terça-feira, 31 de agosto de 2010

O Bem Amado


Fui assistir o filme. Omais grave problema: didatismo. A parte final chega a ser ridícula.

A bolha de consumo continua


A maior parte das famílias brasileiras diz não ter condições de pagar contas atrasadas, segundo levantamento do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado nesta terça-feira. Entre as 3.810 famílias entrevistadas em 214 cidades do país, 37,80% responderam que não terão como quitar essas dívidas. Para outras 36,74%, as contas vencidas poderão ser pagas de forma parcial. Já 22,81% consideram que vão pagar integralmente as contas em atraso. O restante afirmou não saber. As famílias das regiões Norte e Nordeste revelaram que terão mais dificuldades para honrar o pagamento. No Norte, 53,33% responderam que não vão quitar as contas em atraso. No Nordeste, essa proporção é de 46,98%.
Do total de entrevistados, 91% afirmaram que não pretendem tomar empréstimo nos próximos três meses. Para o presidente do Ipea, Marcio Porchmann, o nível de endividamento das famílias brasileiras é baixo se comparado com países da Europa e com os Estados Unidos.

A maratona continua

Estou em Ipatinga, prestando consultoria para a Constitutinte Escolar do município. Duas palestras por dia, com grupos de 100 a 150 professores em cada encontro. Atualizarei o blog no final de cada manhã. Fico aqui até sexta-feira.

domingo, 29 de agosto de 2010

Artigo de Carlos Lindenberg sobre ausência do PT nas eleições mineiras


E o PT, o gato comeu?
Carlos Lindenberg

Haja estômago para digerir tantos números. É a velha guerra das pesquisas que está de volta, dando as caras a cada eleição. Com um detalhe: pesquisa boa mesmo, aquela confiável, que o candidato manda fazer sem registro no TRE, essa ele não divulga, não faz parte da guerra, serve unicamente para informação própria. Não se quer dizer, com isso, que as outras não sejam confiáveis, mas a divulgação delas, por vezes, sim. É o caso de pesquisa em que os candidatos mudam de nível de intenção de votos sem que se consiga enxergar de onde houve a migração. Um sobe, o outro não, e não se vê de onde vieram os números. Essas não são confiáveis, embora façam parte do universo eleitoral. De forma que, dia sim, dia também, há sempre uma pesquisa na praça. Bom para os institutos, bom para os que gostam de fazer apostas na esquina dos aflitos, bom também para a mídia, que sempre tem uma cesta de números à sua disposição, embora nem sempre seja, de fato, bom para o eleitor que, em casos assim, é tratado como massa de manobra. A Justiça faz que não vê e talvez seja melhor. Uma época, um atento juiz eleitoral de Montes Claros desconfiou que estava havendo manipulação de números e proibiu a divulgação das pesquisas antes que delas ele tivesse conhecimento. A intenção era das melhores, mas a repercussão foi ruim, como sempre. Mas tudo isso para dizer que estamos em plena safra das pesquisas. Em todas elas, de certa forma, embora não seja apropriado comparar uma com a outra, há uma tendência de paralisação do candidato Hélio Costa - que, no entanto, se mantém na liderança - e uma firme ascensão do seu adversário Antonio Anastasia. São dados "indesmentíveis", ainda que um número ou outro possam parecer estranho em algumas situações. Mas isso significa que a coligação que mantém a candidatura de Hélio Costa deve redobrar o trabalho e a vigilância. É de se estranhar, por exemplo, que em determinada pesquisa todos os indecisos que mudaram de condição o fizeram numa mesma direção, o que parece pouco provável. Mas isso é o de menos.
Se, para o governador Antonio Anastasia, o que conta é manter a trajetória de sua campanha, no caso de Hélio Costa é ora de repensar a estratégia, ainda que com muita cautela. Uma dessas mudanças, se é que isso pode ser considerado como mudança, é chamar o PT à responsabilidade. Até aqui, Hélio Costa vem se mantendo na liderança por conta de seu próprio capital. Pode-se até dizer que o PT ou parte do PT ajudou-o a não cair. Pode ser. Mas, mesmo antes da aliança com o PT, Hélio Costa sempre esteve acima dos 40 pontos percentuais. Isso significa que o capital do PT ainda não entrou no caixa da coligação. O partido de Lula está devendo.
Ora, pelo que se sabe, o pior desempenho da coligação PMDB-PT tem sido em Belo Horizonte e na Região Metropolitana da capital, exatamente onde o PT tinha grande manancial de votos - tinha a prefeitura da capital, tem o segundo maior colégio eleitoral, que é Contagem, e ainda tem Betim, para ficar apenas nesses três grandes municípios. E é sabido que, das duas maiores lideranças do PT no Estado (o vice de Hélio Costa, Patrus Ananias, e o candidato ao Senado, Fernando Pimentel), é Pimentel quem tem o domínio do PT em BH. Contudo, é exatamente nessa área que o PT está ausente. De forma que o assunto, pela sua relevância, deverá ser levado à presidenciável Dilma Rousseff e ao presidente Lula na próxima semana. No fundo, o que se quer é que o PT faça a sua parte e que o presidente Lula dê a sua contribuição para alimentar a aliança que ele mesmo incentivou em Minas. Para bom entendedor, meia palavra basta.

Eleitor imutável?


A tese geral é que os partidos brasileiros caminharam para o centro ideológico (se é que isto existe). Tornaram-se pragmáticos. O lulismo seria caudatário deste movimento, tendo a base e a imagem populares, com o programa ao centro. Esta é a tese subjacente ao ensaio de André Singer: o lulismo seria promotor social, sem romper com a ordem. Neste caso, para ser vitorioso em nosso país, seria necessário manter esta postura ideológica indefinida, ao centro, sem arroubos. Os partidos mudam, mas o eleitorado seria culturalmente constante.
Não sei se esta tese é correta. O eleitorado mudou muito no Brasil nos últimos dez anos. Não é tão afeito ao curral eleitoral, embora ainda seja pautado pela troca de favores. Mas não favores pequenos. O favor maior é a ascensão social. Um eleitorado mais e mais independente e pragmático. Este é o desafio do governo Dilma. E para o próprio PT. O que faz do PMDB um adequado fiel da balança.
Caio Prado Jr já teria percebido a dificuldade de instalação de um projeto nacional em nosso país. Por outras vias teóricas, parece que o país confirma sua tese. Somos um país sem face, que confirma a tese de Maquiavel: a parte do corpo humano mais sensível é o bolso. Aliás, esta frase é de Delfim Neto. A de Maquiavel é: "Os homens esquecem mais facilmente a morte dos pais do que a perda dos bens".

sábado, 28 de agosto de 2010

Já temos uma Presidenta


Esta frase foi feita pelo Nostradamus de plantão, o "camarada" Montenegro, do IBOPE. O mesmo que meses atrás disse que Serra ganharia a eleição. Precisa dizer mais?

Ler para rir


Também li nesses dias o livro de Artur Xexéo, "O Torcedor Acidental", onde relata as viagens e situações pitorescas que viveu ao cobrir as Copas do Mundo (de futebol). Fiquei rindo como um doido e devo ter assustado quem estava ao meu lado. Há curiosidades mas, principalmente, muito humor. O caso da coreana que gerenciava a loinha do Hotel Huunday e descobre que estava vendendo bandanas vendidas por um brasileiro que eram distribuidas gratuitamente por uma rádio tupiniquim revela o bom humor brasileiro e nosso caráter, digamos.... deixa prá lá!

Um livro ou uma pedrada


Acabo de ler "A Arte de Produzir Efeito Sem Causa", de Lourenço Mutarelli. Mutarelli (no autorretrato que ilustra esta nota) é o autor de O Cheiro do Ralo. Tive vertigens com a leitura. A decadência do narrador é hiperrealista. Como todos temos alguns sintomas de descontrole, algumas passagens chegam a assustar, como a que o personagem-narrador vai perdendo a lembrança de algumas palavras, troca alguns signos e chama quase tudo de coisa. Uma pedrada no estômago.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Breve análise tendência eleitoral em MG (para governador)

Respondendo à demanda de uma internauta:
O que ocorre em MG é que Aécio começa a transferir votos para Anastasia. Muito em função dos comitês eleitorais Dilmasia, que começam a repercutir o nome do antes desconhecido. Outro fator importante é a profunda insegurança de Hélio Costa. Ele vem revelando a possibilidade de perder mais uma eleição desde a semana anterior ao debate na Band. Começou a atacar Aécio e Anastasia do nada. Tentou motivar a militância petista. E montou uma propaganda eleitoral que afirma que se vai votar em dois governadores: ele e Patrus. Enfim, do ponto de vista da mensagem subliminar, fica a noção vaga que nem Hélio Costa confia muita no seu potencial. Anastasia vem se revelando muito seguro, em contrapartida.
Minha hipótese é: se a diferença cai para 10% em setembro, teremos segundo turno. E aí, será um candidato em alta contra outro em baixa ou estacionado. O impacto será muito forte no interior de MG. A salvação para HC será a presença de Lula. Mas Lula deseja embate com Aécio? Em 2008 chegou a afirmar que seu candidato à sucessão poderia ser o governador mineiro. Pressionou PSB e PMDB para filiarem Aécio. Portanto, Aécio está nos planos futuros do lulismo.

Mais notícias de campo (das pesquisas eleitorais)

Caderno de Campo de um pesquisador:

Todos que se dizem eleitores de Serra (em MG) parecem certos dessa decisão. Outro fato que me pareceu curioso é o de Serra não ter até agora, falado mal do Lula. O que me leva a crer, que alguns pesquisados identificam os ataques, feitos pelo Serra à Dilma, como ataques dirigidos ao Lula. Imagem dos dois já está
associada. Dilma é percebida como continuidade e assim, ao atacá-la, está se atacando Lula.
Já no Rio... parece que há apenas, um candidato à presidente e dois à governador. A cidade do Rio e Araruama são territórios do Cabral. Campos de Garotinho e seu candidato, Peregrino. Imagens de Dilma e Lula em todos os lugares e associadas à três senadores: Picciani, Crivela, Lindenberg.
Travei o seguinte diálogo, com uma entrevista na cidade "X", do interior do RJ:
- O que você está anotando aí?
- Estou fazendo pesquisa eleitoral.
- Ah... achei que estava anotando os nomes de quem quer vender votos... pra presidente vendo o meu por cento e cinqüenta. Aqui, o de prefeito vale cinqüenta...
- Aqui, tem muita compra de votos?
- Sempre teve...

Mais notícias de campo (sobre pesquisas eleitorais)

Recebo notícia de um pesquisador de um importante instituto de pesquisas de intenção de votos. Seus comentários são reveladores:
A audiência do horário eleitoral, ainda é baixa. Quando questionadas sobre programa eleitoral, alguns citaram a entrevista do JN. Apesar de não serem questionadas sobre a participação dos presidenciavéis no telejornal, avaliam positivamente a participação, de Dilma, à quem dizem "parecer segura", e negativamente Serra; dizem " não transmitir confiança". Outros dizem " não parecer sincero".

