país. A classe política não está refletindo sobre o inusitado fenômeno".
O sociólogo Rudá Ricci, do Fórum Brasil do Orçamento, que reúne entidades da sociedade civil na defesa das políticas sociais no Orçamento Público Federal, diz que o PT "foi capturado por um grupo político que reúne exmilitantes de esquerda organizada oriundos do PCB e dirigentes sindicais metalúrgicos e bancários, o setor mais controlador e autoritário do sindicalismo brasileiro".
Exemplares desse grupo são os recentes presidentes do PT, Ricardo Berzoini e José Roberto Dutra. Berzoini, vindo do Sindicato dos Bancários de São Paulo, só se elegeu deputado federal pela primeira vez em 1998. Já José Eduardo Dutra foi presidente do Sindicato dos Mineiros do Estado de Sergipe (Sindimina) e dirigente nacional da Central Única dos Trabalhadores. Perdeu duas vezes a eleição para o governo de Sergipe, e entre as duas tentativas foi eleito senador. A última derrota, em 2006, levou-o à presidência da Petrobras. Na análise do sociólogo mineiro, as tendências que ainda hoje compõem o PT poderiam ter dado origem a um partido de quadros, mas isto não ocorreu. "Elas foram absolutamente superadas e alijadas pela opção eleitoral da direção do partido".
Esta cúpula, segundo Ricci, adotou "práticas estranhas à origem do partido, deixou de lado a utopia que gerava energia à militância e agiu de maneira rebaixada, pragmática, focada na vitória a qualquer custo". Ele ressalta que nos anos 1980 era preciso ser líder de massas para ter expressão pública no PT. "A partir de 94 não houve mais esta necessidade e identidade. Muitos dirigentes passaram a ter sua legitimidade centrada na burocracia partidária e não em movimentos e representação de massas.
Hoje, muitos dirigentes nem reflexo da burocracia partidária o são. Vários são apenas parlamentares de expressão regional". O cientista político Nelson Paes Leme, depois de lembrar o fracasso da experiência soviética, diz que o aparelhamento do Estado pelo PT "tenderá a recrudescer com o fenômeno".
Abro um parênteses no pensamento de Nelson Paes Leme para ressaltar que mais uma vez a ministra Dilma cometeu um ato falho em seu discurso. Em Copenhague, na reunião do clima, já havia dito que o meio ambiente é prejudicial ao desenvolvimento. Agora, prometeu continuar "o reaparelhamento do Estado", quando seu discurso defendia a "reconstrução" do Estado. Para Paes Leme, quando Dilma e Marco Aurélio Garcia, seu principal coordenador de campanha e mentor, "falam no fortalecimento do Estado, estão falando para esse público interno da burocracia partidária onde ambos têm origem".
Chama a atenção do cientista político que tanto Dilma quanto Marco Aurélio Garcia, "burocratas de partido que nunca se submeteram a voto popular", poderão estar a partir da eleição deste ano "no poder central como novas lideranças, ditando novas diretrizes de política interna e externa do país".
Para Nelson Paes Leme, o inusitado historicamente é exatamente a submissão das correntes com mandato à força da burocracia partidária emergente dentro do partido e do poder central da República. Rudá Ricci, por sua vez, separa a direção partidária em três grupos: a) os que são tipicamente burocratas partidários; b) os indicados por correntes internas; c) os parlamentares.
"Neste último grupo, há casos do que denominamos na ciência política de 'representantes delegados' (termo utilizado por Bobbio). São representantes exclusivos de uma categoria social ou territorial".
No caso, metalúrgicos, bancários, professores e ruralistas formam, para Ricci, um conjunto que ilustra esta situação: foram sindicalistas antes de parlamentares. Mas ele destaca que "há casos petistas de parlamentares que se fizeram a partir da burocracia partidária, como o de Zé Dirceu", hoje o mais importante líder petista, de volta ao Diretório Nacional do partido e na coordenação da campanha de Dilma Rousseff. Rudá Ricci o considera "um típico representante do controle partidário dos anos1990. Este é o tipo novo de representação que rompe com aquela dos anos 80,
lideranças petistas que eram lideranças de movimentos de massa". Gestada na burocracia partidária e sem um histórico petista que imponha sua vontade ao partido, a candidatura Dilma estaria em um dilema: ao mesmo tempo em que é a candidata do lulismo para continuar seu governo pragmático e aliancista, Dilma teria que pagar um tributo ao petismo, que seria uma guinada à esquerda que já está se verificando na teoria do programa de governo oferecido pelo partido à candidata.