Guga trombou comigo

Estou em Floripa, onde concluo minha maratona pessoal desta semana. Ontem, ao chegar à noite, fiquei quase sem hotel. É que ocorre a Semana Guga Kuerten, evento que pontua para o ranking da Confederação Brasileira de Tênis (CBT). Os hotéis do centro ficaram lotados. Sobreu uma suíte presidencial cuja diária era de 1.400 reais. Achei melhor procurar outro lugar. Vim para o Jurerê (no hotel Beach Village).
O evento do Guga está trazendo a nova geração de nomes importantes do tênis nacional. Por exemplo, a sobrinha de Fernando Meligeni, Carolina Meligeni disputa a chave feminina da categoria 14 anos, enquanto o filho do ex-top 30 Luiz Mattar, João Mattar, compete entre os tenistas de 12 anos. Aos 16 anos, o filho do ex-top 100 Fernando Roese, Pedro Roese também tenta o título nacional. Além deles, o evento ainda conta com Gabriel Hocevar, filho de Marcos Hocevar, que foi número 30 do mundo, e atualmente é seu treinador, além de ser primo de Ricardo Hocevar, representante da família no circuito atual da ATP.
Como se vê, não é só na política que filho de cacique vem substituindo o titular.

Cesar Maia desiste

A impressão que o ex-blog de Cesar Maia está passando é que jogou a toalha no que diz respeito à eleição presidencial. Centra fogo na disputa estadual e, no que tange à eleição nacional, cita números. Como esta nota que reproduzo abaixo (sem nenhum comentário do cacique do DEM):

DATAFOLHA NOS ESTADOS!

SP: Alckmin (PSDB) 54% x 20% Mercadante (PT) x 7% Paulo Russomano PP)

RS: Tarso Genro (PT) 42% x 27% Fogaça (PMDB) x 14% Yeda Crusius PSDB)

MG: Helio Costa (PMDB) 43% x 29% Anastasia (PSDB)

DF: Joaquim Roriz (PSC) 41% x 35% Agnelo Queiroz (PT) 2o turno: Roriz 45% x 44% Agnelo

RJ: Cabral (PMDB) 56% x 17% Gabeira (PV) x 2% Peregrino (PR)

BA: Jacques Wagner (PT) 47% x 23% Paulo Souto (DEM) x 11% Geddel Vieira Lima (PMDB)

PE: Eduardo Campos (PSB) 67% x 19% Jarbas Vasconcelos (PMDB)

Avaliação de Gaudêncio Torquato sobre a campanha presidencial

Do Porandubas:

Minha tese é de que o Produto Nacional Bruto da Felicidade é quem está comandando o processo de escolha. Sem ufanismo, eis minha leitura : a maioria da população brasileira está satisfeita com o governo Lula. O presidente colou o voto ao bolso dos cidadãos. Logo, o voto gera alimento para o estômago. Geladeiras cheias, fogões com chamas acesas fazendo comida farta. Produtos da linha branca enchendo as cozinhas. Carro novinho, mesmo que seja simples, na porta de casa. Até o dinheirinho para o lazer está à disposição. Há uns 20 programas de Lula que, somados, formam o que chamo de Produto Nacional Bruto da Felicidade. Passaporte para Dilma.

Serra, um discurso troncho
Questões que devem inquietar os marqueteiros : por que votar em Serra ? Por que o eleitor está insatisfeito ? Por que vota em candidato mais preparado ? Por que Serra é mais experiente ? Ora, tais argumentos só funcionam junto a estratos que estão acima do meio da pirâmide. O voto racional pode ir para Serra, mas é um sufrágio menor. Serra, na verdade, carece de um discurso menos vago. Se prometer mudanças, perderá muitos eleitores. Que temem alteração substancial nas regras do jogo. Se disser que vai aperfeiçoar, a questão surge : como ? Aperfeiçoar é um verbo abstrato.

Serra centralizador
A campanha do ex-governador paulista, ademais, carece de planejamento, de organização. Serra é quem decide tudo, ao sabor do humor. Dorme tarde, lá pelas 4 da manhã, acorda pelas 8h/9h, cheio de sono e ressaca eleitoral. Fica com o humor à flor da pele. Agora decidiu concentrar a campanha no Triângulo das Bermudas, Rio, São Paulo e Minas Gerais. Campanha de corpo a corpo. Aí se concentra o maior eleitorado brasileiro. Haverá tempo de diminuir a distância ?

Programa velho
O programa de Serra na TV é velho, cheio de bolor. Mostra o que fez e o que poderá vir a fazer. Imagens antigas, de arquivo, e falas pontilhadas pela didática do professor em sala de aula. Uma chatice. E, para chegar ao cúmulo do contra-senso, aparece Lula no programa. Como Serra vai justificar a imagem de Lula, se, na sequência, vem uma saraiva de balas contra o governo de... Lula ? A isso chamamos de dissonância cognitiva. O eleitor é induzido à dúvidas. E, ao final do processo, tende a concluir que Serra está querendo enrolá-lo. E que Dilma é a candidata do presidente. Gonzalez, o marqueteiro de Serra, parece ter perdido o eixo.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Maratona Pessoal


Depois de falar para auditores fiscais em Araxá (MG), falei ontem no encontro estadual de vereadores de Santa Catarina, em Rio do Sul. Hoje falo para diretores de escolas de Blumenau. Nos dois encontros de anteontem e ontem, procurei apresentar dois problemas graves que temos que solucionar nos próximnos quatro anos: a queda vertiginosa da importância dos municípios como entes federativos (cada vez mais dependentes de convênios com União e Estados) e a "bolha de consumo" que venho reportando neste blog.
Hoje falo sobre educação fiscal e orçamento participativo adolescente. Este é o motivo de postar com menos frequência neste blog. A partir de amanhã ficará mais tranquilo.
Uma maratona anaeróbica.

Datafolha constata a "onda vermelha"

Dilma abre 20 pontos e já ultrapassa Serra em SP e no RS
A candidata do PT a presidente, Dilma Rousseff, manteve sua tendência de alta e foi a 49% das intenções de voto. Abriu 20 pontos de vantagem sobre seu principal adversário, José Serra, do PSDB, que está com 29%, segundo pesquisa Datafolha. Os contratantes do levantamento são a Folha e a Rede Globo.

Parece ocorrer o que a direção do PT denominava de "onda vermelha", um movimento irresistível de adesão e euforia que envolveria o eleitorado. Já lideranças lulistas (não confundir criação com criatura) considera que a tarefa a partir de agora é procurar transferir esta onda para as eleições estaduais. Já consideram fatura fechada no primeiro turno das eleições presidenciais. E já negociam (negociação duríssima) a composição do primeiro escalão do governo Dilma. Um dos cargos mais disputados entre PT e Lulismo é o do Chefe da Casa Civil. Lula quer emplacar Palocci.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

IBOPE confirma Vox Populi: diferença entre HC e Anastaisa cai

IBOPE: Hélio Costa aparece com 38% das intenções de voto, um ponto a menos do que a pesquisa anterior, divulgada em 30 de julho. Anastasia cresceu seis pontos percentuais, passando para 27%. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Reafirmo minha análise: com diferença ao redor de 10%, Anastasia leva a eleição para o segundo turno e vence as eleições. Vamos aguardar Datafolha, que ainda mantinha alta diferença entre os dois candidatos.

domingo, 22 de agosto de 2010

Um time pálido...

Minha entrevista sobre Lulismo à TV Assembléia (4 - FINAL)

Minha entrevista sobre Lulismo à TV Assembléia (3)

Minha entrevista sobre lulismo à TV Assembléia (2)

Minha entrevista sobre lulismo à TV Assembléia (1)

Constituinte Escolar de Ipatinga (2)


A idéia de uma constituinte escolar nasceu em Porto Alegre e logo ganhou vários municípios. Agora, após a turbulência política que atingiu Ipatinga, no Vale do Aço mineiro, a prefeitura decidiu lançar mão deste importante instrumento participativo para compor a política educacional municipal. De agosto a outubro está programada uma etapa de diagnóstico participativo, envolvendo pais, diretores, professores e funcionários das escolas, além dos alunos e sociedade civil local. Eu, através do Instituto Cultiva (www.tvcultiva.com.br), coordeno todas pesquisas quantitativas e qualitativas que estão (e serão) realizadas ao longo deste processo.
De tempos em tempos, estarei divulgando os passos dados.

Constituinte Escolar de Ipatinga (MG)

A "bolha de consumo" vem aí


Dados da Confederação Nacional do Comércio divulgados nesta quinta-feira:

1) O percentual de brasileiros endividados aumentou de 57,7% (julho) para 59,1% (agosto);
2) A intenção de consumo das famílias subiu de 133,6 (julho) para 134,4 pontos (agosto);
3) A satisfação com o mercado e trabalho e com melhora da renda continua em alta.

A boa notícia: o índice de inadimplência recuou de 8,9% para 8,8%.

Venho dizendo em minhas entrevistas: os próximos quatro anos serão mais importantes para o país que os últimos oito.

Funk do Adnet

sábado, 21 de agosto de 2010

Comentários sobre o texto de Krauze (nota abaixo)


1) Os "mandamentos do populista" iniciam com uma síntese do conceito de líder carismático, de Max Weber. É quase cópia literal;
2) Centra fogo na defesa do que denomina "democracia liberal" e utiliza os mandamentos para confrontar as ações e estilos de Perón e Chávez. Este é um problema conceitual e que revela certo passadismo do autor. Há tempos procura-se não adjetivar democracia. É um valor universal. Ponto.

Enfim, mais um texto de embate ideológico. Instigante neste sentido (não pela amplitude ou precisão teórica).
E ainda dizem que não há mais esquerda e direita!

Os dez mandamentos do populismo, por Enrique Krauze

Publico o texto a partir de uma dica de Augusto de Franco, no twitter. Originalmente publicado no Estadão. Adianto que o conceito de populismo é impreciso e dos mais pobres do ponto de vista sociológico. Mas o artigo é instigante (mesmo assim!)

Os dez mandamentos do populismo
Enrique krauze no Estadão

O populismo na América Latina adotou um amálgama desconcertante de posições ideológicas. Esquerdas e direitas poderiam reivindicar a paternidade do populismo, todas ao conjuro da palavra mágica 'povo'. Populista quintessencial foi o general Juan Domingo Perón, que havia atestado diretamente a ascensão do fascismo italiano e admirava Mussolini a ponto de querer 'erigir-lhe um monumento em cada esquina'. Populista pós-moderno é Hugo Chávez, que venera Fidel Castro a ponto de tentar converter a Venezuela numa colônia experimental do 'novo socialismo'. Os extremos se tocam, são cara e coroa de um mesmo fenômeno político cuja caracterização não se deve tentar, contudo, pela via de seu conteúdo ideológico, mas sim de seu funcionamento. Proponho dez traços.

1- O populismo exalta o líder carismático. Não há populismo sem a figura do homem providencial que resolverá os problemas do povo. 'A entrega ao carisma do profeta, do caudilho na guerra ou do grande demagogo - recorda Max Weber - não ocorre porque a mande o costume ou a norma legal, mas porque os homens crêem nele.'

2- O populista não só usa e abusa da palavra: ele se apropria dela. A palavra é o veículo específico de seu carisma. O populista se sente o intérprete supremo da verdade geral e também a agência de notícias do povo. Fala com o povo de modo constante, incita suas paixões, 'ilumina o caminho', e faz isso sem restrições nem intermediários. Weber assinala que o caudilhismo político surge primeiro nas cidades-Estado do Mediterrâneo na figura do 'demagogo'. Aristóteles sustenta que a demagogia é a causa principal das 'revoluções nas democracias', e percebe uma convergência entre o poder militar e o poder da retórica que parece uma prefiguração de Perón e Chávez: 'Nos tempos antigos, quando o demagogo era também general, a democracia se transformava em tirania.' Mais tarde desenvolveu-se a habilidade retórica e chegou a hora dos demagogos puros: 'Agora os que dirigem o povo são os que sabem falar.' Há 25 séculos essa distorção da verdade pública se desenvolvia na Ágora real; no século 20 ela o fez na Ágora virtual das ondas sonoras e visuais: de Mussolini (e Goebbels), Perón aprendeu a importância política do rádio para hipnotizar as massas.
E Chávez superou o mentor Fidel ao usar até o paroxismo a oratória televisiva.

3- O populismo fabrica a verdade. Os populistas levam às últimas conseqüências o provérbio latino: 'Vox populi, vox Dei.' Mas como Deus não se manifesta todos os dias e o povo não tem uma única voz, o governo 'popular' interpreta a voz do povo, eleva essa versão à condição de verdade oficial, e sonha com decretar a verdade única. Os populistas abominam a liberdade de expressão. Confundem a crítica com inimizade militante, por isso buscam desprestigiá-la, controlá-la, silenciá-la. Na Argentina peronista, os jornais oficiais - incluindo um órgão nazista - contavam com generosos privilégios, mas a imprensa livre esteve a um passo de desaparecer. A situação venezuelana, com a 'lei da mordaça' pendendo como uma espada sobre a liberdade de expressão, aponta no mesmo sentido; terminará por esmagá-la.

4- O populista usa de modo discricionário os recursos públicos. Não tem paciência com as sutilezas da economia e das finanças. O erário é seu patrimônio privado, que ele pode usar para enriquecer-se ou para embarcar em projetos que considere importantes ou gloriosos sem levar em conta os custos. O populista tem uma concepção mágica da economia: para ele, todo gasto é investimento. A ignorância ou incompreensão dos governos populistas em matéria econômica se traduziu em desastres descomunais dos quais os países levam décadas para se recuperar.

5- O populista divide diretamente a riqueza. O que não é criticável em si (sobretudo em países pobres, onde há argumentos extremamente sérios para dividir, de fato, uma parte da receita, à margem das dispendiosas burocracias estatais e prevenindo efeitos inflacionários), mas o populista não divide de graça: focaliza sua ajuda e a cobra em obediência. 'Vocês têm o dever de pedir!', exclamava Evita a seus beneficiários.
Criou-se assim uma idéia fictícia da realidade econômica e entronizou-se uma mentalidade assistencialista. No fim, quem pagava a conta? Não a própria Evita (que cobrou seus serviços com juros e resguardou na Suíça suas contas multimilionárias), mas sim as reservas acumuladas em décadas, os próprios operários com suas doações 'voluntárias' e, sobretudo, a posteridade endividada, devorada pela inflação. Quanto à Venezuela, até as estatísticas oficiais admitem que a pobreza aumentou, mas a improdutividade do assistencialismo só será sentida no futuro, quando os preços dispararem e o regime levar às últimas conseqüências seu propósito ditatorial.

6- O populista alimenta o ódio de classes. 'As revoluções nas democracias são causadas sobretudo pela intemperança dos demagogos', explica Aristóteles. O conteúdo dessa intemperança foi o ódio contra os ricos: 'Algumas vezes por sua política de denúncias... e outras atacando-os como classe, (os demagogos) incitam contra eles o povo.' Os populistas latino-americanos correspondem à definição clássica, com uma nuance: fustigam 'os ricos', mas atraem os 'empresários patrióticos' que apóiam o seu regime. O populista não busca, necessariamente, abolir o mercado: sujeita seus agentes e os manipula a seu favor.

7- O populista mobiliza permanentemente os grupos sociais. O populismo apela, organiza, inflama as massas. A praça pública é o teatro onde comparece 'Sua Majestade, o Povo' para demonstrar sua força e escutar as inventivas contra 'os maus' de dentro e de fora. 'O povo', claro, não é a soma de vontades individuais expressas em um voto e representadas por um Parlamento; nem sequer a encarnação da 'vontade geral' de Rousseau, mas uma massa seletiva e vociferante que caracterizou outro clássico, Marx - não Karl, mas Groucho: 'O poder para os que gritam ´O poder para o povo!´'

8- O populismo fustiga sistematicamente o 'inimigo externo'. Imune à crítica e alérgico à autocrítica, precisando apontar bodes expiatórios para os fracassos, o regime populista (mais nacionalista que patriótico) precisa desviar a atenção interna para o adversário de fora.
A Argentina peronista reavivou as velhas (e explicáveis) paixões antiamericanas que ferviam na América Latina desde a guerra de 1898, mas Fidel converteu essa paixão na essência de seu triste regime, definido pelo que odeia, não pelo que ama, aspira ou consegue. E Chávez levou sua retórica antiamericana a expressões de baixeza que até seu mentor Fidel (talvez) consideraria de mau gosto. Ao mesmo tempo, faz representar nas ruas de Caracas simulacros de defesa contra uma invasão que só existe em sua imaginação, mas em que um setor importante da população venezuelana (contrária, em geral, ao modelo cubano) acaba acreditando.

9- O populismo despreza a ordem legal. Há na cultura política ibero-americana um apego atávico à 'lei natural' e uma desconfiança das leis feitas pelo homem. Por isso, uma vez no poder (como Chávez), o caudilho tende a se apoderar do Congresso e induzir a 'justiça direta' ('popular', 'bolivariana'), arremedo de uma Fuenteovejuna -a obra teatral de Lope de Vega sobre abuso de poder e justiça - que, para os efeitos práticos, é a justiça que o próprio líder decreta. Hoje, o Congresso e o Judiciário são um apêndice de Chávez, como na Argentina o eram de Perón e Evita, que suprimiram a imunidade parlamentar e depuraram, segundo a sua conveniência, o Poder Judiciário.

10 - O populismo mina, domina e, em último recurso, domestica ou cancela as instituições da democracia liberal. Ele abomina os limites a seu poder, considera-os aristocráticos, oligárquicos, contrários à 'vontade popular'. No limite de sua carreira, Evita buscou sua candidatura à vice-presidência. Perón se negou a apoiá-la. Se houvesse sobrevivido, seria impensável imaginá-la tramando a derrubada do marido? Não por acaso, em seus tempos aziagos de atriz radiofônica, representara Catarina, a Grande. Quanto a Chávez, ele declarou que seu horizonte mínimo é o ano 2020.
Por que renasce de tempos em tempos a erva daninha do populismo na América Latina? As razões são diversas e complexas, mas aponto duas. Em primeiro lugar, porque suas raízes se fundem em uma noção mais antiga de 'soberania popular' que os neo-escolásticos do século 16 e 17 propagaram nos domínios espanhóis, que teve uma influência decisiva nas guerras de independência de Buenos Aires ao México. O populismo tem, além disso, uma natureza perversamente 'moderada' ou 'provisória': não termina sendo plenamente ditatorial nem totalitário; por isso alimenta sem cessar a enganosa ilusão de um futuro melhor, mascara os desastres que provoca, posterga o exame objetivo de seus atos, amansa a crítica, adultera a verdade, adormece, corrompe e degrada o espírito público. Desde os gregos até o século 21, passando pelo aterrador século 20, a lição é clara: o efeito inevitável da demagogia é subverter a democracia. ?

*Enrique Krauze é historiador mexicano

O clima na grande imprensa

Do twitter:
mecoBR @blogdojosias o PSDB inventou a oposição a favor? Isto não existe!!!
about 1 hour ago via web in reply to blogdojosias
Retweeted by blogdojosias and 5 others

Duas histórias recentes de pesquisa de intenção de voto


História 01
Um diretor de um instituto de pesquisa de muito destaque neste ano confidenciou que dificilmente Anastasia vence as eleições de outubro. Disse mais. Se achavam que Aécio Neves era um herói que carregaria Anastasia à sua sucessão, diz o diretor deste instituto, as pesquisas revelam que estaria mais para Batman e Robin.

História 02
Um pesquisador de um outro instituto de pesquisas revelou que a maioria dos entrevistados não consegue identificar quem é Anastasia, no interior de MG. Em uma proporção menor, ocorre com frequência o mesmo com Dilma (no caso da resposta espontânea). Na tentativa de resposta, contudo, Dilma é chamada de "mulher do Lula" e alguns a nomeiam de "Dona Vilma". A resposta completa seria, segundo este pesquisador, "eu voto na mulher do Lula".