Serra bateu no teto?


Lucio Hippolito, no seu blog, analisa:
Estacionado nas pesquisas em 35%, pouco mais ou pouco menos, Serra desperta suspeitas, até entre tucanos de alta plumagem, de que tenha atingido seu teto. Se Dilma continuar em tendência de alta, as coisas podem ficar feias.

Trata-se da analista de política da Globo. O interessante era que muitos analistas diziam (e dizem) isto de Dilma, ou seja, que estacionaria nos 35%. Mas é Serra que estaciona. É verdade que muitos dirão que Dilma faz campanha e Serra se cala. Mas este é o problema: por que Serra se cala e placidamente assiste a subida da sua adversária?

Um alívio para o DEM

Com o efeito suspensivo emitido pela Justiça Eleitoral em relação à cassação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e sua vice, Alda Marco Antonio (PMDB), os democratas, finalmente, têm uma noite mais tranquila. Venho analisando o quanto os partidos de direita não conseguem refletir minimamente o pensamento conservador do nosso país. Obviamente que os dirigentes de partidos mais à esquerda festejam. Mas é falta de leitura política. A direita ausente no sistema partidário não significa que não existe no país. E é muito melhor enfrentar politicamente (e não administrativamente, como vem ocorrendo com o DEM) e vencer que não enfrentar.
Do ponto de vista do amadurecimento da democracia, é muito importante que tenhamos partidos que ao menos expressem esta vertente (mesmo os partidos, reafirmo, serem estruturas anacrônicas de representação). Um dos motivos mais importantes é a necessidade do embate entre partidos ser pedagógico para a população. Ela pode se espelhar melhor ao ouvir argumentos de parte a parte. Um segundo motivo é que a cultura política brasileira é conservadora. Sem a direita organizada em partido, a tendência é que a esquerda hegemônica ocupe, aos poucos, este espaço "vazio", por pura tentação de ser monolítica. A entrevista de Fernando Pimentel na Folha da segunda-feira (ver nota abaixo) é exemplo deste movimento. Um péssimo sinal para a democracia brasileira, porque dá lugar ao pensamento único.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A voz do burocratismo petista, na Folha de hoje


A entrevista de Fernando Pimentel na Folha de São Paulo de hoje (A14) é um retrato fidedigno do perfil desta nova liderança: burocrática, previsível, sem emoção, calculista.
Vou comentar algumas de suas pérolas:
1) "Dilma não ficará refém do PT". O que se discute é ela ser refém de Lula e do lulismo. Quem, hoje, é refém do PT? Obviamente que as correntes internas procuram se impor. Mas temos um bom teste neste momento: vejamos se as propostas aprovadas no 4o Congresso se transformarão em programa de governo de Dilma;
2) "O PT não pode ser a política no sentido de 30 anos atrás, quando fundamos o PT". Ele sugere que seja o partido da nova classe média. Ora, esta é a tese do lulismo. Ou seja: repete o que já existe. É como sugerir que o mundo se transforme no que já é. O interessante é que procura dar ares de autoridade e elaboração política. Para tanto, tenta desqualificar quem critica esta inflexão radical do petismo como se fosse passado;
3) "Acho o artigo do (André) Singer extremamente bem posto, mas prematuro". Se é bem posto não é prematuro; ou se é prematuro, não está posto. Típico discurso anódino, que procura manter a polidez na forma e a rejeição no conteúdo.

Uma entrevista que marca claramente o quanto as lideranças petistas mudaram.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Almoço de Guido, Delfim e Belluzzo (segundo Paulo Moreira Leite)


Guido, Delfim e Belluzzo nunca foram admiradores de um real forte em relação ao dólar, e acreditam que a alta recente da moeda americana pode ser benéfica ao país, na medida em que protege a industria, ajuda a criar empregos e melhora o balanço de pagamentos. Embora considerem que o patamar atual das reservas, na casa de US$ 240 bilhões de dólares, represente uma boa proteção contra turbulências externas, eles concluiram que o governo deverá assumir um papel mais ativo na administração do cambio, para evitar surpresas desagradáveis.

Uma ótima do Luis Fernando Veríssimo

Numa eventual guerra entre homens e mulheres pela dominação do mundo servirei ao meu sexo nem que seja como espião nos vestiários do inimigo

Nem os ministros gostaram dos vídeos e músicas de lançamento da Dilma

Kennedy Alencar comenta:
"Duda Mendonça faz falta", disse um ministro, ao comentar vídeos e músicas do lançamento da pré-candidatura de Dilma

Negociação dura entre Lula e o PMDB

Recebo informação que nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarian, Paraná, Sãoi Paulo, Mato Grosso do Sul e Piauí o PMDB defende candidatura própria. Em Pernambuco é contra aliança nacional com o PT.

As responsabilidades de um país potência


Alguns jornalistas procuram ridicularizar a projeção internacional do Brasil (como já fizeram com o vaticínio de Lula que a crise internacional seria uma marola no Brasil). Mas os fatos vão se avolumando nesta direção. Veja esta:
Cinquenta presos políticos cubanos, integrantes do grupo dos 75, condenados em 2003, pediram neste domingo ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que interceda por sua libertação, durante a visita que realizará na próxima semana à Ilha. "Ao sabermos de sua próxima visita a Cuba (...) dirigimo-nos ao Senhor para solicitar que, nas conversações mantidas com os máximos representantes do governo cubano, contemple nossa situação" e "advogue por nossa libertação", pedem a Lula os presos políticos, em carta divulgada em Havana. Solicitam, ainda, que "se interesse pelo prisioneiro de consciência Miguel Zapata Tamayo, que realiza desde dezembro uma greve de fome" e "apresenta, hoje, má condição de saúde".
No documento, assinado por 50 dos 75 dissidentes condenados a penas de até 28 anos de cárcere - 53 ainda permanecem na prisão - dizem que Lula "seria um magnífico interlocutor para defender junto ao governo cubano a realização de reformas nos setores econômico, político e social, exigidas com urgência".

É uma nítida mudança de posicionamento. E não se trata do primeiro contato de Lula com os dirigentes cubanos.

O debate sobre o futuro do PT na Globo News


Para quem desejar assistir o Painel (Globo News) sobre o futuro do PT em que participei, clique aqui

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Kassab cassado

A Justiça Eleitoral condenou o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), à perda do mandato pelo suposto recebimento de doações ilegais na campanha de 2008. A decisão deve ser publicada no "Diário Oficial" na próxima terça-feira, é o que informa a reportagem de Flávio Ferreira e Fernando Barros de Mello, publicada na edição deste domingo da Folha de S.Paulo, que já está nas bancas. Em nota, a defesa do prefeito diz que as contas "foram analisadas e aprovadas sem ressalvas pela Justiça Eleitoral" e que a tese da sentença já foi vencida no TSE. Os advogados vão recorrer.

Lula tem razão: na política é preciso ter sorte. Mas vai ter sorte assim...

Congresso Internacional sobre Participação em Rosário, Argentina

Congresso Internacional Aprofundando a democracia como forma de vida. Desafios da democracia participativa e aprendizado cidadão no século XXI.
Ocorrerá de 13 a 16 de maio, em Rosário, Argentina. Está sendo organizado pela Facultad de Ciencia Política y Relaciones Internacionales, Universidad Nacional de Rosario.
Os organizadores destacam os objetivos do evento:
Em tempos de grandes transformações globais, convidamos todos a compartilhar experiências e reflexão critica que abram caminhos para responder as seguintes perguntas: considerando que nos últimos dois séculos lutamos para institucionalizar direitos civis, políticos e sociais, faremos do século XXI o século do aprofundamento e da proliferação da democracia como forma de vida? Como podemos fazê-lo?