O clima na grande imprensa tupiniquim: Editorial da Folha de SPaulo


Avesso do avesso (Editorial)
Tentativa do tucano José Serra de se associar a Lula na propaganda eleitoral é mais um sinal da profunda crise vivida pela oposição

Pode até ser que a candidatura José Serra à Presidência experimente alguma oscilação estatística até o dia 3 de outubro. E fatores imprevisíveis, como se sabe, são capazes de alterar o rumo de toda eleição. Não há como negar, portanto, chances teóricas de sobrevida à postulação tucana. Do ponto de vista político, todavia, a campanha de Serra parece ter recebido seu atestado de óbito com a divulgação da pesquisa Datafolha que mostra uma diferença acachapante a favor da petista Dilma Rousseff. A situação já era desesperadora. Sintoma disso foi o programa do horário eleitoral que foi ao ar na quinta-feira no qual o principal candidato de oposição ao governo Lula tenta aparecer atrelado... ao próprio Lula.
Cenas de arquivo, com o atual presidente ao lado de Serra, visaram a inocular, numa candidatura em declínio nas pesquisas, um pouco da popularidade do mandatário. Como se não bastasse Dilma Rousseff como exemplar enlatado e replicante do "pai dos pobres" petista, eis que o tucano também se lança rumo à órbita de Lula, como um novo satélite artificial; mas o que era de lata se faz, agora, em puro papelão. Num cúmulo de parasitismo político, o jingle veiculado no horário do PSDB apropria-se da missão, de todas a mais improvável, de "defender" o presidente contra a candidata que este mesmo inventou para a sucessão. "Tira a mão do trabalho do Lula/ tá pegando mal/... Tudo que é coisa do Lula/ a Dilma diz/ é meu, é meu." Serra, portanto, e não Dilma, é quem seria o verdadeiro lulista. A sem-cerimônia dessa apropriação extravasa os limites, reconhecidamente largos, da mistificação marqueteira. A infeliz jogada se volta, não contra o PT, Lula, Dilma ou quaisquer dos 40 nomes envolvidos no mensalão, mas contra o próprio PSDB, e toda a trajetória que José Serra procurou construir como liderança oposicionista. Seria injusto atribuir exclusivamente a um acúmulo de erros estratégicos a derrocada do candidato. Contra altos índices de popularidade do governo, e bons resultados da economia, o discurso oposicionista seria, de todo modo, de difícil sustentação em expressivas parcelas do eleitorado. Mais difícil ainda, contudo, quando em vez de um político disposto a levar adiante suas próprias convicções, o que se viu foi um personagem errático, não raro evasivo, que submeteu o cronograma da oposição ao cálculo finório das conveniências pessoais, que se acomodou em índices inerciais de popularidade, que preferiu o jogo das pressões de bastidor à disputa aberta, e que agora se apresenta como "Zé", no improvável intento de redefinir sua imagem pública. Não é do feitio deste jornal tripudiar sobre quem vê, agora, o peso dos próprios erros, e colhe o que merece. Intolerável, entretanto, é o significado mais profundo desse desesperado espasmo da campanha serrista. Numa rudimentar tentativa de passa-moleque político, Serra desrespeitou não apenas o papel, exitoso ou não, que teria a representar na disputa presidencial. Desrespeitou os eleitores, tanto lulistas quanto serristas.

Próximos lançamentos de meu livro

Dia 24/08, em Araxá
Encontro Regional do Projeto Aposentadoria em Pauta, do Sindifisco, Sindicato Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil

Dia 25/08, em Rio do Sul
Encontro Estadual dos Vereadores de Santa Catarina

Dia 25/08, em Rio do Sul
Lançamento e Debate, na UNIDAVI (Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí)

Candidatos e vagas disputadas na eleição de outubro

Texto da matéria do Jornal da Tarde (nota abaixo)

Artigo publicado no Jornal da Tarde de 14/08/2010, caderno Cidades

Vandalismo, a maior queixa das escolas
Levantamento aponta os problemas destacados por profissionais das escolas municipais de SP
ISIS BRUM
isis.brum@grupoestado.com.br

Ameaça, furto e vandalismo são os tipos de violência mais frequentes nas escolas municipais de São Paulo, de acordo com o estudo Retrato da Rede 2010, realizado pelo Sindicato dos Gestores Educacionais de São Paulo (Sinesp) em parceria com o Instituto TV Cultiva, em 2009, e divulgado neste ano. Entre as unidades distribuídas em 31 subprefeituras, dez delas relataram sofrer com ameaças, nove com furtos e oito com atos de vandalismo, violência que atingiu o maior porcentual: 31% dos entrevistados a relataram em Perus, na zona norte. A Secretaria Municipal de Educação informou que enfrenta o problema com ações como ampliação do horário de permanência do aluno na escola e atividades de lazer com a participação dos pais.
As reclamações foram feitas por uma amostra de 418 profissionais da educação, entre diretores, assistentes de direção e coordenadores pedagógicos da rede municipal e os resultados refletem a situação vivida no ambiente escolar.
A agressão física – a forma mais grave de violência escolar – apareceu em três regiões. A subprefeitura de Vila Mariana, na zona sul, é a segunda no ranking de maior incidência desse tipo de violência, juntamente com o bullying – 16,7% dos entrevistados da região relataram ter presenciado situações de violência física e humilhações.
Para uma coordenadora pedagógica da rede, que pediu para não ser identificada, a situação mais grave do dia a dia é lidar com alunos armados. Geralmente, são estudantes em liberdade assistida (programa da Fundação Casa para reinserir socialmente menores que cometem delitos) ou dos cursos noturnos para jovens adultos (EJA). “Eu já convenci aluno do EJA a me entregar a arma com a qual ele queria matar a professora de Geografia”, conta a educadora, de 47 anos, dos quais 28 dedicados ao ensino público. “A gente sai de casa e não sabe se volta”.
Para uma diretora de uma escola da zona norte, a depredação do patrimônio público é um dos piores problemas de sua unidade. Na análise da educadora Silvia Colello, da Faculdade de Educação da USP, “a escola incorpora valores e tensões da sociedade, mas também gera e fomenta sua própria forma de violência”. Para Silvia Colello, “o aluno, muitas vezes, encontra autoritarismo, professores descompromissados, que faltam o tempo todo, uma escola feia e um ensino que não diz nada para sua vida”.
“A violência contra o patrimônio mostra como o aluno não tem vínculo com a instituição e o quanto não se sente bem naquele espaço”, diz Silvia. Um exemplo disso é a depredação do CEU Três Pontes, na zona leste, alvo de vandalismo em janeiro, após sofrer com o alagamento crônico do entorno.
“Se a instituição não dá nem chance para os filhos de uma determinada comunidade obterem uma vaga, que relação essas pessoas vão ter com a escola?”, questiona o sociólogo Moisés Batista, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP.
Preocupado com os entraves que dificultam o funcionamento da rede, Batista acredita que a reversão desse quadro começa com cada unidade revendo seu projeto político-pedagógico. Na mesma linha, Silvia defende que as escolas abordem os problemas de violência interna, descubram os motivos que levam a ela e proponha soluções específicas para sua unidade.
Presidente do Sinesp, João Alberto Rodrigues de Souza espera que o documento seja discutido pela Prefeitura e ajude a melhorar o cotidiano dos educadores.

Sindicato pretende criar um índice da violência em 2011
Este é o quinto ano em que o estudo ‘Retrato da Rede’, do Sinesp, é elaborado, mas é apenas a segunda vez que o levantamento é quantificado de acordo com métodos científicos. A ideia dos dirigentes do Sinesp é, só a partir do ano que vem, divulgar dados comparativos de um ano para o outro e, dessa forma, formatar um índice da violência escolar com base nos relatos colhidos pelo sindicato.
A entidade representa diretores de escolas, supervisores e coordenadores pedagógicos da rede municipal da capital. O questionário sobre violência é aplicado a esses profissionais. O Sinesp tem um representante para cada subprefeitura da cidade.

Maior participação dos pais ajuda
Ampliação dos turnos diurnos de permanência nas escolas e a realização de atividades de lazer nas unidades, inclusive aos sábados, e com a participação dos pais, são duas estratégias de combate à violência adotadas pela Secretaria Municipal de Educação, de acordo com nota enviada por sua assessoria de imprensa.
Atividades pedagógicas, como passeios monitorados a museus e teatros, distribuição de guias anti-drogas para alunos e professores e palestras dadas por policiais militares e guardas civis sobre o consumo entorpecentes também fazem parte das ações da pasta para reduzir os índices de violência em suas unidades.
Para a SME, o desgaste que os educadores alegam sentir no ambiente escolar deve-se mais “à dificuldade em lidar com conflitos originados num ambiente cada vez mais heterogêneo”, já que a rede cresceu “significativamente nos últimos 20 anos”. “O fato de alguns alunos terem dificuldades no aprendizado, por exemplo, pode gerar frustração em estudantes e professores”, informa a nota.

Condições melhoraram
Os profissionais ouvidos pela reportagem e o próprio sindicato afirmam ser, além da violência, burocracia, falta de infraestrutura e valorização do educador, ao contrário do que destaca a secretaria.
De acordo com o órgão, os salários foram reajustados em 40,9% e receberão mais 33,79% nos próximos três anos. “As condições físicas das escolas melhoraram muito nos últimos anos, com reformas parciais ou totais em todas as unidades.
Vem crescendo também o suporte pedagógico que é dado aos professores, como a adoção das Orientações Curriculares, o segundo professor em sala de aula e o uso dos Cadernos de Apoio e Aprendizagem, melhorando e facilitando assim o trabalho dos educadores”, aponta a pasta.
Também de acordo com as informações da assessoria da secretaria, contribuíram para a melhoria das condições de trabalho dos professores “a autonomia dada às escolas da rede municipal de ensino, a adequação da jornada do professor à do aluno, a garantia de cinco horas de aula por dia e a premiação por desempenho”. Para o órgão, estes são mais alguns dos benefícios conquistados pelos profissionais da educação.

Matéria no Jornal da Tarde sobre pesquisa que coordenei em SP

Matéria sobre meu livro, no jornal Hoje em Dia

O papel do PMDB no futuro governo


Este é o tema que já orientou 11 em cada 10 jornalistas que me entrevistaram na última semana: o papel do PMDB num possível governo Dilma. Será outra avalanche, sem dúvida. E, possivelmente, alimentada por Lula (discretamente) ou ao menos não contará com reações de Lula. Isto porque faz parte do projeto lulista e também porque cria mais espaço de manobra para o lulismo, diminuindo o poder do PT.
Se a vitória de Dilma sorrir realmente no primeiro turno, a oposição ao lulismo estará desmantelada. Para o projeto lulista, será a oportunidade de consolidação de um poderoso bloco político, cujos tentáculos envolverão parte do PSDB. O discurso radical de Roberto Freire criará, neste cenário, dificuldades imensas ao PPS porque não liderará a oposição (tarefa que caberá ao maleável Aécio Neves) e nem poderá caminhar com rapidez para se recompor com o lulismo. O DEM simplesmente sumirá do cenário político. PV e PSOL terão dias de disputa interna das mais sanguinárias. Somente após esta acomodação teremos noção do papel dos dois partidos.

Minha análise sobre a campanha


1) Serra centralizou em demasia a coordenação da sua campanha. Além disto, demonstrou que o temperamento desagregador e a paranóia não eram meros boatos;
2) Dilma se saiu bem nas suas aparições. Imaginava-se que seria um desastre, demonstrando insegurança ao expor um perfil que não seria exatamente o seu. Não chegou a ser uma estrela, mas não comprometeu;
3) Lula é o artífice e maestro desta campanha. Ele simplesmente conduz e se revela extremamente atento. Na quase crise da campanha de Dilma com a centrais sindicais, foi Lula quem disse que define e garante o poder sindical no futuro governo. Anunciou, numa fala cifrada, publicamente que definirá os próximos diretores das agências reguladoras antes da posse de Dilma. E o troco veio em seguida: um encontro de Dilma com as mulheres das centrais sindicais, incluindo a UGT, vinculada ao PPS;
4) A "onda vermelha" está tomando corpo. Se realmente se consolidar, será uma avalanche demolidora e poderá impactar as eleições estaduais. Esta eleição será consagradora para o lulismo. Mais que para o PT.

Datafolha explica aumento da vantagem: propaganda de Dilma é mais bem avaliada

De Mauro Paulino (DIRETOR-GERAL DO DATAFOLHA) e Alessandro Janoni (DIRETOR DE PESQUISAS DO DATAFOLHA):

PROPAGANDA DA PETISTA É A MAIS BEM AVALIADA; ENTRE QUEM VIU, ELA TEM 24 PONTOS A MAIS QUE SERRA
Para ilustrar o peso da TV na composição do voto do brasileiro, pesquisa Datafolha feita há um mês mostrou que 88% dos eleitores costumam utilizá-la para se informar sobre os candidatos.
Entre os habitantes do Nordeste de baixa renda, por exemplo, os que se informam exclusivamente pela TV são 71%.

Datafolha: Dilma tem 47% contra 30% de Serra


Agora parece para valer:

Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (21) pelo jornal Folha de S.Paulo mostra a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, com 47% das intenções de voto, contra 30% de José Serra (PSDB) e 9% de Marina Silva (PV). Na pesquisa anterior, divulgada no último dia 13, a petista tinha 41%, contra 33% do tucano e 10% da candidata do PV. Os outros candidatos não pontuaram. Nos votos válidos (em que são distribuídos proporcionalmente os dos indecisos entre os candidatos e desconsiderados brancos e nulos), Dilma vai a 54%. Ou seja, teria acima de 50% e ganharia a disputa em 3 de outubro. Na pesquisa espontânea para o primeiro turno, Dilma Rousseff aparece com 31% das intenções de voto, contra 17% de José Serra. No levantamento anterior, a candidata do PT tinha 26%, contra 16% do presidenciável do PSDB.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Lançamento livro lulismo em BH, com Arnaldo Godoy

Lançamento livro Lulismo em BH (2)

Lançamento do livro Lulismo em BH, com Pablo e o braço do deputado André Quintão (1)

A enquete deste blog


Resolvi fazer uma pergunta sobre educação nesta enquete atual. Achei que poderia revelar um tema de baixa atração. Mas se não é campeã de respostas, também está longe de ser desconsiderada. E revelou algo muito interessante, até o momento. Praticamente 1/3 afirma não saber a diferença entre promoção automática e progressão continuada (muito importante porque pode indicar críticas generalizadas sobre algo muito distinto); 1/3 se diz favorável à progressão continuada e 1/3 afirma ser contrário às duas.
Obviamente que o público deste blog, pela temática aqui desenvolvida, é distinto do perfil médio da população brasileira. Contudo, indica uma realidade instigante quanto ao tema, distinto do que imaginava (imaginava que o total dos que discordam da progressão continuada seria muito superior às outras respostas).

Instrução não é garantia de maior salário


Dados recentes do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) sugerem que quanto maior o grau de instrução, maior é a diferença salarial entre homens e mulheres. Em 2010, o salário médio de admissão de homens analfabetos está em R$ 615,49, enquanto que o das mulheres na mesma situação está em R$ 565,51, uma diferença de R$ 49,98. Já homens com educação superior recebem, aproximadamente, R$ 2.709,82 e as mulheres com mesmo grau de instrução, R$ 1.659,05, o que representa R$ 1.050,77 a menos.
No geral, o salário médio de admissão dos homens é de R$ 856,88 e o das mulheres é de R$ 753,23, sendo que Sergipe é o único estado brasileiro onde os salários médios de admissão das mulheres superam os dos homens, R$ 737,07 e R$ 693,97, respectivamente. Entre 2003 e 2010, o salário médio de admissão masculino obteve ganho real de 31,41% e o feminino, de 25,45%. As mulheres com nível superior de escolaridade obtiveram o maior ganho percentual do período, 5,96%.
Este dado começa a colocar por terra a noção que quanto maior a instrução, automaticamente há aumento de renda.
Um outro estudo, de Moisés Balassiano; Alexandre Alves de Seabra; Ana Heloisa Lemos, publicado na Revista Administração Contemporânea (Rev. adm. contemp. vol.9 no.4 Curitiba Oct./Dec. 2005), intitulado “Escolaridade, salários e empregabilidade: tem razão a teoria do capital humano?” concluiu que se faz necessário fazer
(...) ressalvas os pressupostos subjacentes à teoria do capital humano (educação influenciando renda) e à noção de empregabilidade - a qualificação potenciando as chances de inserção e permanência dos indivíduos no mercado de trabalho - visto que as relações observadas, apesar de apresentarem efeitos positivos em certos casos, não podem ser vistas como evidências desses pressupostos. Pelo contrário, constatações como a de que o salário elevado reduz a empregabilidade dos indivíduos com maior escolaridade, por um lado, e a de que a escolaridade não tem efeito tão marcante sobre a renda nos levam a relativizar os pressupostos mencionados. (...) Os números que relacionam o impacto do nível de escolaridade na empregabilidade da população estudada indicam variações pouco significativas entre as taxas de empregabilidade para os diferentes graus de escolaridade. É digno de nota o fato do grupo sem escolaridade formal (analfabetos) apresentar a mesma taxa de empregabilidade do grupo que possui o segundo grau completo.

Sugestões de Cesar Maia para Serra

Do ex-blog de Cesar Maia:

COMO OBAMA VIROU O JOGO 60 DIAS ANTES DA ELEIÇÃO!

Trecho de longo texto do psicólogo social assessor de campanha presidencial, Drew Westen em setembro de 2008 quando McCain mantinha sua vantagem de uns 5 pontos.

1. Fortalecer a mensagem de mudança com dois ou três assuntos de impacto. Obama fez um bom começo ao fortalecer a mensagem de "mudança" em Denver. Eu acredito bastante na eficácia de campanhas políticas emocionalmente evocativas onde as mensagens são embasadas em valores e as grandes questões do momento estão apresentadas dentro de mensagens fortemente emocionais ao invés de estarem escondidas nas entrelinhas de declarações partidárias.

2. Dados de pesquisas mostram claramente: candidatos que pensam que campanhas devem ser "debates sobre as grandes questões" perdem (Dukakis, Gore e Kerry fizeram esta abordagem). Obama fez o mesmo durante alguns meses, mas, em seguida, inverteu o rumo fazendo uso da sua extraordinária capacidade de inspirar. A mudança foi no jantar Jefferson-Jackson no estado de Iowa (em novembro de 2007), quando seu discurso colocou-o de volta no caminho para a nomeação. Ele e sua equipe tomaram a decisão correta de fortalecer uma mensagem simples, em vez de aborrecer os eleitores com uma grande lista de reivindicações com 12 pontos (como fez a Hillary).

3. Até agora Obama não fez o que todo candidato vitorioso desde Ronald Reagan fez: apresentar dois ou três "temas principais" onde informa ao público americano onde está o seu coração, lealdade e valores. A mensagem dos “temas principais” deve ilustrar para os eleitores os caminhos para onde o candidato pretende levar o país. Um dos temas principais de Bill Clinton era “Acabando com a assistência social que conhecemos”. Outro era um argumento forte sobre a economia, abordando as preocupações da população com a recessão, herança de Bush pai (este foi um golpe de mestre porque a economia sempre foi um dos “temas principais” do direito).

4. No entanto, Obama ainda não abraçou nenhum assunto, tornando-o "propriedade" dele. Deveria ter sido parte da narrativa mestre de sua campanha desde o início. Ele poderia facilmente ter entrelaçado sua própria história, de um jovem que cresceu sem pai com a mensagem tradicionalmente conservadora (mas quintessencialmente humana) de valores familiares. Obama poderia apresentar um plano para trazer os homens dos centros urbanos de volta as suas casas, escolas e postos de trabalho onde estarão longe de uma vida de crime. Um tema principal desses também iria proteger o candidato contra ataques raciais furtivos.

5. Com a economia, saúde, energia e segurança nacional todos em perigo, Obama pode tomar dois ou três desses assuntos e torná-los "seus". Se tivesse feito isso energicamente, é possível que os Democratas tivessem mantido os 30 pontos de vantagem que tinham seis meses atrás neste assunto. Lamentável, hoje os eleitores estão quase divididos meio a meio sobre a questão da energia. É um empate amargo que acontece no meio da uma gritaria vil de McCain (eis um dos “temas principais” dos republicanos): "Perfura aqui! “Perfura agora!".

6. Um novo tema principal da campanha poderia oferecer uma chance de investir em nossas crianças e no futuro da nossa nação com mudanças na legislação tributaria sobre deduções para educação. Assim, todos os dólares poupados para a escola dos filhos, da creche e a faculdade, poderiam ser dedutíveis. Esses planos darão dezenas de milhões de eleitores milhares de razões (em dólares economizados) para votar a favor de boas políticas públicas.

7. Se Obama queria romper com seu partido, ganhar os votos de republicanos moderados e independentes, e tentar algo novo que possa melhorar todas as nossas escolas, ele poderia permitir deduções em impostos federais, mas não estaduais ou municipais, para pais da classe média que mandam seus filhos para as escolas (particulares) de sua escolha, incluindo escolas paroquiais (católicas).

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Roberto Jefferson no melhor de sua forma


Roberto Jefferson voltou a ser assunto nas rodas de políticos. Pelo twitter, detonou Serra. Como faz com todos seus aliados.
Afirmou que desconhece Serra, desta maneira singela:

Eu apoio Serra a pedido do Geraldo Alckmin. Sou Geraldo, não conheço o Serra. Só de ouvir falar.

Em seguida, deu o golpe final:
Serra e responsável pela nossa dispersão. Nunca nos reuniu.

Lembremos que o furo sobre o vice ser Álvaro Dias veio de uma tuitada de Bob Jef. E, ainda, que Alckmin odeia Serra.
Enfim, coincidência pode ocorrer uma vez. A partir daí, é maquiavelismo puro.

Vox Populi: "PSDB-DEM sofrerão duro golpe"

A frente PSDB-DEM deve sofrer um duro golpe nas eleições deste ano, prevê João Francisco Meira, diretor presidente do Vox Populi. Vai sobrar Aécio Neves, em Minas, Kátia Abreu em Tocantins, talvez Roseane Sarney (embora no PMDB) no Maranhão. Cesar Maia corre o risco de não se eleger, assim como Agripino Maia e outros caciques. A nova geração de centro-direita, esperança de um revigoramento da oposição, será arrasada nas eleições. Levará no mínimo oito anos para se recompor a oposição, com todos os inconvenientes que trará para o aprimoramento democrático do país.