Para os interessados, veja aqui

V Fórum Urbano Mundial acontece no RJ

A ONU-Habitat realiza o V Fórum Urbano Mundial, principal evento de urbanismo do mundo, entre 22 e 26 de março de 2010, nos armazéns da zona portuária do Rio de Janeiro. Para quem deseja saber mais, veja aqui

OP em Portugal

Recebo de Nelson Dias, de Portugal, a seguinte mensagem a respeito do orçamento participativo em seu país:
É evidente que o Brasil continua a ser uma fonte inspiradora para muitos activistas sociais do continente europeu e em participar de Portugal. Por cá optamos por nos inspirar nas práticas brasileiras, fazendo a sua tradução cultural no nosso
contexto, de forma a podermos trabalhar com os actores políticos que normalmente manifestam desconfiança face ao que se passa desse lado do Atlântico. É, em grande medida, esse trabalho de tradução cultural que está na origem da transposição para a Europa de práticas como OP originárias da América Latina. Essa transposição implicou mudanças e adaptações aos modelos originais, tendo em muitas circunstâncias dado origem a práticas nem sempre consistentes do ponto de vista político e metodológico.
A Europa está a "despertar" para as práticas de participação, tendo por base padrões de qualidade de vida e de consolidação do sistema político diferentes dos da América Latina. Este elemento faz toda a diferença no desenho final assumido pelos processos de participação - menos orientados para diminuição das assimetrias sociais e territoriais e mais orientado para recriar laços de confiança entre políticos e cidadãos. Estamos numa fase de abertura para este tipo de processos. Desta fase podemos ter duas saídas possíveis:
a) a banalização da participação e o esvaziar dos seus conteúdos políticos, metodológicos e sociais, ou
b) a sua consolidação e integração progressiva nas práticas governativas, podendo
mesmo assumir um corpo legislativo próprio.

Sobre o Lulismo (entrevista ao Brasil de Fato)


O jornal Brasil de Fato me enviou algumas perguntas sobre o futuro do PT. Reproduzo, abaixo, a entrevista:

P: Na sua opinião, em 1980, o petismo acreditava que o partido tornaria-se o mais importante do país em 30 anos. Se sim, imaginava que seria dessa forma?
R: O PT não é o mais importante partido do país. Este posto pertence ao PMDB (em número de parlamentares, prefeitos, total de votos). Mas o lulismo é maior que o PT. O lulismo é uma concepção de gestão política e do Estado que inverteu absolutamente o ideário petista. O PT, por seu turno, se "americanizou", ou seja, forjou-se como uma grande máquina eleitoral, ao estilo dos partidos Democrata e Republicano. Obviamente que há resistências internas. Mas as correntes internas contam muito pouco
para a prática do PT.

P: Nas primeiras eleições do PT, a sigla tinha boa representatividade em setores médios, mas pouca simpatia nas classes mais pobres. À época, os dirigentes petistas falavam da necessidade de ampliar a base eleitoral nos mais pobres, por meio de um trabalho de base que aflorescesse a consciência de classe. Hoje o PT tem seu êxito eleitoral nas classes mais baixas e é rejeitado pelos setores médios. O processo ocorreu da maneira que o petismo esperava?
R: Novamente esta mudança da base eleitoral do PT é um mero reflexo do lulismo. Não é mérito do partido. A sua questão é das mais instigantes. Trata-se de um dilema antigo da esquerda brasileira: a de se tornar popular sem perder o ideário de esquerda. Este é um dilema enfrentado desde a fundação do PCB, na década de 20. A esquerda brasileira têm profundas dificuldades para se tornar popular em virtude do lastro teórico de origem européia. Tivemos autores que tentaram criar um pensamento
genuinamente brasileiro, como Caio Prado Jr, para citar apenas um. Mas pensar o Brasil não é tarefa fácil, porque multifacetado e corroído por uma cultura moralista e conservadora. O lulismo dialoga diretamente com esta cultura popular, complexa e conservadora. Fala para a classe média emergente, que desconfia da política mas é extremamente pragmática. Mas não dialoga pedagogicamente, procurando enfrentar o conservadorismo. Seu diálogo é rebaixado, procurando a identidade permanente. Daí, perdeu toda inspiração de um projeto de esquerda. O lulismo é social-liberal. Por este motivo, o PT se tornou figura menor. O petismo não se tornou popular. Em contraste com o lulismo, sua imagem pública se tornou carrancuda e, para a grande imprensa, oportunista. Trata-se de um dilema antigo da esquerda brasileira: como ser popular e de esquerda.