Estamos bem!

Lançamento do meu livro, hoje, em BH

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Vox Populi mostra Dilma com 45% e Serra com 29%

Pesquisa do instituto Vox Populi divulgada nesta terça-feira (17) no Jornal da Band, mostra a candidata petista à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, com 16 pontos de vantagem sobre o segundo colocado o tucano José Serra. De acordo com os números, se a eleição fosse hoje, a petista seria eleita no primeiro turno já que a quantidade de votos obtida é superior à soma dos votos dos demais concorrentes.

Algo impressionante. Em cinco semanas, se a tendência continuar constante, poderá ultrapassar 50% de intenção dos votos (12% ainda estão indecisos). Vamos ver como os serristas reagirão. Caso não consigam reagir, será uma derrota acachapante que obrigará a oposição a se recompor do zero.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O primeiro programa de televisão dos presidenciáveis

Vou fazer uma breve análise sobre os programas de TV dos candidatos a Presidência da República:

Marina
Errou feio. Imagem estática e professoral. Deixaram de explorar o que ela tem de melhor. Iniciar com meio ambiente foi um erro. Não é popular. Ela teria que ligar um mundo melhor, relacionando com a religiosidade que não é apelação no caso dela, e sua candidatura. Perdeu tempo.

Plínio
Horrível. Se juntou novamente aos nanicos. O que ele tinha conquistado com o debate na Band foi jogado no lixo. Faltou humor, ironia. Tive a impressão que o partido dirigiu o programa, a despeito das vontades do candidato. Algo clássico nas esquerdas.

Partidos Nanicos
Estiveram à altura de seu peso eleitoral. Não compreenderam, ainda, o que pensa e sente o povo brasileiro, a despeito de falarem em seu nome. Alguns, como PCO e PSTU, seguiram a cartilha leninista de uso da eleição para fazer pedagogia política. E ainda acreditam nisto.

Serra
Manteve as mesmas virtudes e erros dos spots da propaganda partidária do DEM e PSDB: a trilha sonora é primorosa, mas o conteúdo é irregular. Explico: o caso de dona Marina (do Maranhão) é emocionante, mas não foi alinhavado. Pode ser estratégia para ser recuperado em outro programa. Mas este era o inaugural e programa político é diferente de propaganda de produto de mercado porque os adversários estão emparelhados, gerando comparação imediata. O script do programa é irregular e não amarra, como se fossem módulos desconectados. Terminou com um samba que pretende ligar Zé com Lula. Infeliz. Como disse Noblat, bem feito mas não emocionou.

Dilma
Programa homogêneo e com alta emoção. Santana, o marketeiro, é um craque. Erro: muito tempo para a época de resistência á ditadura. Foi profilático, evidentemente. Mas expôs um tema em demasia que assusta o eleitorado brasileiro (que é conservador e pragmático). Fez o inverso do que sugerem os neurolinguistas. Sorte deles que foi na primeira metade do programa. E esta primeira metade foi sendo tragada pela emoção, pela emoção de Dilma ao falar dos pobres. Lula não foi o âncora, inteligentemente. Quem falava com o eleitor era Dilma. E a cena do cachorro pegando o graveto foi... apelação total. Que pega no eleitorado.

Enfim, se os programas de hoje à tarde terão impacto e continuarão assim, reforçarão a tendência das pesquisas.

Marcio Thomaz Bastos critica lei eleitoral


“O conceito de pré-campanha, que atormentou todo mundo, que redundou em uma série de multas, precisa ser mudado”, afirmou. “Quanto mais longa a campanha, melhor”.

Eu, pessoalmente, venho criticando esta lei desde o começo da judicialização da política tupiniquim. É uma lei sem sentido, anti=democrática. Eu, como cidadão, quero saber o que o candidato que deseja me representar pensa e se ele tem alguma afinidade com que penso. A lei atual impede que eu o conheça porque a pré-campanha não existe legalmente. O que ocorre é que os partidos impõem um candidato a partir da cúpula. Na Europa e EUA é comum que a fase de escolha seja aberta ao público não filiado, que opinia e orienta os pré-candidatos. Uma campanha mais longa possibilita que o candidato se amolde ao que a maioria deseja. Uma campanha curta gera o inverso.

IBOPE: Dilma abre 11%


A candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, lidera a corrida presidencial com 43% das intenções de voto, contra 32% do candidato do PSDB, José Serra, segundo pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (16) pelo Jornal Nacional. A candidata do PV ao Palácio do Planalto, Marina Silva, registra 8%. A margem de erro de é dois pontos percentuais. Encomendada pela Rede Globo e pelo jornal O Estado de S. Paulo, a pesquisa foi realizada entre os dias 12 e 16 de agosto, com 2.506 entrevistados de 174 municípios e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 11 de agosto de 2010, sob o número 23548/2010.

Alguns comentários:
1) Com esta diferença, Dilma venceria no primeiro turno;
2) Marina se mantém com 8%, distinto do que sugere Datafolha (onde ela estaria em 10%), embora esteja dentro da margem de erro;
3) Parece surpreendente esta subida no IBOPE (de 5% para 11% de diferença), o que é similar à diferença apontada nas últimas pesquisas Datafolha (o que redime o instituto da Folha). Não há nenhum fato político que teria alimentado esta subida, o que me faz pensar que a) a confusão interna na campanha serrista já estaria impactando a sua campanha; b) começa a surgir uma "onda" pró-Dilma, via popularidade lulista. Se a diferença realmente aumentou desta maneira, a alternativa A poderia ser revertida, mas a B dificilmente.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Explicações do Datafolha para a "virada" de Dilma

A explicação oficial para a "virada" foi a mudança na intenção de votos em Salvador, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Ocorre que RJ já indicava tendência pró-lulismo (não apenas Dilma) e Bahia também - assim como todo nordeste, com liderança de Pernambuco. Belo Horizonte é uma incógnita, como todo Estado de MG. Há rumores que Aécio estaria avaliando se potencializa a campanha Dilmasia em virtude do crescimento que Anastasia teria apresentado na última pesquisa Vox Populi. Se isto ocorrer, acho que Serra dificilmente consegue ganhar nestas capitais, que conformam o topo do ranking dos colégios eleitorais, atrás de SP. O problema para o Datafolha é que a "novidade" já tinha sido registrada por outros institutos de pesquisa há meses.

Recado rápido:
Estou em São Paulo onde presto consultoria para o SINESP. À noite, sigo para Brasília, onde falo na TV Senado e, à noite, lanço meu livro LULISMO no restaurante Carpe Diem. Talvez tenha dificuldades para postar no blog. Alguma nota postarei, sem dúvida. Mas não sei quantas. Enfim, fui até ali e volto já.

domingo, 15 de agosto de 2010

A sinalização de Hélio Costa

Insisto na postura estranha de Hélio Costa. Não há motivos para atacar e polarizar com Aécio Neves, como vem fazendo nos últimos dias. Só encontro duas explicações: a) procura motivar o PT a entrar na campanha, criando clima beligerante e b) se antecipa ao programa de TV, quando a imagem de Aécio colará à de Anastasia.
De qualquer maneira, tal postura revela insegurança de HC. E acabou por promover a imagem no debate da TV, na Band: HC não assumiu a postura vencedora que é sugerida por marketeiros quando se está tão à frente do adversário direto. Ao contrário, esta postura, que dá sensação de poder e capacidade ao eleitor, induzindo ao voto, foi de Anastasia. Enfim, HC está inseguro.

A bipolaridade da grande imprensa brasileira


De um lado para outro. Até a última pesquisa Datafolha, a grande imprensa parecia preparada para a guerra. Depois da pesquisa, caiu numa linha depressiva. Não consigo entender esta falta de profissionalismo. Nem um, nem outro. A campanha na TV começa agora. Sei que a tendência é pró-Dilma e todos indicadores sugerem a possibilidade de vitória no primeiro turno (arrecadação de campanha, Serra em queda em quase todas regiões, aumenta da identidade do eleitorado feminino com Dilma, crises e embates no interior da campanha serrista, ascensão consistente da intenção de votos em Dilma etc). Mas política se faz com seres humanos.
Vejam a nota publicada no Radar Político (Estadão) de ontem:

Tucanos não sabem como ‘desconstruir’ adversária
Luciana Nunes Leal, Blog Radar Político
Com poucas esperanças de chegarem ao início da propaganda na TV empatados com Dilma Rousseff, os tucanos ainda procuram a fórmula do que consideram essencial para alavancar a candidatura de José Serra: desqualificar a petista e mostrar que ela “não se sustenta” sem o presidente Lula. Para os aliados, Serra, apesar da vantagem de Dilma nas pesquisas, não deve mudar o estilo nem o discurso. Também não veem motivos para grandes alterações no roteiro de viagens, coordenado pela senadora Marisa Serrano. A saída, afirmam, é traçar um cenário negativo de um possível governo da ex-ministra. Em outra frente, procuram um meio de enfrentar a “acomodação” dos simpatizantes. A percepção é que os eleitores de Serra não estão mobilizados para conquistar novos votos e não embarcaram no discurso anti-Dilma.

A edipiana relação entre Serra e FHC


Quem conhece os bastidores da política paulista sabe da disputa surda entre FHC e Serra (assim com a disputa de morte entre Serra e Alckmin). Mas raramente este tema é tratado pela grande imprensa, embora seja revelador dos descaminhos da política nacional. Até que surge o artigo de Luis Nassif, intitulado "Serra e FHC, uma relação delicada". Vou reproduzir alguns trechos deste artigo, dos mais significativos para se entender o quanto a política é relação subjetiva, afetiva:

(...) Eleito governador, José Serra parecia pronto para a escalada rumo à presidência da República. As eleições presidenciais foram encarniçadas. Sem dispor de cargos executivos, o ex-presidente FHC e senadores como Arhur Virgílio e Tasso Jereissatti, estimulavam o clima de guerra, o único no qual poderiam ganhar espaço junto ao PSDB. O pêndulo do partido se inclinaria inevitavelmente para os governadores. (...) Terminada as eleições, com os ecos das baixarias ainda muito fortes, escrevi um artigo dizendo que tinha chegado a era dos negociadores. Serra tinha formação de centro-esquerda, não tinha acertos de conta com a biografia - como FHC com Lula -, seria o negociador, o governador com capacidade para conduzir uma interlocução de alto nível com o governo federal, enterrando a loucura que havia tomado conta da oposição e da mídia. A partir dali, o país entraria na era do amadurecimento político, com oposição e situação disputando quem faria melhor governo, teria as melhores propostas, sem intenções golpistas, sem dossiês, sem o clima terrível inaugurado pelo pacto espúrio de 2005 com a mídia. No artigo, dizia que a única esperança de Serra se consolidar seria enterrar o fernandismo e inaugurar definitivamente o serrismo. (...) Assim que recebeu o artigo pelo mailing, ele me ligou. Disse que, em geral, concordava com minhas posições, mas não naquela visão de romper com o fernandismo. «Ele é meu amigo, me apoia», me disse. Estranhei a conversa. Não estavam em jogo amizade ou coisas do gênero, mas a afirmação de um novo conjunto de idéias, de uma nova liderança, o que só poderia ser feito se se enterrasse o modelo anterior, desenhado e conduzido por FHC. Como inaugurar uma nova era no PSDB sem consumar o enterro da anterior, que o partido carregava como uma bola de ferro amarrada aos pés? Desligado o telefone, fiquei tentando entender a conversa. Aí caiu a primeira ficha. Lembrei-me de uma cena ocorrida alguns anos antes que se fixara em algum lugar da memória e agora voltava à tona. Foi no período em que ACM saiu atirando para todo lado. (...) Tinha um almoço com Serra no mesmo sábado no qual saíram as entrevistas com ACM. Ele ligou remarcando em lugar mais discreto. Almoçamos no restaurante do Hotel Cá Doro. As entrevistas haviam sido violentas. (...) No almoço, disse claramente a Serra que FHC era muito contemporizador, mas agora não tinha saída: ou destruía ACM ou seria destruído. Serra ouvia e de vez em quando soltava comentários no estilo «faço e aconteço». «É por isso que não me querem na presidência porque sabem que em dois tempos acabo com eles», comentou. Na época tinha credibilidade para esse tipo de bazófia e acreditei piamente que ele acreditava no que dizia. Segunda-feira tinha palestra em Brasília. Por volta do meio dia estava a caminho do aeroporto quando recebi telefonema do Serra. Perguntou se poderia almoçar com ele e FHC no Alvorada. Pedi para o taxista dar meia volta e fui para lá. Durante algum tempo ficamos os três conversando na sala. Ali, pela primeira vez, pude entender melhor a relação entre ambos. (...) Serra, desde que se tornara Ministro de FHC tinha por hábito, nas conversas, de criticar todas suas decisões, dizer-se melhor preparado para a presidência e contar como faria melhor isso ou aquilo. Todos jornalistas sabiam disso e achavam engraçado. Mesmo com muitas conversas em off, minha percepção, até então, era de um FHC frágil, pouco determinado. E era impressão generalizada. (...) Mas o que via na minha frente, ali no Alvorada, era algo que não batia com minha percepção sobre os dois políticos. FHC estava à vontade, falava bastante. Serra estava inibido, sorumbático, monossilábico. (...) Antes de ir para a mesa, Serra virou-se para mim e pediu que repetisse para FHC o que havia lhe dito no almoço de sábado. Repeti, disse que ou FHC destruiria ACM, ou seria destruído por ele. FHC não perdeu a bonomia. Como se tivesse tratando de um problema banal, disse: - O António Carlos está esperneando porque sabe que está perdido. Vai ser cassado por causa do vazamento do painel de votação do Senado. O caso do vazamento ainda não ganhara os jornais. Não piscou, não perdeu a segurança. Era o Príncipe em estado puro, frio, senhor da situação, analista absoluto de todos os desdobramentos da maior crise que enfrentara. Olhei para o Serra, minha esperança de futuro grande estadista do país. E vi apenas um político assustado, inibido pela presença e pela análise de situação de FHC. Fiquei algum tempo sem entender direito. Porque Serra precisou de mim para transmitir um recado que, se ele tivesse o poder de que se jactava, teria sugerido pessoalmente a FHC? Mais que isso: parecia desconhecer a determinação de FHC. Será que aquela inibição que testemunhei no almoço, quase um temor reverencial, era a regra nas suas relações pessoais? (...) No fundo, jamais conseguiu se desvencilhar da influência massacrante de FHC. Não propriamente nas ideias, mas na capacidade de decidir, de se mover no cenário político, na frieza ao tratar com os grandes perigos, na clareza de definir slogans mobilizadores de campanha, da segurança de saber o que queria. E FHC sempre conheceu Serra como a palma da mão. Daí a relutância permanente em abrir espaço para ele - que Serra interpretava como medo da sua competência. Daí as ressalvas permanentes, as dicas que passou no perfil que a revista Piauí traçou sobre Serra. Durante os quatro anos como governador, comeu na mão de FHC. Através dele, montou o pacto com a mídia que lhe permitiu exercitar seu esporte predileto: fuzilar reputações de terceiros, pedir a cabeça de jornalistas, atuando nos bastidores. Foi a FHC que recorreu em pânico, em janeiro, querendo se afastar do cálice da candidatura a presidente, conforme a reconstituição feita pelo Estadão. Em toda sua vida política, afastou-se de FHC apenas nos dos últimos meses, pressionado pelos altíssimos índices de rejeição do seu guru. E aí tornou-se um trem desgovernado, sem maquinista.

sábado, 14 de agosto de 2010

Outra vez os Sarney

O mesmo Estadão de hoje divulga á notícia que a transação entre a governadora do Maranhão, seu marido e o Banco Santos envolveu ainda mais um aliado da família Sarney: Miguel Ethel Sobrinho, ex-presidente da Caixa Econômica no governo de José Sarney e, até o ano passado, conselheiro da fundação que leva o nome do presidente do Senado. Com o título "Documentos indicam que Roseana Sarney lavou dinheiro", é o ataque mais duro à família do ex-presidente Sarney neste período eleitoral.
A matéria toda pode ser acessada AQUI

Mobilização geral por Dilma


Copiei o título do Editorial de hoje do Estadão (de SP) e o adotei nesta nota. O Editorial é pesado e revela como está o humor e expectativas da editorias da grande imprensa nacional em função das tendências eleitorais. Vou reproduzir o editorial para o leitor tirar suas próprias conclusões.

Mobilização geral por Dilma
O Estado de S.Paulo
Editorial 14 de agosto de 2010
O País seria outro em muitos aspectos se o presidente Lula tivesse convocado a administração federal a fazer o que dela a sociedade cobra com a mesma determinação empregada para fazê-la trabalhar cada vez mais pela candidatura Dilma Rousseff. E a máquina pública faria jus aos volumosos impostos recolhidos da população se os devolvesse sob a forma de serviços de boa qualidade no ritmo requerido, com o mesmo empenho e assiduidade com que se engajou na campanha sucessória, a fim de suprir as notórias deficiências da ex-ministra no embate eleitoral. Fiel à sua proclamada prioridade "como presidente" este ano, não bastou a Lula carregar a sua afilhada pelo Brasil afora em eventos ditos administrativos, pelo que já recebeu uma penca de multas aplicadas pela Justiça Eleitoral. Tampouco deve ter considerado suficiente sincronizar o anúncio de medidas na área de políticas públicas com as promessas da candidata na montagem de uma assim chamada "agenda positiva". Foi só ela defender a intensificação do combate ao crack, por exemplo, e eis que, num primário jogo de cartas marcadas, o Planalto apresentou o que seria um programa nacional nesse sentido. Com igual despudor, apostando na falta de informação e senso crítico da parcela do eleitorado com que conta para eleger a ex-ministra, Lula resolveu colocar o Ministério em regime de prontidão para fazer por Dilma o que ela não conseguiria por conta própria. Na terça-feira, ele reuniu o Gabinete para exigir de seus integrantes dedicação plena à campanha eleitoral. "O povo brasileiro", avisou na véspera, "merece que nós possamos concluir o trabalho que começamos." Naturalmente, nenhum dos mobilizados há de ter tido dúvidas sobre a natureza desse trabalho. Coincidência ou não, no mesmo dia do comando de ordem unida dado por Lula, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, divulgou pessoalmente um boletim estatístico eivado de falsidades. A julgar pelos números manipulados, o governo Lula é ainda melhor do que o seu titular diz ser e o governo Fernando Henrique ainda pior do que o lulismo apregoa. Dados referentes ao primeiro ano da gestão FHC, por exemplo, foram omitidos para aumentar a diferença da variação da renda nacional per capita nos dois governos. As verdades distorcidas foram parar sem demora no site da candidatura Dilma e ela mesma se valeu de uma delas (sobre a evolução do salário mínimo) na sua vez de ser sabatinada pelo Jornal Nacional. A operação casada prosseguiu nos dias seguintes, quando os Ministérios da Saúde e dos Transportes contestaram fatos e números apresentados pelo candidato oposicionista José Serra no mesmo programa. Menos de 2 horas depois, com incomum agilidade, a Saúde divulgou nota oficial respondendo à crítica do tucano à extinção dos mutirões criados quando chefiou a Pasta. "Os mutirões foram incluídos na Política Nacional de Cirurgias Eletivas, criada em 2004", diz a nota. Com isso, segundo o governo, o número desses procedimentos programados subiu de 1,5 milhão para 2 milhões. O texto parece ignorar relatório oficial de março passado atestando o contrário. Em 2002, último ano da gestão Serra, foram 484 mil cirurgias de 17 modalidades. Em 2009, esse total caiu para 457 mil. O governo se vangloria das 319 mil operações de catarata no ano passado, ante 309 mil há 8 anos. Mas finge desconhecer a fila de mais de 170 mil candidatos a cirurgias nas 7 maiores cidades do País, conforme revelou O Globo. Nada disso, evidentemente, impediu o PT de anunciar no seu site que a Saúde rebatera as "mentiras de Serra". Já o Ministério dos Transportes negou a informação do candidato de que, a contar de 2003, foram aplicados em estradas apenas R$ 25 bilhões dos R$ 65 bilhões arrecadados com o imposto para obras de infraestrutura (Cide), entre outras. A Pasta desmentiu também que a Rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte, estivesse "fechada", como afirmou Serra. O ponto não é o direito (ou o dever) dos governos de contestar com fatos objetivos as acusações que lhe são dirigidas. Mas o governo Lula, a pretexto de se defender, se mobiliza para fazer propaganda enganosa com fins eleitorais.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A notícia sobre Datafolha já está no twitter


Neste momento, um turbilhão de notas no twitter sobre o Datafolha e a diferença de 8% de Dilma sobre Serra. A sensação de vitória no primeiro turno se generaliza. Principalmente entre jornalistas da área política.
O pêndulo da política eleitoral é a pesquisa de intenção de votos.