P: De que formas essa composição do PT, como um partido de tendências, contribuiu para ditar os rumos do partido? Essa lógica das tendências ainda persiste?
R: As tendências poderiam ter dado origem a um partido de quadros, mas isto não ocorreu. E este é o principal sintoma que as tendências não ditaram efetivamente os rumos da expressão pública do partido. As tendências foram absolutamente superadas e alijadas pela opção eleitoral da direção do partidos. O PT tem dois momentos muito distintos em sua história. Nos anos 80 foi um partido de massas porque abraçou a lógica e ideário dos movimentos sociais daquele período, marcado pela democracia
direta, o anti-institucionalismo, o anti-capitalismo, o participacionismo e o comunitarismo cristão. Mas em meados dos anos 90, foi capturado por um grupo político muito menos público que as tendências e correntes petistas. Ex-militantes de esquerda organizada oriundas do PCB e dirigentes sindicais metalúrgicos e bancários, o setor mais controlador e autoritário do sindicalismo brasileiro. Esta cúpula adotou práticas estranhas à origem do partido, deixaram de lado a utopia que gerava energia à militância e agiram de maneira rebaixada, pragmática, focada na vitória a qualquer custo. Veja que nos anos 80 era preciso ser líder de massas para ter expressão pública no PT. A partir de 94 não houve mais esta necessidade e
identidade. Muitos dirigentes passaram a ter sua legitimidade centrada na burocracia partidária e não em movimentos e representação de massas. Hoje, muitos dirigentes nem reflexo da burocracia partidária o são. Vários são apenas parlamentares de expressão regional.

P: Qual é a perspectiva da atuação do PT no pós-Lula? O eventual governo de Dilma Roussef reuniria condições, na sua opinião, de postar-se mais à esquerda, como sugere a mídia corporativa?
R: O PT viverá uma profunda encruzilhada. Se continuar adotando a atual via do estatal-desenvolvimentismo, tutelando a sociedade civil, ou seja, completando a modernização conservadora iniciada por Vargas, estará fadado a continuar falando para a classe média emergente, a maior porção do eleitorado brasileiro. E esta nova classe média é profundamente conservadora e pragmática. Se Dilma resolver romper com esta lógica, poderá bloquear o diálogo fácil com esta nova classe emergente. A ruptura com a imagem de Lula será visível. E provocará uma profunda crise de
representação partidária que será testada em 2010, em plenas eleições municipais. O dilema da esquerda permanecerá. A questão posta pelo lulismo é como romper com sua poderosa e pragmática lógica e retornar à utopia da esquerda democrática, sem se tornar elitista. O PT estará nesta encruzilhada posta por estas duas referências: o lulismo ou o elitismo. Não vejo em Dilma capacidade intelectual e de liderança para romper com estes extremos e recriar um ideário de esquerda e de massas que o PT dos
anos 80 projetava.

P: O senhor acredita na tese de que o Brasil pode viver nos próximos anos um "lulismo sem Lula"?
R: A maior possibilidade será a de um lulismo com Lula nas sombras. Talvez nem tanto na sombra como se imagina. Lula deitou raízes na sociedade e no sistema partidário. Está enviando a Consolidação das Leis Sociais ao congresso. Getúlio Vargas não estava no governo e foi carregado por muitas forças partidárias (incluindo o PCB, perseguido ferozmente por sua ditadura), de volta ao trono. O lulismo tem cheiro de queremismo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Um sake fantástico no Kinoshita


Aproveitei que cheguei em São Paulo na hora do almoço para passar no Kinoshita, o badalado restaurante do chef Tsuyoshi Murakami. E como das outras vezes, fui apresentado para um sake especial: o Nambu Bijin ("Nigon"). Um sake frutado, não pasteurizado (possui um resíduo no fundo da garrafa assim como algumas cervejas alemãs, deixando o líquido mais turvo). Vale a pena.
O endereço do Kinoshita é:
Rua Jacques Félix, 405 - Vila Nova Conceição

O endereço para quem desejar adquirir o sake é:
Adega do Sake (Rua Galvão Bueno, Liberdade). Web Site: www.adegadesake.com

Painel Globo News foi bem polêmico

Gravei, hoje, programa Painel (da Globo News), onde debati com Ricardo Antunes (Unicamp) e Maria Aparecida Aquino (USP) o petismo e o lulismo. Debatemos a mudança e trajetória do PT e da CUT, a transformação dos movimentos, o lulismo tendo a nova classe média como base social, o lulismo como neogetulismo (não aceito por Maria Aparecida), os dilemas do PT sem Lula na Presidência da República e da esquerda brasileira (o dilme de ser popular e se distanciar do ideário original).