Datafolha em MG: Hélio Costa continua muito à frente

O ex-ministro Hélio Costa (PMDB) mantém a liderança da corrida pelo governo de Minas Gerais, com 26 pontos de vantagem sobre o atual titular do cargo, Antonio Anastasia (PSDB), aponta pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira. De acordo com o instituto, Costa tem 43% das intenções de voto. O tucano marca 17%. Em relação à última rodada (20 a 23 de julho), ambos oscilaram um ponto percentual para baixo.
Segundo a pesquisa, o número de indecisos em Minas segue alto: 24%. Outros 8% disseram que pretendem votar em branco ou nulo. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Fabinho (PCB) e Vanessa Portugal (PSTU) têm 2% cada. Com 1%, aparecem Professor Luiz Carlos (PSOL), Pepê (PCO), Zé Fernando Aparecido (PV) e Edilson Nascimento (PT do B). A pesquisa foi feita de 9 a 12 de agosto, com 1.264 eleitores de 51 cidades mineiras. Está registrada no TSE sob o número 22754/2010. Os contratantes são a Folha e a Rede Globo.

Noblat divulga Datafolha

Do twitter:
BlogdoNoblat O DataPolvo informa em mais uma edição extraordinária: Dilma, 41%; Serra, 33% no Datafolha.

Boato talvez explique postura de Hélio Costa

Um forte boato entre jornalistas dava conta que uma pesquisa que será divulgada na segunda-feira revela diminuição da diferença entre Hélio Costa e Anastasia para 12%. Se for verdade, tudo muda. Acredito que o final de agosto é definidor dos rumos aqui em MG. Entre 15% e 20% de diferença pró-Hélio Costa praticamente fecha a fatura. Uma diferença igual ou menor de 10% criará um ânimo novo e uma onda irresistível da campanha Anastasia. Aguardemos para saber se é só boato.

Fernandópolis (SP): o paraíso do retrocesso


Estive, ontem, debatendo no Brasil das Gerais (Rede Minas) o caso absurdo da sentença de morte por apedrejamento da iraniana Sakineh. Mas temos casos e casos em nosso país tão absurdos quanto esta deliberação irracional do Estado iraniano. Cito, dentre outros, a decisão polêmica ocorrida em Fernandopólis, interior de SP. Além de ter sido imposto o Toque de Recolher para adolescentes, agora implantaram o Toque Escolar. O "toque escolar" foi adotado depois que a direção das escolas identificou que o número de faltas é cada vez maior. Com a nova medida, o estudante que estiver fora da instituição de ensino, durante o horário de aula, será recolhido e encaminhado à escola. Fernandópolis tem cerca de 10 mil alunos em unidades municipais, estaduais e particulares. Vejam o que o juiz Evandro Pelarin, da Vara da Infância declarou a respeito: "Com a ação periódica, a meninada fica com medo. Se o menor está na rua sozinho, bebendo, não está em boa companhia. A negligência dos pais é flagrante". A medida foi adotada para evitar que adolescentes fiquem à noite pelas ruas e consumam bebida alcoólica. Depois das 22 horas, rua para adolescente somente em companhia dos país.
Nem na Idade Média. Imagine se isto existisse durante a minha adolescência! Eu não seria o que sou. E era regime militar!!!!
Um absurdo. Fascismo puro!

Eu topo jogar no Timão

O debate de ontem na Band MG


Ontem, fui um privilegiado. Analisei - no aquecimento, 1h30 antes do debate - o que poderia ser o debate entre candidatos ao governo de Minas na rádio Band News MG, ao lado de Elói e Peninha. Cinco candidatos que disputam o Palácio da Liberdade participaram deste primeiro debate:Hélio Costa (PMDB), Antônio Anastasia (PSDB), Edilson Nascimento (PTdoB), Zé Fernando Aparecido (PV) e Prof. Luiz Carlos (PSOL) fizeram um debate em clima cordial, apesar de alguns momentos de tensão. Eu gostaria de ter ouvido algo a respeito das políticas da mudança do perfil da pauta de exportação que faz de MG o 2o ou 3o PIB do país mas o 10o Estado em média salarial (devido ao baixo valor agregado de seus produtos). Mas o debate centrou fogo no plano de carreira dos servidores estaduais e na qualidade das estradas que cortam o Estado. No segundo bloco o clima esquentou. Não estou entedendo os motivos para Hélio Costa provocar a polarização com Anastasia, já que está 20% à frente nas pesquisas de opinião. A única explicação é uma postura preventiva, tentando se apresentar à militância petista e tentando se blindar da identidade Anastasia-Aécio que fatalmente será explorada na TV. Mas revela insegurança, de qualquer maneira, de Hélio Costa. O embate aconteceu quando foram levantadas questões envolvendo a crise nos Correios e o salário dos servidores públicos.
Mas a maior decepção foram os candidatos do PSOL e PV. Esperava mais deles. Demonstraram, muitas vezes, insegurança. Não empolgaram. Poderiam sair do debate como alternativa, como referência política neste Estado que se ressente de ter uma política muito fechada, cada vez mais definida por grandes sistemas político-eleitorais.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Uma atitude muda tudo

A desigualdade entre municípios


Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 1% dos municípios mais ricos respondem por 47% de toda riqueza produzida no Brasil. Por outro lado, 70% das cidades mais pobres respondem por apenas 14,7% do PIB (Produto Interno Bruto).
Este dado dá a dimensão da importância do FPM e o impacto da queda em 2009.

O Próximo, artigo de Padre Alfredinho

O PRÓXIMO

Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS

O conceito de "próximo" na tradição judaico-cristã -- Antigo Testamento e Novo Testamento -- está fortemente marcado pela condição do necessitado. O povo hebreu escravo no Egito, os camponeses sobrecarregados de impostos no tempo da monarquia e dos profetas, os exilados na Babilônia, enfim, os oprimidos em geral são exemplos que ilustram essa concepção. Dois aspectos podem ser destacados. Primeiro, os quatro verbos na primeira pessoa do singular, atribuídos a Javé no Livro do Êxodo, "eu vi a aflição do meu povo, eu ouvi seu clamor, eu conheço seu sofrimento e eu desci para libertá-lo", representam a experiência fundante de um Deus que está atento, é sensível e solidário, com aqueles que sofrem, caminhando com eles ao longo de sua história (Ex 3,7-10; Dt 26,5-10).
Em segundo lugar, o profetismo em Israel sublinha essa mesma preocupação de Deus para com os marginalizados e excluídos. Três expressões acompanham geralmente os aforismos e sentenças proféticos: de início, "lembra-te", que foste escravo no Egito, como podes agora escravizar teus próprios irmãos; em seguida, "o direito e a justiça" que vocês não podem esquecer, termos que também aparecem com frequência nos livros sapienciais; enfim, o binômio "denúncia e anúncio", que, por um lado, desvenda mecanismos de opressão e, por outro, aponta o sonho da Jerusalém Celeste (Is 65, 17ss). De outro lado, nas páginas veterotestamentárias desfila com frequência a trilogia "do órfão, da viúva e do estrangeiro". Numa palavra, o termo "próximo" define aquele que, pelas mais diversas circunstâncias, tem sua vida ameaçada e que, por isso mesmo, passa a ter como porta-vozes os enviados de Deus: os profetas, os juízes, e assim por diante. Sua confiança se desloca para Deus e seus representantes. Na trajetória histórica de Jesus não é diferente. Próximo equivale ao pobre evangélico: alguém que nada mais espera da sociedade, do mundo, dos homens, da política ou da história e que, em tais condições de abandono, apela para o poder e a misericórdia de Deus. Devida à precariedade de sua vida, o próximo ou pobre, abre-se à irrupção de Deus na história. Está predisposto a aderir com maior facilidade às transformações socioeconômicas ou político-culturais. Diferentemente de quem nasce em berço de ouro e que normalmente rejeita a idéia de mudança, o próximo ou pobre tende a ver nela novas oportunidades de vida. Enquanto um é avesso às transformações, o outro muitas vezes as anseia.
Para o rico, o soberbo, o orgulhoso ou o auto-suficiente, o tempo deve permanecer fechado. A tese de Francis Fukuyama sobre "o fim da história" representa bem esse mundo cerrado ao futuro. Inversamente, para o indefeso e o fraco, que só vê salvação em Deus, a história é um terreno sempre aberto a novas semeaduras, novos plantios e novas colheitas. A esperança encontra-se num futuro a ser permanentemente recriado. "A criação inteira geme e sofre de dores de parto", escreverá o apóstolo
Paulo aos cristãos de Roma (Rm 8,18-25). Nos relatos dos quatro evangelistas, desfilam vários rostos concretos que encarnam o próximo e o pobre. Basta consultar, entre tantos episódios, as célebres páginas do Juízo Final, das Bem-aventuranças, do
Programa de Jesus (respectivamente em Mt 25,31-46; Mt 5,1-12; Lc 4,16-20). Mas é no episódio do Bom Samaritano que transparece de forma mais explicita a questão do próximo. A discussão sobre o maior mandamento leva à pergunta do doutor da lei, sobre "quem é meu próximo?", a qual orientará a parábola de Jesus.
Comentando o episódio, Edward Schillebeeckx diz que "Lucas inverte a noção de próximo: o próximo não é tanto o objeto da ação; para o outro, o ser próximo e auxiliador é o próprio sujeito que age. A relação entre "próximos" nasce apenas quando alguém ajuda e auxilia outro alguém, quando se aproxima do outro. Caridade cristã é isso: realiza-se aproximando-se de alguém, fazendo-lhe o bem, estabelecendo contato, comunicação benfazeja, criando amizade" (SCHILLEBEECKX, E. /Jesus história de um vivente/, Ed. Paulus, São Paulo, 2008, pág. 247). E o autor insiste em que "felicidade e futuro eram prometidos a quem já não tinha mais esperança no futuro". Em outras palavras, a condição para haver "próximo" é que alguém se
desinstale, saia de si mesmo, e vá ao encontro de quem se encontra necessitado. A noção de "próximo" só existe diante de uma situação concreta de ameaça, a qual cria a possibilidade de estender a mão ao indefeso, doente, frágil, pobre, excluído. Não se trata, portanto, de uma /atitude passiva/ de alguém que espera ajuda, e sim de um
/protagonismo ativo/ que interrompe seus afazeres e sua viagem para acolher e defender aquele "que está caído à beira da estrada". Entre o sacerdote, o levita e o samaritano da parábola, "quem foi o próximo?" -- pergunta Jesus. "Aquele que usou de misericórdia para com ele" -- responde o interlocutor. Ou seja, aquele foi capaz de desviar-se de sua rota diária e colocar seu tempo e seu dinheiro a serviço do necessitado. Próximo é aquele que se antecipa, que toma posição diante dos fatos, e não aquele que aguarda ser atendido. O conceito de proximidade implica uma postura de ir ao encontro.
Numa perspectiva scalabriniana, "próximo" não é o imigrante, o refugiado, o marítimo, o exilado, o deportado ou o itinerante. Próximos são aqueles que se aproximam desses rostos para defender seus direitos básicos e apontar-lhes a possibilidade de uma pátria sem fronteiras, de uma cidadania universal. Podemos concluir dizendo que J. B. Scalabrini é o protótipo do "próximo" para o migrante caído à beira da estrada, da vida e da história.